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Confira o procedimento de troca do componente e manutenção básica do sistema de climatização no compacto da Hyundai com motor 1.6

 

Texto e fotos: Fernando Lalli

 

Uma das áreas que mais carece de atualização por parte dos mecânicos independentes é a climatização. Depois que o ar-condicionado saiu do status de equipamento de luxo para virar regra até nos carros mais populares, a demanda de serviço aumentou tanto que muitos profissionais de manutenção de eletrodomésticos, principalmente de geladeiras, estão se especializando no assunto e abocanhando essa demanda dentro da reparação. Fica a dica para ampliar os serviços da sua oficina!

 

Mas não basta tentar aprender a mexer no sistema na base da tentativa e erro. O sistema de ar condicionado não admite achismos e é tão ou mais complexo quanto outros sistemas mecânicos. Por isso, trazemos nesta reportagem o procedimento da substituição do compressor do ar-condicionado em um Hyundai HB20 1.6 2014.

 

“O compressor é o coração do ar-condicionado e possui características especificas de funcionamento, declara o instrutor de treinamento da Royce Connect, José Roberto Rodrigues, ressaltando a importância de um reparo bem executado no sistema.

 

Um diagnóstico preciso é fundamental. Segundo José Roberto, o compressor, por exemplo, pode ser a fonte de ruídos anormais, mas isso pode acontecer sem afetar o rendimento do ar-condicionado. “Problemas de eficiência não estão relacionados necessariamente ao compressor. Há margem para uma grande quantidade de motivos”, explica o instrutor.

 

Especificamente com relação ao compressor, o ruído neste componente pode não estar afetando na eficiência naquele momento, mas no futuro o problema pode se agravar. José Roberto compara o compressor ao motor do veículo: “quando surge uma folga interna, por exemplo, começa a gerar desgaste no pistão, ovaliza o cilindro, danifica a peça e começa a perder compressão. É a mesma tendência no compressor”.

 

Segundo o especialista da Royce Connect, a vida útil do compressor depende exclusivamente da manutenção preventiva, que consiste na troca do filtro secador de 2 em 2 anos. O componente tem como função reter as impurezas geradas pelo desgaste natural do sistema, principalmente, do compressor, além de reter partículas de umidade no interior do sistema. Se o filtro ficar saturado, a sujeira não ficará retida e circulará pelo circuito, o que, em casos mais graves, vai danificar o compressor.

 

O reparo interno do compressor nem sempre compensa, dependendo da peça que precisa ser reparada. Por isso, após a desmontagem e análise, a indicação na maioria das vezes é a substituição do componente inteiro por um novo. Aqui, a substituição no veículo ficou a cargo de Jakson Bernardino dos Santos, assistente técnico da Royce Connect, com o acompanhamento de José Roberto Rodrigues.

 

Procedimento de desmontagem

 

1) Com uma máquina recicladora adequada, faça o recolhimento do fluido refrigerante (R134A) do sistema. Conecte as mangueiras do equipamento às válvulas de alta (1a) e baixa pressão (1b) do sistema. Programe o equipamento que iniciará o processo. Ao final do programa o equipamento poderá apresentar uma retirada parcial de óleo PAG contido no sistema para a sua lubrificação.

 

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2) Após a remoção do fluido e desconexão das mangueiras, erga o carro para remover as proteções inferiores. Comece pelo protetor do cárter. São quatro parafusos para fixação desse modelo. Cuidado para não perder as arruelas.

 

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3) Remova também a proteção inferior do para-choque, utilizando chave Philips para soltar os parafusos.

 

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4) Outra proteção plástica lateral, que fica logo abaixo do compressor, deve ser retirada. Solte o parafuso com chave L 10 mm. Enfim, o acesso ao compressor estará liberado.

 

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5) Solte o tensionador da correia de acessórios utilizando chave estrela de 14 mm. Em seguida, retire a correia da polia do compressor (5a).

 

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6) Remova as tubulações da linha de baixa pressão do sistema. Para tal, utilize chave estrela ou soquete 12 mm com cabo de força. Devido ao pouco espaço para soltura completa dos parafusos, utilize o soquete separado para facilitar a remoção (6a). Para evitar que eventualmente vaze óleo sobre o sistema é sugerido a utilização de uma bandeja ou outro aparato adequado para conter o óleo.

