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Desafios profissionais, evolução tecnológica, dificuldades econômicas e como sobreviver foram temas discutidos no evento que mostra sua força e se torna referência no setor

Texto: Vinicius Montoia
Foto: Rafael Guimarães

O 2º Congresso Brasileiro do Mecânico aconteceu no dia 27 de outubro de 2018 e contou com a participação de aproximadamente 3 mil mecânicos, bateu recorde de público, que quase o dobrou em relação a 2017, no espaço de 8 mil metros quadrados, o dobro quando comparado ao ano anterior. Além de estrondosos números, o Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte, na zona norte da capital paulista, recebeu diversas fabricantes, que puderam expor seus produtos, conversar com fornecedores, arrecadar informações para montar estratégias e melhores abordagens com clientes. Contudo, o mais importante foi propiciar a troca de informações, por meio de diálogo estabelecido entre o público profissional da manutenção com as marcas patrocinadoras e, claro, com os mais de 40 palestrantes das montadoras, indústria de autopeças, equipamentos e donos de oficinas.

A inovação do 1º Congresso, vista em 2017, se repetiu na segunda edição do evento: a área para disseminar conhecimento, no grande saguão, foi dividida em quatro auditórios com palestras simultâneas, cada uma seguindo um tema diferente, mas todas igualmente necessárias para os profissionais que querem se sobressair no mercado independente. Os participantes puderam escolher, através de um fone de ouvido, qual apresentação gostariam de acompanhar, bastando trocar o canal para receber o conteúdo do painel desejado.

O evento teve início com a apresentação de Michelle de Jesus, que recepcionou os visitantes. Logo em seguida, Fábio Antunes de Figueiredo, diretor geral da editora Infini Mídia – responsável pelas revistas O Mecânico e CARRO – deu as boas-vindas aos participantes e afirmou que sem conhecimento e inteligência de negócio não há como continuar uma empresa: “a informação é o centro do evento. E é assim que pretendemos seguir no próximo ano. O que nos diferencia é focar na disseminação dessa sabedoria acumulada por anos e anos de desenvolvimento da indústria e experiência dos mecânicos. Sem dúvida nenhuma a parte comercial é importante, mas nas outras feiras o comercial vem em primeiro lugar. Aqui é contrário: viemos para formar e informar”.

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O diretor da Infini também comentou que o conteúdo da Revista O Mecânico pode ser visto em todos os meios e mídias, permeando de forma 360° as plataformas disponíveis: portal, celular, revista, Instagram, Facebook e YouTube. E não por acaso, todas as palestras foram gravadas e estarão disponíveis no canal O Mecâniconline no YouTube a partir de 2019: youtube.com/OMecaniconline.

“O DNA da Revista O Mecânico consiste em ser recheada de conhecimento e não só propaganda, como vemos na concorrência. E mais: o mecânico sem instrução acaba falindo, pois o setor passa por essa crise de falta de atualização. Nós viemos para o evento mostrar que existe uma saída para a crise e que a tecnologia evolue de forma absurdamente veloz. As próprias montadoras mudaram o modelo de negócio delas e a evolução dos veículos está exigindo essa mudança de comportamento do profissional. Hoje a prioridade é a mobilidade e a conectividade. No 2º Congresso Brasileiro do Mecânico o mecânico veio para evoluir com a indústria e o mundo”, concluiu Fábio Figueiredo.

Para coroar o Congresso, o lançamento do Curso do Mecânico marcou a segunda edição do evento: “viemos incentivar a atualização constante e disponibilizar um canal mais fácil para que ela seja feita. Ou seja, tudo em prol da comodidade do mecânico. Por isso, como todo mundo está conectado, a maneira mais fácil foi fazer um curso online”, explicou Alberto Meyer, responsável pelo treinamento. “O e-learning da Revista O Mecânico é importante porque colocamos materiais para iniciantes e para quem quiser se especializar. Todas as grandes novidades estão lá na nossa plataforma. E além de poder assistir às aulas a hora que o mecânico quiser, é possível tirar dúvidas por e-mail, pelo qual respondemos em até
48 horas”, informou Meyer.

