Passo a passo de diagnóstico da sonda lambda em tempos de gasolina E30

Renato Munhoz da Bosch, explica como o sistema reconhece o combustível e ajusta a mistura ar/combustível 

 

texto Felipe Salomão   fotos Diego Cesilio 

O diagnóstico da sonda lambda ganha relevância com a adoção da gasolina E30. Com maior percentual de etanol adicionado ao combustível derivado do Petróleo há muitas dúvidas sobre o diagnóstico e a reparação de motores e sistema de alimentação. 

Portanto, a Revista O Mecânico foi até o Centro de Treinamento da Bosch em Campinas/SP para entender melhor desse assunto. Para isso, conversamos com Renato Munhoz Borbon, Instrutor Técnico de Treinamento Automotivo da empresa, que explicou como o sistema de injeção identifica variações na mistura ar/combustível e qual é o papel de cada sensor. Segundo Borbon: “o objetivo é entender quem é o responsável por identificar essas alterações de mistura”. 

O instrutor técnico ainda reforçou que os veículos flex utilizam duas sondas com funções distintas: a pré-catalisador, responsável pelo reconhecimento do combustível, e a pós-catalisador, que confirma o funcionamento do catalisador. Como resume: “a sonda pré faz o reconhecimento de combustível, ajuste da mistura ar e combustível. A sonda pós identifica se o catalisador está fazendo seu papel.” 

Testes da Sonda 

Por ser uma matéria de diagnóstico, o passo a passo completo será melhor observado por vídeo, uma vez que há uma melhor visualização dos dados do scanner KTS590, da Bosch. Isto posto, é importante acessar o módulo da injeção e, dentro da parte de valores reais, buscar informações sobre a sonda. 

Neste campo de informação, será possível achar os dados dentro do banco 1, visto que o carro é de três cilindros. Já o sensor 1 é pré-catalisador e o sensor 2 pós-catalisador. Com o veículo desligado, é possível ver os valores de tensão da sonda pré e pós em 0,45 volt, ou seja, 450 milivolts. Esses dados representam a mistura estequiométrica. Portanto, com o motor parado, sem os gases passando pelo escapamento, é esperado esse valor de 0,45 volt. 

Todavia, a partir do momento em que ligar o motor, esse valor irá variar. A sonda pré-catalisador muda com o motor em funcionamento. Por sua vez, na sonda pós, é comum o valor gerado no scanner não ter alteração, já que ela é pós-catalisador. Agora, se os dados da sonda pós, quando o carro estiver ligado, ficarem iguais aos da pré, é provável que haja problemas com o catalisador. 

No scanner, é possível ver a função “curso tempo”, em que vai mostrar um sinal contínuo na sonda pós-catalisador. A sonda pré varia de quase 900 milivolts a 100 milivolts em marcha lenta. Quanto mais ela variar, melhor o sinal. Além disso, a variação deve ser no mínimo de três valores em dez segundos, indicando que a sonda está em perfeito estado. Se ela tiver menos de três variações, pode indicar que a sonda está envelhecida, indicando a troca do componente. 

Ao acelerar o veículo de forma intermitente, é possível ver que há variações no sinal da sonda pós, indicando que está passando uma ampla quantidade de mistura rica. Portanto, quanto mais a sonda pós variar, melhor ela está em termos de condição. Em uma rotação estável do motor, é possível notar que a sonda pré-catalisador faz as correções de mistura e a sonda pós-catalisador fica estável em 550 milivolts, além de o catalisador trabalhar nesse tempo. Ao tirar o pé do acelerador, há um corte de combustível em desaceleração, caindo para 0 milivolt. 

A sonda precisa agir de forma rápida. A sonda não tem a capacidade de identificar combustível ruim, mas esse componente identifica a quantidade de oxigênio presente no gás do escapamento e informa o módulo para tomar decisão, já que o sensor de etanol consegue identificar a quantidade de mistura do combustível, sendo uma peça comum em veículos de injeção direta. 

