A disposição da Ford Motor Company em discutir, ainda que de forma informal, a entrada de montadoras chinesas nos Estados Unidos por meio de joint ventures marca um ponto sensível na estratégia global da empresa. Mais do que um movimento isolado, a iniciativa revela o reposicionamento forçado de uma montadora que perdeu competitividade nos principais eixos da indústria automotiva mundial — especialmente frente à ascensão da BYD.
A imprensa internacional destaca uma reunião do CEO Jim Farley ocorrida em janeiro com o alto escalão do governo Trump no Salão de Detroit. Segundo a imprensa norteamericana a Ford propôs um modelo de parceria com controle das empresas dos Estados Unidos.
Na Europa, a estratégia elétrica da Ford revelou suas limitações. Modelos como o Mustang Mach-E e derivados elétricos baseados em plataformas compartilhadas não conseguiram sustentar volumes nem margens em um ambiente altamente competitivo, dominado por marcas chinesas e por fabricantes europeus já adaptados à transição energética.
Diante do enfraquecimento na Europa e da irrelevância estrutural na China, a América Latina passou a ser um dos poucos pilares estáveis da Ford. Brasil, Argentina e México sustentam volumes relevantes graças a produtos a combustão bem posicionados, como picapes, SUVs médios e veículos comerciais.
Conteúdo da proposta
A proposta apresentada por Jim Farley ao governo Trump — permitir que montadoras chinesas produzam nos EUA por meio de joint ventures controladas por empresas americanas — deve ser lida como um sinal explícito de que a Ford reconhece sua desvantagem estrutural frente à indústria chinesa.
O modelo espelha exatamente aquilo que a China exigiu por décadas das montadoras ocidentais: parcerias locais como condição para operar. A diferença é que, agora, são as empresas americanas que buscam esse arranjo para sobreviver à nova ordem industrial.