E as novidades não pararam por aí. Quem compareceu ao 2º Congresso pode ver de perto novos modelos que acabam de chegar ao mercado. Isso permitiu que os profissionais tivessem uma noção da reparabilidade de veículos que são comercializados e que, em breve, chegarão às suas oficinas. Entre os carros expostos estavam o Audi A5, Chevrolet Spin, Citroën Cactus, Fiat Argo, Ford Mustang, JAC T40, Nissan Kicks, Porsche Panamera Hybrid, VW Jetta 2019 e carros de corrida, como Subaru Impreza WRX hatch da Takao e um Stock Car. Pode-se dizer que o evento adiantou o que o público viu na trigésima edição do Salão do Automóvel de São Paulo, com veículos populares, esportivos, SUVs e até tecnologias mais avançadas, como os híbridos.

MOTIVAÇÃO

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Na sequência foi a vez de Paul&Jack entrar em cena para uma palestra motivacional com show de mágica. Paul Friedericks, ilusionista profissional, alertou os participantes que, em tudo na vida, é necessário ter metas: “apenas 3% dos adultos têm objetivos definidos para as áreas de saúde, finanças, família e trabalho. É necessário estabelecer objetivos grandes e planejar uma organização mental semanalmente. Como? Criando tarefas e cumprindo-as, só assim é possível ter uma mente clara e manter o foco! É ter a vida sob controle”, exemplificou o mágico.

O piloto pentacampeão da Stock Car, Cacá Bueno, foi o segundo a discursar e aproveitou para ressaltar a importância de uma equipe: “a formação de um time é o grande segredo do sucesso, que te leva a realizar sonhos inesperados. Ninguém consegue trabalhar sozinho, ainda mais no automobilismo”, falou Cacá, destacando que o automobilismo é o esporte individual mais coletivo que existe, pois nenhum piloto corre sem mecânicos e estrategistas.

“E mais do que isso: não adianta ter as pessoas mais competentes ao seu lado se elas não tiverem um sonho em comum e estiverem unidas. O time precisa ter objetivos claramente definidos. Não é simplesmente suprir a tarefa, mas ir além, surpreender o nosso cliente. Nós estamos acostumados a trabalhar em alto nível, assim como os mecânicos que aqui estão. Se todo mundo remar para o mesmo lado, chegaremos à vitória juntos e alcançaremos conquistas inimagináveis”, continuou o piloto.

AS MONTADORAS E O MECÂNICO MODERNO

Às 11h00 começaram as palestras técnicas nos quatro painéis do Congresso. O Auditório A teve o tema “As Montadoras e o Mecânico Moderno – As novas montadoras”, e contou com representantes da Mitsubishi (HPE Automotores do Brasil) e PSA Peugeot Citroën. Érico Toledo, que é gestor comercial e desenvolvimento da HPE, argumentou que as montadoras e o mecânico não são mais concorrentes, mas sim aliados, pois a indústria sabe que a maioria da frota é reparada nas oficinas independentes: “boa parte dos clientes não leva mais seus carros para a rede de concessionárias quando necessitam de manutenção. Por isso, se faltar informação sobre a reparabilidade de um veículo e onde adquirir as peças certas, o formador de opinião – que é o mecânico – vai falar mal daquele carro. E é justamente isso que queremos evitar”. O palestrante explicou: “se o mecânico nos indica como uma marca de confiança para o cliente dele, é muito provável que o consumidor final compre outro carro da nossa marca quando tiver a intenção de trocar de veículo. E sabemos que nenhuma fabricante sobrevive apenas com a primeira venda, é preciso que o cliente retorne. E é justamente a experiência com o pós-venda que garante que o consumidor final se torne fiel à marca”.

