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Confira nessa reportagem como é feita a revisão do motor de partida, quais componentes podem ser substituídos na hora do reparo e os testes de funcionamento

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Você coloca a chave no contato, gira a ignição e nada. No máximo um “nhém nhém nhém…” mas longe de escutar o motor funcionar. Essa situação já aconteceu pelo menos uma vez com qualquer motorista e mecânico de plantão e muitas vezes o problema foi resolvido por meio da troca ou carga na bateria, mas outras vezes não teve jeito. O defeito “era mais embaixo”, como se fala no dito popular.

Justamente, mais embaixo dentro do compartimento do motor fica instalado o motor de partida ou motor de arranque, como também é conhecido. O componente é um motor elétrico com escovas que tem a função de iniciar o movimento mecânico do motor e partir daí, com o sistema de ignição e injeção funcionando ao mesmo tempo, fazer com que o motor entre em combustão. Depois disso, o motor de partida fica inoperante enquanto o motor do automóvel estiver em funcionamento.

Os modelos convencionais têm a alimentação feita com um cabo positivo ligado diretamente à bateria e um negativo conectado à carroceria do veículo. Quando está em funcionamento, o solenóide é alimentado com positivo que vem da chave, puxando o conjunto pistão e garfo, que vai deslizar o pinhão implusor (bendix) até acoplar com a cremalheira do volante do motor de combustão. Ao mesmo tempo, o solenóide fecha o circuito principal energizando a bobina e o induzido através das escovas, criando um campo magnético e, por consequência, assim surge o movimento de rotação.

Com a evolução da indústria automotiva, o item também evoluiu, e hoje é utilizado o motor de partida do tipo PDM (em inglês: Planetary Drive Motor – Motor de Direção Planetária). Esse sistema faz o acionamento do induzido por meio de um conjunto de engrenagem planetária, garantindo uma alta potência com um motor muito menor. “Quando se liga a chave, fecha-se o contato das ligações elétricas dentro da chave magnética e uma descarga elétrica é disparada direcionada para o induzido, empurrando o bendix, que em contato com a cremalheira, faz movimentar o motor”, explica Daniel Lovizaro, chefe de assistência técnica da Bosch.

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A evolução aconteceu a fim de que se conseguisse motores de partida cada vez mais compactos e mais eficientes, ou seja, de pequena dimensão e grande potência, e que fosse ainda durável e robusto. “Em geral, o motor de partida não tem muita eletrônica, são componentes elétricos. O principal avanço com o sistema de funcionamento por planetária é ter uma eficiência maior, por seu desenho diferenciado que permitiu o downsizing (diminuição)”, completa.

Ele continua explicando que a redução do induzido só foi possível por conta da utilização da planetária mais a carcaça polar com indução permanente em lugar da bobina de campo convencional. “Esse motor de partida de última geração em tecnologia é aplicado em veículos de leve e médio portes”, comenta.

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Diagnóstico e reparo

“É difícil determinar a vida útil de um motor de partida, pois varia com as condições de uso”, afirma o técnico. Por consumir muita energia, a peça foi desenvolvida para funcionar por um curto período de tempo, e isso influi na sua durabilidade. Instrua seu cliente a acionar a ignição por apenas dez segundos durante cada tentativa de partida e espere mais de trinta segundos entre uma tentativa e outra. Avise que ele não pode acionar mais de três vezes, para não forçar e estragar a peça antes do tempo. Caso isto ocorra é um forte sinal de que existem problemas que devem ser avaliados, envolvendo o sitema de ignição e injeção do veículo.

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É importante saber como a peça é usada, já que o tempo do acionamento influencia na durabilidade, podendo provocar superaquecimento e “colar” o induzido. “Se o motor está ligado e eu fizer o acionamento com a chave, vai dar pequenos danos no bendix. Se insistir, pode provocar danos elétricos como a centrifugação, que destrói o motor de partida por forçar o acionamento enquanto o motor está funcionando.

O motor de partida também pode estar com problema quando o motorista percebe que o carro não pega ou está com dificuldade pra funcionar, girando pesado na hora da partida. Para o eletricista, ele vai identificar problemas numa análise visual, checando as condições do impulsor, das conexões elétricas, desde a bateria até os aterramentos do próprio motor, todo o circuito elétrico e, principalmente, pelos valores de corrente de partida acima do especificado.

“Não é recomendado fazer o carro pegar no tranco, o que pode causar avarias mecânicas no motor, principalmente, em carros com injeção eletrônica ou com câmbio automático. Outros fatores que podem danificar o motor de partida é excesso de chuva e poças d’água ou de barro, apesar de estar bem vedado e bem protegido, é necessário evitar essas condições”.

Vale lembrar que, para cada motorização de veículo, há uma corrente de partida estimada na qual o motor de partida precisa estar girando. Quanto maior a motorização, mais corrente de partida será necessária para que o motor entre em combustão. Outro sintoma é quando a bateria descarrega muito rápido.

