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Acompanhe a manutenção do gerenciamento eletrônico do motor 1.4 l do modelo japonês, que pode influir diretamente na emissão de poluentes, e o procedimento de limpeza das bobinas

Carolina Vilanova

 

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Com a chegada da inspeção veicular, o cerco em relação à manutenção do sistema de injeção eletrônica e dos componentes do motor de um modo geral tem ficado cada vez mais apertado. Responsável pelo funcionamento ideal do motor, o sistema de injeção substituiu o bom e velho carburador no final dos anos 80 com o objetivo de fazer a mistura ideal entre combustível e ar admitido, a fim de encontrar o melhor desempenho do motor, otimizando a economia de combustível e a redução de emissão de poluentes na atmosfera.

 

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A tecnologia deu certo, todas as montadoras adotaram o sistema de injeção eletrônica, que funciona com uma central eletrônica que comanda todas as informações que recebe dos sensores, instalados em vários pontos do motor. A unidade, por sua vez, manda esses dados para os atuadores que realizam uma série de ações no sistema.: variação do volume de combustível, correção do ponto de ignição, funcionamento da marcha lenta, etc.

 

O conceito da injeção eletronica e seus sensores e atuadores serve para qualquer veículo, mas cada um tem as suas especificações e características únicas, inclusive, porque cada motor recebe uma calibração diferente de injeção, ou seja, os dados eletrônicos são mapeados diferentemente de acordo com a necessidade de cada modelo, priorizando desempenho, consumo, esportividade, e por aí vai.

 

Nessa edição, mostramos como é feita a manutenção do sistema do Honda Fit ano 2003, movido a gasolina e com 60 mil km rodados. Para efetuar esse procedimento, o técnico deve fazer uso dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e de peças de boa procedência. Para a realizaçao de diagnóstico e testes é imprenscindível a ajuda de um scanner automotivo e de um multímetro.

 

Diagnóstico

 

O veículo utilizado estava apresentando alguns problemas quando foi levado ao mecânico: o motor engasgava nas retomadas de velocidade e o consumo de combustível estava acima do esperado. O instrutor técnico do SENAI-Vila Leopoldina, Marcelio Gonçalves da Mata, foi quem nos ajudou no procedimento.

 

“Este é um motor 1.4 litro, quatro cilindros, 8 válvulas e duas velas por cilindro. O sistema de injeção eletrônica é do tipo Iso, que faz o gerenciamento do ponto de ignição, marcha-lenta, controle de combustível e tempode injeção da gasolina. Uma característica interessante deste conjunto é que utiliza duas velas por cilindro, o que permite melhor queima e aproveitamento do combustível, diminuindo o índice de poluição”, explica Marcelio.

 

O sistema do Honda Fit funciona com uma estratégia de circuito fechado (Closed Loop), que utiliza os sinais da sonda lambda para regular a injeção de combustível e os demais parâmetros do sistema. A Honda não recomenda a limpeza dos bicos injetores. Em caso de falhas nos bicos injetores, a Honda recomenda a substituição dos componentes.

 

Principais sensores:

 

– Sensor de rotação: está localizado na árvore de manivelas e informa a quantidade de pulsos de acordo com a rotação da árvore de manivelas. O modulo vai receber a informação e determinar o avanço do ponto e a quantidade de combustível injetada necessária de acordo com as condições de rodagem. O acesso é feito pela parte debaixo do carro. (A)

 

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– Sensor de fase: está localizado no comando de válvulas e manda a informação de posição ao módulo, fazendo que o motor parta e funcione corretamente em todos os regimes de operação. Fica embutido atrás do cabeçote.

 

– Sensor de temperatura do ar: está localizado ao lado do filtro de ar e coleta a informação de acordo com a temperatura do ar admitido, que em seguida vai passar pelo filtro de ar, corpo de borboleta e entrar no coletor de admissão. (B)

 

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– Sensor MAP: um sensor que determina a depressão do coletor e envia a informação para módulo. Trabalha em conjunto com o sensor de temperatura do ar, para cálculo da massa de ar admitida. (C)

 

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– Sensor de oxigênio (sonda lambda): localizado imediatamente antes do catalisador, é responsável por fazer a leitura das condições de queima do motor e regular a quantidade de injeção e o ponto que vai trabalhar esse motor. Essa sonda é do tipo planar, com dois fios que levam alimentação de tensão de 12V, e os outros dois fios que dão resposta de funcionamento da queima do motor. (D)

