Artigo – O nosso herói urbano

 

Texto: Fernando Landulfo

 

A sociedade, como um todo, tem por hábito exaltar aqueles que costumam criar os tão desejados bens de consumo. Roupas, sapatos, telefones celulares, automóveis e até mesmo comida. Quanto mais arrojados e sofisticados são esses bens, mais admirados são os seus criadores. Afinal de contas, quem não conhece: Ferrari, Lamborghini, Saleen, Bugatti, Shelby, Pininfarina, Bertone, Ghia, Foose, Batistinha e tantos outros nomes da criação e produção automobilística. Da mesma forma, saindo do universo do automóvel: Apple, Gucci, Rolex, Armani e tantos outros. Suas obras amplamente conhecidas e desejadas. Como consequência, as pessoas que carregam ou estão ligadas a esses nomes, são rapidamente reconhecidas e, via de regra, “paparicadas” pela mídia. E não é para menos. Afinal de contas, são artistas cujas criações enchem nossos olhos e corações de beleza, sonhos e desejos.

 

No entanto, é preciso lembrar que nada é eterno. Ou seja: tudo aquilo que é usado, desgasta. E consequentemente precisa ser reparado. E não é qualquer um que pode tocar nessas obras primas. Não, de forma alguma. Um erro, e aquele tão desejado bem, pode ficar irremediavelmente inutilizado. Apenas as mãos treinadas de verdadeiros peritos podem se atrever a ajustar um terno Armani ou reparar um relógio Rolex.

 

E quando o assunto é automóvel, os cuidados redobram, pois, além da estética e da funcionalidade, é preciso levar em consideração o fator segurança. Sim, reparar um veículo não é tarefa para qualquer um. Seja qual for a marca ou o modelo. Afinal de contas, um descuido ou uma imperícia podem levar a falha de um sistema de freio, de uma suspensão ou direção. Resultado: acidente. Mesmo um motor, uma embreagem, uma transmissão, ou um sistema eletrônico embarcado mal reparado, podem provocar uma imobilização inesperada do veículo, que pode culminar em uma grande colisão. Numa situação menos trágica, um sistema de alimentação, ignição, ou mesmo, de escapamento não consertado devidamente pode aumentar expressivamente os níveis de emissão de poluentes. Como consequência, temos as doenças respiratórias, as alergias e a degradação do meio ambiente.

 

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Se levarmos em conta que os acidentes de transito, assim como as doenças provocadas pelos poluentes automotivos, causam grandes sobrecargas no sistema social (tratamentos na rede de saúde pública, aposentadorias, pensões etc), além dos problemas de mobilidade (engarrafamentos), pode-se dizer que o mecânico tem um papel fundamental dentro da sociedade. Afinal de contas, seu trabalho não só ajuda a salvar vidas, como a preservar a saúde da população e o meio ambiente.

 

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No entanto, esse profissional de verdadeira vocação, que investe anos e muito dinheiro no seu treinamento e trabalha de sol a sol, nem sempre teve o seu valor reconhecido. Sim, por muitos anos, essa honrada profissão era vítima de preconceito, sendo considerada de segunda categoria.

 

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Mas as décadas se passaram e a sociedade que agia assim, já quase não existe mais. Hoje o mecânico, ou melhor, o “Guerreiro das Oficinas”, é reconhecido como empresário. Um empreendedor que gera muitos empregos e movimenta importantes setores da economia. Muitos merecidamente já se tornaram verdadeiras grifes.

 

Mas no fundo ele é um verdadeiro herói urbano que diariamente zela pela nossa segurança e bem-estar.

 

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