Troca do 5W30 por 10W40 após 150 mil km não compensa folgas e contraria a engenharia do motor, diz especialista
A prática de aumentar a viscosidade do óleo em motores com alta quilometragem ainda circula nas oficinas. No caso do Toyota Corolla, a substituição do 5W30 sintético por 10W40 para “compensar folgas” não encontra respaldo técnico. Segundo Cleyton André, consultor técnico da Revista O Mecânico, durante o quadro Mecânico Responde no YouTube, a especificação definida no projeto deve ser mantida.
A recomendação de engrossar o lubrificante com o argumento de reduzir folgas internas ignora critérios de engenharia. Cada motor é desenvolvido com base em parâmetros como viscosidade, tolerâncias dimensionais e pacote de aditivos. “Jamais fez sentido e não será hoje que fará sentido. Essa é uma recomendação completamente fora daquilo que conhecemos como preservação de um motor”, afirma Cleyton André.
O consultor explica que a especificação do óleo considera projeto, materiais e condições de operação. Alterar a viscosidade sem previsão no manual pode comprometer lubrificação, circulação e controle térmico. “Quando o engenheiro projeta o motor, ele especifica qual óleo deve ser utilizado, qual a viscosidade e quais pacotes de aditivos serão aplicados. Manter as especificações recomendadas pelo fabricante é extremamente importante”, reforça.
Ele destaca que somente o fabricante pode indicar mais de uma opção de viscosidade. Fora dessa condição, não há justificativa técnica para substituição. “Folgas em um motor se resolvem abrindo ele, corrigindo com novas peças e fazendo o dimensionamento. Óleo não corrige falhas”, conclui.



