Artigo | Dicas para prevenir riscos à saúde e à segurança do mecânico

Foto de abertura - Artigo Ed.341

Saiba que medidas tomar para reduzir os riscos à integridade física do profissional no dia a dia da oficina; mudanças no ambiente de trabalho e na atitude pessoal são fundamentais

 

Artigo por Fernando Landulfo | fotos Arquivo O Mecânico

O artigo anterior desta série (Revista O Mecânico ed. 340, agosto/2022) apresentou os principais riscos que expõe a segurança e a saúde do mecânico na realização das suas  atividades. No entanto, relevar os problemas é apenas parte da solução. Também é preciso indicar a direção de como eliminar esses riscos. Como assim, apontar para a direção? Não existe uma “fórmula mágica” pronta para uso? Não, infelizmente não há.

Como já dito em ocasiões anteriores, as pessoas pensam de diferentes maneiras. Pois bem, a redução dos riscos de acidente dentro da oficina e a preservação da saúde dos mecânicos está diretamente associada a realização de duas importantes tarefas de “nível macro”.

TAREFA 1: MELHORIA DAS CONDIÇÕES NO AMBIENTE DE TRABALHO (SEGURANÇA DO AMBIENTE)

O médico do trabalho e perito, Dr. Raimundo Martins, define condição insegura de trabalho como sendo: “(…) falhas no ambiente de trabalho que comprometem a segurança, podendo levar ao um acidente.
Não devem ser confundidos com os riscos ocupacionais de determinadas ocupações como trabalho em alturas e eletricidade. A condição insegura nestes casos se instala quando não existem ou não são adequados os equipamentos e as normas”.

E quais são esses riscos? De acordo com a Fisioterapeuta Dra. Andréia Fuchs¹ alguns dos riscos envolvidos seriam:

• Iluminação: É imprescindível que o ambiente possua uma iluminação adequada, podendo evitar o efeito surpresa, por exemplo numa regulagem ou ajuste de peças, que podem se soltar e causar acidentes.

Manutenção de equipamentos e ferramentas: Equipamentos como elevadores devem ser constantemente revisados e ajustados.

• Organização e limpeza do ambiente de trabalho: É fundamental para um trabalho mais eficiente, reduzir a fragmentação de tarefas e repetições ajudam bastante. Procurar ter a mão as ferramentas de uso frequente para evitar deslocamentos desnecessários. Quedas relacionadas às más condições do piso são frequentes, por isso recomendamos muita atenção quanto a coisas simples, como a limpeza e higiene do local (piso sujo com fragmentos de peças, óleo, resíduos de combustíveis).

Foto 2 - Artigo Ed.341

• Ventilação: Existem normas técnicas que recomendam a cada 60m2 a existência de portas e/ou janelas. A ventilação deve ser preferencialmente natural. Lembrando que veículos
motorizados emitem gases tóxicos, nocivos à saúde como por exemplo monóxido / dióxido de carbono, que saem dos escapamentos, letais se inalados em ambiente fechado por
longo período.

• Incêndios ou explosões: devido ao armazenamento e/ou manuseio de combustíveis é necessário que os equipamentos de prevenção de incêndio estejam a mão e que os funcionários saibam utilizá-los (recomenda-se o treinamento de brigada de incêndio anualmente).

Foto 3 - Artigo Ed.341

Mas onde o mecânico entra nesse processo? De acordo com a Norma Regulamentadora número 1 (NR1) do Ministério do Trabalho de do Emprego (MTE), cabe aos empregadores:

a) Implementar medidas de prevenção;
b) Eliminar ou minimizar fatores de risco;
c) Adotar medidas de proteção coletiva;
d) Adotar medidas de proteção individual.

Logo, cabe ao “Guerreiro doas Oficinas” no papel de empresário, assumir tais tarefas.

Mas quais condições precisam ser avaliadas e melhoradas?

Bem, é preciso lembrar que o ambiente da oficina é muito eclético. Logo, pode haver enquadramento em mais de uma NR. Além do mais, uma oficina nunca é igual a outra. Logo, as avaliações devem ser feitas de forma individual.

E quem deve fazer essa avaliação?

Um especialista em segurança e medicina do trabalho. Por exemplo um Engenheiro de Segurança. Mas sempre em parceria com os colaboradores, que são aqueles que melhor conhecem o ambiente.

TAREFA 2: MUDANÇA NAS ATITUDES E HÁBITOS DO “GUERREIRO DAS OFICINAS” (SEGURANÇA DAS ATITUDES)

O médico do trabalho e perito Dr. Raimundo Martins, define ato inseguro durante o trabalho como sendo: “(…) atitudes com as quais os trabalhadores se expõem aos riscos de acidentes de trabalho, de maneira ou não. Correspondem à violação de uma ordem ou procedimento. Alguns exemplos: levantamento improprio de carga, brincadeiras no serviço, manutenção de máquinas em movimentos, danificação ou não uso de EPI, utilização de ferramenta inadequada, ou execução de serviços para os quais não estão autorizados”

Por sua vez, a Fisioterapeuta Dra. Andreia Fuchs dá uma ênfase especial na utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

1. Óculos de segurança: é obrigatório principalmente em operações de corte, solda, desbaste e onde há risco de projeção de pequenos objetos.