Sejam motores mais antigos ou mais novos, eles vão se adaptar às mudanças do combustível E30, visto que o sistema flex tem essa capacidade. No entanto, uma sonda envelhecida pode apresentar um tipo de falha, mas uma falha pelo desgaste do componente, que também vai sofrer com combustível adulterado. 

BYD destina R$ 1,1 milhão a programa de capacitação em energia solar no Amazonas

Parceria com SENAI viabiliza formação técnica para comunidades ribeirinhas fora da região metropolitana de Manaus

A BYD ampliou os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no Amazonas com um aporte que supera R$ 1,1 milhão e é direcionado à capacitação profissional e ao avanço tecnológico na região Norte. Para isso, a empresa lançou um programa educacional em energia solar voltado a comunidades ribeirinhas fora da região metropolitana de Manaus, em parceria com o SENAI, com apoio do Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS) e da SUFRAMA.

A formação será realizada a bordo da embarcação Samaúma, barco-escola do SENAI, com atendimento a 320 alunos distribuídos em 16 turmas de 20 estudantes. O conteúdo inclui sistemas fotovoltaicos, inversores de frequência, fundamentos da Indústria 4.0, saúde e segurança, tecnologia da informação, eletricidade, sustentabilidade e aplicações práticas de tecnologia solar.

“A energia solar é mais do que uma solução tecnológica. Em regiões isoladas, ela se torna uma aliada crítica para garantir autonomia, desenvolvimento e oportunidades reais. Um projeto educacional como esse amplia horizontes, oferecendo aos jovens da Amazônia acesso às ferramentas necessárias para construir um futuro mais próspero e sustentável”, afirma Tyler Li, presidente da BYD no Brasil.

Rogério Azevedo, diretor regional do SENAI no Amazonas, explica que a parceria está alinhada às ações de formação profissional na região. “A parceria com a BYD é estratégica para as atividades do SENAI no Amazonas e para toda a Amazônia, especialmente considerando nossa trajetória de mais de 45 anos com os barcos-escola Samaúma e Samaúma II. Ao longo desse período, já qualificamos mais de 65 mil alunos em 65 municípios dos estados amazônicos. Poder revitalizar esse trabalho, agora com foco em novas tecnologias por meio deste projeto com a BYD, reforça nosso compromisso contínuo com a formação profissional e o desenvolvimento da região”, finaliza.

Além da qualificação profissional, o projeto avalia soluções off-grid com baterias de lítio para fornecimento de energia independente da rede convencional, considerando o uso de balsas e embarcações e as limitações de infraestrutura elétrica nas áreas ribeirinhas. A marca chinesa ainda informou que já produziu 2,5 milhões de módulos fotovoltaicos ao longo de sua trajetória, com atuação no mercado brasileiro.

Stellantis apresenta nova versão de 328 cv do motor Hurricane 4 nos EUA

Motor de quatro cilindros turbo será utilizado na linha 2026 do Jeep Grand Cherokee

 

 

A Stellantis anunciou a chegada de uma nova versão mais potente do motor Hurricane 4, que possui 2.0 litros de deslocamento, turbocompressor e quatro cilindros. A nova configuração será utilizada na linha 2026 do Jeep Grand Cherokee, que também vai receber mudanças no design interno e externo.

A versão mais potente passa a entregar 328 cv de potência e 46 kgfm de torque, com potência específica de 164 cv por litro. Segundo a Stellantis, o motor pode funcionar com gasolina comum e supera em desempenho a maioria dos outros quatro-cilindros do segmento.

 

 

A principal novidade da configuração mais potente é a adoção da tecnologia de ignição por jato turbulento (Turbulent Jet Ignition), a primeira aplicação do sistema em larga escala em um motor de produção. O sistema utiliza uma pré-câmara de combustão posicionada no topo de cada cilindro, onde uma pequena quantidade de combustível é inflamada, entrando na forma de jatos para a câmara principal e acelerando a queima da mistura ar-combustível.

