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Confira o passo a passo sobre como trocar discos e pastilhas dianteiras, além de regular as lonas traseiras para diminuir o curso de pedal, do monovolume da Citroën

Texto: Flávio Faria
Fotos: Isabelly Otaviano

 

Que a correta manutenção do sistema de freios é um dos aspectos mais importantes do veículo o amigo mecânico já sabe, afinal, o mau funcionamento ou perda de capacidade de frenagem do automóvel influenciam diretamente a segurança dos ocupantes. Por isso, a revisão preventiva e atenciosa é mais do que necessária nesta parte. No caso deste Citroën Aircross ano-modelo 2010/2011, com 75 mil quilômetros rodados, o sistema tem discos na dianteira e tambores na traseira. O acionamento conta com sistema eletrônico antitravamento (ABS), que traz mais segurança para o motorista e deve ser ponto de atenção na manutenção. Ao se retirar o disco, constatou-se que estava com 24 mm de espessura, o mínimo recomendado pela montadora (no Citroën Aircross, a variação é entre 24 mm e 26 mm), mostrando que já está no momento da troca.

 

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Com a troca do disco, também é necessária a troca das pastilhas e do fluido de freio, que em maneira nenhuma pode ser apenas completado, isso porque suas propriedades químicas podem estar alteradas ou haver contaminação com água ou impurezas, implicando em perda de eficiência. Além disso, com esta manutenção é importante também realizar a regulagem dos freios traseiros, uma vez que eles são responsáveis por até 30% da frenagem e seu mau funcionamento sobrecarrega o sistema dianteiro, acarretando em desgaste prematuro dos novos discos e pastilhas. A regulagem ainda aproxima as lonas do tambor, diminuindo o curso do pedal, tornando o comportamento do sistema mais eficiente.

 

Neste passo a passo contamos com o auxílio do promotor técnico da Cobreq, Admilson Luiz de Castro, e Henrique Antônio Modolo, técnico comercial da Fremax. Antes de começar o procedimento, lembre-se sempre de utilizar luvas. Segurança em primeiro lugar!

 

Desmontagem do sistema

1. Inicie retirando a roda que terá os componentes trocados, lembrando-se sempre de desparafusar em cruz.

 

2. Utilizando uma chave de boca, abra o sangrador do sistema de freio, para que a pressão sobre as pinças diminua. Para evitar o derramamento de fluido, utilize uma garrafa com uma mangueira para cobrir o parafuso durante o desaperto. Com menos pressão no sistema, faça o recuo do êmbolo utilizando um sargento.

 

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3. Para fazer o recuo do êmbolo, a ferramenta correta é o sargento, mas pode ser utilizada também uma chave de fenda. Entretanto, mais importante do que a ferramenta: o processo de retorno deve ser feito de forma gradual, lentamente e com cuidado. Isso para não danificar uma gaxeta quadrada, localizada dentro do êmbolo, que faz o retorno da pinça quando se alivia a pressão sobre o freio. Cuidado para não danificar esta peça, o que ocasionará problemas de acionamento no sistema.

 

Importante: Abrir o sangrador do sistema é essencial especialmente em carros equipados com sistema ABS, pois evita que o fluido sujo retorne para as válvulas do sistema antitravamento. As impurezas contidas no fluido, caso se alojem nas válvulas, impedem o funcionamento correto do ABS (a luz do ABS se acenderá no painel) e danificam outros componentes, como por exemplo os cilindros de roda, cilindro-mestre e componentes do sistema de embreagens servo-assistidas, como atuadores hidráulicos, por exemplo.

 

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4. Utilize uma chave estrela 13 mm, para soltar os dois parafusos de suporte da pinça, que darão acesso às pastilhas. Após desparafusar, retire a pinça.

