Com metais nobres como platina, paládio e ródio, componente pode ser reciclado mesmo após o fim da vida útil
O catalisador automotivo não encerra sua função quando chega ao fim da vida útil. Presente no sistema de exaustão de veículos a combustão e híbridos, o componente ajuda a transformar gases poluentes em substâncias menos nocivas. Porém, ele ainda pode representar uma fonte de matérias-primas para a indústria mesmo depois de usado.
Isso acontece porque o substrato interno do catalisador contém metais nobres, principalmente platina, paládio e ródio. Por meio da reciclagem, esses materiais podem ser recuperados e utilizados novamente em diferentes aplicações, reduzindo a dependência de matérias-primas provenientes da mineração.
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Como é feita a reciclagem do catalisador?
A Umicore, além de fabricar catalisadores automotivos, possui uma unidade de negócios dedicada à reciclagem de metais nobres. No Brasil, o processo começa na planta da empresa em Americana (SP), onde são recebidos resíduos de diferentes origens.
Entre os materiais estão sucatas de catalisadores automotivos, catalisadores químicos e industriais, sucata eletrônica, resíduos de joalheria e resíduos de mineração.
Primeiramente, os materiais são homogeneizados para que uma pequena amostra represente adequadamente todo o lote. Logo em seguida, essa amostra passa por análise laboratorial, responsável por identificar e quantificar os metais de interesse.
Após a etapa de amostragem e valorização no Brasil, o material é encaminhado para a unidade de reciclagem de metais da Umicore em Hoboken, na Bélgica. Segundo a empresa, a instalação está entre as maiores e mais ecoeficientes do mundo para a reciclagem de fluxos complexos contendo metais nobres.
Nessa etapa são utilizados processos pirometalúrgicos para recuperar os metais, que posteriormente passam pelo refino. Assim, os recursos podem retornar ao mercado e ser empregados novamente em diferentes produtos.
Destinação correta é fundamental
Para que o ciclo de reciclagem aconteça de maneira adequada, a destinação do catalisador usado deve ser feita por canais oficiais. O procedimento permite manter a rastreabilidade do material, evitar perdas e garantir a conformidade ambiental. Para pequenos volumes, a companhia orienta e indica parceiros homologados para a destinação.
Além disso, o material deve ser armazenado em local coberto, evitando a absorção de umidade, e pode ser acondicionado em tambores metálicos. A entrega precisa ser acompanhada de Nota Fiscal, enquanto somente empresas cadastradas e aprovadas pelo processo de compliance da Umicore podem realizar entregas.
Depois de recuperados e refinados, os metais podem ser utilizados novamente na fabricação de catalisadores automotivos, catalisadores industriais, aplicações químicas e equipamentos eletrônicos.
Globalmente, a Umicore informa que 65% das matérias-primas processadas pela empresa são materiais secundários. A unidade global de reciclagem processa mais de 400 mil toneladas de matérias-primas por ano, provenientes de mais de 200 tipos de materiais, com recuperação de 17 metais diferentes.
Para Gabriel Cruz, gerente comercial da Umicore, o controle de toda a cadeia é necessário para que a reciclagem sustentável seja efetiva, desde o recebimento do material até o retorno dos metais à economia.




