Tecnologia BRM: como funciona e o que muda na manutenção de híbridos 48V

Sistema da SEG Automotive substitui alternador e motor de partida, recupera energia em desaceleração, injeta torque, mas exige diagnóstico cuidadoso  

por Felipe Salomão   fotos Diego Cesilio & SEG Automotive  

Com a ampliação das exigências de emissões, as montadoras aceleram a adoção de downsizing e eletrificação para atender aos limites regulatórios. Além disso, a chegada dos carros híbridos e elétricos chineses têm pressionado as fabricantes já estabelecidas no Brasil a lançarem novos modelos para entrar nessa competitiva categoria, que somou cerca de 223,9 mil unidades vendidas em 2025, alta de 26% em relação a 2024, enquanto os modelos híbridos cresceram 44,6% no mesmo período, consolidando a eletromobilidade como segmento de volume no país. Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico – ABVE. 

Todavia, a SEG Automotive já desenvolve o sistema BRM (Boost Recuperation Machine) no Brasil, tecnologia aplicada a veículos híbridos leves de 48V, que serão lançados no mercado brasileiro em breve, inclusive, muito provavelmente ainda em 2026 por uma importante fabricante estabelecida no território nacional. A empresa não divulgou qual modelo utilizará a tecnologia BRM.  

O componente substitui alternador e motor de partida, atua como gerador e motor elétrico, recupera energia durante desaceleração e fornece torque auxiliar ao motor a combustão. Deste modo, esse tradicional passo a passo da Revista O Mecânico vai abordar os procedimentos de diagnóstico, manutenção e treinamento nas oficinas mecânicas, além de mostrar como o BRM funciona. Lembrando, a Revista já falou sobre esse sistema no passado em uma Live, além de fazer todo o diagnóstico no canal do YouTube. 

 

 

 

 

 

Descubra como a eletrificação vai impactar na indústria e no setor de reposição |O MECÂNICO AO VIVO. VEJA O VÍDEO!

Segundo Daniel Amaral, especialista em eletrificação da SEG Automotive, a tecnologia de 48V surgiu para elevar a eficiência sem alterar a arquitetura do veículo. “Essas tecnologias de hibridização leve surgiram pela necessidade de aumentar a eficiência veicular sem quebrar a arquitetura do veículo”, afirmou. 

O conceito de mild hybrid permite reduzir consumo e emissões por meio da recuperação de energia e suporte elétrico ao motor térmico, sem necessidade de sistemas híbridos completos de alta tensão. 

 

Eficiência energética e recuperação de energia 

O BRM converte energia mecânica em elétrica com eficiência superior à dos alternadores convencionais. “Um alternador tradicional chega perto de 70% de eficiência, enquanto essa máquina trabalha na faixa de 82% a 84%”, disse Amaral. 

A recuperação de energia ocorre principalmente em desaceleração e frenagem. “A energia que seria desperdiçada no freio motor é coletada e armazenada na bateria para uso posterior”, explicou. Com isso, esse processo permite reutilizar energia em acelerações, partidas e demandas elétricas, reduzindo consumo de combustível. 

 

Função motora e suporte  ao powertrain 

Além de gerador, o BRM, da SEG Automotive, atua como motor elétrico acoplado ao virabrequim via correia. Ele substitui o motor de partida convencional e fornece torque auxiliar. “Quando o sistema entra em modo motor, ele devolve a energia ao veículo sem injetar combustível, o que contribui para redução de consumo”, afirmou Amaral. 

O sistema injeta torque nas fases de maior demanda, como arrancadas e retomadas, reduzindo o atraso do turbo e a necessidade de reduções de marcha. “O motor elétrico injeta torque no momento em que o motor mais precisa, mantendo a rotação mais baixa e mais eficiente”, disse. Portanto, em ultrapassagens, o torque elétrico pode reduzir a necessidade de downshift, mantendo o motor em regimes mais eficientes. 

Arquitetura elétrica, estator, rotor e inversor 

O BRM utiliza estator com maior fator de preenchimento de cobre, rotor com ímãs de terras raras e inversor no lugar do retificador convencional. “No alternador temos diodos. Aqui usamos MOSFETs, que permitem controlar o chaveamento e transformar o gerador em motor”, explicou Amaral. 

O inversor controla a rotação, o torque e o modo de operação da máquina elétrica. O componente integra microprocessador, memória e software embarcado, que definem estratégias de geração, tração elétrica e recuperação de energia. 

Partida a frio, controle de emissões e Aplicações veiculares 

A tecnologia altera o processo de partida do motor. “O BRM gira o motor mais rápido, pré aquece a câmara de combustão e melhora a primeira queima, reduzindo emissões na partida a frio”, disse Amaral. Além disso, o aumento da rotação inicial, junto ao pré aquecimento melhora a atomização do combustível e a eficiência da combustão, reduzindo emissões no ciclo urbano. 

A tecnologia pode ser aplicada em veículos de diferentes categorias, com maior eficiência em veículos de menor massa para deslocamento elétrico em baixas velocidades. Em veículos maiores, o sistema atua principalmente como gerador e assistente de torque. 

 

Rastreabilidade, controle de qualidade e pós-venda 

O BRM possui rastreabilidade de manufatura da SEG Automotive. “Cada parafuso tem torque registrado e cada peça pode ser rastreada por código de barras, o que reduz a possibilidade de falhas de produção”, afirmou Amaral. Segundo o especialista, o nível de controle é necessário porque o sistema interfere diretamente na dirigibilidade e segurança do veículo. 

Para o mecânico, o BRM amplia a integração entre mecânica e eletrônica. “Em sistemas mecatrônicos é necessário sincronizar mecânica e eletrônica, e pode ser preciso atualizar software do inversor após o período de garantia”, disse Amaral. 

A SEG Automotive prevê disponibilizar ferramentas de diagnóstico, códigos de falha e treinamento técnico. “Vamos ter que fornecer ferramentas, ensinar a interpretar mensagens e códigos de erro para ajudar o mecânico na manutenção”, afirmou Amaral.  Após o período de garantia, pode ser necessária atualização de software para pareamento correto da nova peça para reparo fora da rede autorizada, respeitando a arquitetura de segurança das montadoras. 

 

Simulação prática e arquitetura de diagnóstico 

Nivaldo Orágio, da AFR Motorsport, demonstrou um protótipo com bateria de 48V, motor gerador, placa eletrônica e controle via software. “A melhor bancada de testes é o próprio veículo, porque o sistema é interligado e o problema pode estar em software, chicote, bateria ou comunicação”, afirmou. 

Segundo Orágio, medições elétricas isoladas não são suficientes. “Não adianta só usar multímetro. É preciso analisar dados via scanner, interpretar a rede e usar osciloscópio para identificar falhas de comunicação”, disse. 

O BRM se comunica com módulos do veículo por meio de redes automotivas, como CAN. “O sistema conversa com a unidade de controle da injeção, gateway e outros módulos, que definem a estratégia de geração e tração elétrica”, explicou Orágio. 

As estratégias são definidas por software da montadora, que controla quando o sistema atua como motor ou gerador, conforme demanda da bateria e do sistema elétrico. 

 

Estratégias de geração e torque elétrico 

O sistema fornece torque elétrico em aceleração e retomada, e gera energia em desaceleração conforme a leitura do sistema. “Conforme a demanda, o gerador vai produzir mais ou menos corrente e tensão”, afirmou Orágio. Por sua vez, a transição entre modo motor e gerador depende do perfil de condução, estratégia de software e estado da bateria de 48 V. 

Diagnóstico na oficina e manutenção preventiva 

O diagnóstico segue lógica de sistemas eletrônicos integrados. “O problema pode estar em software, chicote, oxidação, bateria ou comunicação. O diagnóstico é um quebra-cabeça que exige interpretação de scanner e osciloscópio”, disse Orágio. 

Ele alertou que retirar o componente para teste em bancada pode não resolver o problema. “Muitas vezes o alternador ou o motor-gerador funciona na bancada, mas o defeito está na comunicação ou no sistema”, afirmou. 