Além disso, Toledo contou que a segunda edição do Congresso Brasileiro do Mecânico é a consolidação do evento: “a casa está cheia e os profissionais que vieram estão interessados nas novidades, apresentando questionamentos durante as palestras e cobrando um relacionamento mais estreito com a indústria. O evento é importante para aprimorar essa relação e atendê-los cada vez melhor”.

Representando a PSA, Dercyde Gomes (diretor de pós-venda das marcas Peugeot, Citroën e DS), ficou atônito com a quantidade de mecânicos de outros estados que foram para o evento: “tem mecânico que veio do Espírito Santo; conversei com profissionais que viajaram de Muriaé (MG) de ônibus para poder conferir o evento – que, curiosamente, acontece um dia antes da eleição. Ou seja, as pessoas terão, obrigatoriamente, que retornar para votar. Isso nos leva a um único raciocínio: o 2º Congresso é tão importante que vale o esforço de vir de longe para conferir as novidades. Tanto a quantidade quanto a qualidade dos profissionais que aqui passaram foi sensacional!”

Gomes concordou com a opinião do colega Toledo, com quem dividiu o painel sobre as novas montadoras, afirmando que a aproximação com as oficinas é fundamental: “não podemos viver em uma guerra como táxi e uber. Dependemos dos mecânicos, pois eles são a nossa grande fonte geradora de negócios e de fidelização dos clientes. O mecânico é como o médico da família, o diagnóstico que ele fornece é lei”. De acordo com Dercyde Gomes, as fabricantes de auto-móveis estão mudando as estratégias de venda porque os desejos dos consumidores também está sofrendo alterações ao longo dos anos: “atualmente os jovens buscam ter celulares e estarem conectados, a maioria já não têm mais o desejo do primeiro carro. Apesar da mudança, os carros são funda-mentais para a mobilidade e, sendo assim, o mecânico se encaixa nessa cadeia de forma estratégica – os automóveis precisam de manutenção, mas as fabricantes não tem capilaridade para atender toda a frota, que está cada vez maior. Por isso, o consumidor final confia cada vez mais na oficina mecânica do que na concessionária. Portanto, acreditamos que as oficinas estarão cada vez mais fortes nos próximos anos”, finalizou o diretor da PSA

DIESEL

Também às 11h00 aconteceu no Auditório B a palestra sobre o tema “O Futuro da Mecânica Diesel”, que tratou de assuntos como “Por dentro do Euro 5”. Nesse tema foram abordadas questões para desmistificar alguns tabus criados quando o conjunto de normas regulamentadoras passou a vigorar no país. O engenheiro de Serviços Sênior da Cummins Components, Thiago Martins, alertou: “mostrei o quão importante é não impactar o meio ambiente e quebrei os paradigmas sobre o tema, pois todos saímos ganhando. Já temos a expectativa para a chegada do Euro 6, é bom ficar atento”.

O representante da MWM Motores Diesel, Fábio Tescon de Lima, evidenciou quais são os órgãos regulamentadores e sistemas envolvidos no Euro 5. Indo além dessa explicação, Lima falou que é necessário saber reparar essa tecnologia, principalmente porque alguns veículos estão atingindo maior volume de vendas, como as picapes e os utilitários esportivos: “hoje os mecânicos aceitam essa realidade e sabem que é preciso estar atualizado para atender de forma exemplar o cliente”.

O ANDA E PARA

Simultaneamente ocorreu, no Auditório C, a primeira palestra sob o tema “Eletrônica Automobilística”, abordando Start/ Stop. O consultor técnico da Valeo Service, Hideraldo Batista, afirmou que a marca levou tecnologias desenvolvidas em outros países que estão desembarcando no Brasil: “a nossa matriz, na França, desenvolve muitos produtos e a nossa função é mostrar como consertá-los. O start/stop não é uma tecnologia simples, mas necessária para diminuir o impacto ambiental e também ao bolso do consumidor. Ele veio para ficar”.

