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Quando o time da oficina está coeso e comprometido, os resultados aparecem no processo de reparo, tanto na diminuição de tempo e custos quanto na de retrabalho

 

icone_texto_pFernando Lalli

icone_fotos_pAlexandre Villela

 

Todo trabalho executado na oficina é um trabalho em equipe, por menor que seja o número de pessoas envolvidas, seja na área técnica ou administrativa. Reparar um veículo com qualidade exige um processo fundamentado envolvendo o recebimento, o reparo, a avaliação final e a entrega. Ao longo desses passos, todos têm que trabalhar de forma coesa para que o cronograma seja respeitado e o objetivo seja atingido.

Esse conceito pode parecer óbvio, mas é muito importante que as pessoas envolvidas estejam conscientes de que fazem parte de um time. Quem explica melhor é Sérgio Ricardo Fabiano, gerente de Serviços Automotivos do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), que novamente nos ajuda nesta seção. “Trabalhar em equipe é dividir experiências, trocar conhecimentos, buscar informações, buscar contato e conversação com os colegas”, afirma Sérgio.

O trabalho em equipe, se bem praticado, sempre dá resultados no processo de reparo, tanto na diminuição de tempo quanto na diminuição de custos ou na diminuição de retrabalho. “Quando se tem um processo adequado, evita-se que o reparo seja malfeito da primeira vez”, declara o especialista.

Muitos mecânicos trabalham sozinhos em pequenos estabelecimentos próprios, mas, quando a oficina possui vários mecânicos, cada um tem uma habilidade, quase sempre especializada: um tem mais habilidade com injeção eletrônica, outro com freios, outro com motor, e por aí vai. Na hora do atendimento ao cliente e na atribuição de serviços, essas habilidades têm que se complementar, atuar em conjunto. Para que tudo isso funcione, Sérgio reforça que é necessário liderança e relação de confiança mútua.

 

Com gestão e sem individualismo

 

O individualismo é um problema em qualquer ramo. “Aquela pessoa individualista, seja mecânico ou chefe, que conhece a atividade e guarda tudo para si, se torna improdutiva. Dentro da oficina, para que o trabalho se desenvolva, é importante que o conhecimento seja dividido”, ressalta Sérgio. “Por exemplo, se um funcionário recebe o treinamento sobre o novo equipamento que chegou à oficina, ele tem que ter a habilidade para transmitir aquele conhecimento aos demais. Uma equipe coesa é muito mais eficiente do que o individualismo de cada um”, afirma o gerente de serviços do IQA.

 

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Questões de relacionamento também entram na conta: assim como há quem tenha uma personalidade fechada porque quer guardar a informação para si, existem aqueles que são retraídos por timidez ou vergonha. Ambos são prejudiciais porque não estimulam a comunicação entre os componentes daquela equipe.

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Quem deve atacar esse problema é o responsável pela coordenação da equipe. “O gestor tem que analisar as características de cada funcionário, identificá-las e utilizar aquelas características que melhor se adequam a cada trabalho e coloca-las em prática. Seja esse gestor o chefe de oficina, ou gerente, ele tem que fazer com que seus funcionários sejam solidários, conversem, se ajudem, deem suporte ao outro, enfim, trabalhem como uma equipe mais coesa e mais próxima”, comenta Sérgio.

Além de fazer a equipe interagir entre si, é primordial para o gestor saber delegar o trabalho certo para a pessoa certa. A complexidade e o tempo para cada reparo variam caso a caso; o gestor tem que conhecer os perfis de seus funcionários para que eles consigam atender ao volume de serviços. “O coletivo deve se sobrepor às individualidades para chegar a um objetivo comum, que, no caso da oficina, é fazer o melhor reparo possível dentro do menor espaço de tempo para satisfazer as necessidades do cliente”, declara o especialista.

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Pontos de Sucesso

 

1) Paciência

Quem trabalha em equipe tem que saber ouvir mais, aprender a escutar o que o colega tem a dizer, sem interrompê-lo.

2) Aceitar ideias

Não existe ninguém que saiba tudo sobre mecânica. Às vezes, você está fazendo um trabalho na oficina que julga ser da melhor maneira, ou da maneira mais fácil. Mas outro colega pode ter uma solução mais adequada para aquele processo. Saiba receber aquela opinião e reavalie seus métodos de trabalho.

3) Não critique

Evite comentários desnecessários sobre seus colegas (ou funcionários) na oficina. Críticas destrutivas dentro de um processo construtivo, geram desconforto e descontentamentos dentro da equipe.

4) Saber dividir e ensinar

Divida seu conhecimento específico com os colegas ou funcionários. Mostre como você faz os seus reparos. Pergunte-se: “que conhecimentos eu tenho que eu posso passar para a equipe melhorar os processos de modo coletivo?”

5) Trabalhe

Não fique só olhando. Não adianta você ter boas ideias e boas práticas e só mandar os outros trabalharem. Coloque a mão na massa e ajude seu time a desenvolver os processos.

6) Seja participativo

Não adianta ter boas ideias se você não está interagindo com as pessoas do grupo. Dê e receba ideias.

7) Planeje

Antes de iniciar uma atividade, planeje o que você vai fazer. Se há um processo descrito, siga-o. Se não há, antes de fazer o reparo, tente estabelecer uma ordem lógica sobre como mexer naquele sistema e levante quais peças e ferramentas serão necessárias para o reparo.

 

Paralelo com os esportes

 

O trabalho em equipe é uma das atividades dentro do planejamento e organização de trabalho dentro da oficina. “É a engrenagem central, que movimenta todas as ferramentas da qualidade do processo”, destaca Sérgio.

Pense em qualquer esporte coletivo, como o futebol. O gestor na oficina é equivalente ao técnico coordenando o time dentro de campo. Mesmo que o esquema tático seja ótimo, se um jogador não cumpre sua função, vai comprometer todo o trabalho. Até no automobilismo isso acontece: de nada adianta o piloto ser veloz na pista se a parada nos boxes tiver algum problema – assim como, todo o esforço coletivo não vai dar resultado se o piloto errar na pista ou se a estratégia de corrida for ruim.

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Sérgio cita uma clássica frase de Michael Jordan, considerado o maior jogador de basquete de todos os tempos: “O talento decide partidas, mas só o trabalho em equipe ganha campeonatos”. Com uma equipe coesa, todos ganham: dos funcionários ao cliente final, que pode ter certeza da preocupação plena da oficina com a qualidade do seu trabalho.