Texto: Fernando Landulfo

Pesadelo dos “bombistas” e dos mecânicos de veículos e máquinas pesadas, o disparo ou “overspeed” de um motor diesel não é tão raro assim. E esse medo é perfeitamente justificado. Quando esse fenômeno ocorre, na maioria das vezes, as consequências são desastrosas. Mas o que é, tecnicamente, o disparo de um motor?

É o seu funcionamento, totalmente descontrolado, em rotações altíssimas, além das máximas de projeto. Mesmo se cortando a alimentação de combustível não é possível desligar o motor, tampouco, reduzir a sua velocidade. Nessas condições, é comum o lançamento de uma grande quantidade de fumaça pelo escapamento, geralmente branca. Se nada for feito, em pouco tempo, a capa de uma ou mais bielas costuma soltar, provocando a quebra violenta do bloco e a projeção de partes em várias direções.

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MAS O QUE PROVOCA O FENÔMENO E COMO AGIR CASO O GUERREIRO DAS OFICINAS SE DEPARE COM ELE PELA PRIMEIRA VEZ?

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Muitas são as causas do disparo de um motor diesel. Em primeiro lugar é preciso lembrar que os motores diesel (ignição por compressão) não possuem controle da entrada de ar na admissão (borboleta). Em segundo lugar é preciso ter em mente que, devido à alta taxa de compressão e consequentes altas pressões temperaturas no interior da câmara de combustão, no final do tempo da compressão, qualquer substância que se inflame a mais de 400°C pode funcionar como combustível.

Nos motores mais antigos, equipados com bombas injetoras mecânicas, um mau funcionamento do regulador centrífugo (governador da bomba ou do blower nos motores 2 tempos) pode gerar o disparo do motor. Nesse ponto é preciso destacar que, nesse tipo de sistema de alimentação, bicos injetores sem estanqueidade ou ajustes incorretos na dosagem do combustível (muito excessivos), também podem, em casos extremos, provocar o disparo.

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Nos modernos sistemas de injeção eletrônica esse tipo de falha é praticamente impossível.

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Mas existem outras razões que podem levar um motor moderno a disparar.

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Outra situação é a alimentação descontrolada do motor por óleo lubrificante, oriundo da ventilação do cárter ou do turboalimentador. Motores com desgaste acentuado nos anéis dos pistões, tendem a pressurizar o cárter do lubrificante. Isso faz com que uma certa quantidade de lubrificante invada a admissão do motor através da ventilação do cárter.

Se essa quantidade for excessiva o motor pode entrar em sobrerrotação. Se isso ocorrer, inicia-se um ciclo vicioso: quanto mais a rotação do motor aumenta, maior é a pressão no interior do cárter. Ou seja, mais lubrificante é expulso do mesmo e entra na admissão, alimentando ainda mais o motor.

No caso dos turboalimentadores, se por qualquer razão o eixo do mesmo se partir, o lubrificante sob pressão, que deveria permanecer nos mancais do eixo, adentra a admissão alimentando descontroladamente o motor. E novamente tem-se o ciclo vicioso.

Em todas essas situações, de nada adianta cortar a alimentação de óleo diesel, pois o motor não está sendo mais alimentado pelo mesmo. Além disso, como não há qualquer tipo de controle na quantidade de ar que adentra no motor e as câmaras de combustão estão quentes o bastante para inflamar o lubrificante, o mesmo aumentará cada vez mais a sua rotação. Até quebrar. A única saída segura para este dilema é bloquear a entrada de ar do motor.

Sem ar, sem combustão. E o motor para. Uma simples plaquinha de madeira pode resolver o problema. Mas é preciso ser rápido. Um motor disparado é extremamente imprevisível. Se o acesso à admissão for difícil e o motor já estiver disparado há muito tempo… Melhor não bancar o herói, se proteger, ter um extintor de incêndio à mão e aguardar o inevitável.

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