15297

Acompanhe como fazer o diagnóstico do comando de válvulas, balacins e dos tuchos hidráulicos, que trabalham juntos para a abertura e fechamento de válvulas no motor

15314

Trocar o óleo respeitando o prazo determinado pelo fabricante e colocar outro produto nas mesmas especificações para aquela aplicação. Parece simples, mas muito motorista deixa essa regrinha básica da manutenção do veículo de lado, por esquecimento ou por falta de cuidado mesmo, sem saber o mal que está causando para o motor do seu veículo.

Mas muita coisa ruim pode acontecer dentro do motor por falta de manutenção, sobretudo, aquelas que a gente não consegue ver, como o comando de válvulas, as próprias válvulas e os tuchos hidráulicos. Componentes puramente mecânicos, que não podem ser analisados por um scanner, ou seja, precisamos abrir a sua tampa para averiguar o estado das peças e a eventual necessidade de trocá-las.

- Publicidade -

15282

A função das válvulas é uma das mais importantes dentro do conjunto do motor: permitir a entrada da mistura ar-combustível e a saída dos gases que foram queimados pelo escapamento. E para que as válvulas possam fazer o movimento de abertura e fechamento (que nos carros mais modernos pode ter ajuda eletrônica) existe o eixo de comando de válvulas que por meio dos seus ressaltos, também conhecidos por cames, promovem a sua abertura e controlam o seu fechamento.

Portanto, um eixo de comando de válvulas avariado pode comprometer e muito o rendimento do motor. Nessa matéria fizemos a análise e o diagnóstico de um componente que equipa os modelos Chevrolet Corsa, equipado com cabeçote de um único comando (SOCH – Single Over Head Came).

15288

Para isso, contamos com a ajuda de Vagner Antônio Miatelli, supervisor técnico da Aplic Resolit. Faremos a verificação dos cames, cujos formatos dos ressaltos podem afetar diretamente não só a cota de abertura das válvulas, assim como, os seus momentos e tempos de abertura e fechamento, que influenciam tremendamente o desempenho do motor . Veremos também a atuação dos tuchos hidráulicos, que atuam diretamente sobre as válvulas, mantendo constante a folga de acionamento.

“É bom saber que existem dois tipos de tuchos – hidráulico e mecânico. O primeiro atua com óleo interno e o segundo usa uma pastilha. É muito comum encontrar tuchos mecânicos na linha Fiat. Na maioria das vezes, os tuchos hidráulicos dispensam as varetas”, explica. No nosso caso são utilizados tuchos hidráulicos.

15273

Por que aconteceu?

- Publicidade -

De acordo com Engenheiro Fernando Landulfo, técnico de ensino do SENAI- Vila Leopoldina, para funcionar corretamente, o tucho hidráulico deve receber óleo lubrificante sob pressão que, além de lubrificar o componente, preenche as suas câmaras internas, promovendo o ajuste automático da folga de funcionamento das válvulas. “Quando existe a formação de borra dentro do motor (devido à deterioração do lubrificante), as galerias que alimentam os tuchos (entre outras passagens) ficam obstruídas. Isso faz com que a pressão do óleo que chega aos mesmos caia, impedindo o seu correto funcionamento (as válvulas ficam ruidosas) e prejudicando a sua correta lubrificação. Com isso tem-se a redução do desempenho do motor e o desgaste prematuro dos tuchos, dos seus alojamentos e do eixo de comando de válvulas. Algo similar ocorre quando se utiliza um lubrificante não recomendado pelo fabricante.

Com o aumento da temperatura de funcionamento, o óleo perde a sua viscosidade e “vaza” do interior do tucho, impedindo o seu correto funcionamento. Em casos extremos, pode haver a quebra do filme de lubrificação existente entre o eixo de comando e os tuchos. Como consequência tem-se atrito seco entre as peças.”, complementa.

15319

Em caso de desgaste prematuro recomenda-se substituir o conjunto (eixo de comando, tuchos e balancins), pois todas as peças podem estar comprometidas. Se o fabricante exigir, aditivar o lubrificante do motor, durante a quilometragem indicada, com o produto recomendado (“aditivo de amaciamento”). Na prática, o motorista vai sentir perda de potência, ruídos, consumo elevado de combustível e alta emissão de poluentes. O mecânico tem que prestar atenção no barulho na parte superior do motor, quando notar perdas substanciais de rendimento e irregularidade na marcha lenta. Esses sintomas geralmente são acompanhados de perda de estanqueidade das câmaras de combustão, que pode facilmente ser detectado com um equipamento para teste de vazamento de cilindros.

