Por: Fernando Landulfo

 

Que mecânico nunca passou por um apuro desses? Muitos, com certeza. E se não passou, tem um colega, bem próximo, que já enfrentou essa situação desesperadora. O YouTube está cheio de vídeos que mostram estas cenas deprimentes. E as razões que levam o Guerreiro das Oficinas ao desespero, diante de um incêndio veicular, são bem simples:

 

a) O mecânico é um apaixonado por carros. Logo, ver um ardendo em chamas provoca sensações ruins ao mesmo. E não importa se aquele modelo é considerado uma “bomba”;

 

b) Muito dificilmente, alguém que não seja um bombeiro profissional, devidamente equipado, consegue apagar um incêndio em um veículo, que não esteja bem no começo. E as chamas costumam aumentar rapidamente. E para piorar, muitas vezes o incêndio ocorre em locais onde o fogo pode se propagar rapidamente e atingir outras pessoas;

 

c) Se o fogo ocorreu após um reparo, seja dentro da oficina, seja durante um teste, a responsabilidade pelo veículo pode recair sobre o mecânico. E se ocorreu com um modelo importado que vale centenas de milhares de dólares…

 

Mas por que que os veículos automotores pegam fogo?

 

Bem, em primeiro lugar é preciso entender por que as coisas pegam fogo.

 

Seja lá qual for a situação, para que o fogo inicie é necessária a presença simultânea dos 3 elementos a seguir:

 

a) Combustível: papel, madeira, plástico, tecido, carvão, gás, gasolina, diesel, querosene, óleos etc.;

 

b) Comburente: oxigênio presente no ar (21% em volume aproximadamente);

 

c) Calor: chama produzida por um fósforo, isqueiro ou um queimador qualquer, centelha elétrica, superaquecimento de condutores ou componentes elétricos devido a um curto circuito, superaquecimento de condutores ou componentes elétricos devido à uma sobrecarga no sistema, calor oriundo de peças que naturalmente trabalham muito quente.

 

Se apenas um deles faltar, o fogo não inicia ou se extingue imediatamente.

 

O veículo automotor é um ambiente riquíssimo nesses três elementos. Mas enquanto eles são mantidos separados, nada ocorre. Segurança total.

 

No entanto, por algumas vezes, seja por erro profissional, defeito de um componente ou deterioração de um material, combustível, comburente e calor são colocados juntos.

 

Aí o “bicho pega”. Se nada for feito rapidamente, o veículo, num instante, se transforma numa pira crematória que só os bombeiros conseguem apagar.

 

E se o fogo atingir determinadas proporções, o melhor a fazer é sair de perto. Muitas pessoas já quase perderam a vida tentando apagar incêndios de veículos sem o devido treinamento. Basta usar o extintor errado.
Ou seja: não é tão simples assim.

 

Existem uma série de técnicas que precisam ser aprendidas e praticadas. O melhor a fazer é procurar uma escola especializada nesse tipo de treinamento. Lá pode-se aprender as técnicas de extinção, assim como, os equipamentos de combate mais adequados para cada tipo de incêndio.

 

Mas onde e por que os veículos automotores pegam fogo?

 

Existem vários fatores que levam um veículo a incendiar. Mas pode-se dizer que motivo mais comum é o vazamento de combustível. Em primeiro lugar é preciso deixar bem claro que: combustível líquido não pega fogo.

 

Mas como? Que absurdo é esse? Gasolina, álcool e diesel não pegam fogo?

 

Na forma líquida, não. Quem, na verdade, pega fogo são os seus vapores. Esses líquidos geram vapores a temperaturas relativamente baixas. Se houver um vazamento dentro do compartimento do motor, rapidamente o mesmo fica saturado de vapores combustíveis (1º elemento).

 

Como lá existe ar, tem-se o oxigênio (2º elemento). Se essa mistura entra em contato com uma faísca gerada pelas escovas da alternador ou do motor de partida, faíscas provocadas por cabos de velas soltos ou bobinas de ignição trincadas, ou mesmo, um coletor de escapamento muito quente (3º elemento): fogo no compartimento do motor.

 

Um fogo muito difícil de controlar, principalmente nos motores equipados com alimentação pressurizada, pois, enquanto o motor funciona, o combustível líquido é “esguichado” para fora do seu conduto, rapidamente vaporizado, realimentando o incêndio. Curtos-circuitos nos motores de partida ou sobrecarga no sistema elétrico também podem
ser a fonte de calor que inicia este tipo de incêndio.

 

No entanto, o vazamento, geralmente, produz sintomas típico: perda de rendimento e odores fortes de combustível.

 

Mas o que gera esses vazamentos e o que fazer?

 

As razões mais comuns são:

 

a) Deterioração avançada das mangueiras de combustível: Esse componente tem vida útil determinada. Deve ser trocado preventivamente. Não espere a mesma apresentar trincas ou ressecamento. Pode ser tarde demais.

 

b) Mangueiras de baixa qualidade ou não apropriadas ao serviço: Não é aqui que se deve fazer economia na hora de comprar um componente. Utilizar somente material certificado, apropriado para o combustível utilizado e a pressão de trabalho do sistema (com uma boa margem de segurança).

 

c) Tubulações trincadas e/ ou remendadas: por vezes, por razões alheias, as tubulações rígidas de combustível são
danificadas. Elas devem ser substituídas por novas e de qualidade comprovada (genuína ou, na sua falta, original).

 

d) Engates rápidos danificados: manuseio incorreto dos engates rápidos pode gerar vazamentos. Se danificados, substituir o conjunto.

 

e) Abraçadeiras de baixa qualidade ou não apropriadas ao serviço: Outro lugar onde não se deve fazer economia. Utilizar somente material certificado, apropriado a pressão de trabalho do sistema (com uma boa margem de segurança).

 

Por fim, verificar sempre a estanqueidade do sistema com o auxílio de um manômetro. Se a pressão cair quando a bomba de combustível é desligada…Vazamento.