 

OBS: No momento da retirada da mangueira, é normal escapar uma leve pressão proveniente de resíduo de fluido refrigerante que permaneceu no sistema mesmo após a operação de recolhimento.

 

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7) Faça o mesmo processo de soltura da mangueira na linha de alta pressão.

 

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8) Importante: logo após soltar as mangueiras, faça a vedação de suas extremidades com tampas próprias de conexões ou filme plástico para evitar a entrada de impurezas e umidade no sistema. O óleo PAG utilizado para lubrificar o sistema é higroscópico, ou seja, absorve umidade. Caso o sistema absorva umidade externa, uma limpeza profunda seria necessária para corrigir o problema.

 

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9) Antes de soltar a fixação do componente, desligue o conector elétrico do compressor.

 

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10) Agora sim, solte os quatro parafusos de fixação do compressor e em seguida os remova. Não existe uma ordem pré-determinada, mas recomenda-se que sejam soltos primeiramente os parafusos inferiores mantendo apoio manual do compressor por questões de segurança. Após remover o conector elétrico e os parafusos, o compressor estará completamente solto.

 

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OBS: caso o compressor removido venha a ser reaproveitado, imediatamente após sua remoção, faça a vedação de suas extremidades com filme plástico para evitar a entrada de umidade e sujeira no sistema, tal qual nas mangueiras.

 

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Depois da remoção do compressor, José Roberto recomenda a limpeza completa do sistema. Para tal procedimento o mais utilizado no mercado envolve a garrafa flush com fluido para limpeza (solvente 141b) de forma pressurizada somente com o gás N² (nitrogênio). Mas, atenção, esta operação, especificamente, deve ser feita por profissionais treinados, já que envolve potenciais riscos à integridade física do mecânico e ao sistema.

 

Montagem do compressor novo

11) O compressor novo vem pressurizado com nitrogênio para evitar a umidade. O componente ainda contém um tipo de óleo diferente (transparente) que preserva as peças internas durante o seu transporte. Com o auxílio de uma chave allen, é necessário soltar as tampas das conexões de baixa e alta pressão para escoar esse óleo.

 

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12) Ao escoar completamente o óleo de transporte, adicione o óleo novo PAG (classificação de 100 a 150) na quantidade correta. O óleo lubrificante a ser aplicado para o sistema deve ser colocado diretamente no próprio compressor conforme quantidade indicada pelo fabricante. “Se não for colocado o óleo de qualidade e especificação correta, ele vai fundir o compressor”, alerta José Roberto. Nesta reportagem, foi utilizado o óleo PAG de especificação 150 com coloração característica pela adição de contraste à sua composição para facilitar a identificação de possíveis vazamentos no futuro.

 

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13) Coloque o óleo através da conexão de baixa pressão identificada pela letra “S” de sucção, com o auxílio de um funil.

 

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14) Em seguida feche novamente a conexão. Não se esqueça que o óleo não pode ficar exposto, como citamos anteriormente, por causa de sua característica de absorver umidade. As tampas serão removidas apenas após a fixação do compressor no veículo, antes da reinstalação das mangueiras.

 

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15) Coloque o novo compressor em seu lugar. O torque de aperto dos parafusos de fixação do componente é de 25 Nm.

 

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16) Retire o filme plástico que veda as mangueiras apenas no momento da reinstalação, para evitar ao máximo o contato com a umidade do ar. Devido ao posicionamento das mangueiras, reinstale primeiramente a mangueira de alta pressão (descarga) (16a) e, em seguida, a de baixa pressão (16b). Os parafusos de fixação da conexão das mangueiras possuem torque de aperto também de 25 Nm.

 

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17) Após a correta instalação de qualquer componente do ar condicionado que tenha sido trocado (seja o compressor, o evaporador, alguma mangueira etc), é obrigatório fazer o procedimento de vácuo com equipamento adequado (no caso, a máquina recicladora) para tirar a umidade do sistema (17a). O tempo mínimo de execução é de 40 minutos, ou ainda preferencialmente com o acompanhamento de um vacuômetro eletrônico, o que determinará talvez um tempo maior (17b).

 

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18) A seguir, dê a carga correta de inserção de fluido refrigerante R134A no sistema. Neste caso, a carga para este modelo de veículo deve ser de 0,450 kg. Esse valor não é informado no Hyundai HB20 1.6 2014, mas foi obtido pelo instrutor de treinamento José Roberto a partir de cálculos prévios. Lembramos que a máquina recicladora repõe ao veículo o mesmo fluido refrigerante já reciclado que foi retirado ao início do procedimento.