2. Protetores auriculares: devem ser utilizados quando do uso de equipamentos que produzem ruídos excessivos.

3. Máscaras e respiradores: quando manusear solventes e/ou outros produtos tóxicos e/ou poeiras excessivas.

4. Luvas específicas: para evitar o contato direto das mãos/pele com substâncias químicas, partes cortantes ou calor excessivo. Evitando assim, alergias, doenças de pele como as dermatites e acidentes (cortes e queimaduras).

A obrigatoriedade do fornecimento e utilização desses equipamentos é regulamentada pela NR6 no MTE. E nesse ponto, o “Guerreiro das Oficinas” precisa encarar a situação sob dois diferentes pontos de vista. Como empresário, ele deve fornecer, incentivar e fiscalizar a utilização. Já como mecânico, ele deve utilizar e incentivar o seu uso pelos colegas.

A Dra. Andreia Fuchs também dá algumas dicas de como preservar a saúde do mecânico no dia a dia do trabalho.

a) Muita atenção na intensidade do esforço físico, no manuseio de cargas, levantamento de peso excessivo e esforços repetitivos, que levam ao surgimento das doenças ocupacionais: LER / DORT. Levar em conta a capacidade individual de cada um;

b) Estabelecer pausas durante a jornada de trabalho;

c) Ajustar móveis e equipamentos às características físicas do trabalhador. Não ingerir bebidas alcóolicas durante o horário de trabalho;

d) Manter uma boa alimentação e boas noites de sono: cansaço excessivo aumenta o risco de acidentes;

e) Usar roupas e calçados adequados que não restrinjam os movimentos e nem dificultem a circulação sanguínea;

f) Manter uma boa postura previne dores e ajuda a diminuir o estresse e a fadiga: se precisar abaixar-se, lembre-se sempre de dobrar os joelhos e de não curvar a coluna;

g) Ficar muito tempo em uma só posição, seja sentado ou em pé, faz com que alguns músculos e articulações sejam sobrecarregados, causando dores e desconfortos que podem irradiar para outras regiões do corpo;

h) Os alongamentos são indispensáveis para diminuir a tensão e prevenir lesões. Esses exercícios simples preparam seu corpo para as atividades diárias, promovem aumento da flexibilidade muscular, proporcionam relaxamento e diminuem a tensão provocada pelo trabalho;

i) Nunca deixe de atender às suas necessidades fisiológicas, não segure demais antes de ir ao banheiro.

REFERÊNCIAS:
BRASIL – Ministério do Trabalho e do Emprego. Norma Regulamentadora N.º 01 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Disponível em: <https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-01-atualizada-2020.pdf>. Acesso em 08/09/2022. BRASIL – Ministério do Trabalho e do Emprego. Norma Regulamentadora N.º 06 – Equipamentos de Proteção Individual. Disponível em: <https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-06.pdf>.Acesso em 08/09/2022. MARTINS. Raimundo Nonato Leal. Saiba a diferença entre Atos Inseguros e Condições inseguras. Raimundo Leal perito e médico do trabalho. 2019. Disponível em: <https://www.raimundoleal.com.br/post/saiba-a-diferen%C3%A7a-entre-atos-inseguros-e-condi%C3%A7%C3%B5es-inseguras>. Acesso em: 08/09/2022.

Artigo | Segurança do Mecânico na Oficina: Conhecendo os riscos

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Segurança e saúde profissional são assuntos que precisam ser tratados com muita seriedade; saiba a quais riscos ocupacionais o mecânico está exposto

 

Artigo por Fernando Landulfo

Definitivamente, não há o que discutir quanto à importância do “Guerreiro das Oficinas” e da sua atividade dentro da economia. Afinal de contas, é mais do que sabido que, tanto no Brasil quanto em outros países, a indústria da reparação de veículos gera milhares de empregos: tanto diretos, como indiretos. Segundo Binder e outros (2001), a grande maioria das oficinas são constituídas de pequenas e médias empresas, onde o proprietário também assume a responsabilidade pela sua segurança e saúde, assim como, dos seus colaboradores. E “todo mundo” sabe que consertar veículos é uma atividade de risco.

Binder e outros (2001) reforçam esta hipótese afirmando que, na Europa, França e Inglaterra dispõem de sólidas estatísticas a respeito de acidentes em oficinas mecânicas. Logo, a segurança e a saúde profissional do mecânico são assuntos que precisam ser tratados com muita seriedade.

Para começar é preciso, antes de tudo, conhecer os fatores que expõem a saúde do mecânico, assim como, os riscos envolvidos no ambiente da oficina.

Segundo a Dra. Andreia Fuchs1, estudos demonstram que os problemas que mais afetam à saúde, assim como, a segurança dos mecânicos, são: traumas e lesões e as doenças do sistema músculo esqueléticos, como a Lesão por Esforço Repetitivo (LER)2 e as Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT). De acordo com a fisioterapeuta, os sintomas mais comuns são: dores de cabeça, ombros, pernas e costas, seguidas de câimbras, sensação de formigamento, dormência, cansaço maior que o normal durante a  jornada de trabalho, sensação de peso nos membros, fadiga muscular acompanhadas ou não de perda de força muscular.

Binder e outros (2001), por suas vezes, complementam com: doenças de pele, reações alérgicas, a irritação ocular, problemas respiratórios, além de uma extensa relação de riscos de acidentes, pertinentes ao ramo de atividade do “Guerreiro das Oficinas”:

a) Acidentes / cortes gerados pelo manuseio de ferramentas ou fragmentos de peças danificadas;

b) Ferimentos causados por ar ou água sob pressão;

Foto-2-Artigo-Ed.340.

