Estratégia e manutenção do Renault Boreal

Nova aposta da Renault trará dificuldades ao mecânico independente? Confira os aspectos de manutenção do novo SUV 

texto Vitor Lima   fotos Diego Cesilio 

 Renault Boreal chega ao mercado brasileiro como um divisor de águas para a marca, posicionando-se logo acima do Kardian e mirando o concorrido segmento de SUVs médios, onde enfrentará rivais de peso como Toyota Corolla Cross, Jeep Compass e VW Taos. Construído sobre a mesma plataforma do Kardian, porém alongada e com bitolas maiores, o Boreal apresenta 4,56 metros de comprimento e uma altura livre do solo de 213 mm, o que reforça sua robustez visual e funcional. 

O Renault Boreal surge em três versões, Evolution, Techno e Iconic, partindo de R$ 179,990 da versão de entrada à R$ 214,990 na versão topo de linha, esta que foi analisada pela Revista O Mecânico com auxílio do Cleyton André, proprietário da oficina Elevance Automotive, localizada em São Bernardo/SP. 

Cofre do motor 

Ao abrir o capô, o mecânico é recepcionado por braços pantográficos, um item de conveniência que facilita o trabalho na oficina. “Isso facilita bastante, evita bastante o incômodo daquele braço atrapalhando aqui na frente e acredito que é um investimento extremamente baixo para as montadoras não colocarem”, opina Cleyton. O espaço para manutenção é considerado bom, já que o SUV utiliza a plataforma modular RGMP (Renault Group Modular Platform). 

O motor 1.3 TCe não possui capas plásticas (1), deixando à mostra a bomba de alta pressão, os injetores e as bobinas. Um ponto de atenção crucial são os injetores piezoelétricos. “O piezoelétrico é um cristal, então quando forem fazer manutenção na parte de injetores evitem dar pancadas… eles são extremamente sensíveis”, alerta o profissional. 

Além disso, em caso de substituição, os novos injetores devem ser apresentados ao módulo de injeção via scanner através do código gravado em seu corpo, sob o risco de o veículo não funcionar.  

O sistema de ar-condicionado utiliza o novo gás refrigerante R1234YF, comum em veículos híbridos e elétricos (2), exigindo atenção para não utilizar o antigo R134A. As válvulas de serviço de alta e baixa pressão estão em locais de fácil acesso. Cleyton reforça a importância da manutenção preventiva. “Se o veículo não tem de 2 a 3 anos uma manutenção periódica nesse sistema, ele tem uma perca desse gás… isso exige mais do compressor, que exige do motor e aumenta o consumo de combustível”.  

O vaso de expansão está localizado em um canto mais apertado (3), com tubulações rígidas de ar-condicionado passando sobre ele, o que exige cuidado para não trincar as linhas durante a remoção do reservatório.   

O eletroventilador e o servo freio possuem acesso prático (4). A bateria 12V é do tipo EFB (5), essencial para o correto funcionamento do sistema Start-Stop, a substituição por uma de especificação inferior pode desativar sistemas eletrônicos.   

UNDERCAR 

Na parte inferior, o Renault Boreal revela uma construção que mescla simplicidade com soluções funcionais, embora Cleyton André pontue que, pelo porte do carro, a suspensão poderia ser mais robusta para enfrentar concorrentes como o Jeep Compass. 

O sistema é McPherson com uma bandeja do tipo bumerangue (6). Um detalhe técnico importante é que os pivôs são cravados na bandeja. Para a substituição isolada, o mecânico deve remover os pinos e instalar novos com parafusos, ou optar pela troca do conjunto completo. “Não é gambiarra, considerando que nós temos grandes marcas no mercado fornecendo componentes, mas obviamente é um trabalho maior”, comenta Cleyton.    

As bieletas são metálicas e os amortecedores possuem fixação simples de dois parafusos, facilitada pelo fato de a “churrasqueira” não cobrir as torres dos amortecedores. 

O veículo possui uma ampla proteção plástica sob o motor e câmbio (7). O tanque de combustível é plástico, escolhido para reduzir danos em colisões e diminuir o peso. O filtro de combustível recebeu uma atenção especial da Renault (8), com uma proteção metálica aprimorada em relação a modelos anteriores da marca.  

Diferente de alguns rivais que utilizam sistema Multilink na suspensão traseira, o Boreal utiliza eixo de torção (9). Os amortecedores traseiros possuem fixação superior interna (10), o que obriga o mecânico a desmontar acabamentos no porta-malas para a remoção. 

Quanto aos freios, as pinças são deslizantes convencionais, mas o freio de estacionamento é eletrônico (11). “Naturalmente você precisa entrar com equipamento de diagnóstico para poder avisar pro sistema eletrônico que você está em modo manutenção… se você não faz, você pode causar danos ao sistema”, alerta o mecânico para manutenção no sistema.   

O Renault Boreal apresenta uma mecânica “assustadora” para quem não está acostumado com a evolução tecnológica, mas Cleyton André define-a como uma “mecânica de veículo premium” popularizada. Embora a suspensão traseira seja simples, o carro compensa com robustez de motorização e facilidade de acesso no cofre, tornando-se uma opção viável e rentável para a manutenção nas oficinas independentes. 

Para mais detalhes sobre procedimentos específicos, consulte os manuais técnicos da montadora e utilize sempre ferramentas de diagnóstico atualizadas para os sistemas ADAS e eletrônica de bordo. 

A plataforma é compartilhada com o Kardian, mas com bitolas e entre-eixos ampliados. Para o mecânico, isso significa uma familiaridade com os componentes de suspensão dianteira, mas uma exigência maior em termos de diagnóstico eletrônico, especialmente para realizar o “modo manutenção” do freio de estacionamento eletrônico traseiro, essencial para evitar prejuízos no sistema de pinças deslizantes. 

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