Por: Fernando Landulfo

Apesar de ainda bastante caros para o consumidor médio, os automóveis híbridos estão cada vez mais presentes no trânsito brasileiro. Sim, o que era considerado uma raridade digna de um selfie, hoje passa praticamente desapercebida. E se as promessas feitas pelas montadoras no último Salão do Automóvel se concretizarem (veículos elétricos e híbridos a preços bem mais acessíveis), essa quantidade vai aumentar ainda mais.

 

Isso vem de encontro à opinião de
muitos especialistas em mercado automobilístico, que afirmam categoricamente que, num médio prazo, os veículos elétricos e híbridos irão substituir completamente aqueles equipados com motores de combustão interna. Essa tendência já existe em países como a Alemanha onde grandes montadoras praticamente decretaram uma data para o fim da produção dos motores de combustão interna.

 

No entanto, é preciso lembrar que lá é lá e aqui é aqui. As realidades são completamente diferentes. Logo, as mudanças ocorrerão em tempos distintos.

 

Mas falando mais tecnicamente, o que os veículos elétricos e híbridos mudam na rotina do mecânico? No que diz respeito aos sistemas de suspensão, direção e boa parte da eletrônica embarcada: nada. A grande diferença se encontra só no sistema de propulsão.

 

Se o veículo é híbrido, ele ainda tem o bom e velho conhecido motor de combustão interna. Algo que o mecânico conhece até de olhos fechados. A transmissão, via de regra, é um sistema CVT também já conhecido do “Guerreiro das Oficinas”. A novidade está no sistema de tração elétrica que envolve: motor, baterias, acoplamento e freios regenerativos.

 

MAS QUAL O PROBLEMA EM SE APRENDER A LIDAR COM ALGO NOVO?

 

Ora, absolutamente nenhum! O mecânico é um profissional sobrevivente. Ele se adapta a cada mudança que o mercado
impõe sobre ele. Não foi assim com o advento da injeção eletrônica e da eletrônica embarcada? Ou seja, nada a temer.

 

 

 

 

 

 

O que precisa ser pontuado é que, nessa nova mudança que está chegando, existe um fator de risco: as elevadas tensões que alimentam os motores elétricos. Um descuido ou imperícia pode levar a um acidente muito, muito grave. Para manipular esses sistemas, principalmente quando ativos, é preciso muito cuidado e treinamento. Isso sem falar nos equipamentos adequados.

 

COMPENSA INVESTIR?

 

Afinal de contas, nesse momento, treinamento e equipamentos são muito caros. Sem sombra de dúvidas! A mudança é praticamente irreversível. Mesmo que se invente uma maneira de fazer com que os motores de combustão interna sejam alimentados, de forma segura, com hidrogênio puro (emissões zero), sempre haverá uma fatia do mercado destinada aos híbridos e elétricos. E parte dessa fatia as concessionarias não vão conseguir reter. Ou seja: mais dinheiro sobre a mesa para o mecânico independente pegar.

 

E quem se preparar antes terá mais experiência quando a hora chegar.