¹ CREFITO-3/Nº105567-F.
² LER: doenças do trabalho provocadas pelo uso inadequado e excessivo do sistema que agrupa
ossos, nervos, músculos e tendões. Atingem principalmente mãos, punhos, braços, antebraços,
ombros, coluna cervical e lombar, típicas do trabalho intenso e repetitivo.

Foto 3 - Artigo Ed.340

c) Lesões oculares por corpo estranho;

d) Acidentes de trânsito durante teste de veículos;

e) Quedas relacionadas a condições de pisos;

f) Acidentes com máquinas manuais motorizadas;

g) Queda de materiais sobre o corpo;

h) Acidentes com equipamentos para elevação de veículos;

i) Queimaduras por: contato com superfícies aquecidas, incêndios, explosões de tanques ou do mau armazenamento e manuseio de combustíveis;

j) Choques elétricos;

k) Exposição ao ruído excessivo: em algumas circunstâncias, os níveis de ruído podem atingir valores em torno de 110 dB(A). Na dependência do tempo de exposição diária, níveis acima de 85 dB(A) podem lesionar o aparelho auditivo;

l) Exposição a vibrações por manuseio de ferramentas manuais motorizadas;

m) Exposição a radiações ultravioleta e infravermelha em operações de corte e solda;

n) Intoxicação crônica, a exposição a gases e substâncias provenientes de emissões da combustão incompleta de gasolina e de óleo diesel;

o) Esforço físico excessivo no manuseio de cargas, levantamento de peso excessivo. Em tempo, a Dra. Andreia Fuchs3 lembra que o artigo 198 da CLT, estipula que o peso  máximo que um trabalhador pode carregar individualmente é: 60 kg para o homem e 25 kg para mulher. Já a NR-17, diz que nenhum trabalhador pode exercer força cujo peso for susceptível a comprometer sua saúde e segurança. No entanto a acima citada profissional afirma que o limite de segurança no levantamento de peso ou transporte de objetos e  peças, não deve exceder 10% do peso corporal do indivíduo, a fim de prevenir a incidência de doenças ocupacionais acima citadas;

p) Manipulação de substâncias químicas, utilizadas para limpeza de peças.

Binder e outros (2001), afirmam que combustíveis, solventes orgânicos, dentre outras substâncias químicas, geram problemas de pele, como: dermatites, assim como, alterações  hepáticas, renais, hematológicas, e no sistema nervoso por serem irritantes relativos.

De acordo com a Dra. Andreia Fuchs4 , alguns desses riscos podem ser evitados ou minimizados. Para tanto, existem legislações e procedimentos específicos. Por exemplo:

1) PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (verifica-se os riscos e exposição dos trabalhadores, ruídos, iluminação e ventilação adequada do ambiente);

Foto 4 - Artigo Ed.340

2) PCMSO – Programa de Controle Médico e de Saúde Ocupacional (visa averiguar anualmente as condições de saúde dos trabalhadores como por exemplo acuidade visual, auditiva);

3) Entregar/fornecer, treinar e fiscalizar o uso de EPIs (NRs 5, 6, 7, 9, 10, 15, 16 e 35);

4) Estabelecer condições mínimas de limpeza, higiene e sinalização de segurança;

5) Adquirir e treinar o uso de equipamentos de combate incêndio – AVCB em dia. Se possível, treinamento Brigada de Incêndio;

6) Orientação sobre aspectos ergonômicos (NRs 15, 16 e 17);

7) Promover ações rotineiras para prevenção de acidentes/Diálogo Diário de Segurança (DDS). É importante saber o que fazer em situações de emergência.

REFERÊNCIAS:
BINDER, Maria Cecilia Pereira; WERNICK, Renato; PENALOZA, Renato Rommel; ALMEIDA, Idalberto Muniz de. Condições de trabalho em oficinas de reparação de veículos automotores de Botucatu (São Paulo): nota prévia. Informe Epidemiológico do SUS, Brasilia, v.10, n.2, p. 67-79, jun. 2001. ISSN: 0104-1673.

Mitsubishi Motors cria unidade exclusiva em fábrica para programa de remanufatura de peças

Mitsubishi Motors cria unidade exclusiva em fábrica para programa de remanufatura de peças
Mitsubishi Motors cria unidade exclusiva em fábrica para programa de remanufatura de peças – Foto: divulgação/Mitsubishi

Programa Mit Renova oferece itens com até 50% de desconto e garantia de um ano 

 

A Mitsubishi Motors instalou em sua fábrica localizada na cidade de Catalão, interior de Goiás, uma unidade exclusiva para remanufaturar peças da sua linha de veículos novos e seminovos que seriam descartadas na natureza. Com a iniciativa, a empresa pretende ampliar ainda mais sua atuação no campo da responsabilidade ambiental. 

 
Com o nome de Mit Renova, o programa vem atuando na remanufatura e distribuição de peças seminovas desde 2002. Em 2008, o programa passou a trabalhar com componentes de qualquer modelo da marca, independente do ano. O programa oferece até 50% de desconto em peças remanufaturadas ou seminovas, além da garantia de um ano, a mesma oferecida para novos componentes da marca.  

 
Itens como turbina, motor, caixa de direção e sistema de transmissão fazem parte do programa da Mitsubishi, proporcionando um aumento no ciclo de vida de componentes essenciais para os modelos da marca, diminuindo não só o descarte desses no meio ambiente, mas reduzindo os preços de manutenção dos veículos. 

