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Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Conheça os aspectos de manutenção e reparabilidade do HB20 Sense, versão mais vendida do hatch compacto

A chegada do motor 1.0 turbo foi uma das principais novidades da mudança de geração do Hyundai HB20, em 2019. Porém, a maioria dos emplacamentos do hatch compacto ainda é concentrada nas versões com motorização 1.0 aspirado. É o caso da opção de entrada Sense, a mais vendida do modelo, tabelada a R$ 58.790.

Mesmo próximo dos R$ 60 mil, o HB20 Sense traz apenas o básico para a categoria, como direção assistida eletricamente, ar-condicionado, sistema de som com 2 alto-falantes e comandos no volante, computador de bordo, travas elétricas e vidros elétricos dianteiros – não há alarme, chave canivete, retrovisores elétricos ou sensor de estacionamento. Reforço importante da linha 2022 é a adição de controles de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e dois airbags laterais (somando 4 ao todo) de série para toda a linha.

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Mauricio Marcelino, proprietário da Auto Mecânica Louricar, em São Paulo

O motor 1.0 Kappa flex é utilizado desde o primeiro HB20, de 2012, mas estreou no Brasil um ano antes, com o Kia Picanto. Com três cilindros, 12 válvulas, bloco e cabeçote em alumínio, duplo comando de válvulas e variador de fase na admissão, produz 80/75 cv (E/G) a 6.000 rpm e 10,2/9,4 kgfm a 4.500 rpm. Com a mudança de geração, o 1.0 ganhou sistema de partida a frio E-start, que pré-aquece o etanol e dispensa o tanque auxiliar de gasolina. Acoplado a este motor está sempre o câmbio manual de 5 marchas.

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De acordo com dados de fábrica, a aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 14,5/15,4 segundos (E/G), enquanto a velocidade máxima é de 161/158 km/h.

Dados do Inmetro apontam consumo de 9,1 km/l na cidade e 10,1 km/l, na estrada, com etanol. Com gasolina, na ordem, são 12,8 km/l e 14,6 km/l. Para avaliar as condições de manutenção e reparabilidade do Hyundai HB20 Sense 2022, contamos com o auxílio do mecânico Mauricio Marcelino, proprietário da Auto Mecânica Louricar, em São Paulo.

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CILINDRO A MENOS

Projetado para abrigar motores de até quatro cilindros (como o 1.6 Gamma, ainda oferecido no hatch), o cofre do HB20 possui espaço generoso nesta versão 1.0 de três cilindros. “De cara, dá pra notar que a área para trabalhar é ótima. A eliminação do tanquinho de partida a frio criou um espaço ainda maior na região à esquerda do cofre”, analisa Marcelino.

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O mecânico elenca itens facilmente acessíveis, como o alternador (1) e o corpo de borboleta (2). O sincronismo deste motor é feito por corrente metálica, livre de manutenção. Já a correia de acessórios (3) deve ser inspecionada a cada 30 mil quilômetros, quando o mecânico deve procurar por possíveis cortes, trincas, desgaste excessivo e contaminação por óleo – nestes casos, é indicada a troca da correia e do tensor.

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Velas de ignição e bobinas têm bom acesso, bastando a remoção da caixa do filtro de ar (4) do motor. As velas, com ponta dos eletrodos de irídio, têm troca indicada pelo manual somente a cada 160 mil km, independentemente do tempo, podendo ocorrer antes em caso de uso severo. A Hyundai também indica no manual a inspeção e ajuste da folga das válvulas a cada 90 mil quilômetros ou 6 anos.

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

“A evolução da qualidade dos componentes é notável. Mas temos que lembrar que nem sempre o motorista encontra combustível de procedênciaao longo da vida útil do carro. Eu recomendo a inspeção visual das velas a cada 50 mil quilômetros, em média. Pra mim, 160 mil quilômetros é um período muito longo sem remover a vela para examiná-la. Já vi casos de oxidação na rosca da vela, impedindo a remoção e causando prejuízos na manutenção”, orienta o mecânico.

A troca do filtro de ar é indicada pela Hyundai a cada 40 mil quilômetros ou 4 anos, podendo ocorrer antes disso caso esteja saturado nas verificações periódicas (a cada 10 mil km). Já a substituição do filtro de cabine (5) é recomendada pela marca a cada 20 mil quilômetros ou 2 anos. “Eu aconselharia a substituição a cada 1 ano, no máximo, pois em regiões com poeira e em grandes centros urbanos, o filtro pode acabar saturando mais rápido. O acesso é fácil, bastando remover duas travas laterais do porta-luvas e uma tampa de proteção”, explica o profissional.

