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Acompanhe nessa reportagem os tipos e as características dos cabos de ignição, componentes que têm durabilidade limitada e que exigem procedimentos e cuidados importantes na hora da substituição

Carolina Vilanova

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Não basta apenas trocar as velas, para o bom funcionamento do sistema de ignição de um veículo na hora da manutenção, checar as condições dos cabos das ignição e fazer a correta substituição quando necessário é imprescindível para que o conjunto continue seu bom desempenho. Nessa matéria, realizada com o apoio da NGK do Brasil, mostramos quais as características e os tipos de cabos de ignição utilizados nos veículos atuais, enfatizando que cada um tem sua aplicação específica.

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A função do cabo de ignição é levar a corrente do transformador ou bobina até a vela de ignição, sem permitir fugas de corrente e assegurando uma ignição sem falhas. Para isso, o cabo precisa ter algumas características, que são:

• maior resistência a altas temperaturas, pois o ofre do motor atinge temperaturas acima de 150º C;

• maior supressão de ruídos porque hoje todos os veículos possuem equipamentos eletrônicos e o cabo ajuda a filtrar a interferência por rádio frequência;

• maior rigidez de elétrica, ou seja, a tensão utilizada no sistema de ignição está cada vez mais alta e o cabo tem que resistir a essa tensão sem que ocorra a fuga de alta tensão;

• a resistência a ataques químicos, como vazamento de óleo e de combustível.

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De acordo com as informações de Hiromori Mori, da área de Assistência Técnica da NGK, a empresa tem dois tipos de cabos de ignição: O SC (Supressor no Fio, Cabo Resistivo) e o ST (Supressor no Terminal, Terminal Resistivo). “O que muda é a forma de confecção de cada um, o SC é um cabo supressivo de fio de níquel-cromo e o ST tem terminais resistivos. É importante frisar que o tipo do cabo é determinado pela montadora para um veículo específico e não pode ser trocado por outro”, afirma.

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No primeiro tipo, o cabo supressivo de fio níquel-cromo contém revestimento de EPDM (Material de borracha) na parte branca da borracha, o que proporciona maior rigidez de elétrica e aguenta mais de 60 mil V. A parte externa do cabo dá proteção a ataques químicos e suporte a altas temperaturas. O fio de níquel-cromo faz a condução da energia elétrica. “Outra característica desse tipo de cabo é a resistência, que está no próprio fio, então, quanto maior o comprimento do fio, maior a resistência e quanto menor, menor a resistência”, explica.

Outro tipo de cabo disponibilizado é o ST, cuja resistência está no terminal lado vela transformador e do lado da vela, logo, tanto faz o comprimento do fio, a resistência é sempre a mesma. “Temos uma resistência de níquel-cromo no terminal e o fio é um mero condutor de corrente elétrica, com maior rigidez de elétrica”, analisa Hiromori.

Teste de resistência Ôhmica

O mecânico deve efetuar os testes de resistência ôhmica toda vez que suspeitar que os cabos apresentam problemas de funcionamento. Para isso, é preciso que o técnico tenha um multímetro ou um ohmímetro devidamente aferido e em bom estado de conservação. Meça o valor de resistência ôhmica entre os terminais do cabo na escala de 20 k?. Confira os valores respectivos de cada tipo de cabo:

Cabos SC: resistência no próprio cabo, então cada cabo tem um valor de resistência diferente. A resistência é de 7,5 k? por metro, com uma tolerância de 40%. Coloque o multímetro na escala de 20 k? e coloque as pontas do multímetro nas duas extremidades do cabo. Faça a medição. O cabo mais curto tem valor menor do que os maiores.

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Cabos ST: a resistência está nos terminais, então, independentemente do tamanho do cabo, a resistência vai ser a mesma. Para os cabos de ignição de 4,0 a 8,0 k? e para os cabos da bobina, de 1,0 a 3,0 k ohms.

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Manuseio e instalação dos cabos

Para instalar um cabo de ignição, observe o perfeito alinhamento do cabo com a vela. Na hora de retirar o cabo, devemos girar o cabo pelo terminal para descolar da vela antes de puxá-lo, sem danificar o cabo. O cabo deve ser sempre manuseado pelo terminal.

