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Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Conheça os aspectos de manutenção e reparabilidade da linha 2022 da picape Toro, que estreia o motor 1.3 turboflex da família GSE

A tradição e liderança da Fiat no segmento de picapes permite a ela fazer apostas mais ousadas que as concorrentes. E a mais recente representante dessa estratégia é a Toro 2022, primeira picape com motor turboflex do Brasil. Afinal, como é a manutenção da picape com este inédito motor 1.3 T4 da família GSE?

Na edição 324 (abril/2021), mostramos em detalhes todas as características técnicas do motor GSE, que também está no Jeep Compass 2022. Com 1.332 cm³ e 4 cilindros, o GSE T4 flex produz 185/180 cv (E/G) a 5.750 rpm e 27,5 kgfm de torque a 1.750 rpm com ambos os combustíveis. Este motor está sempre acoplado ao câmbio automático de seis marchas da Aisin.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Este 1.3 traz tecnologias como injeção direta de combustível, turbocompressor de baixa inércia, válvula termostática com controle eletrônico, coletor de escapamento integrado ao cabeçote, bloco de alumínio e duplo comando de válvulas, sendo eixo de cames na exaustão e sistema eletro-hidráulico MultiAir III na admissão.

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O novo motor de menor cilindrada deixou a Toro mais ágil (aceleração de 0 a 100 km/h em 11 segundos, segundo dados de fábrica), mas não necessariamente econômica.

Pelos dados do Inmetro, a picape registra as médias de 6,5 km/l na cidade e 9,4 km/l, na estrada, com etanol. Com gasolina, são 8 km/l e 10,8 km/l, na ordem. A unidade aqui avaliada é um exemplar da versão Volcano, a mais completa com o motor 1.3 turbo, tabelada a R$ 150.990.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Sandro dos Santos, sócio-proprietário da oficina Doctor American Car, em São Paulo/SP

De série, a picape traz 7 airbags, central multimídia com tela de 8,4”, faróis full LED, bancos em couro com regulagem elétrica para o motorista, rodas de 18”, partida do motor por botão e câmera de ré, entre outros. Para avaliar as condições de manutenção e reparabilidade da Fiat Toro 1.3 2022, contamos com o auxílio do mecânico Sandro dos Santos, sócio-proprietário da oficina Doctor American Car, em São Paulo/SP.

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MANUTENÇÃO PREVENTIVA

Ao levantar o capô, o mecânico ressalta a boa organização dos componentes no cofre. “Todos os chicotes têm suportes individuais, com bom acabamento”, nota. O motor possui uma espessa capa plástica de proteção (1) com manta antirruído (2). “O sistema de injeção direta tende a ter um som característico, por isso este elemento. A capa é presa por travas e dois parafusos laterais, de fácil remoção”, afirma.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Santos observa que o coletor de escapamento é integrado ao cabeçote, característica que ajuda a reduzir o tempo de aquecimento do motor e do catalisador. A troca das velas de ignição é indicada pelo manual do fabricante a cada 60 mil quilômetros, independentemente do tempo.

“A manutenção preventiva é muito mais barata que a corretiva. Trocar as velas preventivamente, um pouco antes do período previsto no manual, pode evitar alguma manutenção corretiva e até ajudar na diminuição de consumo caso o carro esteja com médias elevadas”, opina o profissional. Cuidado essencial com motores turbo, como este 1.3, é a atenção à especificação do óleo lubrificante (3).

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

“Em modelos turbo, o mecânico deve atentar ao óleo recomendado pela fabricante. Nunca complete com qualquer óleo”, indica o mecânico. A troca de óleo e filtro de óleo do motor é indicada pela Fiat a cada 10 mil quilômetros ou 1 ano (metade do tempo e km em uso severo).

Para a troca completa, com filtro, são necessários 4,8 litros de lubrificante sintético, grau de viscosidade 0W30, ACEA C2, que atenda à norma FCA 9.55535-GS1.

O mecânico também faz um alerta para as condições que podem reduzir o intervalo de revisões. “O uso severo não é só para quem pega trânsito pesado ou estrada de terra. Quem só usa o carro para ir à padaria, em trechos curtos, já tem um uso considerado severo. Com uma volta no quarteirão, o óleo não atinge a temperatura ideal de trabalho”, indica Sandro dos Santos.

Por falar em temperatura de trabalho, o sistema de arrefecimento possui válvula termostática elétrica (4) comandada pela unidade de gerenciamento eletrônico do motor. “Isso faz com que o motor atinja a temperatura ideal de forma mais rápida e precisa”, conta.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Como o turbocompressor possui controle de pressão por válvula wastegate eletrônica (5) e é refrigerado pelo líquido de arrefecimento, a atenção para o nível e especificações corretos também é válida. “Se você perceber que o líquido baixa com frequência, é sinal de vazamento.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Em alguns veículos, há duas marcações no reservatório (6), com o nível frio e com o nível quente. Abasteça sempre a frio e com o fluido indicado no manual”, explica. A troca completa do liquido de arrefecimento é recomendada pela Fiat somente a cada 240 mil km ou 10 anos, sendo necessários 5,6 litros para o abastecimento com o fluido Mopar Coolant OAT 50 (que já vem diluído na proporção correta com água desmineralizada).

