Veja nessa edição os princípios do sistema elétrico do veículo e da bateria, além das dicas para o diagnóstico e os procedimentos para a manutenção desse importante componente

Carolina Vilanova

 

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O sistema elétrico é um dos mais importantes e vitais de um veículo, por isso necessita manutenção freqüente e cuidados especiais na hora de uma eventual reparação, inclusive na simples troca de uma bateria. Todo mecânico diz que sabe trocar uma bateria, mas será que ele sabe a aplicação correta para um determinado tipo de carro e os acessórios eletrônicos que oferece? Mostramos nessa reportagem os princípios do sistema elétrico do veículo, as dicas oara disgnóstico e os procedimentos de manutenção, que foram transmitidos com muito sucesso no nosso programa O Mecâniconline, acessado pelo site www.omecanico.com.br.

 

1) A bateria automotiva é montada dentro de uma embalagem feita em polipropileno expandido ou injetado. Em sua tampa existe uma sobretampa por onde é feita a condensação dos gases quando a bateria está em recarga. Ainda na tampa, existem buchas metálicas, nas quais são soldados os pólos, além de um visor conhecido como olho de carga, que informa a carga da bateria.

 

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2) Internamente, a bateria é composta de várias grelhas, que podem receber um “material ativo positivo”, na cor amarelada, ou um “material ativo negativo”, na cor cinza. Essas grelhas formam blocos de placas que ficam em subdivisões. A capacidade da bateria, em ampère-hora (Ah), é que determina a quantidade de placas que formam os blocos.

 

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Obs.: É importante verificar sempre se a bateria está bem fixada em seu alojamento no veículo, para evitar que o componente “chacoalhe” dentro do alojamento, agitando suas placas internas e desagregando os materiais ativos das grelhas, o que diminui sua vida útil.

 

3) Em cada bloco, as placas positivas e negativas são soldadas formando dois pólos, que são interligados dentro da bateria por conexões de chumbo denominadas de “strap”.(3a) Essas conexões são soldadas em um processo específico, denominado “solda TTP”.(3b) De formato arredondado, a solda possui um diâmetro específico que serve de condutor para passar a potência da corrente de partida, solicitada para fazer o motor funcionar.(3c)

 

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4) As buchas localizadas na tampa da bateria são soldadas nas hastes que estão nos blocos de placas das extremidades da bateria.(4a) A solda maciça é de aproximadamente 5 mm de espessura. Externamente, o pólo da bateria aparenta ser maciço mas, na verdade, a parte maciça é apenas aquela da solda entre a haste e a bucha.(4b)

 

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5) Por isso, se ao realizar a manutenção ou troca da bateria, o técnico tiver dificuldade para encaixar o cabo no pólo, evite dar pancadas para não causar ruptura na região da solda entre a haste e a bucha, rompendo o pólo internamente.

 

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Como utilizar o multímetro

 

6) Para utilizar o multímetro de forma adequada, o técnico deve tomar alguns cuidados: o cabo preto deve sempre estar conectado no comum do aparelho, que pode variar de posição dependendo do modelo utilizado. (6a)

 

Para medir a tensão que o alternador está enviando ou até mesmo o estado da carga da bateria, devemos conectar o cabo vermelho no “V” de volts. Lembre-se que o multímetro possui duas escalas padrões para aferição: em corrente alternada ou corrente contínua. (6b)
Para realizar os diagnósticos na bateria utilize sempre a escala de tensão ou voltagem contínua. Posicione os cabos em paralelo com a bateria, utilizando a ponta de prova vermelha sempre no pólo positivo e a preta no negativo.(6c)

 

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Checando a fuga de corrente

 

7) Para checar a inicie fuga de corrente, desconectando o pólo negativo da bateria para evitar curtos-circuitos no sistema. Com o multímetro em escala de ampère contínuo,(7a) faça a ligação em série com a bateria e meça a fuga. Nesse caso, a fuga ficou em 0,068 ampère.(7b)

 

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Obs.: Muitos técnicos utilizam de maneira incorreta uma lâmpada ligada a uma haste metálica para medir a fuga de corrente. Na verdade, este processo serve para medir a condutância (ou capacidade de condução) de um sistema elétrico e não é indicado para medir a fuga de corrente. Isso porque a lâmpada começa a incandescer somente com valores acima de 350/400 miliampères, o que é considerado um valor muito alto para os padrões dos veículos atuais. Portanto, faça sempre a medição com um multímetro.

