Substituição da peça exige inspeção de cilindros de roda, molas, reguladores e tambor para evitar falhas no sistema de freio
A troca das sapatas de freio pode parecer uma manutenção simples, mas a substituição da peça sem a avaliação de outros componentes pode comprometer o funcionamento do sistema. Por isso, a revisão deve incluir todo o conjunto do freio a tambor, especialmente itens periféricos que influenciam diretamente no desempenho da frenagem.
Comumente utilizadas no eixo traseiro de automóveis, utilitários, veículos comerciais leves e picapes equipados com freio a tambor, as sapatas são peças metálicas de formato curvilíneo revestidas por uma camada de material de atrito, chamada lona de freio. Quando o motorista aciona o pedal, a pressão hidráulica atua sobre o cilindro de roda, que empurra as sapatas contra a parte interna do tambor.
Thiago Artencio, consultor de assistência técnica das Fras-le, conta que ao entrar em contato com a parede interna do tambor em rotação, o atrito gerado reduz a velocidade das rodas até o veículo parar.
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Anota aí
De acordo com o especialista, trocar somente as sapatas não é suficiente para assegurar o funcionamento adequado do conjunto. Durante o serviço, é necessário verificar as condições dos cilindros de roda, incluindo possíveis vazamentos e travamentos dos êmbolos.
O kit de molas e os reguladores também precisam ser avaliados. As molas, por exemplo, são responsáveis pelo retorno das sapatas após a frenagem. Quando estão desgastadas, perdem força, provocam desgaste prematuro do material de atrito e contribuem até para o superaquecimento do sistema.
Já os reguladores podem apresentar oxidação e travamento. Nesse caso, o ajuste das sapatas fica comprometido e o pedal pode apresentar altura inadequada. Thiago explica que a substituição das sapatas exige um olhar atento para todo o conjunto, pois negligenciar componentes periféricos pode originar falhas prematuras no sistema.
Tambor de freio também deve entrar na revisão
E na hora da manutenção, o condutor também deve se atentar ao tambor de freio. A instalação de sapatas novas em um tambor ovalizado, com sulcos profundos ou que tenha ultrapassado o diâmetro máximo determinado pelo fabricante pode prejudicar o assentamento correto do material de atrito.
Por isso, a recomendação técnica é medir o diâmetro interno do tambor com equipamento adequado e comparar o resultado com as especificações do fabricante.
Além disso, a escolha das peças também interfere no resultado do reparo. O especialista recomenda utilizar componentes de fabricantes reconhecidos e produzidos sob padrões rigorosos de qualidade. A geometria correta da sapata e o coeficiente de atrito adequado das lonas são fatores importantes para o funcionamento do conjunto.
Com todos os componentes dentro das condições especificadas, a manutenção tende a proporcionar assentamento mais rápido das sapatas e frenagens progressivas. A inspeção completa também ajuda a reduzir o risco de retornos à oficina causados por ruídos indesejados ou perda de desempenho.