Seu colega Neilson Amorim, também técnico especialista da Valeo, foi mais fundo no assunto: “falamos das diversas funções do start/stop, além da partida do veículo. É preciso que a qualidade elevada dos equipamentos nos carros que possuam a tecnologia, como baterias específicas, para que a ECU faça a leitura correta. Ao final da palestra, tivemos três perguntas técnicas consistentes, provando que o evento foi verdadeiramente criado para profissionais que buscam conhecimento”, reconheceu Amorim. “Aqui nós conseguimos expor a Valeo e mostramos que somos uma das primeiras fabricantes de sistemas elétricos do mundo, ou seja, que estamos na vanguarda da tecnologia. A nossa perspectiva é de participar dos próximos congressos que virão”, adiantou o técnico da marca francesa.

IMPORTANDO CONTEÚDO

No Auditório D aconteceu, ao mesmo tempo que nos demais, a apresentação cujo intuito era auxiliar na administração das oficinas. O tema abordado foi “Atualização e Gestão, o mecânico pelo mundo”, com Fernando Luetzoff, da ZF Aftermarket, e Manuel Luis Paulino Ramos, da Oficina Plano Auto. O principal objetivo, segundo Luetzoff, foi mostrar tecnologias que estão chegando ao país e como os mecânicos deverão estar preparados para atender esses automóveis em futuro próximo: “é uma questão de sobrevivência, tem que aprender para continuar trabalhando. Os carros autônomos e elétricos estão chegando, o que fará uma revolução também na parte de serviços, pois são mundos totalmente diferentes”.

O proprietário da Oficina Plano Auto, Manuel Luis, também falou de tecnologias de fora do país e sobre as diferenças entre o serviço brasileiro e europeu, afirmando que os brasileiros entram mais nos detalhes das peças na hora da manutenção. E apesar de ser dono de oficina, Manuel disse que não há motivo para não compartilhar conhecimento: “não podemos ser egoístas, precisamos dividir as informações. Somos concorrentes, não inimigos. Todos deveríamos nos ajudar”.

PNEUS

A primeira palestra do meio-dia, no Auditório A, contemplou o tema “Pneus: tecnologia e importância” e Roberto Ayala Frias Júnior, supervisor de engenharia de vendas da Bridgestone do Brasil, foi o palestrante. O representante apresentou a história da fabricante e evidenciou como o mecânico deve escolher o pneumático adequado para cada carro, desmistificando polêmicas. “Um dos mitos é a mudança de medida dos pneus, quando o consumidor final quer colocar um aro maior para deixar o carro com apelo esportivo, por exemplo. Sobre o Congresso ele declara, diferentemente de outros eventos, o público vem para adquirir informação. Não é o entretenimento ou brindes que importam. O mérito é o conhecimento”, argumentou.

NOVIDADES PARA O SETOR DE DIESEL

Enquanto isso, acontecia no Auditório B a palestra “Diesel leve: novas tecnologias”, que focou nos novos procedimentos que estão sendo implantados em veículos leves movidos pelo combustível derivado do petróleo. “O mecânico tem medo que a eletrônica embarcada venha a tirar o trabalho dele, mas na verdade não é isso o que vai acontecer. Há trabalho para todos, basta se manter atualizado. Com novos veículos aderindo à motorização diesel, o mercado se torna melhor para o mecânico especialista. É um mercado muito bom porque os donos desses carros têm bom poder aquisitivo e a concessionária não dá conta de atender a essa demanda”, declarou Fernando Landulfo, professor da FMU e consultor técnico da Revista O Mecânico.

Landulfo comentou ainda: “aqui nós temos uma via de mão dupla, na qual os mecânicos aprendem e os palestrantes também. A criação desse congresso foi um tiro na mosca, pois trouxe tremenda valorização para a profissão e não havia nada como isso antes. A prova de sucesso é tão evidente que as montadoras e fabricantes estão todas aqui, dando a devida importância e vendo
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que o mecânico é um empresário”.

