Confira o passo a passo de desmontagem, análise e instalação do conjunto de embreagem em um Ford Ka 2015, versão hatch, com câmbio IB5

Texto: Rafael Poci Déa
Foto: Lucas Porto

No decorrer dos procedimentos de desmontagem e instalação, Edson Roberto de Ávila, o Mingau, proprietário da oficina Mingau Automobilística em Suzano/SP, contou com o acompanhamento do técnico responsável, Daniel Rodrigues Pinto, da ZF. O Ford Ka, ano 2015, foi adquirido com 46 mil km rodados – no momento da troca do sistema de embreagem o hodômetro marcava 54 mil km. Ou seja, foram 8 mil km percorridos com o atual dono. As principais reclamações estavam no acionamento pesado do pedal de embreagem, assim como a primeira e a marcha à ré escapando. Esses defeitos motivaram a troca completa do conjunto de platô, disco e atuador de acionamento do sistema. No caso do Ford Ka, há uma complexidade extra na operação por conta da área restrita de trabalho. “O processo de manutenção do motor tricilíndrico 1.0 da Ford é diferenciado por conta tanto do espaço reduzido quanto do acesso limitado dentro do cofre do motor. Essa área limitada dificulta, inclusive, a instalação do suporte para levantar o propulsor”, explicou Mingau.

 

 

 

DESMONTAGEM DOS PERIFÉRICOS:

 

1. Para abrir espaço e facilitar o acesso aos componentes, comece pela remoção de toda a parte superior, como bateria e filtro de ar, e desparafuse a parte da caixa de marcha. O trabalho deverá ser feito à meia altura e você deve se atentar ao que é realmente necessário remover. Uma vez que o veículo esteja erguido no elevador, ele não será mais baixado no momento de tirar a caixa de marcha.

 

 

2. Remova o suporte de proteção da bateria com uma chave L 10 mm.

 

 

3. Com a mesma chave L 10 mm, solte primeiramente o cabo massa e então retire o polo positivo da bateria. Na sequência, remova a bateria do veículo.

 

 

4. Após retirar a bateria do veículo, faça a remoção do suporte da bateria. Observe que o módulo de gerenciamento está localizado na lateral do suporte da bateria. No caso do Ford Ka, faça a sua retirada, mas não desacople-o por completo (4a). Continue a utilizar a chave L 10 mm para soltar os três parafusos. Obs: veja a limpeza do local antes do procedimento de reinstalação das peças.

 

 

 

5. Para abrir espaço, solte parte da tubulação do filtro de ar. A caixa do filtro de ar é toda encaixada. Neste momento, instale a corrente de sustentação (5a) (5b) e deixe o propulsor em semialtura para, futuramente, fazer a remoção da caixa de marcha.

 

 

 

6. Embora a caixa de filtro de ar seja toda encaixada, a sua fixação se dá por meio de coxins devido à vibração produzida pelo motor de três cilindros. Nesta etapa, o cuidado é primordial. Caso algum coxim ou suporte estoure será preciso providenciar a sua substituição para evitar ruídos, além de gerar gastos financeiros ao proprietário.

 

 

7. Aplique desengripante nas partes a serem removidas. Esse procedimento ajuda no desencaixe.

 

 

8. Com uma chave de 8 mm, vá até o corpo de aceleração e realize a sua soltura. Aproveite para desconectar também a mangueira acoplada na tampa de válvulas. Faça a remoção da caixa do filtro de ar juntamente da tubulação. O tamanho da peça é grande, mas aproveite a sua flexibilidade, sem exercer muita força para evitar qualquer tipo de dano ou de rompimento.

 

 

9. Remova os parafusos que fixam/acoplam a caixa de marcha ao propulsor. Os coxins serão removidos somente após a instalação.

 

10. Desconecte o atuador hidráulico. Retire os três parafusos da parte superior. Após desacoplado você encontrará um suporte (10b) onde estão fixados parte do chicote e do cabeamento do trambulador.