 
As peças incluídas no programa são aceitas após uma avaliação de alguns parâmetros estabelecidos pela Mitsubishi para verificar a viabilidade do procedimento. Quando aprovadas, são direcionadas para o processo de recondicionamento realizado dentro da planta de Catalão/GO. Após serem remanufaturadas, são encaminhadas para a rede de concessionárias para serem oferecidas aos consumidores.  

Calmon | Carro elétrico: alcance rebaixado em 30% pela norma brasileira

 

Da mesma forma que as referências de consumo em motores a combustão suscitavam dúvidas, agora chegou a vez dos modelos elétricos neste caso específico de alcance. É preciso explicar primeiro que o PBEV (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular) é obrigatório, executado pelo Inmetro a partir de 2018, seguindo as diretrizes do regime Rota 2030 do rebatizado Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A bem da verdade, os critérios oficiais de consumo energético (mJ/km) e volumétrico (km/l) são hoje plenamente alcançáveis na maioria das situações de uso em cidade e estrada. O motorista pode confiar no valor declarado que, por óbvio, sempre vai depender das condições de tráfego e do modo de dirigir o veículo. Em certas circunstâncias há inclusive relatos de valores de consumo melhores do que os informados oficialmente.

No caso de modelos elétricos o alcance em quilômetros para ciclos urbano e rodoviário tornou-se a grandeza mais utilizada – e declarada – pela facilidade de ser percebida. Contudo, não é tão fácil estabelecer uma referência real, pois depende de temperatura ambiente (inverno e verão), uso do ar-condicionado, regeneração energética em freadas ou desacelerações graduais e até o ímpeto natural do motorista de sentir o torque instantâneo a seu dispor.

Assim, a partir deste 1º de janeiro o Inmetro passou de forma acertada a aplicar um fator de correção de 30%, diminuindo nesta proporção o alcance obtido em laboratório pelos diferentes métodos aceitos internacionalmente: WLTP (europeu) e EPA (americano). Também existe a antiquada norma europeia NEDC declarada por algumas marcas chinesas e sem nenhum valor prático por estar fora da realidade.

O site brasileiro useeletrico.com foi o primeiro a apontar os novos valores. No caso do automóvel elétrico mais vendido do País em 2022, o Volvo XC40 Recharge Single Motor o alcance “caiu de 420 km (no WLTP) para somente 231 km no PBEV, uma diferença de impressionantes 45%”. Mas, ressalta o site, o Nissan Leaf teve redução de 29%, de 272 km para 192 km, pela norma EPA mais severa que a WLTP.

Alcance de carros elétricos depende de outros fatores. Até, por exemplo, se limpadores do para-brisa e faróis são usados por períodos prolongados. Velocidade constante em estradas pode causar surpresas pois a regeneração em freadas é mais rara. Como regra geral um elétrico vai melhor em uso urbano e o motor a combustão, em velocidade constante nas estradas.

No início deste ano a Tesla foi multada na Coreia do Sul em US$ 2,2 milhões (R$ 11 milhões) por propaganda enganosa e um dos motivos por ignorar informações sobre alcance em temperaturas abaixo de zero °C.

Estas discrepâncias vêm sendo apontadas igualmente por um site internacional: evdatabase.org. Lá divulgam estimativa de alcance real de todos os modelos elétricos à venda no mundo. Deixam claro o critério: inverno rigoroso e verão moderado, velocidade constante em estrada de 110 km/h e condições meteorológicas. Mesmo assim classificam verão moderado com temperatura de 23 °C e ar-condicionado desligado. Desconsideram o calor que obriga o uso do condicionador de ar, como aqui e em muitos outros países. Na maioria dos modelos a diferença entre pior e melhor situação chega perto de 100%.

 

Filosa prevê tecnologia flex híbrida já em 2023

Principal executivo da Stellantis na América do Sul, Antonio Filosa confirmou esta terça-feira que o programa de pesquisa da companhia batizado de Bio-Electro trará os primeiros resultados até o final deste ano na forma de uma solução desenvolvida localmente para um híbrido flex. Entretanto, não especificou quando entrará em produção e nem qual modelo será o escolhido. Também apontou que até 2030 o grupo franco-ítalo-americano terá reduzido em 50% as emissões de CO2 no Brasil com a ajuda do etanol.

Para este ano sua previsão de crescimento do mercado brasileiro de veículos leves e pesados alinha-se aos 3% informados pela Anfavea. Ele acredita que no segundo semestre haverá um bom alívio na escassez de chips e outros componentes para impulsionar a produção.

Sobre planos de curto prazo (até 2025) disse estar em período de silêncio obrigatório para empresas cotadas em bolsas de valores internacionais. No entanto desmentiu rumores incessantes aqui no Brasil de que o novo Peugeot 2008 terá sua produção transferida de Porto Real (RJ) para a Argentina. Notícias na imprensa especializada do país vizinho dão conta que esta decisão permanece em estudos.

 

ALTA RODA

Creta N-Line oferece discretas mudanças visuais com toques esportivos, porém sem ênfase no desempenho. O motor 1-litro turbo igual ao restante da linha tem limitações com 120 cv e 17,5 kgf.m de torque. Ainda assim, recalibração da assistência elétrica de direção, de amortecedores e molas deixou o N-Line agradável de dirigir, mas a diferença não é tão sensível a ponto de chamar atenção do motorista menos técnico. O câmbio automático epicíclico de 6 marchas vai muito bem, assim como o freio eletromecânico de imobilização com ativação automática nas paradas (auto-hold). Com a alíquota menor do IPI de motores 1-litro parte dessa diferença é devolvida em equipamentos, acabamento e segurança. Rodas exclusivas de aro 17, saída dupla de escapamento, interior escurecido no teto e bancos, nova alavanca seletora de câmbio, teto solar panorâmico, frenagem autônoma de emergência (pedestres e outros veículos) e detetor de fadiga somam-se às muito úteis câmeras nos retrovisores com imagens projetadas no centro do quadro de instrumentos.

