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Acompanhe nesta matéria as dicas de manutenção e substituição dos rolamentos dianteiro e traseiro do modelo Volkswagen Polo

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Ruído e vibração em velocidades acima de 80 km/h ou em curvas, esses são os principais sintomas de um rolamento de rodas danificado. A manutenção preventiva ainda é a melhor maneira de se evitar essa situação, por isso, os mecânicos devem sempre estar atentos ao manual do proprietário do veículo do seu cliente e alerte-o sobre os prazos de verificação e troca do componente.

Nesta matéria, fizemos a verificação e a troca preventiva dos rolamentos dianteiros e traseiros do Volkswagen Polo sedã 1.6, ano de fabricação 2005. Para esse tipo de rolamento a substituição preventiva é recomendada a cada 150 mil km rodados. “Porém, a maioria dos motoristas espera o problema acontecer, ou seja, o tempo de vida do rolamento acabar, o que provoca descamação nas pistas e ruído. Desta forma acabam trabalhando com a manutenção corretiva, quando percebem um ruído alto na suspensão e o rolamento já está com nível de danificação elevado”, explica o Coordenador de Assistência Técnica da Schaeffler, Charles Novais.

“Além do ruído e da vibração, o desgaste irregular dos pneus é mais um sintoma de que o rolamento pode estar com problema”. Falta de alinhamento, pneus em mau estado, amortecedores com problemas são fatores que podem sobrecarregar o rolamento causando danos irreparáveis. “Mas o desconforto do motorista com ruído é o diagnóstico mais forte”, complementa.

Faça a verificação do ruído dos rolamentos com o estetoscópio, da seguinte maneira: com o veículo no elevador coloque a ponta (sonda do estetoscópio) na manga do alojamento, com o carro em terceira a 80km/h. Sem danificação na pista, o ruído vai ser suave, sem aspereza. Se ouvir um ruído áspero, a peça tem que ser substituída. Uma dica é fazer essa inspeção sempre que efetuar o rodizio dos pneus, a cada 10 mil km.

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Vale a pena lembrar que o rolamento não oferece reparo e, quando chega ao fim da vida útil ou sofre com desgaste, é preciso substituí-lo sempre pelo modelo compatível e original. Também não deve alterar ou recondicionar a peça, muito menos comprar os componentes recondicionados, afinal são projetados e desenvolvidos de acordo com rígidos padrões de qualidade, com medidas específicas e materiais próprios (aço, graxas e vedações), características essenciais para atender as exigências dos automóveis, cada vez mais avançados tecnologicamente e com aumento de desempenho.

Se a troca preventiva não for feita, e “um rolamento de roda travar ou quebrar em movimento, a roda pode soltar, o motorista pode perder o controle do carro e causar um acidente”.

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“O rolamento aplicado em rodas dianteiras é de dupla carreira de esferas de contato angular, e quando ocorre dano em suas pistas, o seu nível de ruído aumenta drasticamente, provocando inclusive a vibração em outras peças da suspensão, como o amortecedor. Esse aumento de ruído/vibração provoca desconforto ao dirigir o veículo, o que promove a verificação do mesmo antes de um possível travamento”. Contudo, nas rodas traseiras, o motorista já não tem esta percepção, o que pode levar a um travamento e um possível acidente, explica Charles.

Tipos de rolamentos

Esse rolamento é da geração 2.1 no eixo dianteiro, ou seja, está cravado no cubo, não desmonta, e de geração 2 no eixo traseiro.

Para ambas as aplicações há a disponibilidade de rolamentos com “encoders” magnéticos de ABS ou não. Por isso, fique sempre atento à aplicação correta. Nesse caso, para acompanhar a legislação do CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito), que estabelece que todos os veículos zero quilômetro vendidos no Brasil a partir de 01/2014 deverão ser equipados com ABS, vamos aplicar o rolamento com ABS, mesmo que esse modelo não tenha a tecnologia, pois as peças são intercambiáveis.

 

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    Rolamento dianteiro
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    Rolamento traseiro

 

Rolamento dianteiro

Antes de começar o procedimento, tenha em mãos as ferramentas convencionais, o sacador de terminal e outras ferramentas especiais para montagem do produto, como a prensa.

1) Com o carro suspenso no elevador e já sem as rodas dianteiras, solte a bieleta com uma chave allen e uma combinada. Esse parafuso tem torque na montagem de 6 kgfm.

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2) Utilize um alicate para ajudar a tirar a trava do flexível do freio. Agora, retire os dois parafusos da pinça de freio, com uma chave allen de 7 mm. Na montagem, use torque de 2 kgfm.

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3) Para finalizar o passo, remova a pinça de freio e, com a ajuda de uma arame, prenda a peça para não atrapalhar no processo.