 

 

Essa tecnologia permite ganhos em eficiência térmica e redução de emissões, sem reduzir a entrega de potência. O sistema de pré-câmara de combustão também é usado no motor V6 biturbo Nettuno que equipa veículos da Maserati, marca do grupo Stellantis.

O novo Hurricane 4 ainda conta com turbocompressor de geometria variável, permitindo que cerca de 90% do torque máximo esteja disponível entre 2.600 e 5.600 rpm, melhorando arrancadas e retomadas de velocidade.

 

 

A produção do novo motor será feita na planta de Dundee, em Michigan, nos Estados Unidos. No Brasil, os modelos Jeep Compass, Commander e Ram Rampage possuem versões que utilizam o motor Hurricane 4 na configuração de 272 cv, o que indica que a nova versão mais forte pode chegar ao mercado brasileiro no futuro.

 

Trocar o volante do motor junto com a embreagem? Veja quando substituir o componente

Instalar uma embreagem nova com um volante fora da especificação pode diminuir a vida útil do conjunto

 

 

Durante a substituição do conjunto de embreagem, o mecânico deve realizar uma avaliação do volante do motor para verificar se é necessário realizar a sua troca. Dessa forma, para ajudar o profissional na hora da manutenção, a revista O Mecânico mostra como identificar os sinais que indicam a necessidade de troca do volante do motor.

Um dos principais critérios para a troca do volante é o estado da superfície de atrito, visto que marcações profundas, trincas, pontos de superaquecimento (normalmente azuladas) e desgaste irregular podem alterar a planicidade e comprometer as propriedades do material.

Outro ponto de atenção é com a espessura mínima do volante. Durante a troca da embreagem, o mecânico deve realizar a medição da espessura do volante, verificando se os valores estão dentro dos limites dimensionais especificados pelo fabricante. Se o valor estiver abaixo do mínimo, o acoplamento com a embreagem pode ficar prejudicado.

 

Volante Bi-massa

 

Nos veículos equipados com volante bimassa, sinais como ruídos metálicos, folga angular excessiva, batidas ao desligar o motor e vibrações anormais em marcha lenta podem indicar a necessidade de troca do componente, visto que ele possui molas e sistemas internos de amortecimento de vibrações torcionais que se degradam com o uso.

Por fim, não substituir o volante quando necessário pode gerar falhas em outros componentes do câmbio, como o eixo piloto do câmbio, nos rolamentos e até danos nos sincronizadores. Assim, o mecânico deve sempre realizar inspeções visuais e medições do volante quando trocar a embreagem, para determinar a necessidade de sua substituição.

 

Pesquisa O Mecânico 2025: Parte 2 revela marcas mais preferidas dos mecânicos

Edição de dezembro apresenta a segunda etapa do levantamento da Revista O Mecânico e Ipsos-Ipec; a primeira parte foi publicada em novembro 

 

texto Felipe Salomão   fotos Ipsos-Ipec e Diego Cesilio 

 A Pesquisa O Mecânico 2025 chega à sua segunda parte, divulgada nesta edição de dezembro, dando continuidade ao mapeamento das preferências e hábitos de consumo dos mecânicos brasileiros. A primeira etapa, publicada em novembro, apresentou o panorama inicial do estudo, além das categorias Bateria, Bomba de Óleo, Bucha de Suspensão, Calço de Suspensão, Combustível, Junta de Motor, Mola, Pneu, Radiador e Retentor. Agora, o foco é nas categorias Bomba D’água, Bomba de Combustível, Cabo de Vela, Componente Interno de Motor, Correia, Coxim de Motor, Disco de Freio, Embreagem, Ferramenta, Óleo Lubrificante e Válvula Termostática. 