Caso note ruídos excessivos, abrir a tampa das válvulas e inspecionar cuidadosamente o conjunto, a procura de indícios de falta de lubrificação.
Wagner explica que a durabilidade do eixo e dos tuchos depende da manutenção geral do motor do veículo, se for feita preventivamente, como troca de óleo, filtros, etc. “Ou seja, um eixo tem duração muito longa. Porém, é recomendado que em uma eventual troca, se troque os tuchos também, para não ocorrer incompatibilidade de materiais, para que uma peça nova não trabalhar com a usada”, complemente.

1) Para isso, o mecânico pode encontrar kits, que vêm o eixo comando, tuchos, balancins, escoras e válvula retentora de óleo, além do lubrificante para amaciamento.

15334

2) Outros componentes que podem ser avariados quando o eixo de comando de válvulas se desgasta prematuramente, são: bronzinas, anéis, cilindros, mancais bielas. E a razão é muito simples: o material liberado durante o desgaste (“limalha”) pode obstruir o pescador da bomba de óleo ou apenas circular em suspensão no lubrificante, atuando como material abrasivo. Nem sempre é necessário retificar o cabeçote quando o eixo está danificado ou com borra de óleo. É necessário fazer a limpeza com produtos adequados. Porém no caso que uma quebra do eixo é preciso inspecionar criteriosamente o cabeçote, sobretudo os mancais de apoio do eixo de comando de válvulas, quanto a empenamentos e ovalização.

15341

3) Para remover a borra o conjunto precisa passar por uma lavagem química especial, de preferencia por imersão, para que todos os canais internos sejam devidamente desobstruídos.

15280

4) A utilização de eixo novo e balancins usados causam desgaste nos cames. Nesse caso tem que ser substituído. Faça o correto da primeira vez para evitar retrabalho e abrir o motor duas vezes.

15327

5) A quebra do comando pode ser atribuída a dois fatores: o empenamento da gaiola (mancais) e da parte superior do cabeçote. Uma das formas de se verificar se a gaiola está empenada (a mais simples), remover a gaiola e retirar o eixo quebrado, ao introduzir o eixo novo sobre a gaiola, gire livremente com mão. Caso ocorra do eixo não entrar, a gaiola está empenada e tem que ser substituída. Em caso de dúvida, substitua a gaiola por uma nova.

15302

15317

6) É importante checar a planicidade da face superior do cabeçote , para efetuar esse procedimento, utilize uma régua na diagonal.

15308

7) Se o empenamento for na parte superior, faça uma montagem sem tuchos e balancins e aperte. Se o comando travar, a parte superior do cabeçote está empenada. Nesse caso é preciso seguir a recomendação do fabricante do motor para essa situação. Se uma usinagem for permitida, retire o cabeçote e mande para retífica. Se não for, substituta a peça.

15291

O técnico explica que quando ocorre o superaquecimento do motor e o empenamento do cabeçote, o mesmo é levado para a plaina. Mas o trabalho é realizado apenas na face de assentamento com o bloco não se verifica a sua parte superior. Ou seja, sana-se um problema (superaquecimento), mas não verifica a condição de apoio do eixo de comando de válvula.

Ocorrendo a plaina na parte superior do cabeçote para sanar o seu empenamento (se permitido pelo fabricante), dependendo do grau de empenamento, tem que ser feita uma correção no alojamento dos tuchos, ou seja, o que foi removido de material da parte superior do cabeçote tem que ser removido do alojamento dos tuchos, para que ele não fique sobressaído, provocando o travamento dos tuchos.

8) Toda vez que montar que montar o eixo de comando de válvulas, o motor tem que estar em posição de sincronismo. Ao adquirir o novo eixo, sempre verificar a letra do comando de válvulas que identifica a motorização, demonstrado no catálogo de aplicação. O que muda de um comando para outro é o lob 7, que é o grau de inclinação de abertura e fechamento de válvulas dos comandos, siga a orientação do fabricante ou siga a letra do comando velho.

15278

Mais informações: Aplic Resolit – (11) 4161-8866

- Publicidade -