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Trabalho em grupo rende mais

Criar grupos de oficinas e trabalhar em conjunto com outros profissionais traz diversas vantagens para os empresários da reparação, como produtividade, economia e troca de informações

Texto: Victor Marcondes e Carolina Vilanova
Fotos: Divulgação

“As oficinas reunidas ganham força para desenvolverem ações em comum voltadas à melhoria das empresas, seja por meio de treinamentos, compra de materiais e equipamentos, entre outras atividades. As empresas que participam dos grupos ganham conhecimento com a troca de informações técnicas e procedimentos a serem adotados em carros com muita eletrônica embarcada”. As palavras de Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional, comprovam a teoria de que quando se trabalha em equipe, todos ganham.

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O mercado de reparação nunca esteve tão competitivo quanto atualmente. Aliás, o mercado em geral nunca esteve tão aquecido e brigando por clientes como nos últimos anos. Se o governo brasileiro incentiva o consumismo e isso é bom para os comerciantes, por outro lado, se não atender o cliente com competência e qualidade, vai acabar em desvantagem. Por isso, tudo o que for ação para crescer, deve ser implantado no seu negócio.

No caso do setor de reparação, uma prática que vem se mostrando eficaz é a formação de grupos de oficinas, com o intuito de ganhar força de mercado. Na verdade, essa prática é uma tendência global, que vem sendo aplicada inclusive em empresas gigantes como bancos e redes de lojas de departamento e supermercados. Até mesmo as concessionárias, que sempre enxergaram a oficina independente como inimiga já mudou sua postura e hoje trabalham em parceria.

Os grupos de oficinas promovem interação entre os reparadores de uma determinada região, por exemplo, discutindo assuntos relacionados ao negócio e organizam eventos e treinamentos, fazendo aquisição de ferramentas e equipamentos, ou seja, economizando dinheiro e aumentando os lucros.

De acordo com o presidente do Sindirepa, para se formar um grupo é importante que as empresas sejam associadas à uma entidade representativa da categoria, como o próprio Sindirepa, que atua em vários estados. “Também é essencial verificar se as oficinas participantes são de padrão semelhante para que as atividades a serem desenvolvidas atendam as necessidades de todos”, complementa.

José Palacio, coordenador de serviços automotivos do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), até o ano de 2008 o IQA trabalhava apenas com a certificação individual de oficinas. “O primeiro grupo a se formar para receber a visita de um auditor da entidade foi em Recife/PE, sob a coordenação da Rede Âncora e Colaboração do SEBRAE local. A partir de então, observou-se que desta forma ganhava-se tempo e ainda por cima podia-se baratear o processo de certificação”, comenta.

No entanto, para Palacio, não é somente a agilidade e a facilidade para conseguir o certificado que a formação de grupos gera como benefícios. Segundo ele, em termos de equipamentos mais caros, os mecânicos podem se ajudar e dividir. “Outra vantagem é a compra de peças e uniformes em volume o que ajuda a conseguir descontos”, orienta o coordenador.

Para ter sucesso na criação de um grupo de oficinas existem alguns requisitos. “O grupo deve ter um objetivo em comum e discutir as ações que devem ser realizadas. É preciso que todos participem com opiniões e sugestões e que as atividades sejam dividas entre os participantes. Do contrário, pode cair o rendimento e o interesse dos integrantes”, afirma Fiola.

Palacio explica que não há uma regra para se formar um grupo. Há grupos que são formados e não necessariamente estão formalizados. “Porém, o IQA recomenda que após ser identificada esta necessidade, que os mecânicos entrem em contato com uma associação ou entidade de classe para ganhar mais força e auxílio”, diz.

E quem já fez, gostou?
Um dos grupos de oficinas mais conhecidos, pelo menos em São Paulo, é o GOE – SERVICOS SOCIAIS E EDUCACIONAIS, que foi criado em 2002 com o objetivo de ampliar o relacionamento e fortalecer a troca de conhecimento técnico entre as oficinas. Pedro Scopino, da Auto Mecânica Scopino, é o diretor secretário do GOE, e conta que o grupo surgiu depois de uma reunião com Antônio Gaspar de Oliveira (consultor do Sindirepa), Sílvio Ricardo (Oficina Peghasus e antigo grupo GT3) e Sandro (mecânica Autoban e grupo GTA), além do próprio Scopino. Daí, foi formalizado em ata dando início a uma trajetória crescente das próprias empresas e empresários no setor automotivo independente de São Paulo.

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Scopino explica que entre os benefícios em se trabalhar em grupo, destaca o reconhecimento das empresas parceiras em ter nas oficinas do GOE serviços autorizados para garantia e assistência e a disponibilidade para testes e novos projetos de produtos e serviços que trazem um diferencial no aftermarket automotivo. “Hoje somos em 10 oficinas, e nos reunimos uma vez por mês, com pautas pré-estabelecidas para melhorar as áreas técnicas, administrativas e operacionais das empresas, fortalecendo a área de serviços oferecidos, dicas de defeitos e laços de amizades pessoais”, conta.