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4) Solte a porca do terminal de direção com uma chave combinada 19 mm. Use uma chave allen 6 mm para ajudar a segurar a porca.

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5) Utilizando um saca-terminal de direção e uma chave combinada, faça o procedimento para desencaixar o conjunto.

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6) Com uma chave Philips, retire o parafuso de posicionamento do disco de freio. Tire o disco. Esse parafuso tem torque de 2 kgfm na montagem.

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7) Na sequência, desaperte e remova os três parafusos do defletor com uma chave combinada de 8 mm. Use 1,5 kgfm de torque na montagem.

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8) Com um soquete estriado de 36 mm e uma pistola pneumática, solte o porca da homocinética. Torqueie com 23 kgfm na montagem.

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9) Agora, solte os três parafusos do pivô da bandeja com uma chave em L de 13 mm. O torque na montagem é de 9 kgfm.

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10) Para tirar a manga de eixo, use duas chaves: uma estriada de 12 mm para soltar a cabeça do parafuso e uma chave normal de 18 mm para desapertar a porca.

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11) Depois, coloque um pouco de spray desengripante na ponta da homocinética e no alojamento superior da manga de eixo e deixe agir por alguns minutos.

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12) Com um martelo de borracha, bata na homocinética para que a manga saia pela parte de baixo e a homocinética se desloque para trás.

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13) Ainda com o martelo, bata na manga de eixo para soltá-la da base do amortecedor. Use uma marreta e o desingripante se precisar. Desencaixe e retire a peça, que sai junto com o rolamento.

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14) Com o conjunto de rolamento fora, leve a peça para a morsa e calce com segurança com blocos de metal para fazer a remoção do rolamento. Use a a bucha sacadora específica para a medida do rolamento e dê a pressão. O rolamento sai por baixo.

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Obs: A trava de segurança é quebrada, o que não permite reusar a mesma peça e ajuda na posição na hora da montagem.

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Instalação

1) Antes de instalar o novo rolamento, passe uma bucha ou uma lixa no alojamento do rolamento na manga de eixo.

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Obs: Observe o estado da superfície do alojamento, dependendo do contato da pista, é necessário verificar a medida com súbito para verificar se o alojamento está ovalizado. Se a medida estiver acima de 0,03 mm, é preciso trocar a manga, pois o rolamento não vai funcionar em ordem, inclusive pode fadigar a peça nova, pois a ovalização sobrecarregará o rolamento, causando ruído e descamação na parte da pista que terá contato com a parte ovalizada.

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2) Novamente, calce perfeitamente a prensa e coloque os parafusos da roda nos buracos do rolamento para forçar a prensa.

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Vamos mostrar nessa reportagem, a instalação do rolamento na manga de eixo com um macaco hidráulico especifico para o procedimento. Esse dispositivo, trazido da Alemanha, conta com um conjunto de ferramentas para montagem da peça. Monte o dispositivo e aplique o bombeamento de óleo no macaco hidráulico até fazer o “click” da trava de posicionamento. Pronto, o conjunto da manga de eixo com o rolamento está pronto para ser encaixado no carro.

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3) Continuando a montagem, a porca da homocinética é sempre substituída por uma nova.

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4) Coloque desengripante e encaixe o conjunto novamente na base do amortecedor. Use a ajuda do martelo e bata até a altura de alinhamento dos furos.

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A partir daí, a montagem segue a ordem inversa da desmontagem, respeitando os torques determinados.

Rolamento traseiro

1) Comece tirando o parafuso do tambor com a mesma chave philips usada no dianteiro. O freio de mão tem que estar com a alavanca solta. Se necessário, solte a regulagem do freio de mão e tire o tambor.

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2) Remova a tampa do cubo, conhecida como copinho, com o auxílio de uma entalhadeira e o martelo.

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3) Com a ajuda de uma pistola pneumática e o soquete de 30 mm, retire a porca do cubo. Na montagem o torque é de 20 kgfm.

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4) Antes de instalar o rolamento novo, limpe a ponta de eixo. Agora coloque a peça. Depois, coloque o parafuso e aperte com a ajuda de um cabo de força. Dê o torque de 20 kgfm.

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5) Comece a montar na ordem inversa, respeitando os torques indicados.

Como uma empresa preocupada com a preservação do meio ambiente, a Schaeffler alerta para o descarte correto dos rolamentos, já que são peças de aço e compostos químicos (graxas e polímeros). Os componentes substituídos devem ser separados de outros produtos da oficina e devem ter o destino certo, ou seja, uma sucateadora autorizada e de boa procedência.
E completa alertando para o perigo dos recondicionadores, que alimentam a indústria da falsificação. Uma dica é colocar sal e água no rolamento antes de dispensá-lo, assim a peça logo estará corroída e não servirá para recondicionar.