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Mau uso de produtos de vedação e travamento para reparos automotivos pode trazer riscos a peças móveis de motores e câmbios, além de vazamentos de óleo; saiba como utilizar corretamente os produtos em cada situação

icone_texto_p Fernando Lalli

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icone_fotos_p Alexandre Villela 

Pode parecer simples. E é simples! A aplicação correta de vedantes automotivos como silicones e travas químicas no momento do reparo é primordial para o sucesso do serviço. Só que muita gente não sabe que existe uma maneira certa e um produto certo para cada ocasião.

Dentre os tipos de vedantes automotivos oferecidos no mercado, os mais comuns são os silicones veda-flanges e as travas químicas para roscas. Porém, a diversidade de marcas, tipos e modelos pode confundir o mecânico. O desenvolvedor de aplicações para a linha de reparação e manutenção veicular da Henkel, Paulo Siniscalco, conta que o principal problema de campo observado pela empresa é a utilização de produtos inadequados às aplicações em reparos automotivos.

Os silicones de vedação indicados para uso em serviços na oficina são os oxímicos (base neutra). Esse tipo de silicone é resistente a óleo de motor e câmbio, e suas aplicações, quando bem feitas, duram enquanto as especificações de temperatura e tração do material não forem ultrapassadas.

Mas existem os silicones de base ácida, cuja utilização em automóveis deve ser evitada. “Silicones com base de ácido acético absorvem o óleo e provocam vazamento”, explica o coordenador nacional da Henkel para a linha de reparação e manutenção veicular, José Valdir Sella, alertando que esse é um tipo de vedante muito comum no mercado.

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“O solvente de base ácida tem dois problemas críticos. Primeiro: ele oxida a peça. Segundo: todo silicone de base ácida fica aerado por dentro. Ele absorve o óleo e a aplicação dura apenas alguns dias antes de provocar vazamento”, descreve o especialista. “O silicone oxímico é o único que resiste a óleo, por isso é o utilizado pelas montadoras. Nenhuma montadora usa silicone de base ácida”, declara.

Na prática

Para sanar as dúvidas, procuramos o SENAI “Conde José Vicente de Azevedo”, no bairro do Ipiranga em São Paulo/SP, e fizemos dois tipos de aplicação diferentes, contando com o apoio do instrutor Jonhnatas Gomes Paraguassu.

O primeiro passo é preparar as superfícies de contato. Para qualquer aplicação de silicones ou travas é essencial que as superfícies estejam limpas. “Limpeza é fundamental, as superfícies devem estar isentas de óleo”, orienta José Valdir Sella. Apesar de o produto ser resistente a óleo, a aderência às superfícies metálicas só ocorre se não houver nenhuma interferência, nem mesmo de resto do silicone aplicado anteriormente.

Sella recomenda a utilização de lixa para a limpeza (A), mas, acima de tudo, a ferramenta mais importante é o bom senso. Na limpeza de uma superfície usinada, não utilize lixa grossa ou escova de aço, porque qualquer risco vai gerar folga. Prefira trabalhar com uma lâmina como a de barbear (B), ou uma lixa bem fina, e pacientemente remova os resíduos de vedação. “Tem que ter o bom senso para não fazer ranhuras na peça, porque, em uma superfície usinada, qualquer risco se torna folga. Se fizer um risco mais profundo, a junta não preenche esse risco. Nessa situação, se a junta umedecer de óleo, provoca o vazamento”.

Outro ponto importante é a utilização do aplicador, um bico de plástico para facilitar a formação do cordão. Corte a ponta com um estilete na espessura da faixa ideal, que a Henkel recomenda ser de aproximadamente 3 milímetros (C).

(A)
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(B)
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(C)
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Aplicação de vedantes combinando superfícies forjada e usinada

1) Aplique o silicone na superfície de contato fazendo o cordão ligeiramente posicionado para fora. Contorne os buracos dos parafusos para evitar vazamentos: passar o silicone só por fora dos buracos faz o óleo sair pela falta de vedação interna. Nesta operação, aplicamos o silicone Loctite Grey (5699), fabricado pela Henkel.

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2) Em outros pontos do cárter, aplicamos de propósito o silicone de duas formas não indicadas para mostrar os efeitos da má aplicação: em um ponto (2a) o silicone foi colocado apenas dando a volta por fora; em outro ponto (2b) exageramos na aplicação do produto.

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3) Posicione o cárter no bloco e dê o torque correto nos parafusos.

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4) Ao aplicar o torque, uma pequena sobra para fora é normal (4a), mas já é perceptível o excesso de sobra de silicone no ponto onde aplicamos da forma não indicada (4b).

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5) Retirando inicialmente os parafusos torqueados, Paulo Siniscalco avaliou que havia pouco resíduo na rosca no local da aplicação não indicada por fora do furo, o que indica que o silicone não vedou o furo como deveria (5a). Já no ponto da aplicação correta, havia resíduo de silicone em volta do parafuso todo, vedando perfeitamente o furo (5b).

