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Utilizar, no lugar de combustíveis e solventes, modernos produtos químicos para a remoção de óleos ou graxas dos componentes do veículo deixa o reparador e o planeta fora de perigo

Victor Marcondes

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Todo mundo sabe que a reparação de um veículo exige uma boa limpeza das peças e componentes. A uma primeira vista, qualquer produto de limpeza pode parecer a solução ideal. No entanto, antes de encarar este tipo de serviço, o correto é estudar as especificações desses produtos, assim como, os métodos de aplicação existentes, para que a oficina assegure a completa saúde dos seus funcionários e preze pela preservação do meio ambiente, além de deixar o patrimônio do cliente mais protegido.

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O primeiro passo é escolher produtos que não agridam a saúde, o meio ambiente e o veículo, além de oferecer baixo risco de acidentes (explosões e incêndios). Em geral, todos os solventes e combustíveis, derivados do petróleo (gasolina,querosene, tíner e óleo diesel), são tóxicos, agressivos, infamáveis e poluentes. “Além de poluir, estes produtos podem ser agressivos em relação à pintura, vernizes e retentores, pois incham elastômeros e ressecam borrachas. A indústria já oferece tecnologias próprias para essa finalidade, que a propósito evitam ferrugem e corrosão”, explica Arley Barbosa da Silva, engenheiro de aplicação da Bardahl.

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A empresa comercializa o desengraxante Maxlub Maxlimp, uma alternativa muito mais vantajosa e eficaz em relação aos solventes tradicionais e combustíveis. “Ele age diluindo a sujeira e facilita a remoção por meio de um pincel. Tem excelente poder de limpeza, ótima ação protetora, é inodoro e não irrita a pele”, avalia o técnico. Porém, os restos do material não podem ser descartados no solo. “Devem ser entregues junto a um coletor autorizado”, avisa.

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Existem também aqueles que são solúveis em água, com formulação biodegradável, que podem ser lançados diretamente no esgoto sem que causem danos ecológicos. Este é o caso do Drax, desengraxante produzido pela Diversey do Brasil. De acordo com o Marketing e a Área Técnica da companhia, o grande diferencial do produto é que não contém fosfato na sua composição.

“Foi realizado um teste de biodegradabilidade de tensoativos aniônicos em uma amostra de Drax, utilizando a metodologia descrita pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, e verificou-se que 98,1% do produto se decompõe através de microorganismos.” Segundo a fabricante, o produto tem ampla aplicação e pode ser usado em peças, motores, máquinas industriais e pisos.

Para o engenheiro Fernando Landulfo, docente do SENAI-Vila Leopoldina, esse tipo de produto, quando utilizado da forma adequada, além de ser ecologicamente correto, facilita o trabalho e não oferece riscos à saúde e à segurança do profissional. “Para utilizá-los deve-se seguir rigorosamente as recomendações do fabricante e jamais abrir mão da utilização dos EPIs (Equipamento de Proteção Individual), tais como luvas, máscaras, avental, botas e óculos de segurança. A aplicação com pulverizador e o enxágue com água quente e jato de alta vazão, facilitam muito o processo de limpeza. Mas o tempo de espera (reação química pós pulverização) antes do enxágue, deve ser respeitado. Nos produtos de alta qualidade, esse tempo é geralmente baixo. A uma primeira vista, o desengraxante biodegradável, pode parecer mais caro. No entanto, como é utilizado diluído, com o passar do tempo ele pode se mostrar bastante econômico. Além disso, apresenta vantagens que os produtos tradicionais não conseguem proporcionar: não inflamável, baixa ou nenhuma toxidade e baixo ou nenhum ataque a componentes de borracha e pinturas”, complementa.

Quando a coisa aperta

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O desengripante é outro produto que o reparador se expõe diariamente e muito comum na rotina da oficina, sendo usado como lubrificante em peças emperradas. A Rodarill comercializa o Bucas Lub, exclusivo para aplicações em componentes com problemas na fixação e que necessitam de afrouxamento.

“Sua formulação é à base de óleos e solventes, ou seja, derivados do petróleo. Apesar de não oferecer riscos ao mecânico, é aconselhável o uso de óculos de segurança para não espirrar nos olhos”, adverte Fernando Pagotto, químico responsável e gerente industrial da Rodabrill.

