Texto: Fernando Landulfo

Muito se fala sobre a necessidade de limpeza interna do sistema de arrefecimento. Afinal de contas, a “sujeira” e a oxidação, além de atrapalharem o fluxo do fluido de arrefecimento dentro dos canais, dificultam a troca de calor, e pode também prejudicar o funcionamento da válvula termostática, da bomba d’água e dos sensores de temperatura.

 

Como se trata de um assunto bastante discutido, o Guerreiro das Oficinas já está “careca” de saber que o sistema de arrefecimento não só deve ter o seu fluido trocado periodicamente como deve escolher corretamente o produto a ser utilizado e a sua dosagem. Isso sem falar na verificação da estanqueidade e no método de limpeza a ser utilizado.

E a razão é bastante simples: dependendo do procedimento ou do produto de limpeza utilizado, o “tiro pode sair pela culatra”. Ou seja: prejuízo. Desde selos de motor perfurados, passando por uma junta de cabeçote queimada, podendo mesmo trincar um cabeçote ou bloco de motor.

Sim, nessas horas não se pode ter pressa. Produtos milagrosos podem ser extremamente corrosivos. Além disso, o motor deve estar frio.

 

 

Por dentro e por fora
Mas vamos tratar de um outro tipo de limpeza que precisa ser feita no sistema de arrefecimento. A limpeza externa. Principalmente a do radiador.

O radiador é um componente que, para funcionar corretamente, precisa não só ter uma determinada área em contato com o ar (aletas) como esse ar precisa passar entre as aletas, seguindo uma direção correta e com uma velocidade adequada.

Ou seja: se o radiador está sujo externamente e/ou com as suas aletas deformadas, pode ter certeza: a sua eficiência vai diminuir. Dependo do caso pode provocar o superaquecimento do motor. Logo, é preciso observar periodicamente a situação da parte exterior desse componente.

 

Se está sujo: limpar.
Se as aletas estão amassadas ou deformadas: corrigir.

 

Mas é preciso ter cuidado
Principalmente na hora de fazer uma limpeza, o uso indiscriminado de jatos d’água de alta pressão pode corrigir um problema e provocar outro. A pulverização de um produto de limpeza e a sua posterior remoção com um jato d’água brando pode ser a melhor solução. Esse cuidado deve ser redobrado quando se trata dos modernos radiadores dotados de aletas móveis como as do Chevrolet Spin, por exemplo. Um descuido, e o delicado mecanismo de movimentação das aletas é destruído.

 

 

E se as aletas estão deformadas?
Aí não tem jeito: a única solução é desentortar, com uma lâmina e muita paciência. E se a deformação atinge uma área muito grande, ou é muito profunda, não resta outra saída senão remover o componente e enviá-lo a um especialista.

 

Um ponto onde é preciso ter cuidado é na hora de fazer um diagnóstico de superaquecimento. Por vezes o radiador não é o causador do problema, mas sim o que está na frente dele.

 

Se o veículo é equipado com ar-condicionado, o condensador, que geralmente é montado na frente do radiador, se estiver externamente obstruído (sujo) ou com as aletas danificadas, não só prejudica o desempenho do ar-condicionado como diminui tremendamente o fluxo de ar sobre o radiador, prejudicando igualmente o seu desempenho. O mesmo princípio se aplica ao aftercooler.

 

 

Isso sem falar nas grades dianteiras não originais, que esteticamente são muito bonitas, mas podem prejudicar o fluxo de ar através do radiador e componentes similares.

 

Outro fator importante, que também pode influenciar negativamente o fluxo de ar através do radiador, são os ventiladores. Componentes subdimensionados também podem prejudicar o fluxo de ar.

 

Tudo isso deve ser observado na hora de se fazer um diagnóstico. Lembrando sempre que, quanto mais preciso é o diagnóstico, menos tempo o mecânico perde para realizar o conserto.