O mundo da reparação pode ser fascinante para muita gente que desde cedo alimenta o sonho de ser mecânico, uma profissão de valor que merece muito preparo e dedicação

Carolina Vilanova

 

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O sonho de ser mecânico já marcou a vida de muitos profissionais que hoje estão com suas oficinas montadas e sustentam suas famílias com os frutos da reparação. Hoje, em pleno século XXI, esse sonho continua vivo na mente de vários jovens, que partem em busca da vida na oficina. Os aspirantes sempre movidos pela paixão pelo automóvel, na verdade uma paixão nacional, e pela curiosidade de saber como a mecânica funciona.

 

Já é fato que o mecânico passou por uma grande transformação nas últimas décadas, limpou seu ambiente de trabalho, organizou sua clientela e aprendeu que para continuar no mercado é preciso se atualizar sempre. Com a corrida frenética pela tecnologia disputada entre as montadoras, é fato também que os que seguiram esse caminho prosperaram e quem não seguiu, fechou as portas.

 

“O mecânico vive um momento sem igual em toda a sua história em termos de reconhecimento, tecnologia e atualização”, comenta Salvador Parisi, diretor de Normalização e Certificação do Sindirepa-SP. Ele explica que os mecânicos de hoje têm preparação diferente dos profissionais de 40 anos atrás, que tinham a sensibilidade e a habilidade manual como prioridades em suas carreiras e trabalhavam com o feeling (sentidos) aguçado na hora de descobrir o problema e reparar o dano.

 

“Hoje, essa situação mudou e a sensibilidade e a capacidade manual, apesar de serem importantes, não é tudo na profissão. O mecânico atual tem que ter, além da habilidade, conhecimento técnico, noções de física e matemática, informática, metodologia na hora do conserto, e até mesmo um pouco de inglês e espanhol para auxiliar na leitura de manuais e apostilas técnicas”, analisa Parisi.

 

Ele diz ainda que o mecânico precisa tomar muito cuidado com os aspectos legais da profissão, afinal na lei de defesa do consumidor está explicito que todo serviço deve atender às normas adequadas ao ramo de atividades e isso não é diferente nos serviços prestados na oficina. “Não dá mais para viver na marginalidade da profissão, como era nos anos passados, hoje existe o compromisso da atividade com o cliente e o mecânico é cobrado por isso”, diz.

 

O conselho de Parisi para quem quer começar na profissão é procurar formação em escolas técnicas reconhecidas pelo MEC, como o SENAI e outras instituições. “A base é fundamental para a formação, além disso, se o desejo é montar uma oficina, o melhor é pedir ajuda ao SEBRAE”, completa.

 

Para ele, uma bela homenagem ao dia do mecânico é a criação da norma de certificação e qualificação do mecânico automotivo (saiba mais no final da matéria), que será um documento reconhecido pelo governo e promete auxiliar muitos profissionais.

 

“Podemos comemorar com bastante orgulho, pois nossa atividade está passando por um processo positivo de transformação e isso é uma escada para subir na profissão, ser valorizado. Mas todo mundo tem que participar, se envolver nesse movimento”, finaliza.

 

Em relação a salários e preços de serviços, é necessário recorrer aos órgãos do mercado, como os Sindirepas e o sindicato dos metalúrgicos, para adquirir uma tabela de referência e piso salarial, que variam de acordo com a região e o ramos de atividades.

 

Especial

 

Na escola

Para quem está começando, jovem ou adulto, é sempre bom frisar que o conhecimento é o que conta na hora de conseguir um bom emprego e isso se conquista com cursos numa boa escola de mecânica. O SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) tem os cursos mais específicos e também os mais procurados pelos aspirantes a mecânico. Pela parceria que a instituição mantém com as principais montadoras e fabricantes do setor automobilístico, a confiabilidade como fonte de informação não poderia ser melhor.