O instrutor Thiago Artencio, técnico em sistemas automotivos da Mitsubishi, mostrou como o downsizing – processo que consiste na diminuição de motores, buscando economia de combustível, mas sem perder rendimento – está cada vez mais presente nos veículos da montadora japonesa. “Antigamente tínhamos o 3.2 que gerava 165 cv. Hoje temos um 2.4 que rende 190 cv. Ou seja, temos um motor que atende a norma de emissão de poluentes e melhora a economia do carro”, relatou o especialista.

O terceiro palestrante deste painel, o gerente de marketing de produto André Faria da FPT Industrial, tratou sobre novidades mostradas na Alemanha: “apresentamos aos mecânicos a mesma tecnologia que lançamos no IAA (Internationale Automobil- Austellung), o Salão do Automóvel de Frankfurt, um dos maiores motorshow do mundo. Ou seja, soluções de propulsão alternativa, como os híbridos e o powertrain exclusivo da FPT. E para a fabricante, é sempre uma ótima experiência estar com os mecânicos. Para a FPT o evento foi 100% consolidado com esse 2º congresso e atender os participantes foi importante para a imagem da marca”.

ELETRÔNICA AUTOMOBILÍSTICA

Já no Auditório C, também às 12h, começou a palestra “Entendendo a Injeção Direta e Indireta”, com Lothar Werninghaus, instrutor internacional certificado pela Audi, que apresentou como um motor a combustão foi criado e o que é possível encontrar nas tecnologias mais recentes. “Hoje conseguimos chegar a um refinamento no quesito injeção direta e indireta”, comentou o palestrante. De acordo com Lothar, o número maior de inscritos surpreendeu: “o que mais chamou atenção foi a quantidade de pessoas em todas as palestras, que foi maior do que o 1º congresso”.

GERINDO UM NEGÓCIO

A faixa horária do meio-dia teve, no painel D, a palestra sobre “Ferramentas de Gestão”. O Coordenador Estadual do Sebrae-SP, José Paulo Albanez, deu dicas de como os mecânicos devem gerir suas oficinas e explicou que, apesar do conhecimento técnico avançado que os profissionais da reparação detêm, a administração não pode ser posta em segundo plano. “Estamos à disposição para auxiliar nos controles internos de fluxo de caixa, organizar as finanças da empresa, marketing, divulgação, gestão de pessoas e treinamento, além da parte jurídica”, afirmou.

O gerente sênior de Engenharia e Negócios da DPaschoal, Eliel Bartels, destacou como as ferramentas de gestão podem auxiliar a oficina mecânica a melhorar o relacionamento com o cliente: “a ênfase foi para melhorar a relação, para torná-la mais confiável, fazendo com que o consumidor final possa entender que aquele estabelecimento é transparente no processo de diagnóstico, orçamentação e execução, poupando-lhe tempo, recursos do meio ambiente e dinheiro”.

Bartels enalteceu o 2º Congresso Brasileiro do Mecânico: “essa oportunidade é única no ano. Aqui encontramos concorrentes, fornecedores e amigos. Como DPaschoal ficamos lisonjeados de poder compartilhar informações, porque quanto melhor for o nível do setor – e esse é o objetivo do congresso -, melhor será a competição. E o grande beneficiado disso tudo é o cliente final. O Brasil tem os melhores mecânicos do mundo e falo isso porque já visitei nove países. O mecânico brasileiro tem capacidade ímpar de entender e atuar na causa raiz do problema. Esse congresso já virou referência, são 3 mil profissionais seletos, com perguntas extremamente relevantes. Torço para que em 2019 a organização consiga lotar o pavilhão inteiro do Expo Center Norte”.

MANUTENIBILIDADE

Após o intervalo para almoço, que foi rico em troca de experiências e informações entre os fabricantes, participantes e moderadores do 2º Congresso, a maratona de palestras foi retomada às 14h30 com mais quatro temas simultâneos. No Auditório A, o painel “As montadoras e o mecânico moderno” abordou o tema “Desenvolvimento e Reparabilidade do Veículo – Parte 1”, com representantes de duas montadoras: Reinaldo Nascinbeni, da Ford, e Gilberto Ponce, da FCA Fiat Chrysler Automóveis.

