Profissionais ligados ao setor de instalação de sistema GNV orientam empresas instaladoras do kit e ressaltam a importância de atender todos os regulamentos do Inmetro para obter um serviço de excelência e qualidade
A instalação de sistema GNV (Gás Natural Veicular) em veículos automotores tem atraído muitos motoristas, devido a vantagem comparativa do custo do gás em relação ao preço da gasolina e do álcool. Entretanto, serviços sem qualidade podem trazer mais problemas do que vantagens para o cliente. Por isso, as oficinas devem atender todas as normas previstas pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e o regulamento que trata sobre o registro do instalador do sistema, entre outras atribuições.
O engenheiro mecânico do Inmetro, Marcos Barradas, explica que a oficina instaladora de equipamento GNV, deve atender aos requisitos contidos no Regulamento Técnico de Qualidade nº 33, que se refere ao registro do instalador de sistema de gás natural veicular; a Portaria nº 102/2002 e a RTQ (Regulamento Técnico de Qualidade) 37, que abordam sobre inspeção de segurança veicular de veículos rodoviários automotores com sistema de gás natural veicular; além das Portarias 122/2002 e 190/2002, que se referem ao Selo de Gás Natural Veicular.
De acordo com o engenheiro, a oficina interessada em se especializar na instalação de kit GNV, deve procurar ainda o representante da Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade (Ipem) do Estado em que se localiza e as outras regulamentações técnicas do Inmetro, pertinentes à certificação compulsória de componentes de sistemas de GNV. Segundo Barradas, existem cerca de 800 instaladores registrados em todo o Brasil, distribuídos em 19 Estados.
A ABGNV (Associação Brasileira do Gás Natural Veicular), que tem por objetivo planejar, organizar e catalisar ações que visam o desenvolvimento do ciclo produtivo, comercial e de consumo do Gás Natural Veicular no Brasil, declara que somente oficinas credenciadas pelo Inmetro podem fazer a instalação do kit GNV. Além disso, devem fornecer o “Certificado de Homologação de Montagem” do kit ao proprietário do veículo, para atestar todas as normas técnicas estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e, com isso, permitir que o veículo seja legalizado, posteriormente, junto ao Departamento de Trânsito (Detran).
Na opinião de Jorge Matsushima, responsável pelo atendimento a frotas da empresa Osasgas, que é credenciada pelo Inmetro, o veículo que recebe o kit GNV deve obrigatoriamente passar por uma inspeção de segurança veicular, no sentido de avaliar freios, suspensão, direção, dispositivos de sinalização e emissões de poluentes, para que não seja reprovado no momento da inspeção por organismos credenciados pelo Inmetro.
Matsushima ressalta que a oficina deve estar devidamente certificada pelo Inmetro, com o CRI (Certificado de Registro do Instalador) na sua data de validade, e que o técnico deve checar se o funcionamento do motor está em ordem. Recomenda também que sejam substituídas velas, cabos de velas, filtro de ar, óleo lubrificante, filtro de óleo, além da regulagem de válvulas e inspecionar o sistema de arrefecimento, conforme determina o fabricante do veículo.
Para Alfredo Castelli, diretor de meio ambiente da AEA (Associação de Engenharia Automotiva), é fundamental conscientizar o usuário em manter o veículo conforme a lei, através do suporte das empresas instaladoras de GNV e das montadoras de veículos. “Deve-se criar uma cultura em benefício ao meio ambiente, optando sempre pela conversão homologada e pelo sistema original. Se a conversão for realizada nestes moldes e houver uma fiscalização efetiva, teremos uma redução significativa no índice de poluição dos centros urbanos no futuro”. Conforme Castelli, o comportamento anormal do veículo é o principal sintoma de uma instalação inadequada e pode ocorrer ainda perda de potência do motor, vazamento de GNV pelas tubulações ou pelas peças do kit, maior consumo de GNV, regulagem deficiente da mistura e instabilidade no funcionamento do motor.
Com relação aos equipamentos que compõem o sistema GNV, o Inmetro criou o Programa de Instalação do Sistema GNV, que avalia e credencia as intaladoras, e certifica os componentes especiais para a transformação do veículo, como cilindros, redutor de pressão, tubos, suporte do cilindro e válvulas, entre outros componentes. Conforme o Inmetro, a certificação visa oferecer equipamentos de qualidade, garantir um bom funcionamento do veículo e a segurança das pessoas, além de reduzir os níveis de emissões de poluentes na atmosfera.
Por Magno Pereira



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