 

8) Antes de dar a partida no motor, verifique se os cabos estão bem conectados nos pólos da bateria. Utilize o equipamento adequado e que possua um alicate amperímetro. Conecte os cabos do aparelho na bateria e acerte o componente na escala de 600A para detectar o pico da corrente de partida. O alicate amperímetro possui uma seta com um sinal de positivo gravado na lateral do componente. Coloque o alicate de forma que a seta sempre indique a direção do positivo da corrente, ou seja, a traseira da seta deve sempre ser voltada para o pólo negativo da bateria.

 

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9) Com o alicate, realize o acerto na escala de ampères do aparelho, que deve indicar zero. Dê a partida no motor e cheque o pico da corrente de partida e o índice de recarga que está sendo disponível pelo alternador. Esse índice deve diminuir conforme a bateria for recarregada. Ligue os consumidores, que podem alterar o equilíbrio elétrico, e verifique se o sistema está com índice negativo (Ib-) ou positivo (Ib+).

 

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Dicas sobre baterias

Sempre que receber a bateria de seu fornecedor, verifique se a peça não sofreu danos devido a quedas ou pancadas durante o transporte. Se o produto estiver com defeito e vazar a solução sulfúrica da bateria, neutralize o ácido com uma solução de sulfato de sódio. Para isso, misture 100 grs de bicarbonato de sódio em um litro de água e coloque em contato com a solução sulfúrica até que a mistura neutralize o ácido. A neutralização acontece assim que a reação entre as soluções parar de borbulhar.ilustração-bateria_COLOR

 

Diagnóstico do equilíbrio elétrico do veículo

Para diagnosticar a morte prematura de uma bateria é muito importante a realização da análise do equilíbrio elétrico do veículo. Conecte o pólo negativo na carcaça/lataria do veículo. Desse pólo sai uma ligação para o motor de partida, que segue para o alternador e a caixa de fusíveis do veículo, responsável por ligar o sistema aos botões de liga/desliga dos consumidores elétricos do veículo. Todos esses componentes também são aterrados à lataria do veículo.esquema-eletrico-bateria-PEO alternador gera a corrente em ampères conforme a rotação do motor, ou seja, dependendo da rotação o alternador consegue gerar mais ou menos energia para o sistema. Em marcha lenta o alternador gera cerca de 60% da sua capacidade nominal (75 A), ou seja, algo em torno de 42 ampères. Quando o motor é acelerado e passa as 1.500 rpm, o alternador consegue gerar mais energia, chegando aos 95% ou 70 ampères.Ao instalar mais consumidores elétricos (travas, som, ar-condicionado etc) em um veículo, o consumo elétrico aumenta. Se o veículo é muito utilizado em condições de trânsito urbano, nas quais o motor trabalha em marcha lenta na maioria do tempo, a capacidade de geração do alternador pode ficar menor que o consumo elétrico destes consumidores, gerando um desequilíbrio e fazendo com que a bateria entre para suprir mais energia e equilibrar o consumo. Assim, a bateria passa a fornecer energia ao invés de ser recarregada pelo alternador, criando um índice negativo de carga. (Ib -). Isso faz com que a bateria sofra maior quantidade de ciclos de carga/descarga, diminuindo assim a sua vida útil.

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Para checar o desequilíbrio elétrico em um veículo, coloque um alicate amperímetro na saída do cabo positivo da bateria e, com o motor ligado na marcha lenta e os consumidores acionados, verifique o índice de carga da bateria. Se o veículo estiver com o índice negativo (Ib -), o recomendado é realizar a troca do alternador por um componente de maior capacidade de geração de energia. A troca apenas da bateria não resolve o problema, pois o índice negativo continuará existindo no veículo.