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Confira nesta reportagem como fazer a medição de geometria da suspensão do Volkswagen Golf e veja as dicas para um alinhamento correto e sem problemas

Victor Marcondes

Paula Scaquetti

 

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O pneu é um dos componentes mais importantes para a segurança de um veículo, no entanto, nem sempre é lembrado na hora da revisão e, frequentemente, é visto como o vilão de inúmeros acidentes que ocorrem pelas estradas afora. Além disso, quando não recebe o devido cuidado, o pneu pode elevar abruptamente os gastos com rodagem e manutenção de outros componentes do veículo.

 

Por essa razão, o prolongamento da vida útil dos pneus interessa tanto aos donos de grandes frotas quanto aos particulares. Um procedimento que ajuda a amenizar a preocupação com o item é o alinhamento das rodas. Feito regularmente, aumenta a durabilidade do pneu e contribui para a estabilidade e a dirigibilidade do carro.

 

Quando o veículo está desalinhado uma série de defeitos pode aparecer, alerta o Engenheiro Fernando Landulfo, Técnico de ensino do SENAI Vila Leopoldina. “Entre eles: volante fora de posição mesmo quando o carro trafega em linha reta, veículo ‘puxando’ mais para um lado do que para o outro, pneus ‘cantando’ excessivamente em curvas feitas mesmo em baixas velocidades, além do desgaste irregular da banda de rodagem, conhecido popularmente como “comida” de pneus”, lista.

 

O docente reforça que o alinhamento das rodas, sobretudo nos veículos modernos, é um procedimento extremamente técnico e meticuloso. Por conta disto, antes de efetuá-lo é necessário fazer uma inspeção prévia do automóvel, já que diversos fatores podem influenciar no resultado final. Acompanhe nesta matéria a análise da geometria de suspensão do Volkswagen Golf ano 2011, com 17 mil km rodados.

 

Segundo Landulfo, muitas vezes o veículo tem defeitos pré-existentes que podem inviabilizar a execução do alinhamento. “A inspeção deve ser feita em vários locais como rodas, sistema de direção e suspensão, assim como na estrutura do veículo.”

 

As rodas e os pneus devem ser os primeiros itens a ser inspecionados, orienta. “De nada adianta tentar alinhar um veículo cujas rodas estão tortas, amassadas, os pneus deformados e os cubos com folga. Verifique as rodas, girando cada uma delas, tenha certeza que não estão achatadas ou movalizadas. Verifique a existência de folgas nos cubos forçando as partes superior e inferior de cada roda. Avalie também se os pneus não apresentam desgaste excessivo na banda de rodagem, que pode provocar desvio de trajetória.

 

Outro item a ser examinado rigorosamente é o sistema de direção. De nada adianta tentar alinhar um veículo que apresenta folgas nos terminais e caixa de direção. O mesmo se pode afirmar com relação a suspensão. Folgas nas buchas, articulações, montantes e pontos de ancoragem podem produzir resultados falsos”.

 

Também é preciso avaliar a estrutura do veículo, procurar por danos causados por colisões sem o devido reparo, o que pode implicar em deformações na estrutura e inviabilizar o alinhamento. “Verifique soldas malfeitas e irregulares. Caso seja necessário, meça a distância entre as longarinas e outras partes da estrutura, em ambos os lados, para ter certeza que estão na posição correta.”

 

Antes de iniciar a verificação das condições do veículo, certifique-se de utilizar os equipamentos de proteção individual (EPIs), tais como luvas de segurança e óculos.

 

Análise do veículo:

 

1) Examine as condições das rodas e dos pneus do veículo. As rodas não podem ter empenamento ou deformações. Os pneus devem apresentar um desgaste regular da banda de rodagem e não podem apresentar deformações estruturais.

 

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2) Verifique o estado das buchas e das articulações das suspensões. Não adianta alinhar um veículo com folgas excessivas neste sistema. Avalie também os pivôs e as articulações. Force o conjunto se necessário. Qualquer deslocamento excessivo torna o alinhamento inviável.

 

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3) Observe a estrutura do veículo, já que longarinas deformadas ou soldadas fora de posição vão prejudicar a operação. Cheque os locais onde ocorrem soldas fora do padrão de fábrica que indiquem a ocorrência de acidentes.

