Falhas no sistema de arrefecimento podem elevar a temperatura da vela e causar pré-ignição, desgaste e danos ao motor
Com a chegada dos períodos de temperaturas mais altas, a manutenção do sistema de arrefecimento ganha importância para evitar problemas que vão além do superaquecimento do motor. De acordo com a Niterra, falhas nesse conjunto também podem comprometer diretamente as velas de ignição e até provocar danos severos ao propulsor.
Isso acontece porque as velas trabalham dentro de uma faixa térmica específica. Quando o sistema de arrefecimento não consegue dissipar o calor corretamente, a ponta da vela pode ultrapassar esse limite e favorecer a pré-ignição.
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Superaquecimento acelera desgaste das velas
A pré-ignição ocorre quando a mistura de ar e combustível entra em combustão antes do momento programado pela centelha. O excesso de temperatura cria pontos incandescentes na câmara de combustão e assim antecipa a queima. Além de problemas no arrefecimento, a Niterra aponta outras possíveis causas para esse fenômeno, como mistura ar-combustível pobre, combustível adulterado e aplicação de vela com grau térmico inadequado.
A exposição prolongada a temperaturas elevadas também acelera a corrosão e a erosão dos eletrodos. Com o desgaste, aumenta a distância entre os polos e a bobina precisa trabalhar com tensão maior para produzir a centelha. Como consequência, podem surgir falhas de combustão e até sobrecarga dos componentes eletrônicos do sistema de ignição.
Por outro lado, temperaturas abaixo de 450°C também são prejudiciais. Nesse caso, o combustível residual que não é queimado pode provocar carbonização da vela. Em situações mais graves, a combinação entre superaquecimento e pré-ignição pode elevar a pressão dentro dos cilindros e favorecer a chamada “batida de pino”. Inclusive, a Niterra alerta que as ondas de choque resultantes podem danificar pistões, anéis e válvulas.
Melhor prevenir
Para reduzir os riscos durante os períodos de calor intenso, a recomendação é realizar inspeção conjunta dos sistemas de arrefecimento e ignição. No primeiro caso, é necessário verificar o nível do fluido, possíveis vazamentos, limpeza e ponto de ebulição. A manutenção deve incluir testes da válvula termostática, dos sensores de temperatura e do eletroventilador.
Já nas velas, além de respeitar o intervalo de substituição e o grau térmico indicado no manual do veículo, a inspeção visual pode fornecer informações importantes sobre o funcionamento do motor.
Segundo Hiromori Mori, consultor de assistência técnica da Niterra, alterações na aparência da vela indicam problemas na combustão. Coloração escurecida ou corrosão na carcaça metálica, por exemplo, apontam infiltração de fluido de arrefecimento na câmara. Já sinais de erosão acentuada ou degradação da cerâmica do isolador indicam superaquecimento.
Por isso, especialmente antes de viagens em períodos de calor intenso, a revisão preventiva dos sistemas de arrefecimento e ignição pode ajudar a evitar paradas inesperadas e reparos de maior custo.