 

As escolas do SENAI estão espalhadas por todo o Brasil e oferecem cursos especializados em todos os segmentos da mecânica. Nos Cursos de Aprendizagem Industrial (CAI), o aluno se forma como Mecânico Automobilístico. Os candidatos devem ter idade mínima de 14 anos. O curso é gratuito e para a matrícula o candidato deve ter concluído o ensino fundamental e ser aprovado em processo seletivo. São 1600 horas de aulas, distribuídas em quatro semestres. Existem também os cursos de Formação Continuada, que abrangem todos os sistemas dos veículos, divididos em módulos específicos.

 

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O aluno Denis Portillo Carascosi, 16 anos, cursa o CAI no SENAI-Ipiranga e já faz estágio na oficina de uma concessionária Toyota. “Escolhi essa profissão porque sempre gostei de carros, como meu pai, que sempre teve muita curiosidade em relação à mecânica”, diz, contente por ter encontrado o curso de mecânica no SENAI. “A escola nos abre as portas, tudo começa aqui”.

 

“Sempre gostei do trabalho de mecânico e como meu pai já tinha feito SENAI, resolvi fazer o curso”, conta Erik Chinen, de 16 anos, também estudante do SENAI. “Pretendo seguir sempre fazendo cursos e me atualizando nas novas tecnologias, afinal quanto mais conhecimento melhor”, diz Eric.

 

Denis e Erik têm rotinas parecidas: frequentam o Senai pela manhã, a tarde trabalham na concessionária e a noite fazem terceiro ano do ensino médio. Além de mecânicos, eles querem entrar na faculdade de engenharia mecânica depois que se formarem.

 

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Cursando a faculdade de engenharia, o aluno Raoni Caldeira de Melo, 19 anos, acredita que para ser engenheiro tem que ser primeiro mecânico. “Faço curso de formação continuada em motor de combustão – ciclo diesel, no SENAI, são 120 horas de aulas e aqui a gente tem tanto a parte teórica quanto a pratica. Pretendo fazer mais cursos quando terminar esse”, diz o estudante.

 

O motorista de lotação André Campos, 27 anos, quer ampliar seu conhecimento sobre sua ferramenta de trabalho se tornando um mecânico. “Na verdade queria saber como funcionava meu veículo e aprender como cuidar adequadamente dele para garantir sua durabilidade e segurança”, conta. André pretende adquirir conhecimento e, além de trabalhar como mecânico na oficina do irmão, transmitir essas informações importantes sobre manutenção e uso adequado aos seus colegas motoristas.

 

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Cícero

 

Com 46 anos de idade, o funileiro Cícero José da Silva resolveu seguir o seu sonho de ser mecânico. “Esse é meu primeiro curso, mas pretendo investir na profissão fazendo outros treinamentos, todos ligados a veículos pesados, afinal é a área que está mais carente de bons profissionais hoje”, completa.

 

Apesar das dificuldades encontradas na profissão, o mecânico ainda é movido pelo sonho e pela paixão ao veículo. Construir uma carreira e entrar no mercado trabalho vai exigir muito comprometimento e dedicação, atributos fundamentais para garantir o sucesso profissional.

 

Para obter informações sobre o SENAI consulte o site: www.sp.senai.br ou www.sp.senai.br/automobilistica ou pelo telefone: (11) 6166-1988.

 

Regulamentação da profissão é prioridade no setor

 

Uma comissão de estudos da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) foi formada especialmente para discutir assuntos relacionados com a regulamentação da profissão de mecânico e criar uma nova norma, cujo objetivo é estabelecer requisitos para a profissão e definir suas atribuições e atividades.Coordenador da ABNT e conselheiro do Sindirepa-SP, Salvador Parisi ficou encarregado de coordenar também essa comissão, tendo como secretário José Palácio, do IQA (Instituto de Qualidade Automotiva). Participm das reuniões representantes de outras instituições como Anfavea, AEA, SENAI e Sindimotor, além de executivos das áreas de treinamento de montadoras e fabricantes de autopeças. Os porta-vozes da classe de mecânicos também participam.

 

“Todas as pessoas envolvidas estão acreditando no nosso projeto, que no final vai trazer muitos benefícios para a profissão e tornar a atividade de reparação melhor reconhecida pelos consumidores”, ressaltou Parisi.