Primeiros modelos homologados nos EUA com Nível 3 (automação condicional) não são da Tesla ou outros fabricantes. Mercedes-Benz informou que os sedãs de topo, Classe S e EQS (elétrico), chegam ao mercado no final do ano, apenas no Estado de Nevada. Há, porém, limitações: só funciona até 65 km/h e o motorista recebe alerta para assumir os comandos em situações mais difíceis. O sistema Drive Pilot, já homologado na Alemanha, é opcional e muito caro (a marca alemã não informou o preço). Outros fabricantes relutam em passar do atual Nível 2,5 para o 3, preferindo esperar pelo Nível 4 de automação avançada, porém distante da viabilidade comercial.

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Siemens aponta desafios para a eletrificação da frota no Brasil

Siemens aponta desafios para a eletrificação da frota no Brasil - Foto: divulgação/Siemens
Siemens aponta desafios para a eletrificação da frota no Brasil – Foto: divulgação/Siemens

 

Apesar do potencial de geração de energia renovável, infraestrutura é obstáculo para o crescimento da eletrificação no país 

 

 A Siemens Smart Infrastructure, uma das empresas focadas no plano de eletrificar a frota brasileira, realizou uma avaliação do atual momento do país em relação ao processo de transformação energética dos veículos no Brasil. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia divulgados em setembro/2022, 86% da energia elétrica consumida no país foi obtida através de meios renováveis, número bastante superior à média global, que fica em torno dos 28%, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). 

 Apesar do grande potencial energético e do aumento nas vendas de veículos elétricos ou híbridos, a eletrificação da frota brasileira encontra alguns obstáculos para seu crescimento. Um dos grandes entraves para isso é a infraestrutura oferecida para carregamento dos veículos, que apesar de já estar presente em alguns grandes centros urbanos, ainda é deficitária na maior parte do país.  

 Para o responsável pela área de Mobilidade Elétrica da Siemens Smart Infrastructure, Paulo Antunes, a eletrificação é uma discussão que estará cada vez mais presente no dia a dia da sociedade. “Não há mais como negar que o conceito de cidade inteligente está diretamente ligado ao impacto que o transporte causa na vida das pessoas. E neste momento as discussões avançam para a relevância do transporte elétrico compartilhado, o tempo e local de carregamento e a infraestrutura necessária para isso acontecer”, diz Paulo. 

 Segundo a Siemens, com a evolução desse mercado, surge a necessidade da criação de uma rede de carregamento para carros, ônibus e caminhões elétricos, condição indispensável para manter o crescimento do segmento no país. Para a empresa, seja para qual for a aplicação, a infraestrutura precisa atender essa nova demanda do mercado de forma ágil e simplificada, oferecendo uma experiência para os consumidores parecida com o abastecimento tradicional. 

 Uma das alternativas apontada pela Siemens para espalhar essa infraestrutura pelo país é um modelo de negócio que a companhia está implantando junto à Brasol, organização especializada em fornecer energia para outras empresas.  

 Trata-se de um serviço customizado de carregamento para veículos elétricos e geração de energia solar limpa na modalidade “Changing as a service” (CaaS). Com ele, o cliente do setor industrial ou comercial não precisa comprar e gerenciar os equipamentos da Siemens, que ficam sob responsabilidade da Brasol. 

Centro automotivo da Porsche em SP passa a usar energia solar

Centro automotivo da Porsche em SP passa a usar energia solar - Foto: divulgação/Porsche
Centro automotivo da Porsche em SP passa a usar energia solar – Foto: divulgação/Porsche

Com 600 m² de painéis solares, sistema será capaz de suprir até 88% da demanda energética do Service Body & Paint Stuttgart Porsche  

 

A oficina Service Body & Paint da Stuttgart Porsche, localizada na cidade de São Paulo/SP, passou a funcionar desde dezembro com captação de energia solar. Segundo a empresa, a previsão é de que a energia solar consiga suprir até 88% da demanda de energia do local. 

 O sistema instalado conta com 311 módulos solares com 545 W de potência, um inversor de 110 kw e outro de 33 kw, o que representa uma potência total de 143 kW ou 169 kWp (kilowatts de potência de pico). A instalação foi realizada utilizando a fixação por car port, onde a própria estrutura do sistema funciona como cobertura para os carros. No total, 205 foram colocados no local. 

 A expectativa da Stuttgart Porsche é de que o sistema gere aproximadamente 17866 KWh por mês, número superior ao que é consumido atualmente no local. A empresa trabalha com a previsão de um aumento de consumo, chegando aos 20 mil kWh por mês. Nesse caso, o sistema será capaz de fornecer 88% da energia necessária para o centro automotivo.  

 Os painéis solares fornecem energia para o prédio no local, bem como para os dois carregadores ultra rápidos de carros elétricos, que são capazes de fornecer 100% da carga da bateria para modelos como o Porsche Taycan, além de outros 14 carregadores de 22 kW que estão instalados na unidade.  