De acordo com o especialista em Assistência Técnica da FCA, a manutenibilidade parece ser um termo novo, mas ela nada mais é do que a uma característica inerente a um projeto de produto, e se refere à facilidade, precisão, segurança e economia na execução de ações de manutenção nesse produto. “O nosso principal objetivo como montadora é que o nosso produto seja facilmente reparado, o que ajuda a manter custos baixos de manutenção”, disse o palestrante. Segundo ele, o evento foi importante para lembrar de uma importante parcela de profissionais: “nós como FCA só temos a agradecer. Comecei minha carreira como mecânico e esse tipo de evento não existia. Os mecânicos eram esquecidos até a criação deste evento”.

O instrutor da área de treinamento técnico da Ford, Nascinbeni, contribuiu com o depoimento do palestrante da FCA, argumentando: “antes era impossível fazer esse tipo de palestra e as informações tinham que ser transmitidas via correios. Hoje é possível fazer tudo online e o site da Ford, dedicado aos mecânicos, tem mais de 2.700 dicas técnicas”.

Por sua vez, Reinaldo contou que sua palestra teve como mote o motor EcoBoost que, segundo ele, poucos mecânicos sabem reparar: “o sistema de alimentação foi um assunto abordado, e também falamos sobre as maneiras de atender o cliente. Ou seja, as mesmas dicas que damos aos nossos distribuidores transmitimos para os mecânicos que vieram aqui, pois desejamos que o nível de atendimento desses profissionais seja o mesmo que os nossos concessionários dispõem”.

COMMON RAIL

No mesmo horário, a Delphi Technologies apresentava a palestra “O Futuro da Mecânica Diesel – Common Rail”, com o técnico de suporte ao cliente da marca, Lucas Kozma, que nos relatou como é o sistema utilizado no Hyundai HR e na Mercedes-Benz Sprinter. “Os mecânicos apresentaram muitas dúvidas, mas todas foram sanadas.

Essa grande quantidade de questionamentos se deve a falta de informações e não por complexidade do sistema. Expliquei sobre o injetor, que acaba apresentando problema por falta de cuidado na instalação,” discorreu Kozma. “Quando temos a chance de encontrar os profissionais no congresso, e não só por e-mail ou telefone, é ótimo para a Delphi”, opinou sobre o evento.

DIREÇÃO ELÉTRICA

Na primeira palestra do Auditório C após o almoço, Tales Miranda, gerente de desenvolvimento de produto da ZF Aftermarket para América do Sul, foi o responsável pelo conteúdo que abordava o tema “Eletrônica Automobilística, Desvendando a Direção Elétrica”. Na apresentação, Miranda mostrou a evolução da direção hidráulica para a elétrica, que propicia a diminuição do consumo de combustível, mas ressaltou que ainda é um sistema pouco reparável: “é melhor substituir a peça inteira, pois ainda não encontramos uma maneira segura de fazer reparação. Apenas alguns itens estão liberados para manutenção, como chicote e a verificação da bucha interna (chamada de estrela ou aranha)”.

Questionado sobre o 2° Congresso Brasileiro do Mecânico, Tales Miranda afirmou estar impressionado e que este é o único caminho para que o mercado independente evolua, com troca de informação entre a fábrica e o mecânico. “Para nós fabricantes é importante estar em contato com o mecânico porque, muitas vezes, desenvolvemos produtos pensando nos veículos e nas demandas das montadoras, mas esquecemos que existe o mecânico. Porém, é o profissional da reparação que vai deixar o usuário final feliz, por isso esse contato é fundamental”.

De acordo com Miranda, no 2º Congresso a ZF pode coletar depoimentos valorosos de como desenvolver melhor alguns produtos. “Quando subi no palco, me impressionou a quantidade de pessoas e o nível de interesse dos participantes”, finalizou.