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Hiromori explica tendo como exemplo um cabo em corte, que quando se coloca e retira um cabo desalinhado o processo é dificultado e a ponta da vela, que é de metal, vai danificar a parte interna do cabo, que é de borracha. “Se desalinhar, o pino terminal do cabo pode travar na vela de ignição e não será possível fazer o desencaixe”, complementa.

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Erros de manuseio:

1) Uso de ferramenta inadequada como o alicate, que corta a capa de borracha provocando fuga de alta tensão.

2) Deixar o fio do cabo solto, podendo entrar em interferência com outras peças do motor e ser danificado por atrito ou alta temperatura.

3) Puxar o cabo pelo fio, danificando o terminal, que desprende o conector metálico.

4) Instalar cabos com conectores oxidados, por isso, observe sempre o estado dos conectores do cabo e substitua em caso de necessidade.

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Teste do cabo no veículo

Quando o teste é feito no próprio veículo, aterre um fio terra no motor e passe o fio em todo o comprimento do cabo de ignição. Com o motor ligado, quando o cabo tem fuga de corrente, o veículo começa a falhar.
A indução da corrente elétrica passando pelos fios gera campo eletro-magnético que vai carregando os cabos. “Podemos observar que do cabo de ignição está pulando algumas centelhas para o fio terra, mas o veículo não falha, isso é corrente parasita”, diz.

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O mecânico deve ficar atento para não confundir o efeito corrente parasita com fuga de corrente, que ocorre em um único ponto, enquanto a corrente parasita ocorre ao longo do cabo de ignição. Quando o efeito é de fuga de corrente, há falha do motor quando o fio terra passa próximo ao ponto de fuga.

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“A corrente parasita é causada pelo próprio funcionamento do motor, então se abrir o capô do motor durante a noite é comum enxergar raios correndo pelos cabos de ignição, mas não significa que o carro está com problemas”, completa Hiromori.

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Manutenção e inspeção

A recomendação de manutenção preventiva dos cabos é que sejam substituídos a cada três anos. Mas se o veículo roda muito é indicado que troque a cada 70 mil km. Em casos de veículo com GNV, a vida útil do cabo é reduzida pela metade.

É bom lembrar, para efeito de inspeção veicular, que falhas de ignição podem fazer com que os índices de hidrocarbonetos (HC) fiquem elevados na hora da medição, por isso, a dica é substituir os cabos de ignição.

Flash Over

O efeito flash over acontece quando há fuga de corrente entre o terminal do cubo e a vela de ignição, formando um arco voltaico. Nessa situação, tanto a vela quanto o cabo ficam marcados por onde percorreu a alta tensão. Assim, o técnico deve substituir as velas e os cabos. Observe que podem ocorrer entre a torre do transformador e do cabo de ignição, exigindo a troca desses componentes.

Nos cabos de ignição, aparecem riscos esbranquiçados no lado interno do terminal de borracha.

Causas do flash over

* velas de ignição com desgaste acentuado nos eletrodos

* mistura pobre, principalmente, no GNV

* ponto de ignição atrasado

* folga excessiva entre os eletrodos da vela

* presença de resíduo, umidade ou folga entre a capa protetora de borracha do cabo de ignição e a superfície do isolador cerâmico da vela e/ou torre da bobina/transformador

* taxa de compressão elevada

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Falhas

Manuseio
Aspecto do cabo: corte na capa de borracha e/ou aspecto na blindagem
Problema: cabo pode apresentar fuga de corrente e consequentemente falhas no desempenho do motor
Causa: uso de ferramentas inadequadas para o manuseio dos cabos (alicates, chaves de fenda, etc)
Solução: substituir os cabos

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Oxidação

Aspecto do cabo: formação de oxidação (Zinabre) nos conectores do cabo
Problema: aumento da resistência ou isolação na passagem de corrente elétrica e consequentemente falhas no desempenho do motor
Causa: má conexão entre os terminais ou presença de umidade ou ataque químico nos terminais
Solução: substituir os cabos e revisar os componentes afetados

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Atrito
Aspecto do cabo: cabo apresenta marcas de desgaste por atrito ou derretimento
Problema: cabo pode apresentar fuga de corrente, consequentemente falhas no desempenho do motor
Causa: contato dos cabos com as partes móveis ou quentes do motor, devido a fixação de arranjos inadequados
Solução: substituir os cabos e utilizar fixadores e arranjos adequados

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