Comgás utiliza caminhões com motor GNV em São Paulo

Comgás utiliza caminhões com motor GNV em São Paulo
Comgás utiliza caminhões com motor GNV em São Paulo – Foto: divulgação/Comgás

Distribuidora de gás natural encanado, a Comgás passa a utilizar caminhões com motor GNV em suas operações 

 

A Comgás anunciou uma mudança em sua frota de caminhões. A partir de agora, os veículos da empresa serão movidos a gás natural veicular (GNV), em substituição aos modelos anteriores movidos a diesel. Os novos caminhões farão parte da operação da imprensa na cidade de São Paulo.  

 Com a mudança dos motores a diesel para os abastecidos a GNV, a expectativa da empresa é de que ocorra uma diminuição de até 25% na emissão de gases nocivos ao meio ambiente, redução de até 90% na geração de poluentes locais e material particulado, além de praticamente eliminar a fumaça preta que geralmente é expelida pelos motores convencionais dos caminhões. 

 A empresa espera obter também uma redução nos custos operacionais, já que a mudança para o GNV oferece redução no gasto por quilômetro rodado e também na manutenção do veículo, segundo o head de GNV da Comgás, Guilherme Santana Freitas. “O gás oferece muitos benefícios, como: 10 a 15% de redução do custo por quilômetro rodado em relação ao diesel; fácil manutenção, pois 85% dos componentes são similares aos usados nos motores convencionais; abastecimento rápido; e ruído 20% menor do que a motorização a diesel”, fala Guilherme. 

Dana relança juntas de motor Victor Reinz no Brasil

Dana relança juntas de motor Victor Reinz no Brasil
Dana relança juntas de motor Victor Reinz no Brasil – Foto: divulgação/Dana

 

Importada da Alemanha, nova linha de peças oferece componentes para veículos utilitários leves e pesados a diesel 

 
A Dana anunciou o relançamento das juntas de motor Victor Reinz no mercado brasileiro. As peças, que são importadas da Alemanha, chegam para ampliar as opções de vedação para motores. A linha poderá ser aplicada em veículos pesados e também nos utilitários movidos a diesel.  

 
Os novos produtos disponíveis são jogos de juntas, juntas individuais (para cabeçote, tampa de válvula, coletor de admissão e escapamento, cárter, entre outras), retentores de motor e parafusos de cabeçote.  

 
Segundo o head para Aftermarket na América do Sul, Marcelo Rosa, a linha promete oferecer um reparo rápido, preciso e confiável. “As juntas são um componente crítico para o melhor funcionamento do motor e poder contar com um produto de qualidade diferenciada, durável e que não comprometa a eficiência e performance do coração do veículo faz toda a diferença. Se estes veículos não podem parar, o reparo quando necessário, precisa ser rápido, preciso e confiável”, destaca. 

 
Confira a seguir algum dos veículos atendidos pela nova gama Victor Reinz: 

 
Pesados 

 
DAF XF 

Iveco Strallis / Hi-Way 

MAN/VW TGX / Constellation 

Mercedes-Benz Axor / Actros 

Scania S-500 / 124 

Volvo FH 

 
Utilitários 

 
Citroen Jumper 

Fiat Ducato 

Ford Transit 

Iveco Daily 

Mercedes-Benz Sprinter 

Peugeot Boxer 

Renault Master 

Motor: Manutenção do motor B4D LS 1.0 3-Cilindros do Renault Kwid (Parte 2)

Foto de abertura - Motor Renault Kwid (Parte2) ed.345

Veja na segunda parte desta reportagem sobre o motor Renault B4D LS presente no subcompacto Kwid quais são as diferenças técnicas dele para o B4D HS que está nos modelos Sandero e Logan

texto Vitor Lima   fotos Fernando Lalli

Após a desmontagem do motor Renault B4D LS, que está presente no Renault Kwid, conforme demonstrado na edição nº344 (dez/2022) da Revista O Mecânico, vamos mostrar na segunda parte da reportagem suas principais diferenças mecânicas conceituais em relação ao motor B4D HS, que está presente nos modelos Sandero e Logan. Em termos técnicos, os dois motores são da mesma família BR10DE Renault, com três cilindros, 12 válvulas, duplo comando de válvulas (DOHC) e bloco em alumínio. Mas ambos possuem nomenclaturas, especificações e construções diferentes.

A principal diferença entre os dois motores é a presença de variação de fase nos dois eixos comandos de válvulas do B4D HS, que comercialmente possui o nome SCe 1.0. Este motor está presente no Sandero e Logan e possui o código BR10DE HighSpec Flex Fuel X52. A potência declarada pela Renault é de 82/79 cv (E/G) aos 6.500 rpm e torque de 10,5/10,2 kgfm a 3.500 rpm. Sua taxa de compressão é de 12:1 e a relação diâmetro x curso de seus pistões é de 71 x 84,1 mm.

Já o motor presente no Renault Kwid, o B4D LS, possui nomenclatura BR10DE LowSpec Flex Fuel XBB. Projetado especificamente para o subcompacto, tem duas especificações de potência. Entre 2017 e 2022, as unidades desenvolviam 70/66 cv a 5.500 rpm e 9,8/9,4 kgfm a 4.250 rpm.

Com o conjunto de normas de emissões do Pro conve L7 que entraram em vigor em 2022, a Renault precisou realizar uma alteração no motor para atender as normas vigentes. “Alterações que não são na construção do motor, a construção é a mesma, mas algumas alterações para atender as normas de emissões LEV7”, explica o instrutor da Renault Academy Brasil, Ricardo Ribeiro.