 

Formação técnica  do mecânico 

Orágio destacou a necessidade de formação técnica gradual. “Quem não sabe testar um alternador convencional vai ter dificuldade aqui. É preciso aprender os sistemas básicos antes de avançar para BRM”, disse. 

A chegada de sistemas BRM, da SEG Automotive, ao mercado brasileiro amplia a demanda por capacitação técnica e equipamentos de diagnóstico avançados nas oficinas. Ademais, a integração entre mecânica, eletrônica e software tende a aumentar, exigindo atualização contínua do reparador. 

O especialista ressaltou a importância de treinamento em multímetro, osciloscópio, redes automotivas, interpretação de esquemas e software de diagnóstico. “O mecânico precisa dominar diagnóstico e comunicação de redes automotivas para trabalhar com esse tipo de sistema”, afirmou. Ademais, amigo mecânico, se busca formação técnica, basta clicar neste link e ter acesso ao Mecânico Pro, que é uma plataforma da Revista O Mecânico, voltada à mecânicos e oficinas independentes, com apoio técnico de empresas da indústria automotiva.  

 

 

Audi Q3 1.4 TFSI: sequência de torque é etapa essencial na manutenção do motor

Procedimento de aperto do cabeçote e de outros componentes garante a fixação correta do conjunto no SUV equipado com motor 1.4 turbo

O Audi Q3 1.4 TFSI utiliza motor turbo de 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque. Durante intervenções mecânicas no conjunto, principalmente em serviços que envolvem desmontagem do cabeçote ou componentes internos do motor, seguir a sequência correta de torque é fundamental para garantir vedação, alinhamento e funcionamento adequado.

Equipado com o motor 1.4 TFSI, o Audi Q3 exige atenção aos procedimentos de montagem durante manutenções mais profundas. A fixação do cabeçote, por exemplo, deve ser realizada em etapas progressivas para distribuir a carga de aperto de forma uniforme entre os parafusos e evitar deformações ou falhas de vedação entre o bloco e o cabeçote. No procedimento, o torque inicial do cabeçote é de 40 Nm, seguido por três etapas adicionais de aperto angular de 90 graus cada. Esse método é utilizado para garantir a pressão correta na junta e manter a estabilidade do conjunto durante o funcionamento do motor.

Outros componentes do motor também exigem valores específicos de aperto. A engrenagem do comando de admissão deve receber torque inicial de 55 Nm, seguido por aperto adicional de 135 graus, enquanto a engrenagem do comando de escape deve ser apertada inicialmente com 50 Nm e depois receber um ângulo de 90 graus. Já a fixação da capa da biela é realizada com torque inicial de 30 Nm, seguido por mais 90 graus de aperto.

Durante a remontagem do conjunto, outros pontos também devem ser observados. A tampa de válvulas recebe torque inicial de 10 Nm com complemento de 180 graus, enquanto o cárter de óleo deve ser apertado com 12 Nm. As velas de ignição, por sua vez, devem ser instaladas com torque de 25 Nm. Seguir essas especificações durante a manutenção contribui para o funcionamento correto do motor e evita problemas relacionados à fixação dos componentes.

Meu conselho para as mulheres é direto: invistam em formação e conhecimento, diz Sabrina Carbone

Gerente Global da Frasle Mobility falou sobre liderança, carreira, resultados e desafios estratégicos da Fras-le, Fremax, Controil, Moresa, Fritec, Juratek e Nakata 

por Felipe Salomão   fotos Frasle Mobility/Divulgação 

 

No mês das mulheres, a Revista O Mecânico faz um especial nesta edição e, também, nas nossas redes sociais. Portanto, começamos com uma entrevista exclusiva com Sabrina Carbone, Gerente Global da Frasle Mobility. A executiva, com mais de 25 anos de atuação em marketing no setor automotivo, falou sobre liderança, carreira, resultados e desafios estratégicos das marcas Fras-leFremaxControil, Moresa, Fritec, Juratek e Nakata, além de dar conselhos para outras mulheres que querem entrar nesse competitivo segmento. 

Para Carbone, o diferencial está na combinação entre preparo técnico, visão estratégica e vivência prática de mercado. Ao falar sobre desenvolvimento profissional, especialmente para mulheres que desejam crescer no segmento, ela reforçou a importância da capacitação e da autoconfiança. “Meu primeiro conselho é direto: invistam em formação e conhecimento. Construir carreira em um setor tão técnico e competitivo como o automotivo exige preparo, visão estratégica e capacidade de gerar resultados. Fazer marketing é entender profundamente o produto, o mercado e o comportamento do cliente, especialmente em segmentos industriais. É essencial compreender a jornada completa, da escolha à recompra. É nesse percurso que surgem as oportunidades de diferenciação”, destacou.

 

Quem é Sabrina? 

Casada e mãe, Sabrina Carbone acumula mais de 25 anos de experiência em marketing no setor automotivo, com atuação em todas as frentes estratégicas da área. Atualmente, lidera uma equipe com mais de 20 profissionais na Frasle Mobility, sendo responsável pelas marcas Fras-le, Fremax, Controil e Nakata, que compõem um amplo portfólio de produtos voltados aos sistemas de freios, suspensão, transmissão e direção. Veja a entrevista exclusiva nas próximas páginas da Revista O Mecânico.

O Mecânico: Sabrina, você construiu mais de 25 anos de carreira no marketing automotivo. Qual foi a principal decisão que definiu sua trajetória até a posição de liderança global da Frasle Mobility? 

Sabrina Carbone: O desafio de construir marcas vem sempre acompanhado de muito reconhecimento do mercado e dos profissionais da cadeia automotiva. No momento em que a decisão foi realmente abrir escuta e diálogo genuínos com nossos distribuidores, varejos, frotas e oficinas mecânicas, e entender os desafios que enfrentam. A partir dessa escuta, começamos a desenvolver serviços e diálogos com eles de forma muito proprietária, e essa foi a decisão mais acertada que tivemos. Gosto das disrupções, das quebras de paradigmas e dos desafios. Isso sempre me moveu. Assim, se eu tivesse que apontar a principal decisão da minha trajetória, foi escolher nunca me acomodar e sempre buscar o próximo nível. Ao longo do tempo, percebi que, quando você se compromete a fazer bem-feito, com foco e responsabilidade, os talentos aparecem e os resultados vêm. 

Tenho muita vontade de aprender, mais ainda de ensinar. Para isso, estudar é parte deste desafio de fazer diferente, inovar, ganhar percepção positiva com a construção de marcas e de relacionamento com o canal. E, estudar tem a ver com formação acadêmica, mas também tem a ver com a curiosidade de estudar o mercado, os hábitos de compra e decisão de marcas, as boas e más experiencias do cliente, as dores e desafios da cadeia, as tendências do mercado, pricing (estratégia de precificação), concorrentes, análise de clientes, dados e mais dados que tanto nos dizem e nos orientam o caminho. Na formação acadêmica sou formada em Comunicação Social, com ênfase em Marketing, fiz pós-graduação em Marketing, na UCI, nos Estados Unidos, e um MBA em Gestão Empresarial pela Business School de São Paulo. Ao longo dos anos, também busquei cursos em Marketing Digital, Conteúdo, Planejamento Estratégico, Comportamento do Consumidor, entre outros, sempre conectados ao marketing e às suas frentes estratégicas. 

Mas, no fim, tudo volta para aquela decisão inicial de entender profundamente o mercado para poder inovar e estar cada vez mais perto dos profissionais de toda a cadeia e de suas decisões e escolhas de marcas. Foi isso que, de forma consistente, pavimentou o meu caminho até a posição que ocupo hoje. 

O Mecânico: Como você desenvolveu sua autoridade em um setor historicamente técnico e majoritariamente masculino? 

Sabrina Carbone: Autoridade se constrói com consistência, preparo e entrega de resultados. Em um setor técnico como o automotivo, não basta ter opinião; é preciso ter embasamento e performance para sustentar cada posicionamento. 

