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Confira o processo de conversão de combustível líquido para gasoso em um Honda Civic EXL 2018

Texto: Gustavo Sá
Foto: Lucas Porto

Economia é o principal atrativo para quem opta pela conversão de veículos para utilização do Gás Natural Veicular, o GNV. Apesar de ainda ter custo elevado (R$ 4 mil, em média), a transformação pode ter o investimento amortizado em apenas um ano para motoristas que rodam cerca de 1.800 km/mês, de acordo com dados da Comgás.

 

Atualmente, o Kit GNV de 5ª geração é um dos mais modernos do mercado, pois traz atualizações que reduzem a perda de potência e diminui a necessidade de manutenção constante.

 

Os cuidados com a manutenção de um veículo com Kit GNV instalado são, basicamente, os mesmos de um veículo comum. “O proprietário deve seguir os prazos de revisões indicados no manual do proprietário. Para o sistema de GNV, a recomendação é fazer inspeção do sistema a cada 10 mil km e realizar a troca do filtro de GNV a cada 30 mil km rodados”, explica o gerente Comercial de GNV da Comgás, Ricardo Vallejo. Também é preciso atentar aos períodos de reteste hidrostático obrigatório dos cilindros (a cada 5 anos), que deve ser realizado por órgão acreditado pelo Inmetro durante a vida útil do mesmo (15 anos).

 

O Kit de 5ª geração é composto por um redutor, que é responsável pela diminuição da pressão do gás natural do cilindro para uma pressão mais baixa, que atuará diretamente nos bicos injetores. Isso faz com que a perda de potência seja menor em relação aos antigos kits – a estimativa da empresa é de redução de apenas 3% da potência com o atual modelo.

 

A geração mais recente também elimina problemas como o ressecamento de mangueiras ou a necessidade de troca constante de velas – este problema estava associado a misturas pobres produzidas pelos sistemas mais antigos. A partida do veículo é realizada pelo combustível líquido. Somente após o motor atingir a temperatura ideal é que o gás entra em operação de forma automática (uma chave comutadora no painel permite a troca entre os combustíveis).

 

Outro benefício do GNV é a menor emissão de poluentes, com redução de 20% de CO2 na comparação com a gasolina e 15% a menos de CO2 em relação ao etanol. Os principais pontos negativos ainda são o espaço ocupado pelo cilindro no porta-malas (ou caçamba, em picapes) e a consequente perda da garantia de fábrica da montadora.

 

Além disso, o peso dos cilindros de aço pode sobrecarregar a suspensão traseira em veículos leves, exigindo por vezes o uso de molas especiais, de acordo com o professor de Engenharia e consultor técnico da Revista O Mecânico, Fernando Landulfo. “Se a instalação for muito próxima à extremidade traseira, pode haver comprometimento da dirigibilidade”, reitera o consultor.

 

Se você é consumidor e deseja realizar a instalação de GNV em seu carro, deve ter cautela ao escolher a oficina de conversão. Procure sempre por empresas certificadas pelo Inmetro, que informa em seu site (inmetro.gov.br) a relação de oficinas registradas.

 

INSTALAÇÃO

 

Nesta reportagem, mostramos o passo a passo da instalação do Kit GNV de 5ª geração em um Honda Civic EXL 2018. O sedã médio traz motor 2.0 flex, que produz 150 cv (G)/155 cv (E) de potência. O câmbio é automático do tipo CVT, com simulação de 7 marchas.

 

A média de tempo total para a instalação de um Kit de 5ª geração é de 8 a 12 horas. O preço do processo de conversão (com peças e mão de obra inclusas) é de R$ 4 mil, de acordo com a empresa. O conjunto possui garantia de 1 ano.

 

O procedimento de instalação foi realizado por Leonardo Basseti, coordenador Técnico da Comgás, e Anderson Lima Cavalcante, técnico da Instala GNV Comgás.

 

DIAGNÓSTICO

 

1. A primeira fase ao receber o carro do cliente na oficina é fazer a análise do estado do veículo e o diagnóstico básico da mecânica. Em veículos zero-quilômetro, verifique filtro de ar, níveis do óleo e demais fluidos. Em automóveis com quilometragem entre 10 mil km e 50 mil km, é importante checar ainda o estado das velas de ignição. Acima de 50 mil km, é indicada também a medição da compressão dos cilindros e a inspeção visual do corpo de borboleta. Caso haja alguma não conformidade na mecânica do carro, é recomendado que seja realizado o reparo por completo antes do início da instalação do Kit GNV.

