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Confira dicas de diagnóstico e troca do disco, tambor e pastilhas em um Renault Novo Logan 1.6 2014; os componentes ainda eram originais no veículo mesmo com 52 mil km rodados

 

 

Texto: Fernando Lalli

Fotos: Alexandre Villela

 

Carros que rodam grandes distâncias em boas autoestradas sofrem menos desgaste do que se circulassem apenas na cidade. Essa regra vale para diversos sistemas, entre eles, os freios: desde que o motorista saiba conduzir seu veículo com segurança, as peças que compõem o sistema são pouco exigidas e acabam durando bem mais do que o normal. Isso explica porque o Renault Logan 1.6 2014 desta reportagem ainda estava com seus componentes de desgaste de freio originais de fábrica aos 52 mil km rodados. Trata-se de um “carro de estrada” utilizado pelo técnico comercial da Fremax, Henrique Antônio Modolo, para atender à demanda de sua função em diversas cidades durante a semana.

Mas, como nada é eterno, ao fazer a inspeção periódica visual no sistema, Henrique constatou que, apesar do perfeito funcionamento dos freios, os discos dianteiros estavam muito próximos do limite mínimo de espessura. Era chegado o momento da troca.

O Logan desta reportagem é equipado com ABS, possui discos ventilados na dianteira e tambor na traseira. A única manutenção pela qual o sistema de freios desse veículo havia passado foi a troca do fluido de freio. O recomendado é substituí-lo entre 15 e 20 mil km ou 12 meses, o que ocorrer primeiro. “É muito importante ressaltar que fluido de freio não se completa”, declara Henrique, reforçando que a troca sempre deve ser feita através de procedimento adequado de sangria, como veremos mais tarde.

Nesta reportagem, faremos o diagnóstico e o reparo dos freios do Logan com a condução de Henrique, representando a Fremax, fabricante de discos e tambores de freio, com a parceria de Admilson Luiz de Castro, promotor técnico da Cobreq, marca da TMD Friction para pastilhas e lonas no mercado de reposição.

 

Faça a substituição ou a retífica

 

Tanto Henrique da Fremax quanto Admilson Luiz da Cobreq concordam que pastilhas e discos sempre devem ser trocados de forma conjunta. “Se for instalada uma pastilha nova em um disco usado, será montada uma peça com superfície totalmente plana em uma superfície imperfeita, com sulcos. Isso retarda o processo de assentamento, causa excesso de vibração e, consequentemente, o ruído”, detalha Luiz. Uma opção à troca do disco é a retífica. “A orientação da Fremax, indiferentemente de o disco ser sólido ou ventilado, desde que esteja dentro da medida, pode ser feita a retífica”, afirma Henrique. Uma boa retífica garante que as superfícies estarão planas e terão pleno sucesso no assentamento. O mesmo vale para tambores e lonas.

 

Procedimento

 

O técnico da Fremax lembra que o mecânico deve começar a operação observando se o veículo está equipado com sistema ABS e se a luz do sistema acende e apaga após a partida.

 

Desmontagem do freio dianteiro

 

1) Ao retirar o disco de sua embalagem (que deve estar intacta, assim como seu selo), percebe-se que a peça possui uma película protetora de óleo a base de água. Não é necessário limpar porque, segundo Henrique, esse óleo evapora a 80°C e não contaminará a pastilha. As ranhuras da face de atrito do disco servem para facilitar o assentamento da pastilha nova. O disco também vem com sua espessura mínima gravada – neste caso do Logan 2014 1.6 é de 19,8 mm.

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2) Comece a desmontagem removendo as tampas de proteção das coifas dos pinos deslizantes. Elas são importantíssimas para evitar a entrada de sujeira na região de movimento da pinça e preservar o deslizamento do conjunto.

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3) Solte os pinos deslizantes utilizando uma chave allen 7 mm. Remova-os para proceder a posterior retirada da pinça. Analisando os pinos, percebe-se que estão bem limpos, o que demonstra a importância das tampas de proteção citadas anteriormente.

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4) Remova o grampo de fixação do conjunto com o auxílio de uma chave de fenda.