Ele afirma que o Grupo tem como foco a compra de peças, sendo a favor que a cadeia se mantenha, auxiliando a abertura de novos pontos de vendas para os produtos dos parceiros. Em relação a compartilhamento de ferramentas e equipamentos, ele explica que eles tem uma listagem interna com as ferramentas especiais listadas, com acesso via internet.

“O trabalho é constante, mas a principal dificuldade é manter o foco. Como no GOE temos os integrantes divididos em quatro comissões, cada um trabalha em sua comissão facilitando as ações que são bem planejadas. As comissões do GOE são: administrativa, Cursos e Treinamentos, Planejamento e Marketing”, analisa Scopino. Ele conta que o Goe ainda não está aberto a novos integrantes, mas este trabalho está em elaboração, pois a ideia é ter associados. Para quem que conhecer um pouco mais do GOE, entre no site: www.portalgoe.etc.com.br.

Paulo Voigt, da Tecnoveículos Equip. Esp. Ltda, de Joinville –SC, era presidente do Núcleo dos Automecânicos da ACIJ – Associação Comercial e Industrial de Joinville em Parceria com a HWK – Câmara de Ofícios de Munique e Alta Baviera (Alemanha). O principal objetivo/condição para participar do programa de apoio Tecnológico & Gerencial do Projeto da Fundação Empreender FE, formado da parceria ACIJ & HWK, e assim, poder receber consultoria nacional e internacional através de Mestres, Especialistas e Empresários Automecânicos da Alemanha. “A ideia não era de treinar professores ou criar especialistas e sim formar empresários, a isca era a oferta de acesso grátis a tecnologia alemã de acordo com as demandas identificadas pela maioria nos grupos”, conta Paulo.

De acordo com o empresário, esse projeto foi considerado de muito sucesso pelo Ministério de Relações Exteriores da Alemanha. Mas como a lei alemã não permite nenhuma prorrogação de prazo para continuidade além de 7 anos (de 1992 a 2000), foi criado um novo projeto, nos mesmos moldes, mas sem verbas alemãs a fundo perdido, criando a Fundação Empreender, com objetivo de disseminar a experiência mundo afora.
“Em Joinville, o pioneiro, chegou a ter 145 oficinas associadas, pagando mensalidades e mais um grande numero de entidades convidadas. Em SC devem ter sido em torno de mais de 500 empresas. Ainda existem Núcleos de Automecânicos em plena atividade, alguns novos e muitos extintos. Cada qual a seu tempo”, conta Paulo.

“O grupo cresceu muito rapidamente e, em algum momento, tínhamos associados em diferentes níveis de entendimento e conhecimento do projeto como um todo, além do que, para muitos, os principais problemas já haviam sido resolvidos. Depois de um processo natural, que após pouco mais de 10 anos, com a chegada de novos líderes com outros objetivos, de certa forma um pouco oportunistas e com vistas a misturar negócios entre o grupo e que provocou sua rápida dissolução”.

Ele explica que enquanto o Grupo estava ativo, o associado passava a ter uma base de informações muito ampla e de qualidade. “No entanto, os fornecedores logo entenderam a importância de um Núcleo e rapidamente passaram a apoiar a iniciativa de varias maneiras, pois representávamos um custo de vendas inferior com volumes muito superiores, ou seja, passamos a ter condições comerciais jamais imaginadas individualmente, independente do tamanho ou volume de compras da empresa.

“Fazíamos não só a compra conjunta de equipamentos com muito melhores condições de negócio, mas também aprendemos a terceirizar serviços entre o grupo, como forma de maximizar a eficiência e prova da confiança nos parceiros, que agora se conheciam mutuamente. Inimigos viravam amigos, concorrentes viravam parceiros, maus profissionais eram isolados. Mas principalmente, entendemos a importância de se investir no treinamento da mão-de-obra, ressucitamos os laboratórios de Automecânica dos SENAIS, viramos professores, adquirimos e doamos equipamentos, revisamos os currículos dos cursos, integramos os professores dos SENAIS e demais entidades e/ou empresas com treinamento em Automecânica a participar do Núcleo, das missões, visitas, treinamentos e estágios na Alemanha, e com grande sucesso nos tornamos grandes parceiros dos SENAIS e SEBRAEs”, finaliza Paulo.

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São experiências diferentes, mas as duas foram bem sucedidas. Formar parcerias é uma alternativa que cada vez mais está se tornando uma boa prática do setor da reparação. Pensar nos rumos do mercado e trabalhar para melhorá-lo em conjunto pode ser bem mais produtivo e recompensador. No entanto, é preciso ter comprometimento e responsabilidade para que todos os envolvidos usufruam dos benefícios da atuação em grupo e, como resultado, o atendimento ao cliente ganhe mais qualidade.

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