Raio X – Toyota Yaris 1.3 CVT

Toyota Yaris 1.3 CVT: novo projeto, mesmos predicados

 

Novo hatch da Toyota chega para manter a fama de robustez e mecânica confiável

Texto: Leonardo Barboza
Fotos: Leonardo Barboza e Renan Senra

 

Quando se pensa em Toyota a primeira coisa que vem na cabeça é em mecânica confiável, robusta, pouca manutenção e baixa desvalorização. Feito na plataforma B da Toyota, a mesma do Etios, nas carrocerias hatch e sedã, o Yaris vem para suprir o enorme degrau que havia até o Corolla. A Toyota projeta um volume de vendas mensal de 5.800 carros. Deste total, 55% deverão ser da carroceria hatch e 45% do sedã, entre os seus concorrentes estão diretamente o Fiat Argo, os Volkswagen Polo e Virtus e o Honda City.

Em sua versão sedã XLS 1.5 2018, o Etios vem ainda com direção eletroassistida, chave com comando de abertura e fechamento das quatro portas, alarme de advertência para portas abertas, chave na ignição e cinto de segurança. Os freios são gerenciados por ABS com distribuição eletrônica de frenagem.

 

Desenho moderno

Com um desenho muito mais agradável que o do Etios, o Yaris ganhou formas e curvas mais ousadas em sua carroceria, elas são muito parecidas com o modelo premium da marca, o Camry.
Por dentro o painel de instrumentos está na central e migrou para a parte esquerda do cokpit ao contrário do Etios, em posição central, o sistema de áudio é multimídia com tela de 7 polegadas e ar-condicionado digital a partir da versão XL Plus.

Motor e câmbio

O motor 1.3 16V Flex também é derivado do seu irmão mais velho, Toyota Etios. Fabricado em alumínio, traz comando variável tanto na admissão quanto no escape, 101 cv a 5.600 rpm e torque máximo de 12,9 kgfm a 4.000 rpm abastecido com etanol. O câmbio utilizado é um automático do tipo CVT, com simulação de sete marchas (a mesma caixa do Corolla).

 

 

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No uso, o conjunto parece sentir as “gordurinhas” a mais que ganhou em relação ao Etios. O motor para manter bom desempenho e velocidade trabalha em rotações bem altas na rodovia, tornando seu consumo um pouco elevado e de apenas 11,0 km/l (E). Já no dia a dia andando em velocidade constante por volta dos 50 km/h, a rotação é baixíssima beirando aos 1.000 rpm segundo o teste realizado pela revista CARRO no Campo de Provas da ZF em Limeira/SP. Nessas condições o seu consumo melhora da água para o vinho e vai para 8,5 km/l (E), pouco menos em comparação ao rodoviário.

 

Conforto e equipamentos

A versão avaliada é a XL Plus Tech de série, vem bem recheada e conta com rodas de liga leve 15”, direção eletroassistida progressiva, faróis com acendimento automático, sistema destravamento das portas por sensores nas chaves e partida por botão sem chave, central multimídia de 7 polegadas, ar-condicionado digital, isofix, airbags frontais, controles de tração/estabilidade e auxílio de arranque em subidas. Tudo isso para deixar uma melhor convivência e prazer para as pessoas a bordo.

Na visão do mecânico

A Revista O Mecânico levou o Toyota Yaris Hatch XL Plus Tech 1.3 CVT para Nilson Patrone, mecânico e proprietário da oficina Power Class, localizada em São Bernardo do Campo/SP, que avaliou as características do veículo e suas condições de diagnóstico e reparo na oficina.

 

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Revisão básica

Com a evolução do downsizing nos motores, cada vez mais eles ocupam menos espaço no cofre do motor. “Visualmente falando, já adianto que a manutenção é tranquila e é tudo muito simples e de acesso fácil para a manutenção”, observa Nilson.

O motor 1.3 16V possui acesso fácil as bobinas de ignição independentes e velas de Irídio que, segundo Patrone, devem ser instaladas com o torque correto pelo mecânico na hora da substituição. “A vela de ignição é sextavada de 14 mm e torque baixíssimo. Como a vela de Irídio possui materiais mais nobres, de acordo com o manual, a sua troca é apenas com 100 mil km”, comenta.

Ao trocar o óleo, Nilson se surpreendeu com a proteção mínima do cárter do motor. “O conjunto é projetado para o mínimo custo possível. Porém é apenas para pequenos raspões e pedras”, acrescenta Nilson.