 

 

2. Verifique o funcionamento da injeção eletrônica com o auxílio de um scanner. Conecte-o à porta OBD do carro para buscar por anomalias e códigos de falha no sistema. O modelo utilizado nesta reportagem, um Honda Civic EXL 2018/2018, estava com apenas 2.000 km rodados e passou sem observações pela fase de diagnóstico.

 

 

INSTALAÇÃO NA DIANTEIRA

 

3. O Kit de GNV de 5ª geração é composto pelos seguintes itens: redutor de pressão, válvula de abastecimento, manômetro, filtro de GNV, sensor de pressão e fluxo, sensor de temperatura, bicos injetores de GNV, chicote, módulo eletrônico, chave comutadora e mangueiras de gás e água. Importante: A instalação deve sempre atender às normas do Inmetro. A pré-montagem das peças do Kit GNV, por sua vez, deve ser feita de acordo com o manual do fabricante do conjunto. Neste modelo, foi utilizado o Kit produzido pela empresa Stag Autogas Systems.

 

 

4. Para início da instalação do Kit na parte dianteira, é necessário fazer a remoção do coletor de admissão. Antes, porém, retire o conjunto de bicos injetores com a ajuda de um canhão de ¼ de polegada e um soquete de 10 mm.

 

 

5. Na sequência, utilize um soquete longo de 19 mm, uma extensão curta de 1/2 polegada e outra longa de mesma medida para remover o coletor de admissão. Com o carro no elevador, é necessário ainda fazer a remoção do protetor de cárter pela parte inferior.

 

 

6. É recomendada que a furação dos injetores de GNV seja feita o mais próximo possível do local onde é realizada a injeção do combustível líquido. Como neste motor 2.0 da Honda os injetores não são fixos no coletor de admissão, a furação será feita diretamente no cabeçote. Para fazer a furação dos 4 bicos injetores de GNV no cabeçote, utilize uma broca de 5 mm lubrificada com vaselina para reduzir as fagulhas de alumínio. Para que a fuligem de alumínio não caia dentro do motor, tampe a entrada de admissão com um pano limpo.

 

 

7. O próximo passo é a instalação dos niples dos injetores de GNV dentro do cabeçote, para que faça a conexão entre
a mangueira do injetor ao conjunto de injetores de GNV. Antes disso, porém, faça uma rosca para fixação com um macho de 6 mm e uma catraca.

 

 

8. Com um canhão de 8 mm e uma cola trava rosca (8a), faça a instalação dos niples de injeção. A norma é um niple por cilindro (8b) – neste veículo, portanto são 4 niples (4 cilindros).

 

 

 

9. Reinstale o coletor de admissão.

 

 

10. Instale o redutor de pressão com um soquete de 10 mm com encaixe de ¼ de polegada para fazer a fixação do suporte acoplado ao redutor na carroceria. Siga a norma do fabricante do Kit GNV para fazer a instalação na posição correta e garantir a eficiência do componente.

 

 

11. Instale a válvula de abastecimento (acoplada ao manômetro) na própria estrutura do carro. O componente deve ser posicionado a, no mínimo, 200 mm de distância da bateria do carro, conforme norma do Inmetro. Para a fixação, use uma catraca com soquete 13 mm e uma chave combinada de 13 mm.

 

 

12. Faça a instalação dos bicos injetores de GNV. Fixe-os na chapa protetora da flauta de injeção original do carro. Para isso, faça um pequeno furo na chapa e fixe com um parafuso M6x10 e uma porca M6. Faça o aperto com um canhão com encaixe de ¼ pol., soquete de 10 mm e uma chave combinada de 10 mm.

 

 

13. Hora de fazer a ligação entre os componentes. Para isso, instale as mangueiras ligando o redutor, filtro, sensor de pressão e bicos injetores de acordo com as indicações do fabricante do Kit GNV. É preciso atentar-se ao layout de instalação e roteiro para cada carro, tomando o cuidado para que as mangueiras não tenham atrito com outros tubos e componentes do veículo. As mangueiras são conectadas com abraçadeiras metálicas (apertadas com chave phillips).

 

 

14. É preciso fazer a ligação do sistema de água original do carro para o redutor. Isto é necessário pois o redutor precisa de aquecimento. Devido à baixa temperatura do fluxo de pressão do GNV, pode haver congelamento do redutor. Faça a ligação com um conector em forma de T e obedeça às normas do Inmetro para o roteiro de instalação.

 

 

15. Faça a ligação dos bicos injetores para os niples da injeção de GNV. Cuidado para que não haja dobras que interrompam o fluxo nas mangueiras, o que pode atrapalhar a calibração e eficiência do sistema.