O mercado automotivo tende a investir no resultado a curto prazo, no resultado de vendas aqui e agora. Em geral, temos sempre dois grandes desafios, promover o máximo do nosso selling out, atingindo os objetivos estratégicos de vendas, margem e rentabilidade. Porém, a construção de marcas fortes, não apresenta resultados tão imediatos. É um processo de construção onde o prestígio da marca vai sendo construído paulatinamente na cabeça dos consumidores. Temos aí uma grande dicotomia: investir em ações no aqui e agora para promover a venda e apresentar resultados imediatos, por um lado, e por outro lado, investir em agregar valor à uma marca e ao longo do tempo, aumentar o seu valor agregado e prestígio, de forma a ter maior rentabilidade. O balanço perfeito destes dois escopos de investimentos e estratégias foi o que, ao longo dos anos, construiu minha especialidade e autoridade diante de um setor que ainda é sim, muito masculino. Equilibrar estas duas forças na estratégia e, ao longo do tempo, provar que fazem sentido, se trabalhadas combinadas, agregando valor à marca e também investindo na venda, foi o ponto de virada. Aprendi também que o respeito vem, principalmente, quando você demonstra conhecimento, responsabilidade e capacidade de execução. Resultado gera credibilidade, e credibilidade constrói autoridade. 

Já estamos vendo, hoje, um cenário muito mais diverso, com mulheres ocupando posições de liderança em diferentes áreas. Essa evolução é fruto de muitas trajetórias que, com competência e resiliência, foram abrindo espaço e mostrando que liderança não tem gênero, tem preparo, entrega e consistência. 

 

O Mecânico: Liderar uma equipe global com mais de 17 profissionais exige consistência. Qual é o seu principal valor como gestora? 

Sabrina Carbone: Liderar é algo, para mim, que está em constante evolução. Acredito que todo mundo que lidera equipes passa constantemente por novos desafios, porque o ser humano é complexo e a gente está sempre aprendendo um com o outro. Mas, hoje, já com uma jornada longa de liderança construída, acho que a escuta do outro, o interesse genuíno e a vontade de contribuir para a evolução profissional e pessoal do outro é o que mais me direciona para ir me superando na arte de liderar. É uma dedicação diária. 

A base dessa construção é a confiança, construída a partir do respeito mútuo. Quando existe confiança de verdade, as relações ficam mais leves, colaborativas e produtivas. A partir disso, conseguimos unir talentos, experiências e diferentes pontos fortes para construir um trabalho alinhado, consistente e com impacto real. 

Como líder, tenho um propósito de ensinar que é muito genuíno. Quero que meu time aprenda a pensar estrategicamente, criar, planejar, implementar e mensurar, conseguindo construir para si mesmo uma jornada profissional e de forma consistente. Foco muito em enxergar não apenas para o que eles podem entregar hoje, mas para o que eles podem vir a ser, para onde querem chegar e quais são suas necessidades de desenvolvimento. Entendo meu papel como um caminho de apoio e evolução para cada integrante da equipe. 

Para que isso aconteça, é preciso franqueza, abertura, confiança e, principalmente, vontade de se desenvolver diariamente. Liderança não é só gestão de tarefas; é cuidado com as pessoas, com suas expectativas e com seu futuro. 

 

O Mecânico: Ao longo da sua jornada, o que mudou na forma como você enxerga liderança e resultados? 

Sabrina Carbone: Hoje, os indicadores evoluíram, as ferramentas se sofisticaram e o nível de leitura de dados se tornou muito mais estratégico. A digitalização trouxe uma capacidade exponencial de mensuração, o que elevou o nível de exigência e precisão nas decisões e a inteligência artificial está presente para contribuir ainda mais. Porém, enxergar além dos resultados e dos dados requer uma visão mais estratégica. Atualmente, com a área de inteligência de mercado sob minha responsabilidade, vejo que os cruzamentos de dados são infindáveis, mas que priorizar o que queremos entender e para qual finalidade é mandatório no processo de evolução. Como capturar a evolução de vendas, a performance dos nossos clientes e buscar os motivos sejam em pricing, em potencial de mercado ou em novos hábitos de consumo, é o segredo para evoluirmos nossos negócios. Temos mais dados, temos mais recurso, mas entendo que a nossa capacidade de extrair e avaliar, para a tomada estratégica de decisões ainda está longe de ser perfeita. É isso que foco em desenvolver. Isso nos dará agilidade e assertividade. 

Liderar esse processo de aprendizado contínuo dentro da corporação tem sido muito efetivo para desenvolver nossos talentos e manter antigos talentos atualizados. Nossos resultados, hoje, têm que passar por um processo de informação, mensuração e análise. Conseguimos fazer isso com a inteligência de mercado e com todos os índices digitais, mas ainda há processos dentro do marketing como um todo que precisam evoluir em termos de análise de resultados. Não conseguimos, hoje, por exemplo, mensurar impactos de todas as mídias reunidas, online, offline e eletrônica, em prol do ganho de prestígio e do investimento envolvido. Há muitas evoluções a serem construídas ainda. 

 

O Mecânico: A Frasle Mobility atua em mais de 125 países. Qual é o desafio estratégico de posicionar marcas como Fras-le, Fremax, Controil, Moresa, Fritec, Juratek e Nakata, marcas globais, em mercados tão distintos? 

Sabrina Carbone: O grande desafio é equilibrar estratégia global com sensibilidade local. Estamos presentes em regiões como Estados Unidos, América Latina, Índia, Europa e Ásia, e cada mercado tem sua própria dinâmica, seja no perfil da frota, na maturidade do aftermarket ou na estratégia dos pontos mercadológicos como, comercial, preço, serviço ao cliente, comunicação, preço. 

Não é possível aplicar uma estratégia única para todos. O que gera valor em um país pode não ter o mesmo impacto em outro. Por isso, o trabalho exige inteligência de mercado, clareza de posicionamento e leitura estratégica constante. 

Claro que em termos de posicionamento de marca, há uma proteção e em cada marketing local há um trabalho muito forte de construção das marcas respeitando cada um desses posicionamentos. Frasle será em todos os lugares “Pensou Freios. Frasle”, Nakata será sempre a marca “Pode contar”, Fremax, “O Máximo em Movimento”, e assim por diante. Toda a estratégia de construção local respeita esses posicionamentos e, muitas vezes, também o posicionamento central de pricing . Mas, os negócios em cada geografia acompanham a lógica das dinâmicas de negócios locais e, então, nosso papel é muito mais consultivo e de apoio, com uma importante missão de levar benchmarkings de processos e estratégias que estão dando certo em outras geografias. 

Minha vivência internacional contribuiu muito para ampliar essa visão. Ter contato direto com diferentes culturas de negócio e níveis de maturidade de mercado trazem uma compreensão mais ampla sobre como adaptar estratégia sem perder consistência de marca. Essa experiência ajuda a tomar decisões mais equilibradas entre padronização global e relevância local. 

No fim, o crescimento sustentável em mercados tão distintos depende justamente do equilíbrio de manter identidade e força institucional ao mesmo tempo em que se respeita a realidade de cada região. 

 

O Mecânico: Dentro do ecossistema da Randoncorp, qual é o papel da Frasle Mobility na construção de soluções integradas para mobilidade? 

Sabrina Carbone: Dentro do ecossistema da Randoncorp, a Frasle Mobility tem o papel de consolidar e potencializar um conjunto de marcas e negócios sob uma estratégia comum, ampliando sinergias e fortalecendo nossa atuação em soluções para mobilidade ao redor de todo o globo. A marca institucional nasceu justamente para dar unidade a esse ecossistema em expansão, gerar escala e ampliar nossa capacidade de desenvolver e entregar soluções cada vez mais completas, inovadoras e alinhadas às demandas do mercado. 

Hoje, reunimos marcas como Fras-le, Fremax, Nakata, Controil e outras sob uma diretriz comum, com foco claro em inovação, tecnologia, qualidade e compromisso com ESG. Isso nos permite oferecer soluções completas e integradas, conectadas à evolução dos veículos e às novas demandas da mobilidade. Somos uma multinacional brasileira de capital aberto, referência em soluções integradas de produtos e serviços tanto para o mercado de reposição quanto para montadoras, com presença em mais de 125 países e atuação pautada em crescimento sustentável. 

