Após primeiro abastecimento com hidrogênio verde na Bahia, fabricante inicia negociações comerciais do modelo no Brasil
A GWM Brasil deu mais um passo em sua estratégia para a mobilidade movida a hidrogênio no País. A fabricante realizou o primeiro abastecimento de seu caminhão elétrico com célula a combustível utilizando hidrogênio verde produzido no Centro de Referência em Tecnologias de Baixo Carbono e Hidrogênio Verde, localizado no Senai Cimatec Park, em Camaçari (BA).
O marco também representa o início das negociações comerciais do modelo no mercado brasileiro. Segundo a empresa, a expectativa é faturar R$ 20 milhões em 2026 com a venda de caminhões e outras soluções baseadas em célula a combustível, além de ampliar a presença da tecnologia na América Latina.
A operação faz parte da estratégia da GWM Hydrogen, divisão global da fabricante dedicada ao desenvolvimento de veículos movidos a hidrogênio. A empresa afirma que já negocia o fornecimento da tecnologia com sete empresas privadas e centros de tecnologia no Brasil, além de manter tratativas com uma companhia responsável por projetos sustentáveis na América do Sul.
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Caminhão inicia testes com hidrogênio verde produzido na Bahia
O abastecimento realizado no Senai Cimatec marca uma nova etapa dos testes do caminhão no Brasil. Agora, o modelo passa a utilizar hidrogênio verde produzido na própria estrutura do centro tecnológico, permitindo avaliações em condições reais de operação.
Nos próximos dois meses, o veículo deverá percorrer mais de 1 mil quilômetros nas instalações do complexo baiano. Até o momento, o modelo já ultrapassou 500 quilômetros rodados, desempenho que, segundo a GWM, faz dele o primeiro caminhão pesado movido a hidrogênio a atingir essa marca em testes realizados em mais de 130 países onde a empresa atua.
Durante os ensaios serão analisados fatores como eficiência energética, autonomia, desempenho operacional e funcionamento da infraestrutura de abastecimento com hidrogênio produzido por eletrólise da água.
O modelo utiliza tecnologia Fuel Cell Electric Vehicle (FCEV), na qual a célula a combustível converte o hidrogênio em eletricidade para alimentar o motor elétrico, tendo como única emissão vapor d’água.
Entre as especificações técnicas estão bateria de 105 kWh, potência de até 544 cv, torque de 234,5 kgfm e autonomia estimada em 500 quilômetros com os cilindros de hidrogênio totalmente abastecidos.
Retrofit amplia possibilidades para descarbonização das frotas
Além da comercialização de caminhões novos, a GWM também pretende atuar no mercado de retrofit. Essa solução converte caminhões originalmente movidos a diesel em veículos elétricos equipados com célula a combustível de hidrogênio.
Nesse processo, o veículo recebe novos componentes, como célula de combustível, tanques de hidrogênio de alta pressão, motor elétrico, bateria auxiliar e sistemas eletrônicos de gerenciamento, preservando o chassi e parte da estrutura original.
De acordo com a fabricante, essa alternativa pode reduzir o custo de adoção da tecnologia e facilitar a descarbonização de frotas já em operação, especialmente em aplicações com rotas definidas, onde é possível instalar infraestrutura dedicada de abastecimento.
A estratégia da empresa também se apoia na experiência adquirida na China. Aliás, a GWM Hydrogen já colocou mais de dois mil caminhões movidos a hidrogênio em circulação. Apenas em 2025, foram mais de um mil unidades incorporadas à operação, em aplicações de transporte pesado.
Com a iniciativa no Brasil, a fabricante busca acelerar o desenvolvimento da mobilidade a hidrogênio e contribuir para a criação de uma infraestrutura capaz de atender futuras operações de transporte de carga com baixas emissões.





