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Manter componentes do sistema de exaustão em ordem é primordial não só para a saúde dos veículos, mas também para a qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente

 

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera a poluição do ar uma das maiores ameaças à saúde humana, isso é um fato. Existem várias fontes que causam essa poluição, principalmente, nos grandes centros urbanos, e os veículos representam uma parcela significativa nesse quadro.
Estudos na cidade de São Paulo registraram, em apenas dois anos, mais de 20 mil crianças e mais de 8 mil idosos internados por problemas respiratórios relacionados à poluição atmosférica. Aliás, esses efeitos nocivos vão muito além de simples problemas respiratórios, acabam se agravando e desencadeando doenças como pneumonia, bronquite e asma.

 

No Brasil, justamente com o objetivo de reduzir e controlar a contaminação do ar provocadas pelos veículos automotores, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou os Programas de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores: PROCONVE (automóveis) e PROMOT (motocicletas) fixando prazos, limites máximos de emissão e estabelecendo exigências tecnológicas para veículos automotores, nacionais e importados.

 

Para atender às normas, a L-5 do Proconve, a indústria automobilística nacional “se vira nos trinta” em busca de novas tecnologias que garantam a redução da emissão de poluentes. O sistema de exaustão do veículo é um dos responsáveis por essa proeza, com destaque para o catalisador. Nesta matéria, vamos conhecer um pouco mais sobre a importância de todo sistema.

 

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O sistema de exaustão, também conhecido como escapamento, é composto por tubo do motor, flexível, catalisador e silenciosos intermediário e traseiro. “Sua função é direcionar os gases para a parte traseira do veículo, atenuar o nível de ruído emitido pelo funcionamento do motor e transformar os gases nocivos emitidos em inertes”, explica gerente de engenharia de produtos da Tuper Escapamentos e Catalisadores, Henry Grosskopf.

 

Por conta justamente das leis de emissões, o catalisador acaba sendo o protagonista do sistema, e de acordo com Alexandre Achcar, gerente comercial da Umicore Brasil, ele é a peça que integra o sistema de exaustão dos veículos. “Formado por um núcleo cerâmico, o equipamento tem a função de converter os gases nocivos do automóvel em gases inofensivos ao meio ambiente. Um catalisador em boas condições de funcionamento é capaz de converter até 98% dos gases poluentes”, afirma.

 

O gerente de Engenharia e Qualidade da Mastra, Valdecir Rebelatto, complementa: o Monóxido de Carbono (CO) é convertido em CO2; Hidrocarbonetos (HC) em H2O e Óxidos de Nitrogênio (NOx) em N2. “O catalisador também tem a importante função de auxiliar na atenuação de ruído do sistema de exaustão, funcionando com um pré-abafador no veículo”, explica.

 

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Segundo o gerente da Umicore, o catalisador é desenvolvido para trabalhar em sintonia com o sistema de alimentação dos automóveis, portanto, para o bom funcionamento e durabilidade é preciso que a revisão do veículo esteja sempre em dia e que seja utilizado combustível de qualidade. “A má conservação do carro e o abastecimento com combustível adulterado podem se tornar fontes de problemas, já que ambos comprometem a eficiência e a durabilidade do catalisador”, complementa Achcar.

 

Ele continua: “substâncias presentes no óleo lubrificante do motor, como Fósforo (P), Zinco (Zn), Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg), também podem afetar o catalisador. Essas substâncias, provenientes da queima do óleo, ficam acumuladas na camada catalítica, encobrindo os metais nobres e comprometendo a eficiência do equipamento. Essa contaminação é irreversível, obrigando a troca do catalisador. Para que isso não aconteça, é fundamental utilizar o óleo lubrificante recomendado pelo fabricante do veículo e ficar atento a qualquer anormalidade no consumo de óleo. O mesmo pode ocorrer através de contaminantes presentes em combustíveis adulterados”.

 

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Queima de óleo quando vaza para o catalisador causa contaminação, pois cobre os metais nobres

 

Um catalisador danificado, além de agravar a poluição do ar, eleva o consumo de combustível em até 20%. “Vale salientar que os veículos são desenvolvidos considerando a existência do catalisador. Sua eliminação ou danificação altera de forma significativa as condições de funcionamento do veículo. A falta do catalisador provoca diversos problemas que vão desde a falta de regulagem do sistema de injeção eletrônica, alteração da contrapressão do sistema de escapamento, o aumento do consumo de combustível em até 20% e a perda de rendimento do motor”, alerta Achcar.