DISTRIBUIÇÃO

A outra palestra das 14h30 foi a de “Atualização e Gestão, A Cadeia de Autopeças e o Mecânico”, no Auditório D, que contou com a participação de Marcia Bonfim, da DPK Distribuidora de Autopeças e José Augusto Oliveira da Silva, da Rede Ancora.

Marcia Bonfim afirma que a logística
é fundamental no mundo cada vez mais
ávido por serviços rápidos e perfeitos: “precisamos melhorar o sistema de distribuição de peças, para que o mecânico possa encontrar a peça certa com maior rapidez. A pior coisa que acontece é quando o profissional compra uma peça e é entregue o produto errado”. A gerente executiva de Novos Projetos e Marketing da DPK disse que somente a capacitação e conectividade poderão ajudar a evitar equívocos nas oficinas e elogiou a organização do evento. “O cliente final está conectado. Se o mecânico não estiver, ele vai perder espaço no mercado. Já a organização do espaço foi muito melhor do que em 2017 e fica evidente que o público veio buscar conhecimento e soluções para os negócios deles”.

O gerente nacional de operações da Rede Ancora conseguiu cumprir o objetivo de fornecer mais informações a respeito da Rede Ancora e do seu modelo de atuação no mercado: “procuramos mostrar ao público presente a importância de estar em rede para crescer em um meio tão competitivo como é o nosso mercado”. Além disso, José teceu elogios sobre a organização e planejamento do Congresso, afirmando que “o evento deu um salto muito importante em relação à primeira edição. O público foi bastante participativo e os temas abordados nas palestras foram de interesse geral. No primeiro evento, infelizmente, não pudemos estar presentes, mas conversando com nossos parceiros, as indústrias de autopeças, tivemos um feedback muito positivo do Congresso em relação à primeira edição. Acredito ser importantíssima essa aproximação com o mecânico, que é quem decide a compra e constantemente avalia a qualidade dos produtos e dos serviços prestados. Parabéns a toda equipe de O Mecânico pela excelente oportunidade deste encontro!”

DESENVOLVIMENTO E REPARABILIDADE, SEGUNDA PARTE

Mais uma rodada de palestras teve início às 15h30. O Auditório A recebeu Roberto Pereira
Ramos, da Chevrolet, e José dos Anjos, da Volkswagen, para tratarem do assunto “As montadoras e o mecânico moderno, desenvolvimento e reparabilidade – parte 2”. Segundo o líder do departamento de simulações da GM do Brasil, o mecânico precisa seguir o que está no manual do proprietário para respeitar o projeto desenhado pela fabricante: “mostrei como desenvolvemos os carros utilizando simulação, antes de existir um protótipo. Enfatizei a necessidade de utilizar peças originais e que se deve seguir o manual do veículo, pois são cinco anos para que um automóvel saia do papel e temos aproximadamente 18 mil peças. Portanto, utilizar componentes corretos aumenta a vida útil do produto”, explicou

Roberto Pereira Ramos afirmou ainda que é importante ter contato com os mecânicos independentes da reparação para transmitir quais são os próximos passos da indústria automotiva: “no Brasil vai demorar para termos carros 100% elétricos, mas os híbridos serão comuns e os mecânicos deverão estar atualizados para trabalhar com esses automóveis. A especialização deve ser feita no sentido de entender como funcionam sensores, pois os modelos autônomos estão chegando. Por isso, esse contato com os profissionais é fundamental, pois eles são nossos clientes. Quando fazemos essa aproximação, eles passam a fazer propaganda da marca”.