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

O sincronismo deste motor 1.3 GSE T4 é feito por corrente, que não exige manutenção (desde que respeitados os prazos de manutenção). Já a correia de acessórios (7) tem fácil acesso para substituição, segundo Sandro.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

“Basta afastar a proteção plástica da caixa de rodas dianteira direita para ter acesso à correia de acessórios e ao tensionador”, indica. O manual recomenda a substituição da correia de acessórios a cada 120 mil km ou 6 anos.

Sandro também avalia como fácil o acesso a componentes como turbocompressor, mangueiras (8) e compressor do ar-condicionado (9), alternador (10), catalisador (11) e filtro de ar do motor (com substituição a cada 20 mil km ou 2 anos).

“Fazer a troca dos dois sensores de oxigênio é simples. Não é necessário nem mesmo erguer o carro no elevador para isso”, comenta. O fluido de freio (12), DOT 4, deve ser substituído a cada 40 mil km ou 2 anos, segundo o manual.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

CONTAMINANTES DO ETANOL

Uma recomendação expressa no manual da Toro 1.3 turbo 2022 chamou nossa atenção. “Para clientes que optem por abastecer o veículo exclusivamente com etanol, é recomendado o abastecimento completo do tanque de combustível com gasolina (no mínimo um tanque) a cada 10.000 km para reduzir prováveis contaminantes precedentes do etanol”, indica a Fiat no livreto de bordo.

Curiosamente, esta menção é válida somente para o motor 1.3 turboflex, e não para o 1.8 flex (que continua em linha na versão básica da Toro). Na visão de Sandro, a recomendação é mais um cuidado extra da fabricante do que uma necessidade. “A taxa de compressão, de 10,5:1, é alta, o que indica que esse é um motor feito para rodar com etanol sem problemas. Possivelmente, o uso de gasolina para limpeza é apenas uma precaução, pois o carro foi projetado para o uso de etanol. Ainda assim, siga sempre o que está no manual”, diz.

A bateria (13) da Toro 1.3 é do tipo EFB, tecnologia compatível com start-stop. Porém, a picape não conta com este sistema de fábrica. O uso desta bateria indica que a picape já está preparada para receber o item no futuro.  “Na reposição, é importante trocar a bateria por outra com a mesma especificação e tecnologia”, indica o profissional.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

A central do ABS (14) fica na parte posterior do cofre, sendo necessária a remoção da bateria. “Não é um item que exija manutenção no dia a dia, mas é importante o mecânico saber a localização dele caso seja necessária a medição de um circuito eletrônico, por exemplo”, afirma.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

O módulo de injeção eletrônica (15) fica ao lado da bateria.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

UNDERCAR

Na região do undercar, Sandro observa que o cárter (16) é de aço, material mais resistente e adequado para uma picape. “Não há protetor de cárter metálico, apenas um defletor aerodinâmico plástico”, nota.

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O filtro de óleo (17) é do tipo convencional, com o elemento filtrante e a carcaça metálica formando um só componente.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

O fluido do câmbio automático de seis marchas possui indicação do tipo “for life” no manual. Ou seja: não exige substituição ao longo de toda a vida útil do carro. “O resfriador independente (18) de óleo da transmissão é fixado por três parafusos, fácil de ser removido em caso de manutenção.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Caso precise baixar a caixa de câmbio, é necessário remover o para-choque para retirar as duas travessas de sustentação dianteiras”, observa o mecânico.

A válvula termostática e o motor de partida (19) ficam em local de acesso parcialmente simples, acima do semieixo.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Já a manutenção da caixa de direção mecânica, que conta com assistência elétrica na coluna, necessita que o quadro de suspensão seja baixado. O filtro de combustível (20) é externo, com fácil acesso e troca a cada 10 mil km ou 1 ano.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

O conjunto de suspensão dianteira utiliza o tradicional arranjo McPherson. “O pivô da bandeja (21) é independente, não é arrebitado, o que facilita a troca.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Já para substituir a bucha da bandeja é necessário remover o para-choque frontal, uma vez que a travessa ligada ao para-choque precisa ser retirada antes. Não é um serviço rápido”, opina. As bieletas são de material plástico, o que ajuda a diminuir o peso total da picape.

Na traseira, a suspensão também possui sistema independente, do tipo multibraço, com amortecedores (22), molas helicoidais, bieletas e barra estabilizadora.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

“A fixação superior dos amortecedores traseiros é externa, bastando retirar a proteção da caixa de roda”, observa Sandro dos Santos. O conjunto traseiro possui ainda ajuste dos ângulos de alinhamento.

O mecânico observa que o sistema de freios dianteiro, com discos ventilados e pinças flutuantes, não possui segredos na manutenção. Na traseira, a Toro mantém o sistema a tambor, com sapata autocentrante.

Raio X: Fiat Toro 1.3 2022

Após analisar o cofre do motor e o undercar da Fiat Toro 1.3 2022, Sandro aprovou as condições gerais de manutenção da picape. “É importante o mecânico sempre investir em conhecimento técnico e capacitação para ficar a par dessas inovações”, conta.

Sobre a popularização dos motores turbo, Sandro faz uma comparação com o passado. “Eu tenho certeza que as novas tecnologias vêm para somar. Com a chegada da injeção eletrônica, em 1988, também houve certa resistência em relação à eliminação do carburador. Tudo que é novidade assusta, mas não afasta”, afirma.

Ficha técnica Fiat Toro

Texto & fotos Gustavo de Sá