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

O sistema de arrefecimento é composto por reservatório de expansão (6) e tampa do radiador (7). “Sempre verifique o nível pelo reservatório, por meio das indicações de mínimo e máximo. A tampa do radiador possui válvulas de segurança e de depressão, o que exige atenção para fechá-la corretamente. E, claro, faça isso sempre com o motor frio”, orienta.

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

A substituição do líquido de arrefecimento do motor é recomendada pela Hyundai a cada 10 anos ou 100 mil quilômetros. Para a troca, são necessários entre 4,1 e 4,7 litros do fluido genuíno da marca, de cor verde, que vem pronto para uso (já diluído em água desmineralizada, na proporção 50/50).

Apesar de a tampa de abastecimento do fluido de freio (8) trazer a indicação dos tipos DOT 3 ou DOT 4, o manual recomenda fluido de freio DOT 4, sem prazo de troca estipulado (apenas inspeção a cada revisão) – para o abastecimento completo, são necessários entre 700 ml e 800 ml. “É importante nunca misturar os tipos de fluido quando for preciso completar o nível”, recomenda Marcelino.

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As mangueiras e válvulas do sistema de ar condicionado (9) são fáceis de acessar, assim como as sondas-lambda (10) pré e pós-catalisador. A central eletrônica do sistema ABS não é tão acessível, sendo necessária a remoção da bateria e, possivelmente, do módulo de injeção. “Um cuidado interessante é a alça (11) integrada à bateria, que auxilia na retirada desse componente”, observa.

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

A troca de lâmpadas dos faróis é simples do lado direito, com bom acesso (12) para as mãos. Já do lado do motorista (esquerdo), não há espaço suficiente, sendo necessária a remoção do farol.

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UNDERCAR

Com o HB20 no elevador, é possível ter acesso rápido à troca de óleo, já que não há nenhum protetor metálico ou difusor aerodinâmico nesta região (13).

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A troca de óleo e filtro de óleo (14) do motor deve ocorrer a cada 10 mil quilômetros ou 1 ano (ou a cada 5 mil quilômetros ou 6 meses em uso severo). A Hyundai recomenda o óleo genuíno, de especificação SAE 5W30, sendo necessários 2,9 litros para o abastecimento completo.

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Já a caixa de câmbio manual de cinco marchas (15) deve ter o fluido inspecionado a cada 60 mil quilômetros ou 4 anos. Em caso de uso severo, a Hyundai indica a substituição a cada 120 mil quilômetros. Há dois fluidos de câmbio homologados pela marca: óleo genuíno Hyundai SAE 70W, API GL-4, HK SYN MTF 70W; e Shell Spirax S6 GHME 70W MTF. Para o abastecimento, é necessário entre 1,3 e 1,4 litro.

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A suspensão dianteira, do tipo McPherson (16), traz desenho semelhante em relação à antiga geração em itens como bandejas, bieletas, amortecedores e barra estabilizadora. “A fixação superior dos amortecedores (17) tem fácil acesso no cofre do motor. Já para a troca das buchas da barra, é preciso baixar o quadro de suspensão”, nota o mecânico. Na traseira, com suspensão por eixo de torção (18), a fixação superior dos amortecedores (19) é acessível pelas caixas de roda.

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

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Os freios, a disco ventilado na dianteira e a tambor, na traseira, têm manutenção descomplicada. “O sensor do ABS (20), integrado ao rolamento, é algo que costumava ter troca precoce no modelo anterior e causar a substituição do cubo de roda por completo”, relembra Marcelino. O filtro de combustível (21) é externo, de substituição simples. A troca é recomendada pela Hyundai a cada 10 mil quilômetros, sem indicação de tempo.

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Raio X: Hyundai HB20 1.0 2022

Terminada a análise do Hyundai HB20 Sense 2022, o mecânico Mauricio Marcelino aprovou as condições de manutenção do hatch. “Gostei bastante do espaço para trabalhar e do acabamento dos componentes mecânicos. Como estamos acostumados a trabalhar com motores de quatro e seis cilindros, impressiona a facilidade de acessos a componentes com motores como este 1.0 de três cilindros”, conta Marcelino.

Texto e fotos Gustavo de Sá

Ficha HB20 Sense