Conduzida pela Ipsos-Ipec, a oitava edição reúne dados coletados entre 11 de julho e 22 de setembro de 2025, com 1.063 mecânicos de todas as regiões. O questionário abordou mais de 40 categorias de peças, ferramentas, equipamentos e serviços, avaliando conhecimento de marcas, frequência de compra e preferência para uso nas oficinas. O levantamento utilizou metodologia quantitativa, com entrevistas online, ponderação amostral e margem de erro de três pontos percentuais. 

A pesquisa segue os padrões da ABEP e da ESOMAR, com processos que envolvem equipes de Estatística, Operações, TI e parceiros em campo. Todos os questionários passaram por validação prévia e compõem o relatório final, reforçando a continuidade de um estudo que já se tornou referência para o setor automotivo. Foram entrevistados 1.063 mecânicos de todos os estados mais o Distrito Federal entre 11 de julho a 22 de setembro de 2025. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para o total da amostra, a um nível de confiança de 95%. A pesquisa também foi baseada conforme a distribuição da frota nacional.

 

Wega Motors chega ao fim do ano com 160 novos SKUs para linha leve, pesada, agrícola, moto e industrial

 

A Wega Motors concluiu o semestre com 160 novos SKUs, distribuídos entre linhas leve, pesada, agrícola, moto, industrial e hidráulica. O volume de lançamentos confirma a estratégia da marca de acelerar a renovação do portfólio para o mercado de reposição no Brasil e nas Américas.

Segundo a empresa, os primeiros meses do ano foram marcados por três movimentos centrais: expansão de produtos para aplicações críticas, fortalecimento de linhas técnicas e avanço em categorias de maior demanda. Entre os destaques estiveram novos itens para veículos pesados, kits para linha leve e utilitários, e soluções estruturais para sistemas hidráulicos, áreas que seguem ganhando protagonismo na estratégia da empresa.

Além da área pesada, outro destaque foi o destaque ficou para a linha de sucção, projetada para elevar eficiência e segurança em sistemas hidráulicos industriais, agrícolas e de construção. A Wega deu sequência à ampliação desse segmento, que já havia ganhado relevância com lançamentos centrados em filtragem de sucção e proteção de bombas hidráulicas, reafirmando a importância da engenharia aplicada a ambientes severos.

Em paralelo aos novos itens, a Wega seguiu ampliando o impacto de seu portfólio em redes expressivas do aftermarket. No relacionamento com grandes canais, como a Jet Oil. A participação na Automec 2025 também é um marco destacado pela empresa que tem 23 anos de atuação no Brasil.

 

Veja como diagnosticar o sistema de freio hidráulico

Problemas podem ser identificados por diferentes sinais e exigem a avaliação de diferentes componentes

Presente na maioria dos veículos leves e vans, o sistema de freio hidráulico é composto por pedal, servo freio, cilindro mestre, fluido, tubulações, pinças, cilindros de roda e válvulas. Por ser essencial para a segurança, requer manutenção constante. Falhas no sistema podem ter diversas causas e só são corretamente identificadas por meio de um diagnóstico completo, observando os sinais apresentados por cada componente.

A perda de eficiência na frenagem pode estar relacionada a fluido contaminado, vazamento no cilindro mestre, lonas contaminadas, pastilhas vitrificadas ou de baixa qualidade e falha na bomba de vácuo. Vazamentos próximos às rodas ou ao cilindro mestre indicam a necessidade de verificar mangueiras, conexões, cilindros de roda e o próprio cilindro mestre. Outro sinal de defeito é quando o pedal do freio desce quase até o assoalho.

Pedal endurecido e necessidade de maior força para frear indicam possível falha no servo freio ou na bomba de vácuo. Já pinças presas ou cilindros de roda travados podem causar superaquecimento e travamento das rodas.