 

 

 

11. Faça o desacoplamento da mangueira do sistema hidráulico de acionamento do platô. Coloque um tampão para que o fluído de frenagem não suje a área de trabalho.

 

12. Utilize uma ferramenta para remover suavemente as presilhas presentes no coxim superior. Ela é específica para ser utilizada em trabalhos no interior do veículo, como nos painéis e nos forros de portas. Essa ferramenta é feita de material duro, mas que não risca. Opte por ela ao invés de usar chave de fenda, de puxar as presilhas ou até de cortar a cinta plástica.

 

 

13. Solte a trava do atuador e na sequência remova a mangueira responsável por conduzir o fluído hidráulico até o sistema de acionamento da embreagem. Faça uso de um tampão de borracha, também utilizado nos sangradores do sistema de frenagem, para evitar o pinga-pinga de fluído.

 

 

14. Com uma chave L 10 mm, remova os três parafusos do suporte, reutilize a ferramenta plástica, além de aplicar o desengripante para ajudar no processo.

 

 

15. O próximo passo é desacoplar a tampa que protege o sistema de engate (trambulador). Depois remova os cabos de engate. A facilidade de desacoplamento na parte de engate é grande. Basta subir a trava e fazer o desacoplamento.

 

 

16. Utilize uma ferramenta adequada para soltar a roda. As rodas do Ford Ka são fixadas por quatro prisioneiros ao invés de parafusos. Assim, é necessário o máximo cuidado para não danificar a rosca da porca.

 

 

17. Dotado do soquete de 15 mm e de 21 mm, faça a remoção do suporte do coxim do sistema de exaustão.

 

 

18. Solte o restante do suporte com o soquete de 15 mm com a extensão longa, mais o cabo de força, e remova o suporte.

 

 

Remoção do quadro

19. Já com o veículo erguido, atente-se que a distância entre a caixa de marcha e o quadro é restrita. Para fazer a remoção da caixa de marcha sem tirar o quadro, você enfrentaria dificuldades, como balançar o propulsor. Além disso, na parte superior estão posicionados a mangueira do sistema de arrefecimento e o chicote de sistema de gerenciamento do propulsor. Portanto, faça a soltura do parafuso de fixação do pivô, dos parafusos da parte traseira e frontal de fixação do quadro, além de um parafuso da caixa de direção. Ao todo, são oito (8) parafusos a serem removidos (quatro do lado esquerdo e outros quatro do lado direito).

 

 

20. No centro, solte o coxim inferior da caixa de marcha, cuja finalidade é de estabilização nos momentos de arrancada. Além disso, remova parte do coxim do sistema de exaustão.

 

 

21. No momento do procedimento, foi encontrada água da retirada do parafuso com o soquete de 15 mm do lado direito. Isso poderia ter ocasionado ferrugem e uma possível quebra em outro momento de retirada. Na hora da remontagem, todos os parafusos foram limpos.

 

 

22. Retire os parafusos restantes com a ferramenta adequada.

 

Obs.:Toda vez que existir parafuso com uma contraporca, a sugestão é não desrosquear pelo lado do parafuso, mas sim pelo lado da porca, o que evita estragar o parafuso.

 

 

23. Baixe o quadro de suspensão com a ajuda de um macaco hidráulico de câmbio. Ao adotar todos esses procedimentos, observe a liberdade de espaço para retirar a caixa de transmissão.

 

Obs.:Quando for retirar o quadro de suspen são é fundamental prestar atenção nas demarcações existentes nos parafusos. No aperto, se você deixá-lo deslocado, o carro será liberado com o volante torto – não por falta de alinhamento das rodas, mas sim, pela falta de alinhamento do quadro do sistema de suspensão.

