A indústria automotiva começa a tratar o fim de vida do veículo como parte integrante do negócio do carro. Esse novo posicionamento é o foco do Recicle Mais, evento que acontece nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, no Blue Tree Premium Alphaville, reunindo montadoras, Centros de Desmontagem Veicular (CDVs), empresas de tecnologia e especialistas do setor.
O encontro discute a aplicação prática da economia circular automotiva, com ênfase em pós-venda, rastreabilidade de peças e integração entre fabricantes e o desmonte legalizado. O movimento marca uma mudança importante: o destino final do automóvel deixa de ser visto como etapa marginal e passa a integrar a estratégia industrial e comercial das montadoras.
Historicamente, o setor concentrou esforços na produção, venda e manutenção do veículo. Agora, o ciclo se amplia, incorporando o desmonte estruturado e regulamentado, com impactos diretos na sustentabilidade, no controle de origem das peças e na organização do mercado de reposição.
A proposta do Recicle Mais parte de um ponto central: não existe economia circular automotiva sem desmonte legal e rastreável. Com o avanço da regulamentação, a profissionalização dos CDVs e o uso de sistemas de rastreabilidade, o reaproveitamento de peças passa a fazer parte de um modelo mais amplo de governança, segurança e geração de valor no pós-venda.
Segundo Leonardo Henrique Coelho Ruocco, organizador do evento, a aproximação entre indústria e desmontes transforma o conceito em prática. Para ele, o fim de vida do veículo deve ser tratado como responsabilidade compartilhada e elemento estratégico de toda a cadeia automotiva.
O tema ganha destaque no segundo dia do evento com o painel “A sinergia entre Montadoras, Desmontes e Economia Circular”, mediado por Alessandro Boiah. O debate reúne a Stellantis, por meio da Circular AutoPeças, representada por Alexandre Aquino, vice-presidente de Economia Circular para a América do Sul; Arthur Rufino, fundador da Octa e um dos principais articuladores da regulamentação do desmonte no Brasil; e o professor Luiz Henrique Lopes Vilas, Ph.D. e especialista em sustentabilidade e ESG no setor automotivo.
A proposta é discutir, de forma prática, como a integração entre montadoras, desmontes e especialistas pode estruturar a economia circular além do discurso, conectando regulamentação, estratégia industrial, rastreabilidade e novos modelos de negócio no pós-vida do veículo.
Ao promover o diálogo entre quem fabrica o automóvel e quem atua em seu desmonte legal, o Recicle Mais se consolida como um espaço técnico e aplicado de debate sobre o futuro do setor. A iniciativa reforça a visão do carro como um produto de ciclo completo, do desenvolvimento ao fim de vida, etapa que passa a concentrar novas oportunidades, responsabilidades e decisões estratégicas para a indústria automotiva.