O fluido de freio deve ser trocado conforme o prazo indicado pelo fabricante ou ao apresentar sinais de contaminação. Como o fluido absorve umidade, seu ponto de ebulição diminui, comprometendo a eficiência da frenagem.

A recomendação é realizar inspeções periódicas no sistema de freio e ficar atento à luz de advertência no painel e aos primeiros sinais de falha.

Como analisar os sinais elétricos do motor de partida – Chevrolet Zafira

Realizar essa verificação auxilia a encontrar problemas nesse componente

 

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O componente que inicia o funcionamento do motor à combustão é o motor de partida, responsável por girar o virabrequim começando o ciclo de combustões. Pensando nisso, a revista O Mecânico mostra como analisar os sinais elétricos desse componente da Chevrolet Zafira, para ajudar em seu diagnóstico.

Os valores e formatos de onda apresentados são válidos para os veículos fabricados entre 2009 e 2011 equipados com o motor quatro cilindros 2.0 de código NLEV, que com etanol desenvolve 140 cv a 5.600 rpm e 19,7 kgfm a 2.600 rpm.

Para realizar o diagnóstico, primeiro é preciso verificar os valores de tensão e corrente elétrica consumidos na fase de chamada, comparando os valores obtidos com os de referência. Depois, é necessário fazer a mesma comparação, mas durante a fase de retenção da partida.

 

 

Mecânico Pro

 

Gasolina E30: especialistas avaliam impacto mecânico, riscos de adulteração e benefícios ambientais

Estudo do Instituto Mauá indica que a nova mistura não deve trazer impactos significativos para o funcionamento dos veículos. Mecânico, porém, alerta para a realidade da adulteração e para riscos em carros não adaptados, enquanto o setor sucroenergético reforça ganhos ambientais e segurança no abastecimento 

 

texto Felipe Salomão   fotos Arquivo O Mecânico 

A adoção da gasolina E30, que amplia para 30% a mistura de etanol anidro na gasolina comum, já é realidade em todo o território nacional e vem movimentando o debate entre indústria, oficinas mecânicas e produtores de biocombustíveis. O tema envolve não apenas aspectos técnicos de desempenho e manutenção, mas também preocupações com adulteração de combustíveis e projeções ambientais de longo prazo. 

 

Testes técnicos:  diferenças mínimas 

Renato Romio, gerente da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia, explica que a alteração em relação ao E27 é mínima. “A alteração do E27 para o E30 é um passo pequeno, são apenas três pontos percentuais. A tendência é que o comportamento seja praticamente o mesmo do E27 para o E30”, destacou. 

Nos ensaios realizados pelo Instituto, os veículos apresentaram desempenho equivalente nas partidas a frio e a quente, além de consumo praticamente inalterado. “Se um carro demora dois segundos para pegar com E27, também vai demorar dois segundos para pegar com E30. Então, não há nada significativo no E30 em relação ao E27”, afirmou. 

gasolina Petrobras

Apesar disso, a durabilidade não foi avaliada. “Não foi avaliada a durabilidade nesse estudo, pois o grupo de trabalho, que é composto também por Anfavea e Sindipeças, entendeu que não era necessário fazer uma investigação dessa parte, já que seria muito similar ao E27”, explicou Romio. Ele pondera, contudo, que eventuais impactos poderiam aparecer apenas no longo prazo: “Se você tem uma bomba que dura 200 mil quilômetros com E27 e o álcool estiver afetando essa bomba, pode ser que, em vez de 200 mil quilômetros, ela dure 190 mil. Mesmo assim, o efeito não deve ser algo significativo”. 

Outra ressalva é quanto a veículos fora do padrão da frota representativa. “É claro que não testamos todos os carros, então pode haver algum veículo que não se adapte bem ao combustível, mas não dá para testar todos. Dentro desses veículos, ou seja, os mais populares que estão à venda, não se espera nenhuma falha”, completou. Nesses casos, a recomendação segue a mesma da época do E27: o uso da gasolina premium, mantida com 25% de etanol. 