 

 

Remoção da caixa de câmbio

24. Retire os parafusos que acoplam a caixa de marcha ao propulsor com a ferramenta adequada. Observe que a área de trabalho é bastante limitada. Para ajudar nesta etapa é possível movimentar ligeiramente o motor para trás cooperando no aumento significativo da área de trabalho. Após os parafusos estarem totalmente retirados, abaixe o elevador utilize o macaco hidráulico de apoio, desencaixe e remova o semieixo (24b).

 

 

 

25. Abaixe por completo o macaco hidráulico e faça a retirada da caixa de marchas do veículo.

 

 

Substituição dos componentes

26. No caso do platô e do disco deste Ford Ka, foi diagnosticada marcas de ferrugem e desgastes (26a) no apoio do rolamento que trabalha em conjunto com o atuador hidráulico. (26b) Isso ocorre por conta do condutor descansar o pé sobre o pedal de embreagem.

 

 

 

Remoção do conjunto de embreagem

27. Utilize uma ferramenta centralizadora (fornecida por alguns fabricantes), que faz o alinhamento do platô, do disco e do volante (27a). Soltar os parafusos com ferramenta adequada. (27b) Ainda com a ferramenta centralizadora fixada, gire o platô e o disco para acessar os demais parafusos.

 

 

 

28. Com o disco e o platô fora, observe a coloração e os frisos na parte do platô. (28a). No caso desse Ford Ka, foi verificado que o material de atrito do disco (28b). apresentou desgaste excessivo, ficando próximo aos rebites. Caso a troca dos componentes não fosse feita, haveria uma grande possibilidade de o sistema apresentar patinação. Ou seja, quando em uso, iria ocorrer uma elevação de rotação sem o acompanhamento de desempenho do veículo.

 

 

 

29. Remova os parafusos do atuador hidráulico de forma aleatória.

 

 

Remoção do conjunto de embreagem

30. Limpe a carcaça da caixa de transmissão com produto biodegradável. Não é necessário utilizar máscara. A limpeza é feita a seco com um pincel. A remoção da espuma gerada pelo produto é feita com água. As impurezas retiradas podem comprometer a vida útil do componente a ser instalado.

Obs.:De acordo com Daniel, da ZF, a caixa de marcha é feita de alumínio para dissipar calor, que é um dos principais “inimigos” da embreagem. Quando há impurezas, elas dificultam esse processo. Além disso, essas impurezas podem contaminar a nova embreagem e prejudicar o seu adequado funcionamento.

 

 

31. Outro processo muito importante é a verificação de desgaste excessivo ou anormalidade (trincas) no volante de motor. Caso sejam encontradas, a ZF recomenda sua troca para garantir o funcionamento correto do sistema.

Obs.:No caso desse veículo, não houve a necessidade de troca do volante de motor, mas o procedimento de verificação deve ser seguido sempre que ocorrer a troca de embreagem.

 

 

32. Outro processo muito importante é a verificação de desgaste excessivo ou anormalidade (trincas) no volante de motor. Caso sejam encontradas, a ZF recomenda sua troca para garantir o funcionamento correto do sistema.

 

 

Remoção do conjunto de embreagem

33. Outro processo muito importante é a verificação de desgaste excessivo ou anormalidade (trincas) no volante de motor. Caso sejam encontradas, a ZF recomenda sua troca para garantir o funcionamento correto do sistema.

 

 

 

 

34. Após a centralização do disco é importante o aperto em cruz (um parafuso ao contrário do outro). É importante ressaltar que nessa etapa a ferramenta pneumática nunca deve ser utilizada. Faça uso novamente do centralizador para alinhar o platô, o disco e o volante.

 

 

35. Faça o apoio do platô com a mão e coloque os parafusos no sentido cruzado. Após encostar o platô no volante, use o torquímetro para aplicar o aperto final em cada parafuso, também no sentido cruzado.

 

 

36. Com a carcaça da transmissão limpa, encaixe o atuador de acionamento hidráulico da embreagem.

Obs.: Nunca acione/aperte manualmente as peças antes da instalação, pois existem componentes internos que podem ser danificados, causando problemas no momento da instalação ou futuramente.