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Obs: É importante ressaltar que, eventualmente, correntes de partida muito altas não estão relacionadas com problemas no motor de partida, mas sim com o próprio propulsor, com problemas como sincronismo de correia fora, problemas mecânicos mais graves do movimento dos pistões etc.

Passo a passo

Na reparação de um motor de partida, praticamente todos os componentes internos podem ser trocados. Com ressalva para o porta-escovas, que é um conjunto e deve ser trocado por completo. O técnico da Bosch alerta, porém, que dependendo do nível do dano, é mais vantajoso comprar uma peça nova. Com as ferramentas adequadas, comece o procedimento de desmontagem.

1) Encaixe a peça no suporte giratório 0 986 617 198. Nunca use a morsa. Atenção para não fixar pela chave magnética.

 

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2) Alivie a carga dos três parafusos de fixação da chave magnética. Use uma chave torx para não danificar os parafusos.

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3) Gire o motor de partida e, com uso de uma chave em “L”, retire o parafuso e, em seguida, a conexão do porta-escovas com a chave magnética. Torque de 7 a 9 Nm.

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Obs: Não solte a conexão do porta-escovas ao contato à massa (parte de trás da peça).

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4) Solte, mas não remova, os parafusos tirantes que fixam a sapata polar ao mancal dianteiro, que também é conhecido como “focinho”.

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5) Tire a peça do suporte e coloque em cima de um tubo para apoiar o conjunto, e aí sim, remova os parafusos tirantes.

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6) Remova o conjunto da sapata polar montado com o induzido e o porta-escovas. Sai todo o conjunto montado.

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7) Agora remova os parafusos do protetor trava com a trava e a arruela de ajuste do induzido. O torque na montagem é de 1,2 a 1,6 Nm.

 

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8) Em seguida, faça a remoção do mancal traseiro.

 

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9) Com uso do dispositivo adequado e duas chaves de fenda, retire o porta-escovas com as escovas no lugar. Se as escovas estiverem desgastadas, troque o conjunto por completo.

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10) Desencaixe o induzido. Faça uma inspeção visual em busca de danos, amassamentos, sobrecarga elétrica, coloração do bobinamento, desgaste, etc.

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Obs: No coletor existem canaletas isoladas entre si, examine se há danos ou queima entre uma e outra, se tiver é porque está em curto e o induzido deve ser substituído.

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11) Com um aparelho adequado de testes de enrolamento e curto circuito à massa, faça os seguintes testes no induzido:

a) Aplique uma tensão de 40 V no equipamento para fazer teste de curto-circuito do enrolamento à massa. Se acender a luz branca tem curto. Uma ponta é ligada ao aterramento e a outra vai testando todas as canaletas.

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b) Agora o teste do embubinamento do induzido em geral, para ver se existe um curto entre as espiras. Utilizando o adaptador que gera campo magnético, sempre a 90º. Se houver curto, troque a peça.

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12) Termine de retirar o parafuso que foi aliviado no começo e remova a chave magnética por completo, desprendendo-a do mancal dianteiro. Uma recomendação importante é sempre trocar esses parafusos que são elásticos.

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Obs: No campo magnético que já está desmontado, verifique se o guarda-pó está em ordem, não apresentando trincas ou desgaste.

13) Remova agora o êmbolo e também procure por desgastes visuais. Em casos de avaria, substituir todo o conjunto.

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14) Verifique os valores de resistência das bobinas da chave magnética fazendo os testes elétricos com multímetro:

a) Bobina de chamada: medir com uma ponta no terminal 50 e a outra na conexão do porta-escovas. Os valores devem ser entre 0,3 e 0,4 ?.

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b) Bobina de retenção: medir com uma ponta ao terminal 50 e a outra na massa da chave. Os valores devem ser entre 1,1 a 1,4 ?.

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15) Em seguida, remova o garfo do acionamento do pinhão com a ajuda de uma chave de fenda.

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16) Com o conjunto planetária em mãos, use o dispositivo 968 9086049, um martelo de plástico e o dispositivo 968 9080093 para afastar o anel elástico. Com um alicate de bico, solte o anel trava.(16b)

 

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    16a
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    16b

 

17) Depois de tirar o anel trava, remova o conjunto da planetária do pinhão. Examine o eixo se não há desgaste no eixo e se o rasgo da chaveta está em ordem.

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Obs: É recomendado trocar o pinhão toda vez que fizer reparo no motor de partida.

18) Retire a tampa do conjunto planetária. Examine em busca de desgaste, quebra e se os dentes estão normais.

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19) Inspecione em seguida a bucha central, onde vai apoiado o eixo do induzido. Com o dispositivo 9 689 085 123, verifique se há desgastes. Se o dispositivo entrar, substitua a peça pois determina folga. Troque a planetária inteira.

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O processo de montagem é o inverso da desmontagem. Mas antes, limpe com um pano limpo e seco todas as peças e lubrifique o conjunto planetário com graxa.

Quanto ao mancal dianteiro (focinho). Confira se não há desgaste e se o rolamento de rolete da ponta, que não é substituível, está em ordem. Se apresentar problemas, troque todo o conjunto.

Mais informações: Bosch – (11) 2144-1916