Oficinas e riscos de adulteração 

Por sua vez, para o mecânico e especialista e Diretor Geral da Fex do Brasil, Rafael Ferraz, a principal preocupação não está nos testes controlados, mas na realidade das bombas de combustível. “Na verdade não falta informação técnica, falta transparência dos órgãos reguladores em entregar o verdadeiro combustível que é testado nas bancadas. A adulteração proporciona um resultado fatídico no diagnóstico, principalmente na correção do AF”, criticou. 

Vale lembrar que a “correção do AF mecânica” é o ajuste da mistura ar-combustível realizado por um mecânico com auxílio de um scanner automotivo, garantindo que a proporção esteja correta na injeção eletrônica. O procedimento é indicado quando o sistema não reconhece adequadamente o tipo de combustível utilizado, seja gasolina ou etanol, ou quando há desvios que podem causar falhas no funcionamento do motor, aumento no consumo e marcha lenta irregular. Nesses casos, a correção é fundamental para restabelecer a eficiência, reduzir riscos de danos e manter o veículo dentro dos parâmetros de emissões. 

Nova gasolina

Ferraz destaca que a aplicação do E30 em motores não projetados para conjunto flex requer atenção redobrada. “Com certeza, sobretudo em unidades motrizes que não possuem estratégia de gerenciamento eletrônico calibrada para diferentes teores de etanol na mistura. Essa condição compromete a estequiometria da combustão, podendo gerar detonação anômala, degradação prematura de componentes como anéis de vedação e válvulas, além de risco sistêmico à segurança veicular, uma vez que o usuário final recebe um combustível fora das tolerâncias especificadas, capaz de induzir falhas críticas”, afirmou. Ele ainda ressalta para problemas gerados pela umidade: “É evidente que, com o aumento da umidade presente no combustível, intensifica-se o processo higroscópico do etanol, favorecendo a oxidação de linhas e bicos injetores, a formação de fases aquosas no tanque e anomalias na propagação da frente de chama, o que pode resultar em instabilidades operacionais e comprometimento do desempenho do motor”. 

As falas de Ferraz refletem a preocupação de parte dos mecânicos brasileiros, que temem que falhas causadas por combustível adulterado acabem sendo atribuídas à nova mistura oficial, quando na verdade se tratam de problemas de fiscalização e qualidade.  

Ganhos ambientais e segurança energética 

Do lado da produção, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia – UNICA enfatiza que a mudança fortalece a posição do Brasil como líder mundial no uso de biocombustíveis. Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial, ressalta: “Essa redução anual na emissão de CO₂ equivale, em termos de emissões, ao plantio e crescimento de aproximadamente 20 milhões de árvores. Mais do que um número, essa quantidade expressa um ganho direto e mensurável na capacidade do país de alinhar sua matriz de transportes a uma trajetória de baixo carbono”. 

O porta-voz também afasta preocupações com abastecimento ou pressões de preço. “Não há risco de desabastecimento. O setor já dispõe de capacidade instalada para suprir os 1,5 bilhão de litros anuais de etanol anidro exigidos pelo E30. Além disso, a medida fortalece a autossuficiência do país em combustíveis e reduz a necessidade de importações”, garantiu. 

Nova gasolina

Questionado sobre garantias de fábrica, Rodrigues reforçou a segurança dos testes conduzidos com apoio da indústria automotiva. “Os testes conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, com participação direta de montadoras, importadores e representantes da indústria automotiva, atestaram a viabilidade técnica do E30. Essa validação garante segurança tanto para o desempenho dos veículos quanto para a preservação das garantias de fábrica”. 