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6) Analisando o bloco após a retirada do cárter, o excesso de material na aplicação “exagerada” é visível (6a). Quando solidificada, essa quantidade é suficiente para causar problemas ao sistema de lubrificação.

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7) No lado da aplicação correta (7a), há uma pequena sobra, mas que Paulo e Sella avaliam como normal. Já no local da aplicação não indicada por fora do furo (7b), percebe-se como não há vedação pela parte de dentro, o que poderia causar vazamento de óleo por aquele ponto no futuro.

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8) Analisando o cárter, os resultados são os mesmos do bloco.

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9) Para guardar o silicone, os especialistas da Henkel recomendam que o mecânico faça uma “minhoquinha” espremendo um pouco do produto, que assim seca e protege o conteúdo interno sem precisar remover o aplicador.

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Obs: Em regiões de clima muito seco, como o Centro-Oeste brasileiro, Paulo Siniscalco dá uma dica para acelerar a cura do silicone aplicado: utilize um borrifador com água (spray) para umedecer e facilitar a secagem do silicone. Um vaporizador de água, o mesmo que se vende em farmácia, seria o ideal para essa situação.

Aplicação combinando duas superfícies usinadas

1) Neste procedimento, utilizamos dois produtos diferentes para comparação: o vedante anaeróbico 518 e o silicone Black 598. As fabricantes de automóveis utilizam o silicone Black 598 nessa situação de superfícies usinadas, mas sua aplicação é feita de forma muito fina, utilizando maquinário dedicado a essa função. Assim, quando é aplicado o torque final nos parafusos, não há excesso relevante de material. No entanto, essa precisão é difícil de ser alcançada na oficina.

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2) A aplicação correta dos dois produtos é a mesma do procedimento em superfície forjada, com o filete de aproximadamente 3 mm de espessura fazendo a volta nos furos dos parafusos.

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3) Após apertar os parafusos com o torque correto, perceba que mesmo com uma aplicação cuidadosa, o material do silicone sobra para fora. Isso indica que também haverá excesso de material internamente. Também há sobra do produto anaeróbico, o que é normal.

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4) Removendo o cárter, o silicone Black criou um “filme” de vedação na área de contato, que é o seu papel, mas percebe-se o leve excesso de material na borda interna. Essa quantidade de sobra não traria problemas para o motor, segundo os especialistas da Henkel, mas um pouco mais do que isso já seria o suficiente para gerar um resíduo seco que pudesse entrar no sistema de lubrificação.

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5) O vedante anaeróbico também criou o “filme” de vedação na área de contato e sobras nas bordas. Porém, como esse produto só seca na ausência de oxigênio, esse excesso se dissolve no óleo sem causar risco de contaminação ou de entupimento das galerias de lubrificação do motor. Por isso, Sella e Paulo recomendam a aplicação do vedante anaeróbico na oficina, que, segundo os especialistas da Henkel, possui a mesma eficiência de vedação do Ultra Black e não tem o risco de gerar resíduo seco que possa entupir as galerias de óleo.

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Trava química

Além dos silicones, travas químicas para roscas de parafusos são alvo de polêmica na reparação. “Travar os parafusos é parte da vedação também”, afirma José Valdir Sella, “porque a perda de torque pela vibração vai prejudicar a vedação”. Só que os casos de aplicação inadequada também afetam os profissionais na oficina.

A necessidade de uso da trava química, segundo Paulo Siniscalco, ocorre principalmente no uso de junta convencional, por causa da deformação que esta sofre no aperto. “A junta convencional é sólida e deforma com o aperto dos parafusos. Se o parafuso perder o torque, a tendência de vazar óleo é grande. Com a trava química, a tendência é bem menor porque é um produto flexível, pode acompanhar qualquer deformação”, garante Paulo.

Entretanto, muitos mecânicos passam o produto cobrindo toda a rosca do parafuso, o que é errado. Sella descreve outro fenômeno que pode ocorrer: no caso de aperto em furo cego (em que não se enxerga o outro lado da rosca), o ar dentro do furo expulsa para fora o produto no momento em que o parafuso é rosqueado, devido a formação de um calço hidráulico.

O modo correto de aplicação é colocar a trava química na ponta da rosca do parafuso. Desta forma, enquanto o parafuso é rosqueado, o produto sobe pela rosca e preenche o espaço entre o macho e a fêmea, assim, podendo cumprir sua função de segurar o torque do aperto.

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No caso dos procedimentos de instalação do cárter, como fizemos com os silicones, o indicado pela Henkel é utilizar a trava química de torque médio (produto azul, 243), por manter o torque independentemente da vibração e possibilitar a desmontagem. “O produto com torque médio é o indicado para parafusos com até 16 mm de diâmetro e locais com temperatura de trabalho até 150°C. A trava química com torque alto (produto vermelho), deve ser usada em prisioneiros, parafusos que ele raramente vai remover, ou em regiões em que se exige um esforço muito grande” conclui Sella.

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Colaboração técnica – SENAI-Ipiranga
Mais informações – Henkel/Loctite: 0800-704-2334

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