Novos projetos desenvolvidos no Brasil atendem caminhões e ônibus elétricos e prometem reduzir perdas no trem de força
A Cummins inicia uma nova fase no desenvolvimento de eixos com projetos voltados à eletrificação e à eficiência energética. Desenvolvidas pela engenharia brasileira, as novas plataformas foram apresentadas durante as comemorações dos 70 anos da operação da empresa em Osasco (SP) e devem atender diferentes aplicações no transporte comercial.
Entre as novidades estão dois eixos específicos para veículos eletrificados, além de uma nova plataforma destinada a reduzir perdas mecânicas nos sistemas convencionais. Na prática, as soluções buscam responder a mudanças importantes no funcionamento dos veículos, principalmente devido ao peso das baterias e à atuação da frenagem regenerativa.
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Novos eixos preparados para veículos elétricos
Nos veículos elétricos, a transmissão de torque passa por condições diferentes das encontradas em modelos convencionais. Durante a desaceleração e a frenagem regenerativa, por exemplo, o diferencial pode trabalhar em sentido contrário, submetendo componentes como coroa, pinhão e rolamentos a esforços mais elevados.
Além disso, o peso das baterias aumenta as cargas aplicadas aos eixos, especialmente em operações urbanas. Por isso, a Cummins desenvolveu o MS-14X, destinado a caminhões elétricos urbanos de configuração 6×2 e até 17 toneladas.
Embora mantenha a arquitetura externa do eixo MS-120, o novo componente teve praticamente todo o conjunto interno replanejado. O projeto recebeu rolamentos de maior capacidade, conjuntos de coroa e pinhão redimensionados e componentes reforçados.
Outro destaque é o tratamento Shot Pinning, que utiliza microesferas de aço para aumentar a resistência à fadiga e aos carregamentos cíclicos. O modelo, que será produzido a partir de janeiro de 2027, terá o diferencial montado na fábrica de Osasco.
Já o MC-17X foi desenvolvido para ônibus elétricos urbanos de até 22 toneladas de PBT. O eixo traseiro 4×2 precisa combinar capacidade de tração com resistência à concentração de massa provocada pelas baterias.
Para isso, o projeto conta com diferencial reforçado, solda a laser, rolamentos de maior capacidade, coroa e pinhão reforçados e uma nova carcaça fundida. Assim como o eixo MS-14X, a novidade tem sua produção prevista para ser iniciada em meados de 2027.
Nova plataforma busca reduzir perdas de energia
A eletrificação não é a única frente de desenvolvimento. A Cummins também passou a direcionar sua engenharia para aumentar a eficiência dos eixos convencionais. Desse modo, consegue reduzir as perdas mecânicas durante a transmissão da potência do motor até as rodas.
A nova arquitetura trabalha com três pilares. O primeiro é um sistema interno de lubrificação redesenhado, que reduz fluxos desnecessário e a resistência hidráulica do óleo.
O segundo envolve novos rolamentos, com geometrias, acabamentos e dimensões desenvolvidos para diminuir o atrito. Por fim, o terceiro pilar é um novo conceito para o conjunto de coroa e pinhão, que otimiza o alinhamento entre o cardã e a entrada do diferencial.
Os testes realizados em uma bancada dedicada na Europa indicaram ganho próximo de 2% na eficiência em comparação com a geração anterior. Segundo a Cummins, em um caminhão que percorre 100 mil km por ano e apresenta consumo médio de 1,8 km/l, esse avanço poderia representar economia de aproximadamente 1.090 litros de diesel por veículo ao ano.
O MT-17XHE será o primeiro eixo dessa plataforma de alta eficiência desenvolvido para aplicações brasileiras. Destinado a veículos 6×4, o modelo está em fase final de homologação e tem produção prevista para julho de 2027.
A carcaça foi desenvolvida pela engenharia de Osasco considerando condições específicas do transporte no Brasil, como maiores PBTCs, longas distâncias, topografia, pavimentação e diferentes condições de operação. Inclusive, a Cummins prevê ampliar a arquitetura para novas aplicações, incluindo o futuro 18XHE. Este último será destinado aos modelos 6×2 e deve ser lançado entre 2028 e 2030.