A partir do ano/modelo 2022/2023, graças à recalibração, o motor LS passou a gerar potência de 71/68 cv e torque de 10,0/9,4 kgfm. Sua taxa de compressão é 11,5:1 em ambas as configurações, embora possua a mesma relação diâmetro x curso de pistões da variante HS.

Vale ressaltar que o Kwid também tem um câmbio manual especificamente dimensionado para ele, o SG1, enquanto Sandero e Logan compartilham a caixa JHQ (capaz de suportar maior torque) com outros modelos da linha Renault.

Foto 2 - Motor Renault Kwid (Parte2) ed.345

Principal diferença mecânica entre os dois motores é o sistema de variação de fase em ambos os eixos comandos de válvulas do motor B4D HS de Sandero e Logan (acima); no LS (Kwid), a fase é fixa

O lubrificante homologado no Brasil para uso em ambos os motores é o de viscosidade SAE 10W-40 com classificação de desempenho ACEA A3/B4 e/ou que atenda à norma Renault RN0700. Atualmente, o óleo do primeiro enchimento na fábrica é fornecido pela Castrol, enquanto o disponível no varejo pela Motrio (marca da Renault para componentes no mercado de reposição) é produzido pela Iconic Lubrificantes (Havoline).

Uma semelhança entre os dois motores é a ordem de ignição 1-2-3. O primeiro cilindro destes motores é contado a partir do lado mais próximo da distribuição, diferentes do convencional entre as linhas francesas que geralmente contam o primeiro cilindro sendo o mais próximo do lado do volante do motor.

DIFERENÇAS MECÂNICAS EM DETALHES

A primeira diferença conceitual é no sistema de sincronismo. As polias de acionamento do eixo comando de válvulas do motor B4D HS são variáveis (1), o que possibilita adiantar ou atrasar o tempo de abertura das válvulas tanto para admissão quanto para exaustão. Já o motor B4D LS não possui polias variáveis nos comandos de válvulas (2), dessa maneira, a fase das válvulas é fixa.

(1) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

(2) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

A corrente de sincronismo do motor HS se assemelha com uma corrente de moto convencional (3), possuindo design construtivo parecido na junção dos elos e conexão com os dentes das engrenagens do comando de válvulas.

(3) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

O sincronismo do motor LS possui corrente com características de construção diferente, para que ela proporcione menor nível de ruído em conjunto com os dentes da engrenagem do comando de válvulas (4).

(4) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

Lado a lado é perceptível a diferença entre as duas correntes de sincronismo. Desta maneira, é possível entender que não há intercambialidade entre esses componentes. Do lado esquerdo está a corrente de sincronismo silenciosa, destinada ao motor B4D LS e do lado direito, a corrente do motor B4D HS (5). Ambas possuem suas marcações em alguns elos da corrente para que seja feita a montagem correta e o motor esteja em sincronismo.

(5) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

Os apoios das correntes também possuem diferenças construtivas do motor B4D HS (6) para o motor B4D LS (7). Os apoios do motor LS são maiores do que os do motor HS e os materiais plásticos em conjunto com o design dos apoios são diferentes.

(6) Diferenças mecânicas em detalhes ed345

(7) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

A engrenagem de acionamento do virabrequim do motor B4D HS possui 4 chanfros (8) e coroa diferentes para engrenagem do motor B4D LS, este que possui apenas 2 chanfros (9) e coroa para conexão com a corrente. O perfil dos chanfros de cada polia permite o correto encaixe para o acionamento da bomba de óleo, que fica montada na tampa do sincronismo, como veremos mais tarde.

(8) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

(9) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

No que diz respeito à lubrificação da corrente de sincronismo, o motor B4D HS possui um injetor de óleo pequeno (10) que está fixado no bloco do motor e apontado para a corrente. Esse injetor de óleo trabalha em conjunto com o sistema de lubrificação, pois está ligado no mesmo circuito, auxiliando na lubrificação da corrente. A variante LS não possui este injetor.

(10) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

Vale ressaltar a importância do óleo que deve ser utilizado seguindo as recomendações do fabricante, as especificações de classificação SAE de viscosidade e as normas necessárias para atender as exigências da fabricante do motor.

A capacidade máxima de óleo permitida pelo cárter do motor HS é de 3 litros. Para o motor LS, a capacidade é maior: 3,4 litros. Ambos, sem contar com o filtro de óleo.

Sobre o consumo de óleo, a Renault admite no máximo 0,5 litros a cada 1 mil quilômetros. Porém, mesmo um consumo constante nesta faixa limite denota anomalia de funcionamento de deve ser diagnosticada.

As tampas de sincronismo também são diferentes (11). Em ambos os casos, a bomba de óleo é fixada à tampa e não há intercambialidade. O motor HS tem duas eletroválvulas em suas extremidades que fazem o controle da passagem do óleo por dois chanfros (12). Esses chanfros estão no nível das polias do comando de válvulas, tendo a função de realizar o adiantamento ou atraso dos dois comandos.

(11) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

(12) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

É possível perceber a diferença nos encaixes das polias de acionamento da bomba de óleo entre as duas peças. O motor HS possui encaixe com perfil quadrado, para os quatro chanfros (13), e o motor LS dispõe de encaixe com apenas duas faces retas do componente (14), uma vez que a polia tem apenas dois chanfros.

