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Fernando Landulfo

 

Quem conhece e convive com o mecânico sabe que ele não mede esforços para atender bem os seus clientes, que ele considera como parte da família: sai de casa no meio da noite para socorrer, parcela a conta em “suaves prestações” para que o cliente consiga pagar, gasta horas procurando o melhor preço de peças caras e muitas outras situações pitorescas que fazem parte do seu dia a dia. Alguns fazem verdadeiros milagres para manter os veículos funcionando, em regiões que dispõe de pouquíssimos recursos e peças de reposição, como aqueles que trabalham em Havana (Cuba). Ou seja: são verdadeiros heróis.

 

No entanto, o “Guerreiro das Oficinas”, que investe muito do que ganha em recursos técnicos, ferramentas, equipamentos e treinamento, por vezes, deixa de cuidar do seu maior patrimônio: a saúde. Pois é, ele que tem tanto cuidado com os bens de outras pessoas, muitas vezes, se esquece zelar pela sua integridade e segurança, se expondo a riscos e agentes nocivos que, no mínimo, poderão gerar graves doenças a médio e longo prazo.

 

Muito são os casos de mecânicos que sofrem de graves doenças respiratórias, oriundas das poeiras emitidas pelas lonas de freio, ou aqueles que sofrem de doenças de pele, provocadas pelo contato com solventes e produtos químicos. Isso sem falar nas intoxicações pela aspiração de vapores, envenenamento pela ingestão de combustível, assim como, má alimentação (P.F. no boteco da esquina), consumo de tabaco, surdez pela exposição a ruído intenso, etc.

 

No entanto, o que mais preocupa são os acidentes: frequentes são os casos de profissionais que ficam mutilados, devido a acidentes que são totalmente evitáveis, com a simples utilização de equipamentos de segurança como: óculos e calçados de proteção, máscaras protetoras para poeira, máscara para solda, etc. Outros são frutos da distração ou da ansiedade em realizar logo o trabalho para atender o cliente. Quantos dedos e mãos não foram decepados por hélices e correias? Quantas pernas quebradas por carros que caem de cavaletes e macacos? Com certeza, muito mais do que deveriam. Na verdade, o único número aceitável é zero.

 

Podem-se citar ainda os graves problemas provocados por produtos de limpeza industrial pesada, vendidos como apropriados para a higiene pessoal, e que o mecânico compra de boa fé e utiliza no seu próprio corpo, sem saber dos riscos que está correndo. Um verdadeiro crime! Mas como melhorar essa situação? Só existe uma saída: informação somada a atitude!

 

1º) Utilizar e incentivar o uso de equipamento de proteção (Individual (EPI) ou Coletiva (EPC)):

 

Toda atividade de risco exige a utilização de um equipamento de proteção individual ou coletiva. A Norma Regulamentadora número 6 (NR6), do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), e seus anexos trazem todas as definições e orientações pertinentes ao assunto e pode ser obtida gratuitamente por meio do site: www.mte.gov.br.

 

No caso das oficinas de reparação automotiva é indispensável utilizar:

 

a) Óculos de segurança, nas atividades onde pode haver ricos de projeção de partículas, líquidos e outras substâncias sobre os olhos;

b) Calçados de segurança com biqueira de aço, onde existe risco de queda de peças pesadas;

c) Luvas de proteção contra temperatura elevada ou farpas, na existência de risco;

d) Creme de proteção para a pele, onde existe contato direto com solventes, lubrificantes e combustíveis;

e) Máscara de proteção contra poeira, na existência de risco;

f) Protetor auricular em locais de alto nível de ruído (de acordo com a legislação).

 

Um outro aspecto importante é o cuidado que se deve ter durante a aquisição de equipamentos de proteção:

 

a) O equipamento deve ser apropriado para a tarefa e risco a que o profissional vai ser exposto;

b) O seu Certificado de Provação (CA) deve se encontrar válido;

 

Ambas as informações podem ser verificadas gratuitamente no site do MTE.

 

2º) Utilizar apenas produtos de higiene adequados:

 

Para ser adequado para lavar as mãos, o produto precisa ser aprovado pelo Ministério da Saúde (MS), com um número de classificação, e registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), como cosmético. Lamentavelmente, muitos mecânicos lavam suas mãos com produtos destinados a remover graxa de peças, pisos e máquinas (categoria saneantes). O resultado é a aparição de graves doenças de pele que podem levar anos para serem curadas (isso quando possível). Mais informações podem ser obtidas no sites: www.anvisa.gov.br e www.saude.gov.br.

 

3º) Adotar uma atitude de segurança:

 

Segurança é uma questão de atitude. Não basta ter em mãos os equipamentos de proteção adequados. É preciso utilizá-los corretamente e incentivar os demais colegas a utilizar. Deixar de lado, definitivamente, aquela antiga, machista e burra postura: “mecânico que é mecânico não precisa desse tipo de frescura”. Elogiar quem utiliza, tratando-os como verdadeiros profissionais. Além disso, agradecer a àqueles que lembram da necessidade de utilização e não taxá-los de “chatos”. Essas pessoas estão preocupadas com o seu bem estar.

 

É preciso também tomar uma postura segura. Não se deixar levar pela ansiedade de terminar logo o serviço, tomando atalhos que, por vezes, podem levar a um desastre. Mesmo que demore um pouco mais, siga o caminho mais seguro. Além disso, é preciso vigiar o colega menos experiente, ou mais descuidado, para que ele não cometa esse tipo de erro. A fatalidade não costuma perder oportunidades. Pense naqueles que estão esperando a sua volta em casa. Afinal de contas, a saúde do mecânico é o seu maior patrimônio.