 

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– Válvula EGR: faz a recirculação dos gases de escapamento na quantidade determinada pelo módulo para o coletor e assim reduzir o volume da mistura de combustível, diminuindo o índice de poluentes (NOx) sem afetar o desempenho do motor. (E)

 

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– Sensor de temperatura do líquido de arrefecimento: faz a leitura da temperatura do fluido para controlar o acionamento da partida a frio e auxiliar o gerenciamento do sistema de injeção do motor. (F)

 

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Principais atuadores:

 

– Bicos injetores ou válvulas injetoras: fazem a injeção do combustível ao motor. São compostos por uma válvula eletromagnética que recebe pulsos negativos vindos do módulo sendo que tem uma alimentação constante de 12 V.

 

– Válvula do canister: retém os vapores vindos do tanque, do próprio funcionamento do motor, armazenado num recipiente de carvão ativado para que, quando houver necessidade, esses gases possam ser reutilizados pelo motor, para otimizar o funcionamento e diminuir os poluentes. (G)

 

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– Bobinas: são oito bobinas individuais, uma para cada vela, ou seja, são duas velas por cilindro. A troca das velas é feita aos 40 mil km, de acordo com o manual do proprietário. (H)

 

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– Corpo de borboleta: trabalha com acionamento através do cabo, recebendo as informações por meio de um sensor no pedal do acelerador, que indica a posição de passagem da quantidade de ar que está sendo admitido pelo motor. No próprio corpo tem um sensor que determina a posição da borboleta, e sabe a quantidade de ar que está entrando para determinar a quantidade de combustível necessária. (I)

 

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Obs.: A cada revisão periódica do sistema, é orientado inspecionar se existe carbonização no corpo de borboleta, quando está contaminado em excesso, prejudica o funcionamento em regime de marcha lenta, exigindo a limpeza.
– Unidade de Comando Eletrônico: é o módulo que gerencia o sistema, e fica num local de difícil acesso, atrás do porta-luvas do lado do passageiro.

 

Obs.: Na maioria dos casos, o problema nunca é no módulo, geralmente está nos sensores, atuadores ou nos chicotes elétricos.
– Válvula corretora de rotação de marcha lenta: tem por função controlar a rotação de marcha lenta do motor (J)

 

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Conceito:

 

O sistema ISO utilizado no Honda Fit é um sistema simples e bem funcional, os cuidados necessários são a execução da manutenção de rotina, a troca dos filtros, velas e do lubrificante de acordo com o manual. “Se essas condições estão satisfatórias, dificilmente provocarão defeitos. Por outro lado, a falta da manutenção e a utilização de combustível de má qualidade podem avariar todo o conjunto”, observa.

 

Esse sistema trabalha com duas sondas lambdas, uma antes do catalisador, que vai mandar a leitura dos gases queimados do motor para o módulo para o módulo e a outra, depois do catalisador, para detectar a eficiência do catalisador, fazendo a conversão dos gases queimados no motor.

 

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O técnico deve substituir os itens requeridos e, depois, para fazer a análise geral do sistema deve utilizar um aparelho de scanner automotivo, para fazer a varredura dos componentes para constatar se está tudo em ordem, se nenhum problema foi relatado. Principalmente, quando o veículo estiver prestes a passar pela inspeção veicular.

 

De acordo com Marcelio, o Honda Fit 1.4 não apresenta nenhum problema para passar na inspeção, atinge perfeitamente as normas da Controlar. O que acontece é que o motor 1.5 litro a gasolina tem trazido alguns problemas na inspeção, porque requer uma descontaminação no sistema evaporativo do tanque e do motor, além de uma regulagem perfeita, e rodagem de acordo com a necessidade do motor, para não ter a contaminação do sistema e ser reprovado na inspeção. Não é recomendado remover a válvula de purga ou do canister, é um procedimento incorreto, pois você está adulterando o sistema. Nesse caso, o técnico deveria verificar pos itens, corrigir e fazer as substituições necessárias. Se continuar dando problemas, ver se está na temperatura ideal, pois o motor deve estar quente para atender aos testes”, finaliza.

 

Procedimento

 

Antes de iniciar os procedimentos, é sempre bom utilizar óculos de segurança, luvas de proteção e sapatos de biqueira, além de utilizar as ferramentas de maneira correta.