Nossa base técnica é um dos grandes pilares dessa construção. Contamos com centros de tecnologia no Brasil e nos Estados Unidos, como o Movetech, em Caxias do Sul, que integra pesquisa, desenvolvimento e inovação em um ambiente colaborativo voltado ao futuro da mobilidade. No Brasil, também temos o CTR – Centro Tecnológico Randon, um dos mais completos complexos de testes da América Latina. O CTR nos permite realizar validações em condições reais e extremas de uso, assegurando segurança, durabilidade e performance com padrão internacional. 

No caso específico dos discos de freio, nosso envolvimento e patrocínio na Porsche Cup reforçam essa conexão entre engenharia e alta performance. O uso das pistas da categoria como laboratório em condições extremas nos permite submeter os discos a níveis elevados de exigência, validando resistência, estabilidade térmica e performance em cenários de competição. 

E, acima de tudo, mantemos um princípio fundamental: ouvir quem está na ponta. Mecânicos, técnicos e aplicadores são parte essencial do nosso processo porque é na prática que validamos se aquilo que desenvolvemos realmente entrega valor. 

 

O Mecânico: Por fim, qual conselho você daria para jovens mulheres que desejam construir carreira no setor automotivo hoje? 

Sabrina Carbone: Meu primeiro conselho é direto: invistam em formação e conhecimento. Construir carreira em um setor tão técnico e competitivo como o automotivo exige preparo, visão estratégica e capacidade de gerar resultado. Fazer Marketing é entender profundamente o produto, o mercado e o comportamento do cliente, especialmente em segmentos industriais. É essencial compreender a jornada completa, da escolha à recompra. É nesse percurso que surgem as oportunidades de diferenciação 

E, para ter um bom entendimento de todos esses pontos, tem que ser curioso, somar, entender a jornada de cada profissional da cadeia, seus gaps de conhecimento, suas dificuldades e obstáculos que os impedem de crescer seus negócios, seja na distribuição, no varejo ou na reparação. Tão importante quanto estratégia é proximidade com a realidade. É preciso ir a campo, visitar oficinas, conversar com aplicadores, ouvir quem está no balcão e quem está embaixo do carro. É nesse contato que se entende, de fato, a dor do cliente, a percepção de valor da marca e o que realmente gera confiança no mercado. 

Também é importante ter clareza de que marcas sólidas não se constroem da noite para o dia. Esse trabalho exige tempo, investimento consistente e expertise. Nem sempre esse processo é simples e, por isso, resiliência, paciência estratégica e consistência são diferenciais competitivos. 

Para as jovens mulheres que desejam seguir nesse caminho, minha mensagem é clara: confiem no próprio potencial, busquem preparo técnico, ocupem os espaços com segurança e não se deixem limitar por estereótipos. O setor automotivo está em transformação e precisa de profissionais preparadas, analíticas e estratégicas. Temos muitas iniciativas para nos conectarmos umas às outras, gerar sororidade e nos ajudar. A AMMA – Associação da Mulheres do Mercado Automotivo, é uma dessas iniciativas que conecta as mulheres em prol deste desenvolvimento coletivo porque competência não tem gênero, tem dedicação, atitude e entrega de resultados. 

 

O Mecânico: Queria aprofundar um pouquinho mais sobre inteligência artificial. Desde quando vocês passaram a usar no cotidiano de trabalho de vocês e, também, na formação? Pode falar um pouquinho mais sobre como isso é usado e adaptado? 

Sabrina Carbone: Olha, hoje, lá no marketing, a gente usa o tempo todo. Tudo o que a gente produz está sempre passando, de uma forma ou de outra, por inteligência artificial. Você está fazendo uma apresentação, está desenvolvendo um produto, um texto, criando um artigo, fazendo análise de dados de mídia digital, a gente tem usado muito para isso também. A análise da favorabilidade da nossa marca e todo o conteúdo que a gente produz estão sempre pensando nessa nova forma de geração que tem vindo, que são as respostas. Enfim, pesquisas de concorrentes, a gente tem usado no nosso dia a dia muito mais. Quanto mais você usa, parece que está usando 0,01%. Sempre que você começa a usar, depois usa muito, e ainda assim sente que está usando 0,8%. É sempre assim. Então, tem muito campo ainda, tem muita coisa. 

A parte também de geração de imagens: a gente tem usado bastante para representar a nossa formação de cursos. Às vezes a gente coloca alguma coisa, traz esse movimento. Eu usei muito e, ultimamente, apenas nos aniversários das empresas. No ano passado, a Frasle fez 70 anos e, este ano, a Fremax faz 40 anos. Então a gente brinca, pega fotos antigas e traz movimento. Então, é algo muito presente no dia a dia do marketing. As traduções que a gente tem feito nas várias línguas, todo o nosso conteúdo para todos os países. Você vê lá o nosso técnico falando em chinês, em hebraico, em qualquer língua. Então tem sido uma jornada divertida, mas muito eficiente, porque é rápida. 

Renault Duster 1.6 com luz de injeção acesa e falha de potência; veja diagnóstico

SUV equipado com motor K4M também registrou perda de desempenho, apontando possível falha no corpo de borboleta

Uma unidade do Renault Duster equipada com motor 1.6 K4M apresentou perda de potência acompanhada do acendimento da luz de injeção no painel. Durante o diagnóstico, foi identificado o código de falha DTC P061A relacionado à função de controle de torque do motor. A análise dos parâmetros revelou irregularidade nos sinais enviados pelo corpo de borboleta.

Motor e aplicação

O utilitário esportivo é equipado com o motor 1.6 K4M, que entrega 115 cv com etanol e 110 cv com gasolina a 5.750 rpm, com torque de 15,5 kgfm (etanol) e 15,1 kgfm (gasolina). Esse conjunto motriz equipou o SUV compacto entre 2011 e 2016, quando foi substituído pelo motor 1.6 SCe.

Sintoma apresentado

Durante a condução, ao pressionar o acelerador, o veículo apresentava falhas no funcionamento do motor e perda de potência. Ao mesmo tempo, a luz de injeção permanecia acesa no painel. A leitura com scanner registrou o código de falha P061A, relacionado ao controle de torque do sistema de gerenciamento do motor.

Diagnóstico

Com o auxílio do scanner automotivo, foram analisados os valores reais do sistema. Durante a verificação, observou-se que os sinais enviados pelo corpo de borboleta apresentavam comportamento intermitente, indicando inconsistência na leitura da posição da borboleta.

Causa e solução

Após a confirmação da irregularidade nos parâmetros, o corpo de borboleta foi substituído. Com a troca do componente, os sinais voltaram ao padrão esperado e o funcionamento do motor foi normalizado, eliminando a perda de potência e o código de falha registrado na central eletrônica.

*As informações técnicas foram divulgadas pela Revista O Mecânico por meio da plataforma Mecânico Pro, ferramenta de suporte técnico voltada ao diagnóstico e consulta de dados em veículos presentes na frota nacional.

Nova picape Tukan aumentará competitividade da Volkswagen

Por Fernando Calmon

A informação chega em conta-gotas. De acordo com a fabricante alemã, trata-se do primeiro modelo híbrido flex básico produzido no Brasil com a marca VW. Contudo, nada adiantou se utilizará bateria de 12 V ou 48 V. Muito menos o porte da picape, embora tenha confirmado que o índice de conteúdo local será de 76%. Chegará às concessionárias apenas em 2027 e tudo indica no primeiro trimestre. Lançamento está previsto para o último trimestre deste ano. Terá a companhia da nova Amarok produzida na Argentina. Tukan, fabricada em São José dos Pinhais (PR), trará de volta o amarelo que esteve na paleta de cores de vários produtos da marca desde o Fusca, na década de 1970.

Claro, que isso provoca investigações, especulações e já se sabe pelo menos o seu porte, pois terá a mesma arquitetura do T-Cross. Haverá versão de entrada, cabine simples, voltado ao uso comercial preponderante, sucessora da Saveiro e suspensão traseira por molas semielípticas, como a Strada (ainda desconhecido o tipo de mola, se em feixe ou parabólica). Tukan também terá cabine dupla e tamanho muito próximo (algumas fontes informam dimensões praticamente iguais) da Toro, inclusive com molas helicoidais na suspensão traseira. Neste porte outras concorrentes seriam Maverick, Rampage e futura Niagara, da Renault. Montana é menor na distância entre eixos, apesar de volume razoável na caçamba.