 

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5. Não deixe a pinça pendurada pelo flexível, o que pode acarretar que pode acarretar danos na estrutura do componente. Estes danos podem provocar vazamentos de fluido e mal funcionamento dos freios. Procure um local dentro da própria caixa de roda onde seja possível apoiar a pinça com o auxílio de um arame, como a mola da suspensão, por exemplo. Aproveite para verificar o estado do flexível, se tem cortes ou deformações que possam ser ameaças ao sistema no futuro.

 

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6. Retire as pastilhas do lado interno e externo. Aproveite para verificar o estado da coifa do êmbolo, responsável por evitar a entrada de sujeira e que deve ser substituída caso apresente algum desgaste.

 

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7. O sistema de freio Bosch, que equipa o Citroën Aircross, conta com chapas na região de encaixe das pastilhas para auxiliar no seu deslizamento. É necessário tirar essas chapas e limpar cuidadosamente o local. Também é importante fazer a limpeza e lubrificação dos pinos-guias. Aproveite para verificar se eles apresentam marca de corrosão ou empenamento.

 

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8. Uilize uma chave Torx (T55) para soltar os dois parafusos. Antes da remontagem, o cavalete deve ser limpo com um pano que não solte fibras. Caso estejam em bom estado, os pinos-guias podem ser reutilizados (8a). Apenas lubrifique-os com graxa de sabão de lítio para poder reinstalar.

 

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Troca do disco

O disco que será aplicado no modelo Citroën Aircross será da Fremax. Um detalhe importante é que a peça não precisa ser lavada antes da instalação. Por utilizar um líquido protetor à base de água, após a primeira utilização no automóvel o produto se evaporará sem causar qualquer dano à pastilha.

 

9. Para retirar o disco antigo, utilize uma chave Torx T30 para soltar o guia. Neste momento, o disco deve estar solto. Caso esteja emperrado por ferrugem ou pela deformação natural ao esquentar e esfriar durante o uso, bata com cuidado com um martelo de plástico para retirar a peça (9a).

 

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10. Com o disco retirado, é importante limpar com cuidado o cubo com uma lixa fina ou uma palha de aço antes de passar o relógio comparador. Isso porque a tolerância de empenamento da peça é pequena, de 5 centésimos de milímetro (0,05 mm), e a sujeira pode influenciar. Caso esteja com empenamento acima da tolerância, é preciso substituir o cubo. Neste caso, a limpeza previne que não haja problema na acomodação do disco, o que pode trazer problemas futuros, como trepidação no volante.

 

Importante: faça a limpeza com cuidado, pois, utilizar uma lixa grossa com excesso de força pode deformar o cubo e danificar uma peça boa.

 

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11. Após retirado, verifique a espessura do disco utilizando um micrômetro apropriado. No caso deste Citroën Aircross, o disco estava com 24 mm, espessura mínima recomendada pela montadora, indicando que já estava no momento ideal para troca.

 

Importante: a retífica do disco deve ser considerada apenas para peças que estejam dentro da medida. Além disso, uma retifica malfeita pode empenar o disco e provocar trepidações na frenagem.

 

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12. Utilize um relógio comparador para verificar a tolerância do cubo, principalmente após as batidas com o macete para retirada do disco. Fixe a base do relógio na haste do amortecedor e faça a medição mais distante possível do centro do cubo, que é onde dará a maior variação. A variação total deve ser de até 0,05 mm. No caso deste modelo, encontramos entre 0,015 e 0,02 mm, atestando que o cubo está em boas condições.

 

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13. Faça a montagem do disco novo, se atentando para o correto posicionamento dos parafusos centralizadores. Após a montagem, utilize novamente o relógio comparador para aferir a tolerância. Assim como no cubo, são admitidos até 5 centésimos de milímetro (0,05 mm). Lembre-se, também neste caso, de fazer a medição o mais longe do centro do disco quanto possível, que é a parte onde pode ser verificada a maior alteração.