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5) Para retornar o êmbolo, abra o parafuso sangrador. Dessa forma, não é necessário utilizar nenhuma espécie de alavanca. A prática da alavanca é comum, mas incorreta, porque pode danificar o anel interno do êmbolo. Segundo o técnico da Fremax, esse anel possui perfil quadrado. Isso faz com que ele se deforme quando o freio é acionado, porém, quando o pedal é desacionado, o anel tende a voltar à sua forma original e ajuda no retorno do êmbolo, fazendo com que a pastilha não trabalhe em contato com o disco, evitando desgaste prematuro tanto do disco quanto da pastilha.

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OBS: Utilize uma mangueira com recipiente adequado para receber o fluido que vai sair da pinça pelo movimento do êmbolo. Também é importante recolher esse fluido velho porque pode conter impurezas. Em sistemas de freio com gerenciamento do ABS, qualquer sujeira que retornar para a central do ABS pode danificá-la e encarecer o reparo.

 

6) Com a pinça livre, feche o sangrador e tire a pinça do lugar. Importante: é obrigatório suspender a pinça, prendendo-a com arame ou outro aparato, na mola de suspensão. Isso evita romper o flexível, componente que não foi feito para suportar o peso da pinça pendurada.

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7) Antes de remover o disco, faça a medição do empenamento do conjunto disco/cubo de roda. A tolerância máxima para o empenamento é de 0,05 mm para o disco e 0,05 mm para o cubo. Neste caso, como é a peça original de fábrica, apenas o cubo tem tolerância de empenamento. A medição máxima alcançada nas duas rodas do Logan foi de 0,02 mm.

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OBS: É importante posicionar o apalpador do relógio comparador sempre na perpendicular e o mais próximo possível da extremidade. Se houver empenamento, ele será mais evidente quanto mais próxima do diâmetro máximo for a medição.

 

8) Com uma chave ou soquete torx fêmea, solte os dois parafusos de fixação para fazer a remoção do cavalete.

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9) Retire os dois parafusos de encosto do disco de freio com soquete torx e, assim, remova o disco.

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Análise dos componentes

 

10) Ao remover o disco, percebe-se que o disco já possui uma grande rebarba externa, o que é sinal de desgaste. Faça a medição da espessura do disco com um micrômetro. A medida encontrada foi de 20,0 mm, muito próximo do limite de 19,8 mm. Por isso, a opção foi pela troca do disco e também, consequentemente, das pastilhas.

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11) Quando se compara as pastilhas interna e externa, percebe-se que possuem desgastes diferentes. De acordo com Luiz da Cobreq, isso ocorre porque, devido à perda de lubrificação do sistema, a pastilha do lado externo permanece encostada no disco mesmo após a abertura da pinça. Por isso, é importante limpar o sistema e lubrificar os pinos deslizantes e as “orelhas” das pastilhas, como será mostrado no passo 15.

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Limpeza e montagem

 

12) Para limpar a área de contato do cubo com a parte interna do disco, utilize preferencialmente uma lixa (12a). Feita a limpeza, utilize novamente o relógio comparador para conferir o empenamento do cubo. Assim como na medição do disco, posicione apalpador o mais longe possível do centro. Tome cuidado com os furos para não interferir na medição. A oscilação encontrada foi de 0,01 mm (12b).

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13) Utilize uma escova de aço para remover a sujeira tanto do cavalete quanto da pinça (13a). Cuidado para não cortar a coifa do êmbolo na pinça. Na face do êmbolo e nos pinos deslizantes, utilize uma lixa (13b).

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14) Antes da instalação do disco novo ou retificado, utilize um pano que não solte fiapos, jamais estopa. Qualquer fiapo que fique entre disco e cubo pode causar problemas futuramente, adverte o técnico da Fremax. Na instalação do disco novo, cuidado com o torque excessivo nos parafusos de encosto do disco (14a). Não se esqueça de verificar o empenamento do disco novo. Aqui, foi encontrado 0,03 mm (14b).

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15) A lubrificação do sistema não pode ser feita com uma graxa comum: o lubrificante deve ser ponto de gota elevado para suportar altas temperaturas. Aqui, Henrique utilizou graxa à base de lítio. É necessário passar graxa no êmbolo da pinça (15a), na região de encaixe da pastilha (15b), nas orelhas das pastilhas novas (15c) e nos pinos deslizantes (15d).

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15 (a b)

 

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15 (c d)

 

16) O restante procedimento de montagem segue a ordem inversa da desmontagem, atentando para os torques específicos determinados pela fabricante do veículo.