 

1) Para ter acesso às bobinas e às velas, comece retirando a capa do motor com uma chave de 10 mm. Cuidado para não avarias as travas que conectam no coletor de admissão.

 

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2) Retire as conexões das bobinas, que são dispostas quatro na frente e quatro atrás. Com cuidado, aperte a trava e puxe, desligando a bobina. Depois utilize uma chave 10 mm para soltar o parafuso de fixação e remove-las uma a uma.

 

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Obs.: A bobina pode ser contaminada por conta da umidade e provocar o isolamento do transformador, impedindo o transporte para a vela. Esse defeito pode provocar falhas momentâneas da aceleração, principalmente em baixa rotação. Esse problema é diagnosticado com um teste de percurso, na retomada de velocidade, o motor vai falhar como se uma vela estivesse avariada, como se a tensão não estivesse chegando na vela, apesar da peça estar em ordem. Mesmo trocando as velas o defeito continua.

 

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Limpeza das bobinas

 

Esses problemas causados por oxidação contaminam a parte interna da bobina, que precisa ser eliminado. Para fazer esse reparo, tire a bobina do alojamento e faça uma limpeza interna com a ajuda de uma haste fina. A Honda recomenda a troca da peça.

 

1) Para ter acesso às bobinas, retire a tampa do filtro de ar, desconectando antes o sensor de temperatura do ar.

 

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2) Em seguida, remova o elemento filtrante e solte as abraçadeiras e os parafusos para remover o alojamento do filtro e a tomada de ar.

 

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3) Agora, vamos remover as bobinas para fazer o processo de limpeza da passagem de centelha para as velas. Remova os conectores e retire as bobinas. As bobinas do banco de trás tem acesso mais difícil, para tanto, destrave a canaleta do chicote e desloque-o para facilitar.

 

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4) Leve as bobinas para uma bancada e abra as peças com cuidado, não há a necessidade de utilizar nenhuma ferramenta.

 

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5) Faça a limpeza do zinabre concentrado no interior das bobinas, remova o condutor, que é uma molinha, raspando com uma haste e depois passando limpa contato. (5a)

 

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    5
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6) Depois de estar tudo limpo, instale a mola dentro do alojamento e faça uma leve pressão com dedo e coloque o transformador.

 

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7) Depois coloque a bobina no seu lugar novamente, encostando na vela, com atenção para obedecer a ordem das bobinas traseiras e dianteiras. Aplique torque de 9 Nm.

 

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Finalização e testes

 

Depois de montar as bobinas, faça a instalação do filtro e dos periféricos que foram retirados para o acesso. Em seguida, faça o teste com o scanner de diagnoses, sempre o motor em temperatura de funcionamento, acima de 75º C.

 

1) Encaixe o scanner do lado esquerdo do console central no painel inferior, dentro do carro, onde está o seu conector.

 

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2) Selecione os dados de montadora, veículo, ano e motor. O sistema vai fazer a varredura e mostrar tudo o que tem de errado nos componentes. Se tiver algum problema, o técnico já vai ter detectado a luz de avaria no painel.

 

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3) O scanner vai dar as opções: testes, impressão do defeito, apagar a memória de avaria ou veirifcar o numero do módulo que gerencia o sistema. Escolha o teste, que vai dar as opções: código de defeito, teste dos atuadores, leitura e análises gráficas. Escolha o código de defeitos.

 

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4) Detectamos que tem um código de defeito – 01.13 – que indica anomalia do sensor temperatura do ar. Verifique o funcionamento do componente, verifique as medidas com multímetro, cheque a resistência, a voltagem e a continuidade dos fios vindos do módulo até o sensor. Se o sensor estiver avariado, é necessário substituir.

 

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5) Com o motor funcionando, o aparelho de scanner dá os parâmetros de todos os sensores. Os que estiverem fora de ordem devem ser checados. Esse procedimento é realizado com todos os sensores, com a ajuda da tabela do próprio fabricante da peça.

 

Depois de substituir o sensor, passe o scanner novamente. Estando tudo em ordem, apague o código de avaria. Para finalizar, faça um teste de rodagem para ver se a causa foi sanada. Faça também uma análise de gases com um analisador infravermelho de quatro gasees, compatível com o utilizado pelo órgão de inspeção.

 
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Colaboração Técnica: MMLM Serviços Automotivos o SENAI – Vila Leopoldina