(13) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

(14) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

A bomba de óleo do motor HS possui uma válvula termostática que tem a função de acionar a variação da pressão do óleo por meio da temperatura. Nesse caso, quando o motor está sendo menos exigido, em marcha lenta por exemplo, há menor impacto da bomba de óleo na movimentação do conjunto do motor (15).

(15) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

Ricardo Ribeiro explica o funcionamento desse sistema. “No motor HS tem a variação do volume/pressão de bomba de óleo. Em certos momentos a bomba de óleo não é necessária em plena carga para mandar toda a vazão para o motor. Em marcha lenta não precisa de toda a potência que ela emite. Então ela trabalha a partir de uma válvula termostática para diminuir essa pressão e essa vazão e não ‘pesar’ tanto o motor. Desta maneira ela ‘devolve’ de certa forma aquela potência que a bomba ‘rouba’”, conclui. O especialista comenta que essa válvula termostática não possui nenhum tipo de pilotagem eletrônica.

Caso ocorra algum tipo de travamento dessa válvula termostática do óleo do motor HS, ela não travará fechada, mas sim, aberta, com o maior nível de vazão. Se ocorrer algum problema que haja necessidade da substituição do componente, não é possível substituir apenas a válvula termostática, pois, segundo o instrutor da Renault Academy Brasil, não há reparo para este componente. Assim, é necessária a substituição da tampa frontal por completo.

No motor LS (Kwid), não existe tal sistema para a bomba de óleo. Desta forma, sua pressão se mantém fixa (16). Em caso do motor B4D LS perder pressão de óleo enquanto estiver em funcionamento, o motor para de funcionar automaticamente por causa de uma estratégia do calculador de injeção, para evitar quaisquer tipos de dano que o motor possa sofrer.

(16) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

ALTERAÇÕES NO CABEÇOTE

Partindo para as tampas plásticas do cabeçote, a primeira diferença é a abertura na lateral da tampa, destinada às polias do eixo de comando variável existentes no motor HS (17). Este motor possui dois sensores de fase, o primeiro para o comando de admissão (18) e o segundo que é destinado ao comando de escape (19).

(17) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

(18) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

(19) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

Vale lembrar que uma vez retirada, a tampa plástica do cabeçote precisa ser substituída, pois a tampa é vedada por meio de junta líquida. Para desmontagem da tampa há necessidade da utilização de ferramenta especial para que realize um corte nessa camada de cola. Com isso, a Renault não garante que após uma remoção a face de assentamento do cabeçote com a tampa não sofra nenhum tipo de deformação.

Na tampa de válvulas do motor LS, como as polias para o eixo comando de válvulas não são variáveis e possuem espessura menor, a tampa não possui a abertura como o motor HS e a lateral é fechada (20). A tampa tem apenas o sensor de fase do motor, que é destinado ao comando de escape (21).

(20) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

(21) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

Os cabeçotes entre os motores são diferentes e ambos possuem uma tolerância máxima para retirada de material. Para os dois motores a deformação máxima permitida do plano de junta é de 0,03 mm. A altura mínima permitida pelos dois motores deve ser de 93,03 mm.

BLOCO, PERIFÉRICOS E IMPOSSIBILIDADE DE RETÍFICA

Outro componente que possui diferença é o coletor de escape de cada motor. Para o coletor do HS há integração com o cabeçote do motor (22), sendo o encaixe do catalisador fixado diretamente no cabeçote (23). “Isso ajuda a melhorar o fluxo para os gases escoarem do motor”, explica Ricardo Ribeiro.

(22) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

(23) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

Já o coletor de escape do motor LS é um componente único com o catalisador (24) e não é integrado no cabeçote do motor como no motor HS. A fixação para o motor LS é facilmente distinta do HS, possuindo quatro parafusos prisioneiros, além da necessidade de utilização de uma junta de fixação para instalação do coletor no motor (25).

(24) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

(25) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

Para ajudar no arrefecimento do óleo do motor HS, há um trocador de calor que fica na lateral do motor (26). Esse trocador de calor utiliza o fluido de arrefecimento para ajudar nessa troca de temperatura. O motor LS não possui o trocador de calor.

(26) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

O período de substituição do líquido de arrefecimento em ambos os casos é a cada 80 mil km ou 4 anos, o que ocorrer primeiro.

Apesar dos pistões possuírem diâmetros próximos, os componentes não são intercambiáveis. Para o motor B4D HS, os pistões estão entre 70,933 mm e 70,947 mm, enquanto a medida dos pistões do B4D LS é de 70,958 mm (+/- 0,009 mm). Não existe sobremedida de pistões prevista pela fabricante do motor (27).

(27) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

Por causa da construção do motor B4D LS, não há possibilidade de retificar as camisas dos pistões, pois, o bloco e os cilindros são usinados de maneira conjunta, sem “encamisamento”. Além disso, há uma camada de um material chamado DLC (“diamond like carbon”) (28) nas camisas dos pistões que não pode ser “reposto” se for removido com o desbaste do torno. “DLC é um tratamento para deixar a peça com maior dureza e menos atrito”, explica Ricardo. Segundo o instrutor da Renault, quando o mecânico tenta realizar a retifica nesse motor, na verdade ele está alterando as propriedades do material e o motor não vai funcionar da mesma forma.

(28) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

As referências de bielas e virabrequim (29) também mudam entre os motores HS e LS e, em ambos os casos, também não há sobremedidas previstas pela Renault para retífica.

(29) Diferenças mecânicas em detalhes ed.345

 

 

 

 

 

 

 

 

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