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Conheça os detalhes da manutenção do Hyundai Creta, SUV compacto que compartilha a mecânica com o HB20

Lançado no Brasil em 2017, o Hyundai Creta já possui mais de 200 mil unidades vendidas no Brasil. Apesar dos cinco anos de garantia de fábrica, muitos destes veículos já estão sob os cuidados dos mecânicos nas oficinas independentes. E a maior parte deste montante corresponde às versões com motor 1.6, como o exemplar desta reportagem, do acabamento Smart Plus.

O motor 1.6 do Creta é da família Gamma, presente em diferentes configurações de outros veículos do grupo Hyundai-Kia, como HB20, HB20S, HB20X, Veloster, i30, Soul, Cerato e Rio. No SUV, o 1.6 possui quatro cilindros, bloco e cabeçote em alumínio, quatro válvulas por cilindro, duplo comando variável de válvulas e sistema de partida a frio com velas aquecedoras. A potência é de 130/123 cv (E/G) a 6.000 rpm e o torque, de 16,5/16 kgfm a 4.500 rpm. O câmbio é automático de seis marchas, com tração sempre dianteira.

A versão Smart Plus (R$ 96.990) traz rodas diamantadas de 17 polegadas, faróis de neblina, luzes de rodagem diurna em LED, volante revestido em couro, ar-condicionado automático digital, central multimídia de 7 polegadas (com Android Auto e Apple CarPlay), câmera de ré, controle de cruzeiro, sensores de estacionamento e bancos com revestimento parcial em couro. O SUV traz ainda controles de estabilidade e tração e assistente de saída em rampa. Já a oferta de airbags é limitada ao conjunto duplo frontal, obrigatório por lei.

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Para avaliar as condições de manutenção e reparabilidade do Creta Smart Plus 1.6 2021 (R$ 96.990), contamos com o auxílio do mecânico Rodrigo Marinho, proprietário da oficina Gade Automotive, em São Paulo/SP.

COFRE AMPLO

Ao abrir o capô, é notório o amplo espaço para trabalho em todo o cofre. Para ter acesso às bobinas e velas, basta remover os quatro parafusos da proteção plástica com uma chave 10 mm (1). Marinho alerta para os cuidados com estes componentes. “Importante evitar molhar as bobinas. Mesmo com a borracha de vedação (2), a umidade pode deteriorá-las”, observa o mecânico.

Neste motor 1.6, as velas são de irídio e têm troca preconizada pelo manual do fabricante somente a cada 160 mil quilômetros. Para casos de uso severo, a Hyundai não informa o período exato de manutenção das velas, mas recomenda substituição mais frequente, dependendo da condição. “O período de troca indicado no manual é relativo.

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Um carro que é utilizado em trânsito frequente diariamente certamente terá desgaste maior das velas, já que mesmo em marcha lenta o motor está trabalhando. Por isso é importante fazer uma inspeção visual destes itens a cada a 30 mil quilômetros”, recomenda Marinho. No manual, a Hyundai também indica inspeção e, se necessário, ajuste de folga das válvulas a cada 90 mil quilômetros ou 6 anos.

Coletor de admissão, corpo de borboleta e alternador (3) também têm fácil acesso no cofre. “A posição do alternador, que fica em local com boa ventilação, é importante para evitar o superaquecimento e o ressecamento dos componentes”, afirma. O sincronismo do motor é feito por corrente, que dispensa troca, enquanto a correia de acessórios (4) e o tensor também têm manutenção descomplicada – a Hyundai indica apenas inspeção a cada 30 mil quilômetros, sem período exato para substituição. “Nas revisões, é importante checar se a correia está íntegra, sem cortes, que podem gerar problemas no futuro”, conta o mecânico.

O coxim superior do motor é do tipo hidráulico (5). “Ele amortece melhor as vibrações do motor, aumentando o conforto na cabine. Vale inspecionar o coxim nas revisões em busca de vazamento de óleo. Já vi mecânico procurando vazamento na tampa de válvulas, mas era proveniente de furo no coxim”, conta. O módulo do ABS (6) fica posicionado próximo à parede corta-fogo, em posição elevada, isolado de riscos de colisão leve ou enchente.

O acesso aos sensores de oxigênio (pré e pós-catalisador) também é descomplicado, na região posterior do cofre (7).