 

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Obs: Analise todo o percurso das longarinas, qualquer irregularidade pode inviabilizar o alinhamento. Na dúvida, faça a medida cruzada entre uma longarina e outra, para ter certeza que as bandejas, conhecidas também como braços, estão na posição adequada.

 

4) Outra verificação importante é a checagem da presença de folgas nos rolamentos das rodas.

 

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5) Procure por folgas na caixa de direção e nos terminais do veículo e verifique o estado em que eles se encontram. Caso estejam avariadas, faça a substituição da peças.

 

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Ângulo de impulso

 

Um dos sintomas que mais incomoda o motorista quando o carro está desalinhado é o chamado ‘volante torcido’, fora da posição normal, mesmo trafegando em linha reta. “Via de regra, este fator é provocado pelo chamado ângulo de impulso, que é gerado pelo desalinhamento da convergência das rodas traseiras”, analisa o engenheiro.

 

De acordo com ele, nos equipamentos que têm apenas dois sensores (ou cabeças), a convergência das rodas dianteiras é ajustada em relação a linha de centro teórica do veiculo. Assim, despreza totalmente o ângulo de impulso que é provocado pelo desalinhamento traseiro.

 

Landulfo afirma que muitos veículos modernos permitem a correção da convergência traseira, o que minimiza o ângulo de impulso. Neste caso, um equipamento de apenas duas cabeças pode ser utilizado sem problemas. Basta medir e corrigir a convergência traseira, antes de proceder o alinhamento das rodas dianteiras.

 

“No entanto, outros não têm essa opção, como é o caso do Volkswagen Golf. Sendo assim, o alinhamento feito por equipamentos convencionais de apenas dois sensores não leva em conta o ângulo de impulso e o resultado poderá ser um volante torcido. Caso análogo ocorre com veículos equipados com airbag, cujo volante não deve ser sacado sem os devidos cuidados, ou aqueles cuja conexão volante x coluna da direção é feita por um encaixe sextavado”, explica Landulfo

 

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Neste veículo, o alinhamento será realizado com quatro sensores, um em cada roda. “Desta forma, será possível medir o desalinhamento das rodas traseiras e fazer a correção da convergência dianteira, levando em consideração o ângulo de impulso. No final, teremos um volante bem alinhadinho quando o veículo trafega em linha reta.”

 

Procedimento:

 

1) Selecione corretamente o veículo no banco de dados do equipamento. “A escolha errada de especificações pode provocar um alinhamento incorreto e consequências desastrosas”, alerta Landulfo.

 

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2) Em seguida, faça a compensação de empenamentos das rodas. Esta é uma operação que o sistema exige para compensar um possível mínimo empenamento que as rodas do carro possam ter.

 

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3) Feita a compensação de deformação, coloque os pratos de alinhamento da suspensão dianteira e na traseira as plataformas de nivelamento.

 

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4) O próximo passo é posicionar as rodas em linha reta para verificar os ângulos de esterçamento conforme solicitação do equipamento. Faça isso girando o volante e observando a tela do equipamento.

 

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Obs: Durante o processo de centralização das rodas, é muito importante verificar o nivelamento das cabeças sensores.

 

5) Agora faça a medição do ângulo de cáster nas rodas dianteiras. Gire as rodas para a esquerda e para a direita num ângulo de aproximadamente 20 graus para cada lado, seguindo as orientações do software utilizado no equipamento.

 

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6) Depois de medir o ângulo de cáster, o equipamento automaticamente mostra as medidas do eixo traseiro, tais como convergência, câmber e ângulo de impulso, que é a função da diferença no eixo das rodas traseiras.

 

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Obs: No caso do modelo Volkswagen Golf 2011/2012, não é possível qualquer ajuste no eixo traseiro, seja de câmber ou convergência individual ou total das rodas traseiras. O procedimento para regularização das medidas deve ser o recomendado pelo fabricante.

 

7) O equipamento também fornece as medidas por roda do eixo dianteiro (câmber, cáster e convergência). O Volkswagen Golf não permite ajustes de câmber e de cáster. Só é possível realizar ajustes de convergência, tanto da roda esquerda quanto da direita. O procedimento é feito nos terminais das barras de direção.

 

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Obs: A regularização das medidas deve ser feita sempre de acordo com a recomendação da montadora. “Muito cuidado com a utilização de ferramentas de deformação. Se mal utilizadas, podem prejudicar a estrutura e a suspensão do veículo”, avisa Landulfo.

 


Colaboração técnica: SENAI – Vila Leopoldina