 

 

37. O atuador é preso por três parafusos na carcaça da caixa de marchas. Tenha cuidado para não forçar a parte onde está posicionado o rolamento do atuador.

 

 

38. Primeiro, encoste manualmente os parafusos e depois regule o torquímetro para aplicar o torque adequado.

 

 

39. Utilize o macaco hidráulico para subir de volta o câmbio e posicione o parafuso-guia para sustentação.

 

 

40. Com a caixa de marcha devidamente encaixada e com o parafuso-guia no lugar, inicie o processo de montagem. Por mais que todos os componentes sejam pesados e mostrem uma imagem de robustez, eles são delicados. Por isso, evite aplicar muita força, como na hora de encaixar o eixo piloto ou até no aperto dos parafusos da caixa. É importante certificar-se que estão perfeitamente alinhados entre si.

 

 

Montagem dos periféricos

Deste ponto em diante, a montagem segue o processo inverso da desmontagem observando os cuidados a seguir.

 

41. Outro processo muito importante é a verificação de desgaste excessivo ou anormalidade (trincas) no volante de motor. Caso sejam encontradas, a ZF recomenda sua troca para garantir o funcionamento correto do sistema.

 

 

42. Outro processo muito importante é a verificação de desgaste excessivo ou anormalidade (trincas) no volante de motor. Caso sejam encontradas, a ZF recomenda sua troca para garantir o funcionamento correto do sistema.

 

 

43. Outro processo muito importante é a verificação de desgaste excessivo ou anormalidade (trincas) no volante de motor. Caso sejam encontradas, a ZF recomenda sua troca para garantir o funcionamento correto do sistema.

 

 

44. Outro processo muito importante é a verificação de desgaste excessivo ou anormalidade (trincas) no volante de motor. Caso sejam encontradas, a ZF recomenda sua troca para garantir o funcionamento correto do sistema.

 

 

45. Outro processo muito importante é a verificação de desgaste excessivo ou anormalidade (trincas) no volante de motor. Caso sejam encontradas, a ZF recomenda sua troca para garantir o funcionamento correto do sistema.

 

 

46. Além do teste no fluído hidráulico do sistema de frenagem, também realize uma verificação visual no reservatório para diagnosticar algum tipo de contaminação. Caso seja necessário, efetue a limpeza do local. Em caso de necessidade, utilize fluido novo para a limpeza do reservatório.

 

 

47. Funcione o sistema hidráulico para verificar se há vazamentos ou deficiência no atuador. A ZF também recomenda a substituição dos atuadores a cada substituição da embreagem, garantindo o perfeito funcionamento do acionamento do sistema.

 

48. Execute o processo de sangria do sistema com o dispositivo adequado até por conta do processo de descarte. Remova o tampão do sangrador, abra a válvula e acione o pedal de embreagem de forma acentuada. No momento de acionamento não há pressão hidráulica por conta da quantidade de ar no cilindro. Por isso, haverá a necessidade de puxar o pedal para facilitar o processo. Feche e abra a válvula até que a presença de bolhas de ar não seja mais identificada no fluído hidráulico através do parafuso sangrador. A ZF indica a utilização de um equipamento de sangria para facilitar o processo.

 

 

49. Feito o processo de sangria, observe se não há vazamentos na tubulação e cilindro do pedal, que é o responsável por enviar o fluído para o acionamento do platô. Se estiver tudo OK, tampe o sangrador.

 

50. No momento de reinstalar as conexões da bateria, sempre mantenha os vidros/portas fechados e a chave do veículo do lado de fora. Desta forma, não haverá o risco de ocorrer o travamento com a chave dentro do veículo.

 

 

Colaboração técnica:
Mingau Automobilística: (11) 4742-1024
Mais informações, ZF: 0800 011 1100