Especialista alerta que a escolha correta do lubrificante e a manutenção preventiva ajudam a evitar paradas inesperadas e reduzir os custos da operação
Com o aumento da demanda por transporte durante a safra, os caminhões enfrentam jornadas mais longas, altas temperaturas e cargas elevadas. Em meio a esse cenário, um item muitas vezes tratado como rotina pode fazer diferença no desempenho e na disponibilidade da frota: a lubrificação do motor.
Embora nem sempre seja percebido pelo transportador, o uso do óleo correto influencia diretamente o consumo de combustível, a durabilidade dos componentes e até mesmo a continuidade das operações. Em períodos de trabalho intenso, falhas mecânicas podem representar prejuízos importantes e comprometer prazos de entrega.
Segundo Wellington Santos, técnico em implantação de tecnologia da Castrol, o lubrificante desempenha uma função essencial na proteção dos componentes internos do motor.
“Em regimes severos, o óleo precisa manter a formação do filme lubrificante mesmo sob altas cargas e temperaturas. Quando isso não acontece, há aumento do atrito e desgaste acelerado dos componentes”, explica.
Operação intensa acelera a degradação do lubrificante
Durante a safra, muitos caminhões permanecem em atividade por longos períodos sem interrupções. Como consequência, o óleo é submetido a condições mais severas, o que acelera sua degradação.
Além disso, a utilização de produtos fora das especificações recomendadas pode afetar não apenas o motor, mas também outros sistemas do veículo.
De acordo com o especialista, formulações mais avançadas contam com aditivos que ajudam a manter a limpeza interna do motor e a preservar as características do lubrificante por mais tempo.
Outro problema está relacionado à formação de depósitos e borra, que prejudicam a dissipação do calor e podem comprometer o funcionamento do conjunto mecânico.
Consumo de combustível e risco de paradas entram na conta
Os impactos de uma lubrificação inadequada vão além da vida útil do motor. O aumento do atrito interno faz com que o propulsor trabalhe mais para entregar o mesmo desempenho, elevando o consumo de combustível.
Ao mesmo tempo, componentes como pistões, anéis, camisas, válvulas e a turbina estão entre os mais sensíveis ao desgaste. Transmissão, eixos e diferenciais também exigem fluidos específicos para garantir o funcionamento adequado.
Entre os erros mais comuns apontados pelo especialista está a escolha do lubrificante baseada apenas no preço. Outro equívoco frequente é misturar produtos incompatíveis ou ultrapassar os intervalos recomendados para a troca.
Por isso, a principal recomendação é seguir as especificações definidas pelo fabricante do veículo, respeitando os requisitos de viscosidade e classificações internacionais.
Também é importante observar a procedência do produto e adquirir lubrificantes de fornecedores confiáveis.
Além da troca de óleo dentro dos prazos corretos, algumas medidas ajudam a reduzir riscos durante a safra. Entre elas estão a inspeção periódica do nível e da aparência do óleo, a utilização de fluidos específicos para cada sistema e a realização da manutenção preventiva.
Segundo Wellington Santos, quando aplicado corretamente, o lubrificante deixa de ser apenas um item de manutenção e passa a ter papel estratégico na redução dos custos operacionais e no aumento da disponibilidade da frota.