 

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Componentes de motor com problemas podem prejudicar o catalisador, que perde eficiência

 

Valdecir completa afirmando que quando não é efetuada a análise da conversão de gases do catalisador, o veículo pode estar poluindo o meio ambiente bem acima dos níveis aceitáveis pela legislação. “Além disso, existe a possibilidade de consumir mais combustível nos casos em que há entupimento do núcleo cerâmico do catalisador por acúmulo de fuligem (carbonização)”, observa o gerente.

 

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Análise de conversão vai diagnosticar se a peça está ou não com avarias e se é hora da troca

 

De acordo com a Tuper, qualquer componente em mau estado do sistema da ignição (velas, cabos de velas, bobinas, tampa e rotor do distribuidor), combustível adulterado e trajetos curtos, que acumulam água na tubulação e nos silenciosos, não deixam que o sistema trabalhe em temperatura adequada e acabam causando corrosão. “Quando o motor do veículo está desgastado, queimando óleo, desregulado ou com mau funcionamento da injeção eletrônica, o catalisador pode ficar comprometido e provocar o derretimento ou o entupimento, impossibilitando a passagem dos gases, fazendo com que o motor perca a força e passe a aquecer além do normal”, avisa Henry.

 

Apertem os cintos, o catalisador sumiu

 

Por ser uma peça cara (afinal, sua estrutura conta com metais nobres), uma situação alarmante que acontece no mercado é a retirada do catalisador do escapamento, ou até mesmo o uso de componentes falsificados, o que é repudiado por todos os fabricantes, que afirmam que essa prática traz mais problemas do que a simples redução de custo, ou seja, é o barato que sai caro. Os especialistas afirmam que em algumas regiões essa prática ainda existe, pois os consumidores não têm a consciência da importância do catalisador e do mal que a sua falta traz à saúde.

 

16449Atenção: uma peça original, certificada pelo Inmetro, jamais pode ser retirada ou substituída por falsas ou de composição duvidosa, uma prática muito comum no mercado paralelo

 

“Um veículo que não possui catalisador ou o teve substituído por uma peça falsa, além de contribuir para o agravamento da poluição do ar, pode ter o aumento do consumo de combustível em até 20%. Vale salientar que os veículos são desenvolvidos considerando a existência do catalisador, sua eliminação altera de forma significativa as condições de funcionamento do veículo”, diz Achcar.

 

Valdecir complementa: “o principal dano que esta prática causa no veículo é de ordem funcional, uma vez que a contrapressão de trabalho do motor é drasticamente alterada e o veículo passa a consumir mais combustível. Nos veículos com OBD II, a luz sinalizadora de anomalia fica acesa para que o proprietário se dirija imediatamente à oficina”.

 

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Quando a luz de anomalia da injeção acende também pode indicar problema no catalisador

 

O gerente da Umicore conta que, além disso, existem muitas peças falsas no mercado, a retirada de catalisadores ou a utilização de catalisadores “falsos” (peça que aparenta conter a cerâmica catalítica, mas na verdade está vazia ou preenchida com lã de aço), o que aumenta o consumo de combustível e compromete o cumprimento das leis de emissões veiculares. “Para prevenção é de extrema importância a verificação do selo do Inmetro fixado/estampado na peça e na caixa, apresentando a marca do fabricante”, diz.

 

Segundo a Mastra, por ter a comercialização regulamentada pelo Inmetro, os produtos de péssima qualidade já não existem mais no mercado em função das altas multas e penalidades impostas por lei. “Na compra, verifique se a peça vem devidamente embalada e com o selo do Inmetro colado na embalagem e a marca estampada na carcaça do catalisador”. Ou seja, é bom desconfiar de preços muito abaixo do mercado.

 

Na hora da compra, além de exigir selo do Inmetro e nota fiscal com certificado de garantia, a Tuper alerta que ao escolher a peça adequada, se certifique da motorização do veículo. “Para veículos importados mais antigos, é recomendado os catalisadores universais, que são uma boa opção, uma vez que a peça específica é difícil de ser encontrada no mercado de reposição”, avisa Henry.