 

Desmontagem do freio traseiro

 

1) Uma forma de diagnóstico da regulagem do freio traseiro sem desmontá-lo é observar, com o carro suspenso pelo elevador, se as rodas estão livres. Caso não estejam, a regulagem e o mecanismo do sistema devem ser verificados.

 

2) Após remover a roda, utilize uma chave de fenda e um martelo com ponta de borracha para soltar (com cuidado) a tampa de proteção da porca do cubo de roda, também chamada de “calotinha”.

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3) Para soltar a porca do cubo de roda, utilize chave ou soquete 30 mm (3a). Em seguida, remova o tambor de freio (3b).

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Análise dos componentes

 

4) Para comprovar o bom funcionamento do acionamento das sapatas, movimente o cilindro de roda com o auxílio de uma chave de fenda fazendo a alavanca na sapata. Não pode haver nenhum tipo de travamento.

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5) Para verificar se há alguma espécie de vazamento no cilindro de roda, observe as coifas puxando-as com o dedo – não utilize nenhuma ferramenta com ponta para não danificar a borracha. Vale lembrar que a vedação dos êmbolos é interna, portanto, a função da coifa é proteger o sistema da sujeira. Se houver vazamento, faça a troca não só do cilindro com vazamento, como também o da outra roda do eixo, já que ambos trabalham em conjunto.

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6) Na medição feita por Luiz, da Cobreq, as lonas de freio apresentaram espessura de 5 mm. O mínimo recomendado é de 2 mm, assim como nas pastilhas. Assim, a escolha foi por manter as lonas e limpá-las com uma lixa para tirar o excesso de sujeira encrustado na face de atrito.

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7) A limpeza do sistema pode ser feita com água e um pincel. Nunca utilize thinner, querosene ou outro produto químico derivado de petróleo. A limpeza é importante para evitar que a sujeira se acumule e impeça a autorregulagem do sistema.

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Montagem do freio traseiro

 

8) Antes de colocar o tambor novo, faça a regulagem das sapatas para que as faces de atrito fiquem mais próximas quanto possível do tambor sem travá-lo.

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9) Como o tambor novo da Fremax para o Renault Logan já vem com rolamentos de cubo de roda e sensor do ABS, não é necessário desmontar os componentes do miolo do tambor (9a). Basta apenas aplicar a peça nova. Gire o tambor para confirmar que está rodando livre (9b).

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10) O restante da montagem segue a ordem inversa da desmontagem. O torque da porca do cubo de roda é de 18 kgfm.

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Sangria e finalização

 

1) A sangria em veículos com gerenciamento do ABS possui diferenças em relação ao sistema convencional. Ao invés de começar na roda mais distante do cilindro-mestre, o procedimento deve começar na roda mais próxima da central do ABS (no caso do Logan, a dianteira-esquerda). Utilize fluido de freio DOT 4. Não se esqueça de tampar os parafusos sangradores ao final do procedimento em cada roda para evitar a entrada de água, o que pode oxidar o parafuso e causar até sua quebra em uma próxima operação, afirma Henrique. A sequência das rodas segue em “Z”: dianteira-esquerda, dianteira-direita, traseira-esquerda e traseira-direita.

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OBS: No caso de sangria manual, bombando o pedal do freio sem a ajuda de aparelhos, movimente apenas meio curso de pedal para evitar danos ao cilindro-mestre.

 

2) Complete o nível de fluido ao final do procedimento. Caso derrame e seja necessário limpar a região do reservatório, não jogue água. A tampa possui um furo para regular a pressão do sistema com a pressão atmosférica e a água pode entrar por ali, contaminando o fluido.

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3) Faça a regulagem do freio de mão com uma chave canhão no parafuso 10 mm na base da alavanca. Importante: quando o carro está suspenso pelo elevador, o eixo traseiro “desce” e o curso da alavanca do freio de mão fica menor do que se estivesse no solo, assim, quando o eixo voltar à posição normal, a folga da alavanca vai aumentar e a regulagem será perdida. Por isso, o ajuste sempre deve ser feito com o carro no chão. O ideal é deixá-lo travado com três estalos.

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Mais informações:

Fremax – 0800 47 4090

Cobreq – 0800 11 1992