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Mesmo depois de tantos anos, continua na moda instalar equipamentos de som sofisticados e potentes. Quem é que não gosta de ouvir um som de qualidade? Todo mundo! Isso sem falar dos inúmeros acessórios que permitem transformar aquele modelo “basicão” pelado numa máquina personalizada e bastante atraente. E por acaso isso é ruim? Mas é claro que não! Quem é que não gosta de conforto e de um certo “status”?

 

Além do mais, não são todos que podem entrar numa concessionária e comprar as versões mais sofisticadas, mesmo se tratando dos veículos populares. As diferenças de valor, dependendo do grupo de opcionais escolhido, podem facilmente chegar a mais de 30% daquilo que se paga pela versão básica. E como o mercado de acessórios costuma disponibilizar produtos similares por uma fração deste valor… Bem, a tentação é grande.

 

É claro que a qualidade do produto aplicado e do serviço de instalação deve ser levada em conta na hora de comprar. Se algo sair errado, a montadora se negará terminantemente a dar garantia ao veículo. E não adianta reclamar: o produto foi alterado fora da rede autorizada. Para tentar recuperar esta garantia, haja gasto com advogado, perito e tempo para ir às audiências. Logo, se vai fazer este tipo de modificação, principalmente em um veículo ainda sob garantia da fábrica, pense bem nas consequências e escolha a dedo os seus fornecedores. Já que é para eles que as reclamações deverão ser dirigidas se algo der errado.

 

Antes de mandar fazer o serviço, veja os termos de garantia que são oferecidos. Quando se fala em instalação de acessórios em veículos de última geração (que dispõem de redes internas de comunicação), todo cuidado é pouco. Um descuido na hora de puxar uma alimentação pode “derrubar” a rede de forma momentânea ou definitiva (e danificar um ou mais módulos de comando). E o conserto costuma sair caro.

 

Mas supondo que o fornecedor é devidamente treinado, experiente e utiliza apenas produtos de primeira qualidade, outro aspecto deve ser levado em consideração na hora de se “pendurar” consumidores elétricos em um veículo: o balanço energético.

 

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Forçando a balança

 

Quando um sistema elétrico é dimensionado, prevê-se o consumo de uma determinada quantidade de corrente, compatível com o modelo e a versão que será montada. Ou seja, se o modelo a ser montado é um “basicão”, o alternador e a bateria são dimensionados para atender aquele veículo com uma determinada margem de segurança. Em outras palavras: mesmo que sejam ligados todos os consumidores, o alternador continuará a gerar energia suficiente para manter a bateria carregada.

 

É claro que, à medida que o consumo aumenta, faz-se necessário aumentar a rotação do alternador. Afinal de contas, a geração de carga nos alternadores aumenta com a rotação, até que se atinja um limite máximo (capacidade máxima de geração do alternador). Manter muitos acessórios ligados com o motor em marcha lenta, por muito tempo, é forçar a balança energética do veículo para o lado do consumo. Ou seja: nesta rotação, o alternador não consegue repor aquilo que está sendo tirado da bateria, que vai tendo sua energia drenada até o colapso.

 

À medida que vão sendo instalados novos consumidores no veículo, a margem de segurança projetada vai sendo diminuída. Por exemplo: em um determinado veículos, a capacidade máxima do alternador é de 80 Ah e a da bateria é de 60 Ah. Todos os acessórios originais, ligados, consomem 50 Ah. Logo, tem-se uma margem de segurança. Se for instalado um novo acessório que consome 30 Ah (ar-condicionado), a margem de segurança se extinguirá. Vale lembrar aqui: cuidado nos congestionamentos muito longos com o ar-condicionado ligado!

 

É claro que a utilização de todos os acessórios ao mesmo tempo é muito rara, mas pode ocorrer. Imagine enfrentar um longo congestionamento (do tipo “anda-e-para”) em uma estrada, numa noite chuvosa e quente. Pois bem, nesta situação estariam ligados os faróis, lanternas, limpador de para brisa, ar-condicionado e eletroventilador. Se o veículo for automático, o pedal do freio ficaria quase sempre acionado, ligando as luzes de freio traseiras.

 

Com todos estes consumidores ligados (supondo que todos são originais de fábrica), se o motor for mantido apenas em marcha lenta por muito tempo, a bateria se esgotará rapidamente, pois a energia gerada é menor do que aquela consumida da bateria. Para que isso não ocorra, o motor deve ser mantido em uma rotação mais elevada, para que o alternador consiga gerar a carga que está sendo consumida.

 

No entanto, se este mesmo veículo estiver equipado com acessórios de alto consumo não originais como, por exemplo, faróis auxiliares e amplificadores de som, e se os mesmos forem ligados nesta condição, pode ser que a carga consumida ultrapasse a capacidade de geração máxima do alternador. Ou seja, nem que se mantenha o motor a uma rotação elevada (veículo rodando), haverá a reposição da carga retirada da bateria. Como consequência, a viagem pode terminar mais cedo, no acostamento, com a bateria totalmente esgotada.

 

Assim, antes de se fazer a instalação de acessórios de grande consumo de energia elétrica, é preciso fazer o balanço energético do sistema. Pode ser que uma substituição de bateria e alternador (por outros de maior capacidade de geração) seja necessária. E, com absoluta certeza, o Guerreiro das Oficinas é o profissional mais indicado a orientar o seu cliente quanto a esta necessidade.

 

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O que verificar antes de proceder à instalação:

a) Capacidade da bateria;

b) Capacidade máxima do alternador;

c) Soma do consumo de todos os acessórios originais;

d) Consumo dos novos acessórios;

e) Probabilidade de acionamento simultâneo de todos acessórios e tempo que ficarão ligados;

f) Débito energético caso todos os acessórios precisem ficar ligados simultaneamente por um tempo prolongado;

g) Capacidade do novo alternador e da nova bateria para que o balanço energético seja reequilibrado estando todos os acessórios ligados simultaneamente.