Tukan será um produto inteiramente desenvolvido pela engenharia brasileira da marca de Wolfsburg. Versões de topo receberão rodas de liga leve, no mínimo de aro de 18 pol. e interior com materiais de melhor aspecto. Além do conhecido três-cilindros, turbo de 1 L e 128 cv com etanol, caberá aos modelos de maior preço a estreia do híbrido flex de quatro-cilindros, turbo, 1,4 L e provável potência maior que os atuais 150 cv (etanol) com bateria de 48 V. Consumo de combustível menor está garantido. Distância entre eixos deverá chegar, segundo especulações, aos três metros, ou seja, apenas 1 cm superior à Toro.

 

Queda de exportações afeta produção no bimestre

Embora o mercado interno de veículos leves e pesados tenha registrado, no mês passado, a segunda melhor média diária de vendas dos últimos 10 anos, a produção nos dois primeiros meses de 2026 recuou 8,9% para 368.000 unidades. Este resultado foi reflexo da queda de 28% nas exportações, especialmente para a Argentina.

Vendas no primeiro bimestre (nacionais e importados) tiveram leve recuo de 0,1%. Nível de estoques na soma dos pátios de fabricantes e concessionárias de todo o Brasil caiu de 57 dias em janeiro para 50 dias em fevereiro, um pouco acima do considerado normal. Nas estatísticas da Anfavea, os estoques de produtos nacionais no mês passado eram de apenas 26 dias e os importados representavam 182 dias de vendas.

Por trás destes 182 dias muito acima do razoável, está a estratégia da BYD que importou milhares de carros a fim de aproveitar a janela de imposto de importação (I.I.) mais baixo para incentivar a comercialização de elétricos e híbridos. Nenhum outro importador pôde bancar financeiramente esta ação clara de dumping (tática comercial desleal). A partir de julho próximo, o I.I. subirá para a alíquota histórica de 35%, mas a marca chinesa ainda terá milhares de modelos estocados com alíquotas menores.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, chamou atenção para possíveis impactos logísticos e econômicos (leia-se preço do petróleo) como reflexo da guerra (mais uma…) no Oriente Médio. “São desafios para manter crescimento de produção, vendas e exportações observados nos últimos anos”, acrescentou. A comercialização tem subido de forma muito discreta e ainda está longe do recorde de 2013, quando se venderam 3,767 milhões de unidades com incentivos fiscais, deve-se ressaltar. Para 2026 o crescimento previsto é de apenas 2,7% para 2,762 milhões de veículos leves e pesados ou 26,7% e um milhão de unidades abaixo do recorde de 13 anos atrás.

Distribuição das vendas de automóveis e comerciais leves no primeiro bimestre de 2026 (%): gasolina, 3,6; híbrido, 6,5; híbrido plugável, 4,8; diesel, 10,5; flex, 69,6; elétricos, 5. Elétricos representam apenas 5% das vendas totais, um nicho portanto. De fato, ainda muito longe dos comentários exageradamente otimistas. Haverá crescimento, porém em ritmo difícil de prever. Badalação excessiva não vai melhorar este cenário.

GAC Hyptec HT: grande, porém bem ágil

Imponência do SUV elétrico grande, topo de linha, da chinesa GAC chama logo a atenção. Mais ainda as portas traseiras elétricas no estilo asa-de-gaivota, um opcional que custa R$ 50.000. Estas permitem os passageiros entrar e sair em vagas tão apertadas que nem o motorista e seu eventual acompanhante conseguem. Isso se dá pela largura do veículo, de quase dois metros.

O interior espaçoso, inclusive para os três passageiros do banco de trás, é um dos destaques. Motorista e seu acompanhante dispõem de ajustes elétricos nos bancos. Central multimídia de 14,6 pol. só permite integração com Apple CarPlay, mas em breve também Android Auto. Regulagem dos espelhos externos exige comando pela tela e dois botões no aro central do volante, nada prático.

Dimensões (mm): comprimento, 4.395; entre-eixos, 2.935; largura, 1.920; altura, 1.700; Volumes (L): porta-malas, 432; Massa: 2.140 kg. Motor traseiro, 245 cv; 31,5 kgf·m; Alcance (padrão Inmetro, km): 362.

Essas referências, ao longo da avaliação em cidade e estrada, mostraram que o desempenho, apesar da massa muito elevada (mais de duas toneladas), ainda proporciona agilidade que chega a surpreender. Ultrapassagens rápidas em estradas e respostas ao acelerador bastante diretas em ambientes urbanos passam confiança. Incomoda, na mudança de faixa, uma certa resistência da direção mesmo ao ligar a seta.

Com carga máxima, no entanto, é preciso diminuir o entusiasmo. Em rodovias de pista única, por exemplo, deve-se ficar ainda mais atento nas ultrapassagens. Agilidade precisa ser relativizada porque se torna comum a sensação de superioridade. Também há seguidos avisos (em inglês) de que carros adentram na estrada pela pista direita.

Preço: R$ 359.990.

Ranger XL foca em picapes de trabalho

Proposta é cobrir todas as opções: cabine simples, chassi-cabine e cabine dupla, além de câmbio manual ou automático de seis marchas. Motor turbodiesel 2-L, quatro cilindros, 170 cv e 41,3 kgf·m, calibrado para entregar força em rotações mais baixas e trabalho pesado, além de menor custo operacional. Consumo médio de 10,7 km/l (padrão Inmetro) e tanque de 80 litros. Assim, a Ranger XL pode superar 860 km de alcance.

A Ford passa a disputar com mais força segmento que representa fatia importante das picapes médias de trabalho. Capacidade de carga de 1.223 kg, na versão manual, a 1.170 kg, na automática. Além de versatilidade, a exemplo de ambulância ou baú. Chassi recebeu longarinas e travessas de aço especial, 30% mais resistente a torções em comparação à geração anterior. Suspensões também aprimoradas, de maior curso e amortecedores externos à longarina. Solução rara no segmento, a fim de melhorar estabilidade e comportamento dinâmico.

Oferece sete airbags, assistente de partida em rampas, controle automático em descidas, limitador de velocidade, direção de assistência elétrica ativa, controles automáticos de velocidade e estabilidade, central multimídia de 10 pol., conexão sem fio com Android Auto e Apple CarPlay, ajustes de altura e profundidade do volante e faróis de acendimento automático.

Preços: R$ 248.600 a R$ 282.600.

UM PROVÁVEL FUTURO PARA AS OFICINAS AUTOMOTIVAS

artigo por Diego Riquero Tournier

fotos Arquivo Bosch / Arquivo O Mecânico

Eu sempre falo que o passado, geralmente nos entrega algumas evidencias sobre um futuro provável. 

Esta condição, é válida sempre que seja possível analisar um contexto, para o qual tenhamos informações sobre algumas das principais variáveis que afetam ao mesmo. 

Dentro desta proposta, vamos trabalhar um cenário futuro para as oficinas automotivas, o qual está se apresentando como muito provável, principalmente falando do tipo de oferta de serviços que uma oficina automotiva poderá praticar, em um futuro próximo (3 a 5 anos), como fator de diferenciação e de agregação de valor para um novo mercado em formação. 

E este futuro próximo, passa pela migração da atual oferta de serviços generalistas multimarca, para um verdadeiro ressurgimento das oficinas especialistas. 

Como muitos de vocês já devem ter percebido, o ser humano que convive dentro de um contexto socioeconômico (vida em sociedade), costuma a repetir ciclos os quais se desenvolvem e se repetem, dentro de um determinado período de tempo; para o caso do nosso cenário de serviços automotivos, esta premissa também podemos considera-la como válida, dadas as evidencias que a história do setor automotivo já nos ofereceu, nos últimos 150 anos de existência. 

