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Discos de freio trabalham em conjunto com as pastilhas e são primordiais para garantir uma frenagem eficiente e segura do veículo. Acompanhe nessa reportagem as dicas de manutenção e aplicação dos fabricantes para mantê-los em ordem

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Na matéria anterior falamos bastante sobre as pastilhas de freio e sua importância para a frenagem do veículo, mas, sem discos em ordem, a segurança não está garantida. Por isso, continuamos falando sobre o sistema de freio, mas desta vez, vamos abordar as funções e aplicações dos discos de freio.

Por serem submetidos a temperaturas e esforços extremos ao serem pressionados pelas pastilhas, os discos de freio devem ser muito resistentes. Quem nos dá essa explicação é Rodrigo Frezzarin, chefe de Marketing de Produto da Divisão Automotive Aftermarket da Robert Bosch. “Os componentes Bosch são fabricados com tecnologia de última geração e materiais que atendem aos mais rígidos padrões de qualidade. Isso garante a durabilidade e a eficiência exigidas durante toda a vida útil do produto”.

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Disco de freio Bosch

Ele diz ainda que características do componente como o ferro fundido garantem uma frenagem segura. Já a fundição controlada é responsável pela estabilidade mecânica e térmica, além da maior durabilidade da peça. O processo produtivo garante que a peça não produza vibrações e proporcione uma frenagem mais segura.

Em relação à tecnologia, Eduardo Guimarães, supervisor de treinamento da Nakata, afirma que os discos de fibra de carbono são os mais avançados. Esses componentes são encontrados em carros de luxo e de alta performance, como nos bólidos de Fórmula 1.

Em relação à manutenção, os discos de freio devem ser verificados regularmente e trocados em caso de desgaste.

Nessa revisão, a Bosch recomenda analisar o estado geral do produto e realizar a medição da espessura. Se atingidos ou ultrapassados os limites determinados, o disco deve ser substituído. “A durabilidade dos discos de freio depende muito da dureza das pastilhas. A espessura mínima da pista de frenagem deverá estar gravada na borda lateral externa do disco”, afirma Rodrigo.

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Disco de freio Nakata

 

De acordo com Eduardo, não existe manutenção preventiva de discos de freio. “O que há são cuidados específicos como evitar choque térmico, torque excessivo nos parafusos de fixação da roda e verificações periódicas sobre seu estado”.

Aplicação

Existem alguns pontos que precisam ser observados no momento da aplicação. Eduardo aconselha verificar se o disco é o modelo recomendado para aquele veículo. “Se tem empenamento, considerando que o limite máximo do cubo não deve ultrapassar 0,04mm, limpar adequadamente os discos antes da instalação”, afirma.

Outras dicas de aplicação:


Substitua os discos de freio quando atingirem a espessura mínima;

Na troca de pastilhas sempre substitua ou retifique os discos de freio;

A espessura dos discos de freio do mesmo eixo deve ser igual;

Troque sempre os discos de freio e as pastilhas de freio do mesmo eixo;

Lave os discos de freio com água e sabão antes de ser montado no veículo;

Se o disco usado apresentar ranhuras ou imperfeições (na pista de frenagem)
ele deve ser usinado ou trocado.

fonte: Bosch

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Ainda de acordo com a Bosch, o disco de freio suporta, durante as frenagens, altas temperaturas e esforços mecânicos extremos, por isso, uso de componentes com espessura abaixo da mínima especificada pelo fabricante poderá ocasionar sérios problemas, como: probabilidade de superaquecimento dos freios devido à menor quantidade de material; menor resistência mecânica da peça, podendo ocorrer empenamento, trincas ou até mesmo a quebra total do disco de freio; e travamento do êmbolo da pinça de freio.

Rodrigo continua: “o aparecimento de vibrações no veículo durante as frenagens não está relacionado somente aos discos de freio, há outras causas que contribuem para o problema da vibração:


Aplicação ou montagem incorreta dos rolamentos;

Impurezas na face de encosto do disco e cubo;

Desbalanceamento das rodas;

Problemas na suspensão;

Freio traseiro com tambor ovalizado;

Após montado no veículo, a oscilação máxima (empenamento) permitida no conjunto disco/cubo/rolamento não deve exceder aos seguintes valores:

Automóveis: 0,10mm e Pick-Up (A/C/D – 10/20, F-1000, F-4000, etc): 0.13mm

A folga axial nos rolamentos das rodas não deve exceder a 0,054mm, caso contrário substitua-os ou faça o ajuste necessário;

A oscilação lateral (empenamento) do cubo não deve exceder a 0,05mm.