Sobre o correto descarte, ele diz: “É recomendado ao consumidor que os aerosóis usados, sempre que vazios, sejam eliminados com outros tipos de envases metálicos. As tampas e atuadores constituem descartes plásticos. Mas se não houver uma coleta seletiva, manter a embalagem junto com os recicláveis, separando dos resíduos orgânicos”.

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Limpeza Pesada

Quando uma peça se encontra num estado em que há muita dificuldade para se retirar as sujidades impregnadas, como as crostas de carvão, são os líquidos descarbonizantes que entram em cena. Para este tipo de serviço, a Unichemicals disponibiliza o UNISTRIP-SS, produto capaz de remover camadas de óleo, graxa, tinta e carbonização em cilindros, pistões, bielas, cabeçotes de motor e carburadores.

O composto é uma alternativa ao jateamento com areia ou granalha, que, segundo Paulo Castro, gerente de produtos da Unichemicals, é muito mais eficiente e seguro. “Com o líquido descarbonizante o componente não corre risco de sofrer entupimento ou perfurações por conta da pressão do jato como no caso com areia”, observa.

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Ele explica que o processo de utilização é simples e muito proveitoso. “Basta mergulhar a peça em um recipiente adequado e deixar o produto agir pelo tempo necessário. Recomendamos o uso de uma camada de água sobre o material, para evitar odores no ambiente e aumentar a durabilidade que, dependendo do caso, pode ser de até quatro meses”, analisa.

Paulo diz que é preciso tomar alguns cuidados na hora de manipular o descarbonizante, como usar EPIs e uma peneira para lançar os componentes no líquido, a fim de evitar o contato direto. “O profissional deve usá-lo de maneira controlada e solicitar que uma empresa especializada faça o recolhimento do material ao invés de descartá-lo no esgoto”, diz.

Fernando Landulfo acrescenta que: “O banho de imersão, em líquido descarbonizante, é uma excelente alternativa para a tradicional limpeza com lixa ou escova abrasiva, que pode “inutilizar dimensionalmente” um componente, durante o processo. Ganha-se tempo e qualidade.” O engenheiro ressalta ainda o cuidado redobrado que o profissional deve ter ao manipular esse tipo de produto: “A utilização de EPIs é indispensável. O contato desse tipo de produto com a pele ou com os olhos pode trazer consequências graves”.

De acordo com Arnaldo Bianco Filho, gerente técnico da Wynn’s, quando se trata de limpeza do motor, ainda existem profissionais que usam métodos inúteis e que podem gerar graves avarias com o passar do tempo. “Há mecânicos que utilizam fluído de freio para limpar o motor. Uma prática que com certeza a gente não recomenda. Os problemas, como falta de lubricidade, podem não aparecer num primeiro momento, mas depois”, observa.

O engenheiro automotivo, Michel Muller Roger, proprietário da oficina mecânica Engecar analisa: “produtos específicos para o serviço de limpeza de determinadas peças do carro surgiram há um ou dois anos. Hoje, para se enquadrar às normas ecológicas, o profissional tem que procurar trabalhar com fórmulas que sejam seguras e que não prejudiquem o meio ambiente nem o veículo. Apesar de ser mais caro em relação ao uso de solventes, compensa. Todo mundo fazendo a sua parte vai contribuir bastante para um futuro e um desenvolvimento melhor.”

Recomendações

Dê sempre preferência ao uso de produtos reconhecidos e desenvolvidos para a limpeza que será feita;
• Evite utilizar produtos inflamáveis e agressivos ao meio ambiente (querosene, tíner…), eles colocam o planeta e a sua vida em perigo;
• Caso os materiais utilizados não sejam biodegradáveis, contrate uma empresa especializada em recolhimento;
• Quando for manipular produtos químicos, lembre-se sempre de utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Mais informações:

Bardahl
https://lojabardahl.com.br

Diversey
https://www.johnsondiversey.com

Rodabrill
https://www.rodabril.com.br

Unichemicals
https://www.unichemicals.com.br