Podemos afirmar que, 3 grandes fatores sempre foram os motores do surgimento de um novo ciclo, ou analisando desde outra perspectiva, algum desses 3 fatores, foi o responsável por determinar o declínio de um ciclo já consolidado. 

 

E os mencionados fatores são: 

  1. a) A chegada de novas tecnologias.
  2. b) Cenários político / econômicos (exemplo; crise do petróleo dos anos 70, ou as atuais pressões ambientais).
  3. c) Mudança nos hábitos de consumo (na medida que a sociedade se transforma, os consumidores alteram de forma significativa seus elementos de percepção de valor).

 

Bom, esta alternância de ciclos que vêm marcando o nosso negócio “desde sempre”, responde basicamente ás mesmas 5 fases do desenvolvimento de um produto ou serviço. 

 

Sendo estas:  O desenvolvimento, Introdução, Crescimento, Maturidade e Declínio. 

 

Claro que, a diferença de um produto, no qual, grande parte das definições estão sendo tomadas por seus criadores, no ambiente social, que determina o comportamento do mercado, existem diversos fatores os quais estão totalmente fora do controle de um empresário, mas, não por conta disso, devemos deixar de analisá-los, para tomar futuras decisões. 

Desta forma, não poderíamos deixar de avaliar, o contexto histórico (de onde viemos), para avaliar o mais provável cenário futuro das oficinas automotivas (para onde vamos). 

Para este fim, vamos analisar o nosso cenário automotivo local, revisitando algumas décadas passadas, e as principais caraterísticas que definiram as mesmas. 

Nesta análise, não vamos entrar em comparações do tipo: as oficinas dos anos 80 e 90 eram desorganizadas, tinham calendários com mulheres com pouca roupa pendurados na parede, não tinham scanners (os quais certamente nem existiam), ou coisas do gênero. 

Isso seria realmente simplório, e totalmente irrelevante; na hora de analisar um processo histórico, além de ser totalmente deselegante, o fato de comparar períodos históricos em contextos completamente diferentes, não ajudam em nada na criação de novos cenários possíveis. 

O que realmente nos interessa analisar, são os fenômenos que determinavam que um setor do comercio, se organizasse de determinada forma, e para nosso caso em particular, vamos avaliar, a forma com a qual as oficinas automotivas dos anos 80 e 90, se organizavam como estruturas de negócios. 

Neste sentido, e como vemos na Figura 1, as estruturas organizacionais que determinavam os tipos de serviços oferecidos pelas oficinas mecânicas da década dos 80 e 90, estavam fortemente marcadas por uma alta diversificação de ofertas de serviços em formatos de especialização. 

Basicamente, um cliente que precisava realizar um serviço de elétrica, levava seu veiculo para uma Auto elétrica; e se esse mesmo cliente tivesse um problema de marcha lenta no motor, teria que sair da Auto elétrica e levar seu veículo para uma oficina de regulagem de motores, onde basicamente trabalhavam com carburadores e distribuidores; nada errado com isso, na época funcionava muito bem, e “todo mundo” feliz com esse modelo. 

Da mesma forma, existiam oficinas especializadas em sistemas de freio, embreagem, molas, alinhamento, radiadores, e outras tantas especialidades. 

Existiam também, oficinas que se intitulavam como de “Mecânica geral”, nelas era possível fazer um cabeçote, desmontar suspensões e outras tantas atividades mecânicas; mas, muitos dos serviços especializados como: elétrica, carburadores, reparo de embreagem, alinhamento de direção, balanceamento de eixo cardam, entre outros, eram terceirizados ou encaminhados para as oficinas especialistas. 

É claro que o cenário automotivo também era diferente, tínhamos muito menos marcas e modelos de veículos, as tecnologias evoluíam, mas, não mudavam a uma velocidade tão vertiginosa. 

Neste mesmo cenário, o comportamento e expectativas do cliente também eram diferentes se comparas com a atualidade…, durante essas duas décadas, poderíamos resumir a expectativa de um cliente com relação a uma oficina mecânica, da seguinte forma: “Resolve meu problema pontual”. 

Problema que para o caso pontual, poderia ser um motor com marcha lenta irregular, um alternador que não carrega, etc. 

Mas, como já tínhamos antecipado, o nosso segmento passa por ciclos, e a partir do período 1994/1995, uma mudança paulatina e constante, começo a se gestar dentro do cenário das oficinas automotivas da época. Figura 2 

A segunda metade dos anos 90, foi marcada por um prédio de transição, no qual algumas oficinas principalmente localizadas em grandes centros urbanos, começaram a desenvolver uma mudança estrutural. 

E esta mudança tinha como foco, uma latente necessidade de ampliar a oferta de serviços, junto com a introdução de uma nova forma de olhar para o cliente. 

É verdade que nesta época, novas tecnologias como a Injeção eletrônica e novas marcas de veículos importados ingressaram ao pais; este fenômeno desencadeou uma corrida tecnológica nas oficinas, as quais passaram a adquirir novos equipamentos e se preparar tecnicamente com relação a estas tecnologias entrantes. 

Mas, ao contrário do que muitos pensam, a mudança da segunda metade dos anos 90, não foi apenas impulsionada pela chegada das novas tecnologias (injeção eletrônica ou sistemas Diesel eletrônicos), o fator que definitivamente mudou o cenário das oficinas, era outro… 

E este fator estava totalmente fora do controle do negócio automotivo; a mudança foi diretamente provocada, por um novo comportamento do consumidor. 

Devemos lembrar que nesses anos, a sociedade estava enfrentando mudanças drásticas, no sentido comportamental, e dos hábitos que marcavam o dia a dia de uma pessoa que convivia em sociedade. 

Foi no final dos anos 90, que o mundo vivenciou a expansão dos serviços de internet, o boom dos softwares e as soluções digitais, fator que acabou redesenhando por completo o novo mercado de trabalho. 

E não podemos deixar de incluir nesta mudança, o crescimento da participação feminina no ambiente empresarial, o qual passou de 30% em 1980 para 41% em 1995, e continua subindo de forma ininterrupta, ate os dias atuais, onde este valor supera o 52%.  

As mudanças da vida em sociedade foram tão profundas, que iniciaram um processo de conscientização do fator tempo, como uma importante variável a ser considerada pelas pessoas, nas suas definições cotidianas, assim como, em todas as instâncias que definem uma relação de consumo. 

Desta forma, a maioria das pessoas exercendo o seu papel social de consumidor, passou a compreender o tempo, como um elemento fundamental de percepção de valor. 

Com base nestas premissas, nasce o conceito de serviços de conveniência…, lembram da publicidade do Posto Ipiranga…?  

Bom, trata-se exatamente desse conceito “você resolve tudo no mesmo lugar”, e as oficinas automotivas, em maior ou menor medida, tiveram que se adaptar a essa nova realidade do consumidor. 

 

A era dos Auto Centros de Serviço: 

Neste cenário, já não bastava atender a premissa dos anos 80 e começo dos 90, “Resolve o meu problema pontual”; agora a expectativa passou a ser outra: 

 

Resolve todos os temas  relacionados à manutenção do meu veículo 

 

Desta forma, um novo modelo de oficina “foi importado de outros países”, e passou a ser colocado em prática. 

Trata-se do modelo de Auto Centros de serviço, o qual se desenvolveu rapidamente com inciativas individuais de empresários do setor, assim como, com a participação ativa de diversas empresas do setor (fabricantes de Autopeças e Distribuidores), as quais desenvolveram seus próprios conceitos de redes de oficinas, para não ficar de fora do impulso que prometia esta nova tendência. 

Claro que não quer dizer que, não existam outros tipos de oficinas especializadas em marcas de veículos, sistemas específicos (Câmbios automáticos, Sistemas Diesel, Retificas, etc.), mas claramente, foram as oficinas multimarcas e multisserviços (associadas ou não a uma rede de oficinas), as que passaram a dominar o mercado em termos de oferta e participação. 

Claramente a adaptação que se iniciou no final da década dos 90 e início dos anos 2000, foi muito bem sucedida em termos da aceitação por parte do consumidor; de fato, era algo que o cliente estava aguardando como expectativa de entrega de valor; ou seja, a maior quantidade de soluções possíveis no mesmo lugar. 

