Motor 1.0 TSI que equipa o SUV compacto já está no país desde 2015, tem potência de até 128 cv e manutenção conhecida
texto Felipe Salomão fotos Revista O Mecânico / Divulgação VW
O Volkswagen T-Cross é o SUV compacto mais vendido do país, deixando para trás o Hyundai Creta e o Chevrolet Tracker, por exemplo. Certamente, o que faz do modelo ser líder de vendas é oferecer uma mecânica confiável, visto que vem equipado com o motor 1.0 TSI já conhecido dos brasileiros desde 2015, aliado com bons equipamentos, o que reflete nas vendas. Portanto, amigo mecânico, embora esse Raio X seja do novo T-Cross 2025, que recebeu mudanças visuais pontuais, não terá surpresas em relação às condições de manutenção, que já são conhecidas de todos.
Todavia, é preciso informar o cliente sobre a recomendação da fabricante para a manutenção em alguns componentes, como diz o Consultor Técnico, Ulisses Miguel. “Esse motor da Volkswagen é confiável. Mas você tem que entender uma coisa, que para arrancar a potência desses modelos 1.0 turbo de três cilindros você trabalha no limite do motor. Por isso, é importante seguir as recomendações do fabricante referente a lubrificação, a correia de sincronismo, entre outros. Agora, se o dono do veículo não for cuidadoso ele terá problemas”, afirma.
O “coração” do Volkswagen T-Cross é o motor 1.0 TSI de três cilindros de até 128 cv e 20,4 kgfm de torque continua como a principal opção, oferecendo um equilíbrio entre desempenho e eficiência. Claro, é válido dizer que a marca oferece o motor 1.4 TSI, disponível em versões mais completas, que já foi avaliada por nós. Inclusive, no nosso canal do YouTube você consegue ver um comparativo completo entre a configuração topo de linha do T-Cross contra a opção topo de gama do Hyundai Creta.
Manutenção já conhecida
A revisão periódica do motor 1.0 TSI segue os padrões da Volkswagen, com trocas de óleo a cada 10.000 km ou 12 meses, conforme indicado no manual. A utilização do lubrificante correto é essencial para evitar desgaste prematuro dos componentes internos. Além disso, a correia dentada (1) tem um período específico a cada 120.000 km ou quatro anos e meio, variando conforme as condições de uso. “É fácil de fazer a manutenção dessa correia, mas é trabalhoso por conta do coxim do motor, visto que tem que removê-lo para ter acesso prático a correia”, afirma Miguel.
Contudo, Ulisses Miguel alerta que para fazer a manutenção de algumas peças é preciso ultrapassar desafios. “Esse motor é bastante prático para se mexer, mas o acesso para alguns componentes apresenta um desafio para o mecânicos, o que requer mais atenção e prática para fazer a manutenção”. Confirmando o que o Consultor Técnico da Revista O Mecânico disse, para fazer a troca dos amortecedores dianteiros (2) o mecânico terá um trabalho adicional, uma vez que é necessário retirar a famosa churrasqueira (3) para substituição desses componentes, o que requer prática do profissional, bem como cuidado para não quebrar a peça de plástico que cobre os parafusos desses componentes. A remoção da central do ABS (4) também exige desmontagem de algumas peças que estão ao redor para fazer a manutenção.
No entanto, o sistema de ar-condicionado (5) está posicionado de maneira para facilitar a manutenção. Lembrando, todos os outros componentes têm acesso prático para o mecânico, por exemplo, o fluído de freio e o reservatório de expansão.
Cuidados com o câmbio automático
O Volkswagen T-Cross vem equipado com uma transmissão automática de seis marchas (6), que requer troca periódica do fluido para evitar desgastes prematuros. “A recomendação varia conforme a utilização do veículo, porém, em média, o prazo é de três anos para veículos com uso moderado”, como afirma Miguel.
Suspensão e estrutura do veículo
A suspensão dianteira McPherson continua inalterada, com bieletas de material plástico (7), que ajudam a reduzir o peso sem comprometer a resistência estrutural. “A bieleta sendo de plástico tem uma vantagem por ser mais leve que a de metal. Em relação à resistência, eu já vi barra de metal quebrar. Agora, a de plástico pode quebrar dependendo de como o cliente passar em um buraco. Uma vantagem da bieleta de plástico é a leveza e a resistência”, diz o Consultor Técnico da Revista O Mecânico.
Na parte traseira, o sistema semi-independente (8) mantém a estabilidade do veículo, especialmente em curvas e frenagens mais exigentes. “A manutenção dos componentes da suspensão traseira são tranquilos de fazer sem nenhuma dificuldade para o mecânico soltar componentes”, diz Miguel.
O modelo também tem disco de freio ventilado na dianteira (9) e na traseira (10) tem disco sólido. O freio traseiro também conta com cabo, mas segundo o professor faltou uma barra estabilizadora traseira. “Uma coisa que eu sinto falta é ter uma barra estabilizadora traseira, que melhora a dirigibilidade, inclinando menos a carroceria, deixando o SUV compacto mais seguro”, pontuou Miguel.
A parte inferior do SUV compacto também conta com uma ampla proteção plástica (11), o que minimiza danos a componentes como cárter e tubulações. “No entanto, essa característica pode dificultar a identificação de vazamentos, exigindo inspeções mais detalhadas nas revisões preventivas, pois um vazamento de lubrificante irá escorrer para outro ponto do veículo, o que fará ao mecânico ter mais cuidado com o diagnóstico”, diz Miguel.