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A espessura do disco é medida com o micrômetro e dietermina uma possível troca

Peça um novo

Quanto à troca do disco por outro novo, a Bosch orienta que isso não é obrigatoriamente necessário. “Deve-se observar sempre a condição geral do disco caso haja ranhuras ou sulcos e podem ser usinados sem reduzir a espessura abaixo da mínima não precisa ser trocado. Quando houver uma troca ou a retífica dos discos de freio isso deve ser efetuado nos dois discos de um mesmo eixo. A medida para retífica de discos de freio não poderá ultrapassar 0,5mm de cada lado do disco e deve-se observar também as indicações de espessura mínima”, diz Rodrigo.

Rodrigo explica que a retífica, tecnicamente falando é uma usinagem da pista de frenagem do disco que é chamada de retífica. “É a retirada de material desta pista com ferramental especial para usinagem. Ela deve ser realizada por um mecânico capacitado para realizar este tipo de usinagem e é realizada em um torno que pode ser comum ou especifico para este trabalho”.

Eduardo, porém, complementa: “em muitas situações a troca se faz necessária, pois a usinagem da superfície não é uma retífica e sim um torneamento de face com ferramenta de corte, e isso pode ocasionar o acabamento desta superfície com elevada rugosidade. A retífica mesmo é feita através de rebolo em fábrica. As peças usinadas em torno de face, muitas vezes possuem rugosidade muito elevada e deformações de paralelismo e planicidade”.

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Para medir o empenamento do disco o técnico deve utilizar o relógio comparador

Para fugir das peças de baixa qualidade, ambos concordam: é melhor sempre buscar pelas marcas que asseguram a qualidade de seus produtos e que possuam atendimento ao cliente. “Um disco novo deve ser adquirido quando o usado estiver muito empenado gerando vibrações e a retífica não conseguir eliminar o empenamento sem atingir o valor mínimo de espessura. Também quando houver formação de trincas (geralmente originadas por superaquecimento)”, segundo Rodrigo.

As dicas de diagnóstico para o mecânico verificar quando o item está com problema e precisa ser trocado são verificar se há ranhuras, sulcos acentuados e observados na pista de frenagem do disco, originadas por pastilhas de má qualidade; vibrações no veículo no momento da frenagem (disco empenado sem possibilidade de retífica); disco abaixo da espessura mínima depois da retífica e se há trincas.

Para aumentar a durabilidade do componente, o técnico da Nakata sugere orientar o cliente a fazer a revisão dos freios nas quatro rodas. “Isso é necessário pois o freio traseiro, se estiver em mau estado, sobrecarrega o dianteiro, dirigir de maneira adequada evitando arrancadas e freadas bruscas”.
De acordo com a Bosch, é muito difícil fazer uma montagem errada, a não ser que o mecânico mexa na usinagem adaptando-o. “As dimensões de montagem são muito justas impossibilitando a montagem de discos maiores ou menores. Se os discos forem errados a pinça não monta na roda”, diz. Outros problemas que podem acontecer são: o não aperto dos parafusos de guia, a não retirada da proteção contra usinagem e a queda dos discos provocando empenamentos e trincas.

Eduardo, da Nakata, complementa pedindo atenção com a especificação contida nos catálogos e etiquetas de aplicação. “O que não pode ser feito é o reaproveitamento de discos usados e montagem de disco novo em cubo de roda usado ou empenado, mas muitos mecânicos ainda cometem esse erro”.

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ATENÇÃO EM CASO DE RETÍFICA

1 – A retífica pode ser feita nas áreas em contato com a pastilha, quando a espessura mínima não for ultrapassada.
2 – A retífica ou qualquer processo de usinagem são proibidos nas áreas que não tenham contato com a pastilha.