Entidade do setor cobra medidas da União Europeia diante de retração industrial e pressão internacional
Fotos: TMT, Bosch Rexroth e CLEPA/Divulgação
A indústria europeia de autopeças registrou mais de 100 mil cortes de empregos entre 2024 e 2025, segundo dados da CLEPA. A entidade aponta queda na produção, avanço de importações e impactos da eletrificação como fatores centrais do processo e pede resposta coordenada da União Europeia.
Cortes se acumulam no setor
Relatórios da CLEPA indicam cerca de 54 mil demissões anunciadas em 2024 e outras 50 mil previstas para 2025, somando mais de 104 mil postos eliminados no período. A geração de empregos segue limitada, uma vez que apenas 7 mil novas vagas foram anunciadas em 2025, número insuficiente para compensar as perdas.
O secretário-geral da associação, Benjamin Krieger, afirmou que os ajustes ainda não estancaram o movimento de redução de empregos, mesmo com esforços das empresas para adequar capacidade produtiva e custos.
Fatores que pressionam a indústria
A demanda por veículos na Europa permanece abaixo dos níveis anteriores à pandemia, reduzindo o volume de encomendas para fornecedores. Ao mesmo tempo, a concorrência de peças importadas, principalmente da China, com preços mais baixos, pressiona margens e participação de mercado dos fabricantes locais.
A transição para veículos elétricos também altera a estrutura da cadeia. Modelos elétricos utilizam menos componentes mecânicos, o que afeta diretamente empresas focadas em tecnologias ligadas a motores a combustão. Para acompanhar essa mudança, os fornecedores precisam investir em novas soluções, elevando a necessidade de capital em um cenário de custos elevados.
Esse contexto tem levado ao fechamento de unidades e à realocação de produção. Parte da indústria deixou mercados tradicionais como Inglaterra, França e Alemanha e migrou para países com menor custo operacional, como Hungria, Polônia e Romênia.
Projeções e alerta
A CLEPA avalia que, sem políticas industriais e comerciais mais efetivas, o movimento pode se intensificar. Projeções do setor indicam a possibilidade de até 350 mil empregos serem eliminados até 2030, caso a indústria europeia de autopeças não recupere competitividade frente ao cenário global.