De fato, podemos afirmar que o conceito de Auto Centros de Serviço, continua sendo o modelo predominante até os dias de hoje,  

Mas qual seria então, esse novo fator que atualmente estaria levando o mercado de serviços automotivos, na direção de uma necessidade de mudança…? 

Como falamos ao começo, as estruturas socioeconômicas seguem uma organização pautada pelas caraterísticas de um período, e todos os elementos e evidencias que temos ao redor do cenário de serviços automotivos, nos indicam que estamos diante de um período de transição, na direção do início de um novo ciclo; o qual poderíamos chamar como: “o ciclo dos especialistas”; ou por que não…, “o retorno dos especialistas”. 

Mas, quais são os fatores que impulsionam esta mudança…? 

Porque no ciclo anterior vimos que o principal fator de mudança foi o cliente; “mudança da hábitos do consumidor”, e agora qual seria esse fator? 

Bom, atualmente (falando dos últimos 10 anos), quem marca as pautas e dita as regras do futuro de uma oficina automotiva, é a tecnologia. 

Em poucas palavras; o sucesso de uma oficina depende da sua capacidade para desenvolver e oferecer soluções, para as novas tecnologias presentes no mercado. 

Por mais que nossa atividade sempre manteve uma relação de dependência com as tecnologias criadas e lançadas pela indústria automotiva, atualmente existem fatores que tornaram esta dependência, cada vez mais difícil de ser sustentada, desde o ponto de vista operacional e econômico. 

Desde a perspectiva operacional, podemos dizer que, a diversidade das tecnologias e variabilidade de modelos de veículos presentes no mercado, tornaram a tarefa de uma oficina multimarca e multisserviços, praticamente um impossível. 

Somado a este fator, o nosso mercado está vivenciando um verdadeiro apagão de técnicos qualificados para trabalhar com estas tecnologias, agravando ainda mais este cenário. 

Por outro lado, a mudança tecnológica que estamos enfrentando, é diferente de tudo o que tínhamos vivenciado até o momento; porque mudanças tecnológicas sempre formaram parte dos desafios das oficinas, mas, o que estamos enfrentando atualmente, são mudanças muito rápidas, muito diversas (em tecnologias, sistemas e conceitos de mobilidade), e com necessidades de investimentos sem precedentes. 

Estamos falando de equipamentos, licencias de software, informações técnicas, ferramental especial, multiplicado pela quantidade de marcas, modelos, e sistemas; com a agravante de que, todos esses investimentos ficam obsoletos de forma muito rápida, inviabilizando a obtenção de um retorno minimamente adequado, dentro desse cenário de pulverização de marcas, modelos e tecnologias. 

Resumindo; se um empresário decidir comprar tudo o que for tecnicamente necessário, para realizar serviços multimarca no formato de centro de serviços (ampla oferta de serviços para todas as marcas e modelos), não contará com as condições de mercado necessárias, para obter um retorno dos investimentos. 

Mas, toda mudança traz desafios e oportunidades…, então a proposta é focar nas oportunidades. 

Este novo modelo, para o qual nosso segmento está transitando, nos oferece a possibilidade de voltar a ser um especialista em diferentes nichos de negócios. 

Ou seja, ser muito muito bom…, com foco em soluções específicas. 

A especialização, permite que o empresário resolva problemas de maneira focada; por exemplo: 

Aquisição de ferramentas e  tecnologias; 

Aquisição de informações técnicas (nacionais e internacionais); 

Desenvolvimento de fornecedores para obter as peças que ninguém encontra no mercado; 

Parcerias para criar soluções (exemplo: Kit de montagem que nem a própria montadora fornece); 

Manter estoque de itens crítico a pronta entrega; 

Entre outras tantas facilidades que tornam a empresa uma verdadeira solucionadora de problemas, criando um grande diferencial de valor; mas sempre com foco em uma solução especifica, para qual existe uma demanda, mas as ofertas são limitadas. 

 

E dentro destes nichos de negócios, podemos mencionar os seguintes: 

Oficinas especialistas de Marca. 

Especialistas em sistemas eletrônicos e calibrações de software. 

Especialização em um tipo especifico de veículos (exemplo: Linha Diesel Leve). 

Especialistas em sistemas de câmbio e transmissão. 

Especialistas em sistemas de climatização. 

Especialistas em eletrificação veicular e baterias de alta tensão. 

Empresas de customização e performance de veículos. 

Especialista em reparo de componentes de alto valor agregado (exemplo: Injetores diesel, bombas de alta pressão, turbos, direções elétricas). 

Empresas de restauração de veículos 

Especialistas em sistemas de pós-tratamento. 

Especialistas em acessórios e estética automotiva. 

 A mensagem para os empresários que estão pensando em um planejamento de negócios é a seguinte:  

Coloque as oportunidades de especialização dentro do seu plano negócios de curto ou médio prazo.  

 

Baterias Moura destaca participação no Salão de Motopeças 2026

A Baterias Moura marcou presença pela primeira vez no Salão de Motopeças 2026, em São Paulo, levando ao público do aftermarket de duas rodas um portfólio atualizado de baterias.

Com mais de uma década de atuação no segmento de reposição para motos, a Moura apresentou a evolução tecnológica de sua linha de baterias, estruturada em duas principais tecnologias. A primeira é a linha Moto VRLA/AGM, com baterias seladas e livres de manutenção, voltadas para motocicletas que exigem maior estabilidade elétrica e menor necessidade de intervenções periódicas. A segunda é a Moto Ventilada, que utiliza tecnologia tradicional com íons ativos e atende aplicações mais convencionais.

Segundo a empresa, o portfólio cobre motocicletas que vão de 50 cc até 2300 cc, abrangendo desde modelos urbanos de baixa cilindrada até motos de uso recreativo ou touring de alta capacidade.

Além da apresentação técnica das baterias, a Moura também aproveitou o evento para lançar oficialmente o Moura Fácil Motos, extensão do serviço de delivery já utilizado no mercado automotivo. A iniciativa prevê entrega, teste e instalação gratuita da bateria em até 50 minutos, com pagamento realizado no momento da entrega. O serviço foi desenvolvido para ampliar a conveniência ao motociclista sem abrir mão da aplicação correta e do suporte técnico, e deverá ser expandido gradualmente para todo o país.

No estande da marca, a estratégia foi voltada à orientação técnica de distribuidores, lojistas e oficinas. A equipe apresentou os critérios de aplicação das tecnologias considerando fatores como nível de vibração das motos, ciclos de partida, condições de armazenamento em estoque e giro de produtos, aspectos que influenciam diretamente na durabilidade da bateria e na incidência de garantia.

De acordo com Rui Pinto, coordenador de gestão e especialista Moura Moto da Rede Moura, a proposta da empresa é levar mais critérios técnicos para o processo de escolha no ponto de venda e na instalação.

“Bateria de moto não pode ser tratada como uma escolha impulsiva. Quando falamos em desempenho e durabilidade, estamos falando de controle de processo industrial, aplicação correta e responsabilidade em toda a cadeia”, afirma.

A Moura destaca ainda que sua operação nacional combina capilaridade logística, inteligência de demanda e suporte técnico especializado, fatores que contribuem para garantir disponibilidade de peças e orientação adequada desde o distribuidor até a oficina.

Com a participação no Salão de Motopeças 2026, a empresa busca fortalecer o relacionamento com distribuidores, redes especializadas e oficinas, posicionando o evento como espaço para consolidar parcerias no mercado de reposição e ampliar a disseminação de critérios técnicos no segmento de duas rodas.

Como escolher as ferramentas para sua oficina em 2026

oficina artigo custos

O mercado automotivo em 2026 exige mais do que “mão na massa”, exige tecnologia de ponta. Com a frota brasileira dividida entre motores GDI (injeção direta), híbridos e elétricos, a escolha das ferramentas deixou de ser uma questão de preferência para se tornar uma decisão de engenharia aplicada ao negócio.

Se você está planejando renovar seu arsenal este ano, veja o que realmente importa.