 

 

16. É importante fazer o anilhamento do tubo de alta pressão com o niple a fim de prevenir vazamentos. Para isso, coloque uma anilha na ponta e, em seguida, o anilhador.

 

 

17. Para finalizar a ligação mecânica entre os componentes na parte dianteira, faça a conexão do tubo de alta pressão entre a válvula de abastecimento e o redutor. A modelagem do tubo pode ser feita à mão. Cuidado para não haver dobras, que podem diminuir o fluxo de gás e prejudicar o funcionamento do sistema.

 

 

18. Defina o roteiro de instalação do chicote elétrico do Kit GNV, que deve ficar o mais próximo do componente original do carro.

 

 

19. O módulo de gerenciamento deve ser instalado em posição onde o conector fique no alto, a fim de evitar o acúmulo de água. Outro cuidado é para que a posição dele não atrapalhe a manutenção básica do carro (como a troca de lâmpadas do farol, por exemplo).

 

 

20. Faça a captação dos sinais dos bicos injetores originais para realizar a emulação do sistema de GNV. Com a caneta de polaridade, identifique o pulso negativo dos bicos injetores de combustível líquido. Dessa forma, é feita a ligação do chicote elétrico que gerencia o funcionamento do sistema. O chicote possui uma identificação de acordo com a ordem em que deve ser conectado aos cilindros.

 

 

21. Passe o chicote da chave comutadora de combustível e o leitor de diagnose do OBD para o interior do carro por meio da parede corta-fogo.

 

 

22. Encaixe os conectores nos bicos injetores de GNV na ordem indicada pelo manual do fabricante.

 

 

23. Na sequência, conecte os chicotes ao sensor MAP.

 

 

24. Faça a ligação do sensor de temperatura do redutor.

 

 

25. Conecte os terminais do Kit na eletroválvula do gás. Faça também a solda dos bicos injetores e da primeira bobina.

 

 

26. Com parafusos M6X20, porca M6 e chave 10 mm combinada com canhão e soquete de ¼, instale uma chapa de aterramento, que é obrigatória para o momento do abastecimento. Fixe-a em espaço mais livre no cofre do motor. Neste Civic de décima geração, a chapa foi instalada no próprio suporte da válvula de abastecimento. Por fim, adicione um colante amarelo a fim de sinalizar ao frentista o local de aterramento.

 

 

INSTALAÇÃO DO TANQUE NA TRASEIRA E UNDERCAR

 

27. Na parte traseira do carro, é hora de fazer os furos de fixação para o suporte do cilindro de GNV. O suporte é proporcional ao tamanho
do cilindro e do porta-malas. Ele deve ser fixado em ao menos 2 pontos da longarina do automóvel para uma instalação segura. Ao todo, são 4 furos de fixação do suporte e mais 2 furos de fixação das traqueias, que são tubos de ventilação das válvulas de cilindro e a passagem do tubo de alta pressão. Os furos da traqueia são feitos com uma serra copo. O parafuso deve ser de 8.8, conforme norma do Inmetro. Utilize porcas autotravantes.

 

 

28. Com o carro no elevador, passe a tubulação desde o local onde será instalado o cilindro até a parte frontal. No undercar, ela deve seguir o roteiro das linhas de combustível líquido e de freios, sempre mantendo distância segura da tubulação de escapamento. Faça a fixação de acordo com as normas do Inmetro.

 

 

29. Utilize um guincho hidráulico (conhecido popularmente como girafa) para instalar o cilindro no porta-malas. O modelo utilizado nesta reportagem possui 70 kg de massa e capacidade para 17,5 m³.

 

 

30. Faça a fixação das cintas de amarração do cilindro, de acordo com a norma ABNT de classificação 8.8. Para isso, use uma pneumática com soquete de impacto de 17 mm e uma chave combinada de 15 mm.

 

 

31. A chave comutadora é instalada em local de fácil acesso e manuseio por parte do motorista. Com ela, o condutor pode realizar a mudança do combustível líquido para o gasoso (e vice-versa)./p>

 

 

CALIBRAÇÃO

 

32. Terminada a instalação, é hora de realizar a calibração e ajuste final do sistema. O primeiro abastecimento de GNV no veículo é realizado por meio de um cilindro externo para iniciar o teste.

 

 

33. Na primeira etapa, é feita uma calibração básica, com o veículo estático.

 

 

34. Na instaladora da Comgás, há uma etapa adicional de calibração, no dinamômetro, que permite ajuste mais preciso e a realização de um teste de emissões de poluentes – segundo a empresa, isso garante a pré-aprovação na inspeção veicular.