 

Consenso e divergências 

Enquanto o Instituto Mauá e a UNICA avaliam a transição como um processo seguro e benéfico para o setor automotivo e para a sociedade, especialistas independentes, como Rafael Ferraz, levantam questionamentos importantes. Para ele, existe um ponto crítico que precisa ser considerado: a diferença entre o combustível desenvolvido e testado em condições de laboratório e aquele efetivamente disponibilizado ao consumidor nos postos de abastecimento. Essa distância, segundo Ferraz, pode comprometer os resultados esperados da política de transição, tanto em termos de desempenho dos veículos quanto de segurança e confiabilidade, mostrando que a discussão vai além do campo técnico e envolve também a fiscalização e a qualidade do produto final entregue ao mercado. 

O consenso entre os três especialistas é que o E30 representa um marco relevante na evolução da matriz energética brasileira, reforçando o papel do país na busca por soluções mais sustentáveis, que vão além dos sistemas híbridos e 100% elétricos. No entanto, sua aceitação plena dependerá não apenas da robustez técnica já demonstrada, mas também da eficácia da fiscalização para evitar adulterações, garantindo que os benefícios ambientais e de segurança energética não sejam comprometidos por falhas na prática cotidiana de abastecimento. Além disso, os especialistas lembram que o consumidor mantém a possibilidade de optar pela gasolina premium, que preserva a proporção anterior de etanol na mistura, oferecendo assim uma alternativa para quem busca maior previsibilidade no desempenho do veículo.  

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Até o momento, não existe uma base experimental abrangente, além do estudo conduzido pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que possa quantificar ou caracterizar com precisão os efeitos do E30 sobre veículos importados, unidades motrizes mais antigas ou modelos com arquiteturas específicas distintas da frota representativa nacional. A complexidade da interação entre etanol em maior proporção, características de materiais de vedação, sistemas de injeção não calibrados para flex e propriedades higroscópicas do combustível ainda carece de análise sistemática de longo prazo. Nesse contexto, a Revista O Mecânico manterá acompanhamento contínuo desse tema, fornecendo aos profissionais das oficinas subsídios técnicos e protocolos de avaliação que possam ser aplicados no dia a dia da manutenção automotiva.  

No futuro, pretendemos estabelecer diálogos mais aprofundados com a indústria automotiva para analisar os componentes atualmente instalados nos veículos e seu comportamento frente ao E30. Ademais, durante o 8º Congresso Brasileiro do Mecânico, tivemos a oportunidade de debater amplamente este tema, reforçando a importância da troca de conhecimento entre profissionais das oficinas e especialistas do setor, visando subsidiar práticas de manutenção seguras e eficientes no contexto da transição energética. 

Dicas para identificar falhas em hélices e embreagens viscosas

A Modefer, empresa nacional que atua na fabricação de hélices e embreagens viscosas, traz dicas para ajudar oficinas a identificar falhas nesses componentes. São cinco orientações para melhorar o diagnóstico e evitar danos ao motor.

1) Verifique o estado das pás
Inspecione a hélice em busca de trincas, deformações, desgaste ou desbalanceamento. Esses problemas reduzem a eficiência do fluxo de ar e podem causar superaquecimento.

2) Avalie a rotação da embreagem viscosa
Com o motor frio, a hélice deve girar lentamente e aumentar a rotação conforme a temperatura sobe. Rotação alta com motor frio indica travamento. Se a rotação não aumentar com o motor quente, a embreagem pode estar com defeito.

3) Fique atento a ruídos e vibrações
Ruídos metálicos, chiados ou vibração excessiva indicam desgaste, falhas nos mancais ou desbalanceamento do conjunto.

4) Verifique vazamentos de fluido
Óleo na região central da embreagem viscosa indica perda do fluido de silicone, comprometendo o acoplamento e a transmissão de torque, o que pode levar ao superaquecimento.

5) Confirme a compatibilidade e o histórico da peça
Utilizar componentes fora das especificações ou sem manutenção adequada acelera falhas e pode causar danos ao motor. Revisar o histórico e garantir a compatibilidade é essencial.

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