Destaque também para os elementos filtrantes de óleo, ar do motor, combustível e cabine do veículo, posicionados em região de fácil acesso que não tomam muito tempo do mecânico. “O mais trabalhoso é o de ar do motor que é necessário remover a mangueira de admissão e desconectar o sensor de ar a cada 40 mil km”, comenta Nilson.

O veículo utiliza sistema de sincronismo via corrente. Para preservar a vida útil, Nilson orienta: “Sua durabilidade vai depender diretamente da especificação do óleo lubrificante utilizado, neste caso, a Toyota recomenda o SN 5W-30 ou 10W-30”.

O sistema de correias Poly-V é tensionada através de rolamento tensionador. “A mesma que controla a bomba d’água é a que comanda a do ar-condicionado, passa pela árvore de manivelas e alternador. Para removê-la o acesso é bom e basta distensionar com uma chave combinada e retirar a correia”, explica Nilson.

 

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Undercar

Começando pelo sistema de exaustão que é divido e três partes e composto por dois catalisadores. “O material dos componentes é de excelente qualidade e manutenção muito simples já que as uniões das peças são feitas através de flanges com juntas e fixação por parafusos com molas”, comenta Nilson.

Na parte de suspensão, o conjunto bem simples e acessível. “A suspensão parece ser superdimensionada para o veículo e de durabilidade muito superior. Mesmo assim, preocupada com o custo de manutenção a Toyota projetou os pivôs de bandeja com a possibilidade de substituição somente do componente sem a necessidade de ter que trocar o conjunto inteiro da bandeja”, disse Nilson.

 

Freios

No cofre do motor, do lado esquerdo e atrás da bateria (tomando como referência a posição do motorista, dentro do carro), em uma posição um pouco mais apertada de mexer fica a central do ABS, VSC, TRC e HAC. O sensor do ABS dianteiro possui uma proteção de borracha para evitar que impurezas entrem na roda fônica, enquanto o sensor traseiro, é blindado e integrado com rolamento e cubo de roda. “Na manutenção se troca a peça inteira afirma ele.”, observa Nilson.

Nilson também observou que nos discos de freio dianteiro tem uma novidade. “Pelo fato de o veiculo estar pouco rodado é possível ver as ranhuras entrelaçadas no disco. Isso ajuda a melhorar o assentamento das pastilhas no disco”, disse o mecânico.

Na traseira, para desacoplar o tambor e trocar as sapatas, Nilson ressalta: “Basta colocar um parafuso de 8 mm e apertá-lo que o tambor é removido facilmente. A regulagem das lonas é feita de modo automático, conforme o desgaste das lonas vai ocorrendo”.

Elétrica e eletrônica

O Yaris possui sistema de partida a frio sem tanquinho de gasolina. “A flauta dos bicos injetores vem com resistências aquecedoras uma em cada bico. Na hora da limpeza de injeção é necessário cautela na remoção dos conectores para evitar problemas de quebras”, explica Nilson.

Logo do lado está o corpo de borboleta. “É muito mais fácil de remover. A posição ajuda e não requer que seja preciso retirar outros componentes ao redor”, comenta

A tomada de diagnóstico fica do lado inferior esquerdo do painel do veículo e, no teste da oficina, devido utilizar-se o mesmo sistema do Etios, o equipamento comunicou perfeitamente as informações do carro com o scanner. “Ao conectar o aparelho houve leitura dos principais módulos, menos o da transmissão, e até detectou alguns códigos de falha, que foram apagados. Bom sinal! Caso um carro deste chegue à sua oficina e o seu equipamento de diagnósticos ainda não tenha a atualização com o modelo Yaris”, finaliza Nilson.

 

Ficha técnica:

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Toyota Etios 1.5 XLS AT
Motor
Posição:Dianteiro transversal, Gas/Etanol
Cilindros: 4 em linha
Válvulas: 16V
Taxa de compressão: 13,0:1
Injeção de combustível: Injeção multiponto
Potência: 101 (E) a 5.600 rpm / 94 (G) a 5.600 rpm
Torque: 12,9 (E) / 12,5 (G) a 4.000 rpm
Câmbio CVT, 7 marchas

Freios
Dianteira: Disco ventilado

Traseiros: Tambor

Direção
Elétrica

Suspensões
Dianteira: Independente, McPherson
Traseira: Eixo de Torção

Rodas e Pneu
Rodas: Liga leve, 15 polegadas Pneus:185/60 R15

Dimensões
Comprimento (mm): 4.145 Largura (mm):1.730
Altura (mm):1.490
Distância entre eixos (mm): 2.550

Capacidades
Porta-malas: 310 litros
Tanque de combustível: 45 litros