 

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Montagem do cavalete

14.  Antes da montagem, é importante que o cavalete tenha sido lavado com cuidado, com especial atenção para o alojamento das pastilhas. Também lubrifique com graxa os pinos-guias. Neste caso, também é recomendada a graxa de sabão de lítio, que tem ponto de gota a 190°C e não dissolve em água. Isso é importante para que a pinça possa retornar completamente com o alívio no pedal, evitando que a pastilha fique encostada no disco, o que pode ocasionar queima do disco e até vitrificação da pastilha, que passará a ter menos atrito e, consequentemente, menos capacidade de frenagem.

 

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15. Após a montagem do cavalete, é preciso lubrificar o apoio da pastilha, região por onde ela desliza para alcançar o disco. Devido ao calor nesta região, é importante que o lubrificante tenha ponto de gota acima de 190°C e que não seja solúvel em água. Os especialistas recomendam utilizar Bissulfeto de Molibdênio ou sabão de lítio. Pode ser, ainda, utilizada uma lubrificação com os dois compostos. Não é preciso utilizar muita graxa. A lubrificação deve ser apenas o ideal para envolver as partes móveis. Passe também na área da pastilha que ficará em contato com o apoio (15a e 15b).

 

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16. Após a lubrificação, aplique as novas pastilhas na parte interna e externa. Antes de reinstalar a pinça, lubrifique também a região. Remonte a peça no cavalete com cuidado e volte a prender os parafusos (16a).

 

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Regulagem do freio traseiro

17. Comece a desmontagem retirando a tampa que protege a porca do cubo. Com uma chave de boca 36 mm, desaperte a porca do cubo e retire-a utilizando a mão. Com isso, o tambor já poderá ser retirado (17a).

 

Obs.: Na montagem, o torque de aperto da porca do cubo de roda é de 180 a 200 Nm.

 

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18. Depois de retirado o tambor, faça a limpeza completa do sistema com água e sabão utilizando um pincel e um balde. Após a limpeza, verifique se os componentes do sistema estão apresentando desgaste, como o cilindro de roda (18a). Se houver umidade, é preciso trocá-lo. Não utilize solventes ou derivados de petróleo para a limpeza dos sistemas de freio.

 

Dica: Em carros com sistema ABS, como o Citroën Aircross, limpe com cuidado o sensor do freio. Desta forma, o sistema fará uma melhor leitura.

 

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19. Verifique a necessidade de troca do conjunto do tambor. Faça a medição interna para confirmar se o tambor está abaixo do diâmetro máximo, que é de 230,00 mm. Caso seja necessário, a troca é simples, pois a própria Fremax oferece o conjunto de tambor já pronto para troca. É só retirar o antigo e aplicar o novo.

 

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20. Caso o tambor esteja dentro da medida, proceda apenas com a regulagem das lonas. A regulagem será feita no patim, para que ele fique o mais próximo possível do tambor. Alivie a mola da trava da catraca e faça a regulagem com uma chave de fenda. Após, monte novamente a lona, se certificando para que a mola esteja bem encaixada para que não trabalhe torta e possa quebrar, fazendo com que o freio perca a sua função. Para ter certeza de que a regulagem está ideal, é preciso ouvir o som do atrito da lona com o tambor (20a). Desta forma, quando ocorrer o acionamento do freio, o curso de pedal será curto, oferecendo a potência de frenagem esperada.

 

Importante: A limpeza e a regulagem devem ser feitas dos dois lados do freio traseiro. Caso um dos cilindros de roda mostre umidade, é preciso trocar os dois, pois como os dois freios trabalham juntos, quando um está com problema, o outro com certeza também estará no final da vida útil.

Faça a sangria do sistema de freios seguindo a ordem recomendada para veículos equipados com ABS, completando o nível do fluido de freio ao final do procedimento.

Se necessário, faça a regulagem do freio de estacionamento. Antes da entrega para o cliente, rode com o veículo e teste o funcionamento do sistema de freios.

 

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