O Creta conta com tampa do radiador (8) e reservatório do líquido de arrefecimento (9). “Evite abrir a tampa do radiador. Sempre cheque o nível com o motor frio e com base nas marcas de mínimo e máximo no próprio reservatório”, alerta Marinho. O intervalo de substituição do líquido de arrefecimento é a cada 100 mil quilômetros. A especificação preconizada é o líquido genuíno da marca (do tipo já diluído, pronto para uso), sendo necessários 5,7 litros para a troca completa.

O fluido de freio indicado é DOT 3 ou DOT 4 (10), sem prazo especificado pela Hyundai, sendo necessários 800 ml para o abastecimento. “Não aconselho o hábito de completar o fluido ou misturar marcas. Isso pode criar incompatibilidade química e acabar criando borras no sistema de freios, especialmente em modelos com ABS, como este. O fluido deve ser trocado por completo, em média, a cada 2 anos”, explica o mecânico.

A troca do filtro de ar do motor (11) deve ser realizada a cada 40 mil quilômetros (ou 4 anos), ou antes deste período caso esteja visualmente saturado. “Para ter acesso ao elemento filtrante, basta soltar as duas presilhas laterais para abrir a caixa. Tome cuidado apenas para não dobrar e rasgar o duto de ar lateral”, conta Marinho. Para chegar ao compartimento do filtro de cabine (ou filtro do ar-condicionado), basta pressionar as laterais do porta-luvas e deslocá-lo para baixo. “Sempre siga o posicionamento do filtro de acordo com o fluxo de ar, orientado por uma seta (12)”, salienta o mecânico. O intervalo de substituição é a cada 20 mil quilômetros ou 2 anos.

A bateria (13) do Creta 1.6 2021 é do tipo convencional, de 60 Ah, já que ele não traz mais o sistema start-stop, que exigia outra especificação de bateria (do tipo EFB ou AGM). “O polo negativo traz sensor integrado, o que exige cuidado na hora de fazer partida auxiliar em caso de bateria descarregada”, conta. A caixa de fusíveis (14) possui uma pinça integrada na tampa, que facilita o ato de remover e instalar os componentes.

Os faróis principais do Creta Smart Plus têm arranjo de parábola simples e utilizam lâmpadas halógenas, com fácil acesso para troca (15). O conjunto inferior, que integra as luzes de neblina e de rodagem diurna, é acessível pela caixa de roda.

UNDERCAR

O Creta traz proteção plástica na região do cárter, com aberturas de acesso ao bujão de dreno e do filtro de óleo (16) para a troca de óleo do motor. A substituição de óleo e filtro é recomendada a cada 1 ano ou 10 mil quilômetros (ou metade do prazo em uso severo). A indicação da fabricante é o uso do óleo genuíno da marca, de especificação 5W30. Incluído o filtro, são necessários 3,6 litros ao todo.

O motor de partida possui tamanho reduzido e fica alojado próximo ao câmbio. Já o coxim inferior do motor (17) possui estrutura reforçada. O câmbio automático (18) é livre de manutenção em uso normal, de acordo com a Hyundai. Já em uso severo, a fabricante recomenda a troca do fluido a cada 100 mil quilômetros.

Neste caso, a especificação do óleo genuíno é ATF SP-IV, sendo necessários 6,7 litros para o abastecimento completo neste Creta 1.6 2021. O SUV produzido em Piracicaba (SP) traz arranjo de suspensões do tipo McPherson na dianteira e por eixo de torção, na traseira, com barras estabilizadoras nos dois eixos – na região posterior, a peça é posicionada dentro do eixo (19).

O sistema de freios é convencional, com discos ventilados na dianteira e a tambor, na traseira. “A Hyundai protegeu o flexível de freio com uma mola ao redor da peça, importante para evitar danos e dobras”, observa o profissional.

O Creta é equipado ainda com sistema de monitoramento da pressão dos pneus (TPMS). “Em caso de rodízio, o mecânico deve informar via scanner a nova posição dos pneus, para correto funcionamento do sistema”, alerta Rodrigo. O torque de aperto recomendado dos parafusos das rodas é entre 107 e 127 Nm.

Após analisar os aspectos de reparabilidade do SUV da Hyundai, Rodrigo aprovou o modelo. “A manutenção do Creta é simples, com ótimo espaço no cofre e componentes de fácil acesso para substituição. Para trabalhar com carros modernos como este, é essencial o mecânico investir em itens como um scanner de qualidade e osciloscópio”, opina Marinho.

Hyundai Creta 1.6 AT

Texto & fotos Gustavo de Sá