Matéria: Operação contra fumaça preta em SP

Secretaria do Meio Ambiente lança a “Campanha Operação Inverno 2007” no Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), inspeciona veículos e orienta os motoristas para a redução do nível de poluentes emitidos principalmente por veículos movidos a diesel

A Secretaria do Verde e Meio Ambiente convocou esta semana autoridades dos governos estadual e municipal, além de técnicos da Cetesb, imprensa e profissionais de empresas do setor para lançar a campanha Operação Inverno 2007. O objetivo é orientar os motoristas a regularem seus veículos para colaborar na diminuição da emissão de fumaça preta na cidade de São Paulo e evitar multas que variam entre R$ 853,80 até R$ 6 mil. A ação é necessária devido no inverno haver uma diminuição das chuvas e da intensidade dos ventos que dispersam os poluentes emitidos pelos veículos, época de maior probabilidade de ocorrência de alergias, irritações, doenças no coração, além de enfermidades mais graves.

Durante a ação, que contou com a presença do governador do Estado, José Serra, e o prefeito de São Paulo, 2215Gilberto Cassab, técnicos da Cetesb e da Secretaria do Verde e Meio Ambiente e outros profissionais ofereceram aos motoristas testes nos veículos a diesel, para verificar se a quantidade de fumaça está dentro dos limites permitidos pela legislação. “Durante o evento, o motorista caminhão é convidado para medir o nível de fumaça expelido pelo veículo. Neste momento, conectamos o opacímetro no escapamento, aceleramos 10 vezes e obtemos o resultado se o veículo está ou não regulado. Em seguida, o orientamos para que regule o caminhão e entregamos um folder com dicas e instruções”, explica o engenheiro da Cetesb, Marcelo Balis.

Roberto Dias, técnico do Serviço Autorizado Bosch, verificou os filtros do veículos e os substitui caso houvesse necessidade. “Os motoristas de caminhão geralmente fazem a manutenção corretiva devido ao alto custo de transporte. Se esse profissional fizer a conta que um pneu roda entre 6 e 8 meses e gasta R$ 1.000,00 por unidade, e a bomba injetora custa em média R$ 1.500,00 por ano, porém possibilita economia de combustível, portanto é vantajoso repará-la preventivamente”.

2214O diretor Técnico do Sindirepa-SP, Antonio Gaspar de Oliveria, levou um mecânico ao evento para avaliar as condições dos veículos e substituir os filtros gratuitamente caso houvesse necessidade. Victor Gomes da Silva, assistente de gerência do Compet (Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural), da Petrobras, relatou as ações da entidade junto a Cetesb na Operação Inverno, por meio de filmes educativos e entrega de folhetos para ajudar na preservação do meio ambiente.

O Setpesp (Sindicato do Transporte de Passageiros de Ônibus de São Paulo) também esteve presente no evento para orientar os carreteiros e avaliar as condições dos veículos. O consultor técnico, João Carlos Sanchez Pereira, explicou também que durante o programa “Economizar”, o analisador de opacidade mede o nível de emissão de fumaça preta das frotas de ônibus e o consumo de óleo diesel no Estado de São Paulo. “Fizemos um projeto piloto de amostragem de frota urbana do Rio de Janeiro e de São Paulo, buscando a correlação entre emissões de poluentes e consumo de diesel. Verificamos que quanto maior o escurecimento da fumaça, maior o consumo de combustível”.

O motorista de caminhão Paulo Gonçalves, 32 anos e 12 profissão, que carrega batata de vários Estados brasileiros para São Paulo, teve seu Ford Cargo ano 2002 avaliado no teste. “Faço a revisão a cada 100 mil km em oficinas autorizadas e é a primeira vez que vejo esse tipo de ação. Daqui a 30 mil km vou fazer uma nova revisão nos bicos, bomba injetora e em outros equipamentos”.

Outro estradeiro, o paulista de Guaratinguetá José Carlos Rodrigues, 53 anos e 36 de boléia, que transporta verdura de Rezende e de Guaratinguetá para São Paulo num Mercedes-Benz ano 1998, revisa o veículo quando sente que está com problemas. “É importante regular o veículo, pois na estrada tem muita fumaça preta, que incomoda a gente durante o percurso”.

De acordo com o paulista José Batista, 40 anos e 15 de profissão, há dois meses havia substituído os filtros de ar, óleo e o sistema de injeção de seu caminhão, mas não foi aprovado no teste. O técnico da Cetesb, Marcelo Balis, comentou que poderia haver um gotejamento em um dos bicos injetores, além de outros fatores e que o motoristas deveria retornar à oficina, solicitar a revisão e verificar se o estabelecimento possui o opacimetro para realizar um novo teste de emissões. Batista, por sua vez, disse que também havia a possibilidade de o combustível ser de má qualidade.

Durante um determinado tempo em um dos pontos de medição de fumaça preta no Ceagesp, cinco veículos foram reprovados num universo de oito veículos testados.

Texto e fotos: Magno Pereira

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