 

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Testes e cálculo de rendimento do ar-condicionado

 

ATENÇÃO

Os valores de referência do compressor e do sistema de ar condicionado apresentados a seguir se referem exclusivamente ao sistema do Hyundai HB20 1.6 2014, que possui compressor com cilindrada fixa. Para cada tipo de sistema, existem valores constantes de referência específicos, obtidos já com o sistema em funcionamento, além de cálculos diferenciados que devem ser obrigatoriamente aplicados para a execução dos testes. Esses valores estão em tabelas que podem ser obtidas com as montadoras dos veículos e com as fornecedoras de peças para ar-condicionado. Ao fazer os testes em sua oficina, tenha certeza de que possui os valores de referência e os cálculos corretos antes de cravar o diagnóstico. Reforçamos que sistemas diferentes possuem valores e cálculos diferentes. Não basta apenas “sair vento frio” na saída do difusor, como veremos a seguir.

 

1) Para comprovar o rendimento do sistema de ar condicionado, é necessário medir quatro pontos: a temperatura externa ambiente (1a) e três pontos diferentes dentro do habitáculo do veículo: a região do motorista (1b), o passageiro traseiro (1c) – ambos na altura da cabeça – e o difusor de ar central (1d). Se possível, utilize um termômetro com quatro ou mais canais para medir todos os pontos citados simultaneamente, o que eliminaria qualquer interferência na leitura.

 

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2) A medição foi feita com o eletroventilador do ar-condicionado na 3ª velocidade e o motor funcionando constantemente à rotação de aproximadamente 1200 rpm.

 

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3) O cálculo de eficiência do ar condicionado mede a quantidade de calor que o sistema consegue retirar do habitáculo levando em conta a temperatura externa no momento da medição e as constantes conhecidas para aquele sistema. No momento do teste, a temperatura externa era de 34°C.

 

4) Por informações da fabricante, sabe-se que o sistema de ar condicionado do Hyundai HB20 1.6 2014 – composto por compressor de cilindrada fixa – tem a capacidade de retirar da temperatura externa uma faixa entre 7°C e 12°C. De posse dessas informações, calcula-se as temperaturas mínima e máxima admissível para motorista e passageiro traseiro, subtraindo da temperatura externa os valores de referência:

 

34°C – 7°C = 27°C
34°C – 12°C = 22°C

 

Ou seja, considerando as condições de funcionamento descritas anteriormente, sob uma temperatura externa de 34°C, as temperaturas para motorista e passageiro traseiro têm limite máximo entre 22°C e 27°C. Em nosso teste, a temperatura do motorista estava em 22,1°C e a do passageiro em 19,3°C.

 

OBS: É absolutamente normal a temperatura do passageiro traseiro estar mais fria que a do motorista. Trata-se de uma propriedade física (termodinâmica) observada no habitáculo do veículo.

 

5) Para calcular a temperatura ideal no difusor central deste modelo, é necessário observar qual é a pressão máxima de sucção do compressor durante seu funcionamento no exato momento do desligamento do compressor (5a). Para tal, através do conjunto manifold já instalado no circuito (neste caso o da própria máquina recicladora). Com o veículo ligado nas condições de funcionamento descritas anteriormente, sob a mesma temperatura externa de 34°C, observou-se que o compressor desligou com 20 PSI.

 

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De acordo com uma tabela específica de equivalência, os 20 PSI de pressão correspondem à temperatura de -5°C (cinco graus célsius negativos). De posse desses valores, e levando-se em conta as mesmas constantes de capacidade do sistema (faixa de 7°C a 12°C) é possível calcular a faixa ideal de temperatura para o difusor de ar central, considerando uma eventual perda de rendimento desde o evaporador até o difusor pelos dutos. O resultado que determinará se o sistema apresentou eficiência segue:

 

-5°C + 7°C = 2°C
-5°C + 12°C = 7°C

 

Ou seja, considerando as condições de funcionamento descritas anteriormente, sob uma pressão de sucção (temperatura de sucção), a temperatura no difusor central deverá indicar valores de temperatura entre 2°C e 7°C. Em nosso teste, o difusor central chegou à temperatura de 5,5°C (5b).

 

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Mais informações – Royce Connect: (11) 4434-8000 ou www.royce.com.br