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Saiba quais cuidados tomar para remover e instalar corretamente os amortecedores dianteiros do caminhão semipesado Volkswagen 24.250 6×2

por Fernando Lalli fotos Lucas Porto

Fabricantes de autopeças aproveitam todas as oportunidades possíveis para desenvolver seus produtos. A Meritor, por exemplo, põe à prova seus amortecedores nos caminhões que fazem o transporte de carcaças de eixos entre as unidades da Meritor em Osasco/SP e Resende/RJ. Assim, os componentes são testados na vida real e sofrem desgaste intenso, como em qualquer outro caminhão de carga nas estradas da América do Sul.

O caminhão semipesado Volkswagen 24.250 6×2 utilizado neste procedimento pertence à transportadora RB, que faz o traslado entre as duas unidades da fabricante de peças para veículos comerciais. Os caminhões da empresa rodam cerca de 10 mil km por mês, sempre com o mesmo motorista, e seus amortecedores são analisados pela engenharia da Meritor.

O especialista de Produto da Meritor, Fernando Martinez afirma que o ideal é fazer a inspeção visual a cada 10 mil km para identificar problemas de vazamentos, choques, batidas e amassamentos no corpo dos amortecedores e perda de torque das porcas de fixação. A unidade desta reportagem havia rodado 400 mil km com os amortecedores originais de fábrica.

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Após a remoção dos amortecedores dianteiros, eles apresentaram duas situações distintas: um com grande vazamento de óleo, o que denotava claramente seu fim de vida útil, enquanto o outro estava “seco”, mas sem nenhuma resistência aos movimentos verticais de tração e compressão. “Geralmente, a força de tração, dependendo da velocidade de abertura, de um amortecedor de veículo pesado pode chegar a 10 vezes mais do que na compressão”, explica o engenheiro especialista de Produto da Meritor, Fernando Martinez. Portanto, não é só o vazamento de óleo que condena o amortecedor. Quando o componente perde a ação prejudica não só o conforto de rodagem como também a estabilidade e segurança, compromete a frenagem e os pneus do veículo, além de sobrecarregar as molas e demais componentes da suspensão.

A garantia de fábrica é de 60 mil km ou 6 meses, portanto, os componentes que estavam instalados no caminhão há muito tempo tinham ultrapassado a expectativa mínima de vida útil. Porém ele adverte, se o amortecedor for mal instalado, a garantia é cancelada. Todas essas informações constam do informe de garantia que acompanha o amortecedor novo.

Apresentamos a seguir o procedimento correto de remoção e instalação dos amortecedores dianteiros (código 085941-40K) no caminhão Volkswagen 24.250, executado na concessionária Dibracam, em São Paulo, pelo mecânico Cristiano Correia de Araújo e supervisão de Fernando Martinez. A operação nos dois lados, esquerdo e direito, é idêntica.

Enquanto um amortecedor do caminhão estava seco, o outro vazava bastante. Ambos, porém, já estavam condenados.

PROCEDIMENTO DE SUBSTITUIÇÃO

1) Bascule a cabine para ter acesso ao componente. Utilize uma chave de força e um soquete de 1 1/8″ para soltar a porca da fixação superior do amortecedor e sua respectiva arruela.

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2) Faça o mesmo procedimento na porca inferior, mas observe sua ergonomia. Como o movimento natural neste momento é se debruçar sobre o pneu, tome cuidado para não machucar as costas ao fazer força.

3) Remova o amortecedor com cuidado. A borracha dos coxins pode apresentar resistência maior à remoção pela alta quilometragem a que foram submetidos. Não faça alavancas com outras ferramentas, principalmente no corpo do amortecedor.

4) Limpe as porcas e arruelas antes de instalar o amortecedor novo. Tanto a porca inferior quanto superior são autotravantes e podem ser reaproveitadas. A vida útil de cada uma é equivalente a três usos. Para identificar quantas vezes a porca foi usada, utilize marcador industrial e coloque um ponto para cada uso. Neste caso são dois pontos, já que a porca veio de fábrica e será usada pela segunda vez.

Obs: Na reinstalação dos amortecedores, não deve ser utilizado qualquer tipo de trava química nas roscas das porcas ou dos prisioneiros.
5) O coxim no amortecedor removido é bipartido (5a), enquanto neste tipo de amortecedor novo é uma peça só (5b). Ambos são para a mesma aplicação e não têm diferença prática. Observe como o coxim velho já está com o orifício bem mais largo, denunciando o desgaste (5c).

6) Passe vaselina nos orifícios dos coxins do amortecedor novo para facilitar o encaixe.

7) O amortecedor deve se encaixar de forma justa. Não bata no amortecedor nem force sua acomodação com qualquer outra ferramenta.

8) Encoste as porcas manualmente. Não use ferramenta pneumática, porque o torque de aperto desse tipo de dispositivo pode exceder o preconizado e danificar a borracha do coxim de apoio.

9) Com torquímetro e soquete de 1 1/8″, aplique torque de aperto de 200 Nm nas porcas de fixação para este tipo de amortecedor, ou consulte o manual de manutenção para garantir o torque exato de montagem pois pode variar para cada tipo de veiculo.

10) Por fim, utilize o marcador industrial para lacrar as porcas com o prisioneiro para conseguir observar caso o torque se quebre com a rodagem do caminhão. Não faça essa marcação com a arruela, porque esta pode girar mesmo com a manutenção do torque correto.

Colaboração técnica:
Concessionária Dibracam e Transportadora RB
Mais informações – Meritor: 0800 55 55 30

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