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Por: Fernando Landulfo
Fotos: arquivo

 

Quem gosta de fazer força para mover um volante de direção? É claro que quase ninguém! Principalmente durante as manobras. Durante muito tempo, a direção assistida foi um artigo de luxo. Um opcional que podia encarecer um veículo novo em até 20% do seu preço. No entanto, durante os anos 90, a economia de escala diminuiu drasticamente o seu custo, viabilizando a sua instalação nos modelos mais populares.

 

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Tampa do reservatório do fluido hidráulico

 

Nos dias de hoje, apenas as versões de entrada não são equipadas com direções assistidas. Mas o que vem a ser essa “assistência”? Simples: é a aplicação de uma força externa que multiplica aquela feita pelo condutor no volante de direção, tornando-o mais “leve”. A origem da direção assistida remete aos anos 20, sendo que a sua primeira aplicação efetiva, em veículos de série, ocorreu apenas na década de 50.

 

E no que diz respeito às formas de como a assistência é fornecida, desde a sua origem até bem pouco tempo atrás, utilizou-se mecanismos hidráulicos, compostos basicamente por um reservatório de fluido, uma bomba (movida pelo motor do veículo), um conjunto de mangueiras e uma caixa de direção, em cujo interior havia um conjunto de válvulas e um par de êmbolos que transformavam a energia hidráulica do fluido em trabalho mecânico. Esse dispositivo ficou mundialmente conhecido como direção hidráulica.

 

Durante os seus longos anos de serviço, a direção hidráulica serviu muito bem. Apenas quando ficava mais velha é que dava um pouco de trabalho, principalmente se a manutenção preventiva (troca do fluido e filtro) não era feita regularmente. Mas o que é para o mecânico substituir um par de mangueiras, um kit de reparo de bomba e um conjunto de vedação de uma caixa de direção? Ora, quase nada! Mas desde que se tenha em mãos equipamentos, ferramentas, especificações e o devido conhecimento técnico para fazê-lo. E esse foi justamente o problema que ocorreu no Brasil durante muitos anos: a tecnologia e as peças de reposição ficaram nas mãos de poucos. Ou seja, um conserto de direção hidráulica era muito caro.

 

Hoje isso não ocorre mais. Os monopólios foram quebrados e qualquer mecânico que tenha disposição a aprender e dinheiro para investir pode reparar esses sistemas. O grande inconveniente está no custo dos equipamentos de teste e no estoque de peças de reposição, que é preciso manter. Esse sistema consome potência do motor, o que aumenta o consumo de combustível. Outro problema presente nas primeiras direções hidráulicas era quando o motor atingia altas rotações: o volante da direção tendia a ficar excessivamente leve, o que prejudicava a dirigibilidade do veículo em altas velocidades. Mas isso foi corrigido posteriormente com a introdução dos sistemas progressivos, utilizados até hoje e que, como o nome sugere, diminuem progressivamente a assistência à medida que o motor aumenta de rotação e o veículo ganha velocidade.

 

Com o passar do tempo, a obrigatoriedade de otimização da energia e dos espaços fez com que a potência “roubada” do motor e o espaço tomado pelo sistema hidráulico deixassem de ser desprezíveis. O sistema eletro-hidráulico veio para resolver esse problema. Agora, a bomba hidráulica é movida por um motor elétrico cuja rotação é controlada por uma unidade de comando. Ou seja, pode-se facilmente controlar a “leveza” do volante de direção.
 

Além disso, é possível integrar o sistema ao controle de estabilidade. Vantagens: mais recursos disponíveis para o condutor, menor consumo de combustível e menor espaço requerido (a bomba hidráulica e o motor elétrico estão diretamente acoplados). Desvantagem: a dependência de um sistema hidráulico.

 

E como fica o mecânico?

 

Bem, essa é mais uma tecnologia que ele precisa dominar e investir (ferramentas e equipamentos) para poder reparar. No entanto, são menos peças para desmontar. Além dos mais, alguns conjuntos são “caixas pretas” (quebrou, troca tudo). O cliente pode não ficar muito contente, mas isso facilita muito a vida do mecânico.

 

Os sistemas elétricos vieram para quebrar definitivamente o vínculo com a hidráulica. Agora, a assistência é dada por um motor elétrico de forma direta. Nada de mangueiras, reservatório e fluido. O controle do funcionamento do motor elétrico é feito por uma central eletrônica, devidamente interligada aos demais sistemas de segurança do veículo.

 

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Conjunto eletrobomba de uma direção com assistência eletrohidráulica

 

Mais recursos para o condutor? Sim, claro! Menor consumo de combustível? Com certeza! E o mecânico, como fica nessa história? Ora, nada muda! Assim como qualquer inovação, essa é mais uma tecnologia que o mecânico precisa aprender e investir para poder trabalhar. Nessa honrosa profissão, os processos de aprendizado e investimento não tem fim, mas os retornos são sempre compensadores. Afinal de contas, quanto mais compactos são os sistemas, mais rápida fica reparação. Menos tempo significa mais lucro. Além disso, o mecânico não é mais um simples apertador de parafusos. Hoje ele detém conhecimentos que muitos engenheiros desconhecem totalmente.

 

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Equipamento específico para testar as caixas de direção hidráulicas