 

Em relação à remanufatura ou recondicionamento da peça, Achcar é incisivo: “estas práticas não são possíveis, devido à própria característica construtiva do produto. Porém, seu valor agregado se mantém, e recomenda-se sua destinação para centros de reciclagem. A Umicore é a maior recicladora de metais preciosos do mundo e pode orientar o consumidor neste sentido”.

 

“Um detalhe pode fazer toda a diferença na aplicação, por isso, é importante que o mecânico tenha experiência e também utilize a norma ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para garantir o serviço de qualidade. Fazer o encaixe das borrachas e coxins, bem como a forma de utilizar a cola veda escape que deve ser aplicada na medida certa, entre outros detalhes, são informações encontradas na norma. O estado dos coxins de borracha e suporte para fixação do sistema de exaustão deve ser avaliado e, se as peças estiverem desgastadas, precisam ser substituídas”, revela Henry.

 

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Buchas e coxins devem ser examinados numa eventual troca de componente do sistema, assim como a utilização da cola de vedação

 

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Achcar afirma que é importante salientar que a partir de 2012 os veículos foram produzidos com sistema de diagnose de emissões (OBD), o que exigiu o uso de duas sondas lambda. “Caso a lâmpada de controle no painel acenda indicando uma anomalia, antes da troca do catalisador é importante que se verifique todo sistema de injeção e pós-tratamento de gases de emissões, inclusive as sondas. Isso evitará gastos desnecessários com peças que não são a causa do problema”, comenta.

 

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Desde 2012 é exigida a adoção de duas sondas: uma pré e outra pós catalisador

 

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O restante do sistema

 

Em relação aos outros componentes do sistema, o técnico da Mastra explica que escapamentos originais são fabricados em chapas de aço revestido e tem durabilidade média entre 18 a 24 meses. “A Mastra utiliza a tecnologia DURAMAXR, aplicada em 100% dos nossos produtos. Ela consiste em uma dupla chapa de aço com revestimento em GALVALUME (alumínio zinco) proporcionando maior durabilidade nos componentes”, conta.

 

“A espessura da chapa interfere na durabilidade do produto, assim como o diâmetro deve ter as medidas recomendadas pelas montadoras, pois se for menor pode prejudicar a dinâmica dos gases do motor”, explica o gerente da Tuper.

 

Diz Valdecir que o escapamento é uma peça suscetível a batidas contra o solo irregular e também a choques térmicos muito agressivos que costumam causar sua quebra, porém a maior causa da diminuição da durabilidade é o alto grau corrosivo a que a peça é submetida pelos gases da combustão.

 

Assim como o catalisador, a orientação na hora da compra é optar sempre por produtos originais, pois os não originais comprometem tanto o nível de ruído como o consumo de combustível do veículo. “Não é recomendável de maneira alguma recondicionar o escapamento com solda. Uma vez furado ou quebrado, significa que o fluxo de gases internos já foi desviado e o escapamento perdeu a taxa de contrapressão de trabalho do motor. Soldá-lo nestas condições somente irá eliminar o vazamento mas o funcionamento já estará comprometido e o pior é que este componente pode danificar outros que se apresentam íntegros”, observa Valdecir.

 

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Batidas e impactos podem causar furos ou quebras, que desvia o fluxo dos gases internos

 

O técnico da Tuper continua: “fazer modificações que não constam no projeto original, como adaptações de peças, alterar o comprimento ou o diâmetro do tubo do motor e usar peças que não são adequadas ao modelo do veículo são práticas prejudiciais ao funcionamento do sistema de exaustão, além de causar a diminuição da vida útil das peças e provocar o aumento de consumo de combustível e do nível do ruído”.

 

Essas são algumas dicas dos especialistas no assunto sistema de exaustão, é bom sempre lembrar que em caso de avaria de qualquer componente do conjunto, deve-se avaliar os demais itens para verificar até que ponto eles se apresentam em condições de uso. Dica importante: quando há aumento no nível de ruído e cheiros estranhos provenientes do cano de escape é um alerta de que existem problemas no sistema e uma inspeção se faz necessária, assim como se houver tido batidas ou sofrido fortes impactos.

 

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Modificaçoes do projeto original não são adequadas, assim como a utilização da solda

 

Mais informações: Mastra: (19) 3446-4300 | Tuper: (47) 3631-5000 | Umicore: (19) 3471-4000