1. A evolução das ferramentas elétricas: O fim das escovas

Em 2026, as ferramentas Brushless (sem escovas de carvão) são a regra, não a exceção.

Como funcionam: Diferente dos motores antigos, que usavam o contato físico das escovas para transmitir energia, os motores brushless utilizam um controlador eletrônico para criar campos magnéticos que giram o rotor.

Vantagem na Oficina: Sem o atrito das escovas, não há faíscas (crucial em ambientes com vapores de combustível), o calor gerado é mínimo e a vida útil do motor é até 50% superior.

Tipos Essenciais em 2026:

Chaves de Impacto de Alta Performance: Utilizam um mecanismo de martelo e bigorna interna. Em vez de uma força contínua, elas entregam “golpes” rotativos ultra-rápidos, permitindo soltar parafusos oxidados com o mínimo de esforço do operador.

Catracas Elétricas Subcompactas: Ideais para espaços confinados no cofre do motor. Elas funcionam através de um sistema de engrenagens planetárias que converte a alta rotação do motor elétrico em torque controlado para agilizar a desmontagem.

2. Torque e eficiência: A ciência do aperto perfeito

Em 2026, o “aperto no olhômetro” é o caminho mais rápido para um prejuízo. Componentes de alumínio e magnésio exigem precisão absoluta.

Torquímetros digitais com ângulo: Hoje, a maioria dos parafusos de cabeçote e suspensão exige aperto por torque + ângulo. Essas ferramentas possuem sensores de deformação (strain gauges) que medem a resistência do metal e giroscópios eletrônicos para medir o ângulo exato.

Como funcionam: O mecânico programa o valor (ex: 40 Nm + 90°) e a ferramenta emite alertas vibratórios e visuais (LEDs) quando o alvo é atingido, garantindo que o parafuso não sofra deformação plástica indesejada.

3. Economia operacional: O retorno sobre o investimento

Ferramenta profissional de 2026 é um ativo financeiro. A economia vem da eficiência energética e da durabilidade.

Baterias Inteligentes: As baterias atuais possuem chips que se comunicam com o carregador para evitar sobrecarga e superaquecimento. Isso significa menos trocas de bateria ao longo de 2 ou 3 anos.

Menos Tempo de Setup: Ao eliminar mangueiras e compressores para ferramentas de impacto, você ganha cerca de 15 minutos de produtividade por hora trabalhada. No final do mês, isso representa mais veículos atendidos no mesmo espaço físico.

4. Segurança e ergonomia: Protegendo o profissional

O maior custo de uma oficina é um mecânico afastado por lesão. As ferramentas modernas focam na saúde do usuário:

Controle de Kickback (Anti-coice): Através de acelerômetros (iguais aos de smartphones), a ferramenta detecta se o acessório travou bruscamente e corta a energia em milissegundos, evitando fraturas no pulso do mecânico.

Sistemas de Amortecimento de Vibração: Molas e elastômeros internos isolam a empunhadura do mecanismo de impacto, prevenindo a Síndrome da Vibração Mão-Braço (SVMB).

Dica: Antes de comprar, verifique se a ferramenta possui integração com o software de gestão da sua oficina para registro automático de torque nos check-lists de entrega.

Clique aqui para conferir o guia técnico no site Loja do Mecânico.

Escolher a ferramenta certa é investir na sua autoridade técnica. Quem domina a tecnologia, domina o mercado.

Procedimento de verificação do sincronismo do motor T200 no Citroën Basalt

Guia mostra o processo de travamento do virabrequim e do comando de válvulas para conferência da distribuição no motor 1.0 turbo da Stellantis

O Citroën Basalt vem equipado com o conhecido motor T200, um três cilindros 1.0 turbo com até 130 cv e 20,4 kgfm de torque. O propulsor faz parte da nova geração de motores da Stellantis e, também, equipa modelos como Fiat Pulse, Fiat Fastback, Fiat Strada, Peugeot 208, Peugeot 2008, Citroën C3 e Citroën Aircross. A seguir, confira o procedimento de verificação do sincronismo do motor utilizando ferramentas específicas para o travamento do virabrequim e do comando de válvulas.

Pino de travamento do virabrequim

1. Operações iniciais
Posicionar o veículo em um elevador de duas colunas.

Desconectar a bateria de 12 V.

Remover o duto de admissão de ar e o filtro de ar.

Remover a bomba de vácuo.

2. Elevar o veículo e desmontar componentes
Remover o protetor de cárter. Retirar os dois parafusos de fixação.

Remover a tampa de proteção da caixa de câmbio.

3. Travamento do virabrequim
Girar o motor até que os orifícios no volante do motor estejam alinhados com o orifício presente no bloco de cilindros. Inserir o pino de travamento do virabrequim pelos dois orifícios para manter o conjunto na posição correta.

4. Travamento do comando de válvulas

Baixar o veículo.

Posicionar a ferramenta de travamento do comando de válvulas no local da bomba de vácuo.

A ferramenta possui um pino que deve ser inserido no orifício do eixo do comando de válvulas. Ela também conta com uma saliência de acoplamento que deve se encaixar no flange do eixo do comando.

Verificação da regulagem da distribuição

Após posicionar a ferramenta no eixo do comando de válvulas, é necessário verificar o alinhamento:

Se os orifícios da ferramenta estiverem alinhados com os orifícios utilizados para a fixação da bomba de vácuo, a regulagem da distribuição está correta.

Se os orifícios não estiverem alinhados, a regulagem da distribuição está incorreta e a corrente de distribuição deve ser reposicionada até atingir a configuração correta.

Correção do sincronismo

Caso a ferramenta de travamento não se encaixe corretamente, será necessário corrigir o sincronismo alterando a posição da engrenagem do comando de válvulas em relação ao virabrequim. Esse procedimento exige a desmontagem da parte frontal do motor. Após a correção, realizar a montagem dos componentes na ordem inversa da desmontagem.
*As informações técnicas foram divulgadas pela Revista O Mecânico por meio da plataforma Mecânico Pro, ferramenta de suporte técnico voltada ao diagnóstico e consulta de dados em veículos presentes na frota nacional.

Volkswagen T-Cross atinge 600 mil unidades produzidas no Brasil

A Volkswagen alcançou a marca de 600 mil unidades produzidas do Volkswagen T‑Cross no Brasil. O SUV compacto é fabricado desde 2019 na planta da marca em São José dos Pinhais (PR) e se consolidou como um dos modelos mais importantes da fabricante no país.

O T-Cross é o SUV mais vendido do Brasil há três anos consecutivos (2023, 2024 e 2025) e tem papel central na liderança da marca no segmento de utilitários. Em 2025, o modelo somou 92.842 unidades vendidas, enquanto em 2026 já acumula 13.651 emplacamentos até 10 de março.

Liderança entre os SUVs

O desempenho do T-Cross também contribui para a liderança da Volkswagen no segmento de SUVs. Em 2026, a família de utilitários da marca — que inclui modelos como Volkswagen Taos, Volkswagen Nivus e Volkswagen Tiguan — já soma 37.479 unidades vendidas no Brasil até o início de março.

Exportações para mais de 30 países

Além do sucesso no mercado brasileiro, o T-Cross também é relevante nas exportações. Desde o início da produção, 118.692 unidades já foram enviadas para 33 países da América Latina e da África.

Em 2025, o modelo registrou 17.816 unidades exportadas, sendo o quarto veículo mais exportado da Volkswagen do Brasil, atrás de Volkswagen Polo, Volkswagen Tera e Volkswagen Saveiro.

Motores e desempenho

O T-Cross é oferecido com duas opções de motorização turbo:

  • 200 TSI (versões de entrada e Comfortline)
  • 250 TSI (Highline e Extreme)

Ambos trabalham com câmbio automático de seis marchas. Na configuração mais potente, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 8,6 segundos.

Produção no Paraná

A fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais opera há 27 anos e já produziu mais de 3,2 milhões de veículos. Atualmente, a unidade fabrica o T-Cross e o Volkswagen Virtus.

A planta utiliza tecnologias como inspeção por inteligência artificial e laboratórios de realidade virtual para desenvolvimento e validação de processos produtivos.

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