Já José dos Anjos, supervisor de Novos Negócios da Volkswagen do Brasil, decretou que o 2º Congresso acertou no formato e espaço, tanto dos expositores quanto das palestras. “Esse ano está muito maior. É possível interagir com o público e os fornecedores, está muito bom!” De acordo com Anjos, o 2º Congresso já está consolidado e adiantou novidades para 2019: “tem o triplo de pessoas do ano passado e a Volkswagen com certeza estará aqui ano que vem”. O supervisor mostrou quais são as novas peças da linha Economy Parts, da VW. “Lançamos uma nova linha de filtros de cabine e aqui tivemos uma oportunidade única paro eventor. Os filtros têm custo de reparabilidade muito menor para o mecânico, com qualidade melhor”, relatou.

REMANUFATURADO OU RECONDICIONADO?

A segunda palestra das 15h30 explicou a diferença entre peças Remanufaturadas e Recondicionadas, sob o tema “O futuro da mecânica diesel”, no auditório B. A gerente de marketing e vendas, Fernanda Silva, da Garret Motion, mostrou a diferença entre os dois tipos de turbo, pois a empresa é a mais tradicional fabricante de sistemas de turboalimentação de motores.

“O recondicionado é feito por qualquer empresa sem controle de qualidade. Já o remanufaturado é feito na Garret Motion, inclusive as etapas de desmonte e limpeza. Caso seja necessário, substituímos o turbo por um novo. E aí está a diferença entre os dois produtos: o remanufaturado entra na mesma linha de produção destinada para as montadoras. Ou seja, os critérios de qualidade são rígidos e o produto é assegurado com um ano de garantia”, comentou a palestrante.

Fernanda afirmou que o evento foi ideal: “a organização acertou e o Congresso foi perfeito. É umo evento extremamente técnica, sem a interferência da parte comercial. Infelizmente, no Brasil os mecânicos independentes são muito carentes de informação, por isso a Revista O Mecânico está de parabéns!”

Newton César Juliato, Supervisor de Desenvolvimento de Produtos e Assistência Técnica na BorgWarner, também
comentou sobre as vantagens da aplicação das peças remanufaturadas de fábrica e como a marca vê a oportunidade de estar próximo do mecânico: “a chance de levar conhecimento para os mecânicos conhecerem o produto remanufaturado e suas vantagens técnicas e comerciais é excelente. O 1º Congresso já havia sido ótimo pela iniciativa e criatividade. A segunda edição ganhou força de mais apoiadores, que tiveram interação maior ainda com o público especializado. O Congresso do Mecânico só tende a crescer ano após ano e entrou de vez para o calendário anual de eventos. Um cliente da Argentina me disse que achou incrível a realização e ele queria algo assim lá também”.

O líder de gerenciamento de produto da Cummins Brasil para América Latina, Edivaldo da Silva Portugal, também comentou sobre os principais benefícios dos produtos remanufaturados: “esse contato com o profissional é muito importante, pois conseguimos entender as reais necessidades de nossos clientes, bem como esclarecer dúvidas referente aos nossos produtos. Este 2º Congresso Brasileiro do Mecânico só mostra o quão sólido este evento se tornou. Além disso, percebi muito interesse por parte público e um número interessante de participantes”, finalizou.

O MECÂNICO CONECTADO

Amaury Oliveira, diretor Executivo da divisão da Delphi Technologies – braço da marca voltado para o mercado de reposição de peças – afirmou estar impressionado com o número de participantes, a qualidade das instalações, das palestras e parabenizou a equipe que organizou o segundo evento: “a Delphi quer estar muito próximo do mecânico e mostramos como o profissional vai ter que lidar com carros que estão cada vez mais conectados à internet, com aplicativos e vários sistemas complexos. A eletrônica embarcada está crescendo de forma exponencial e nós mostramos como ele deve se diferenciar no mercado, para que possa ser escolhido pelo consumidor na hora de fazer manutenção”.

Oliveira, que participou da palestra das 15h30 no painel C sob o tema “Eletrônica Automobilística – Conectividade”, alegou a importância de estar em contato com os mecânicos independentes: “acreditamos que a fábrica que não estiver em conexão com o aplicador de suas peças está perdendo uma oportunidade ímpar. Aqui surge uma série de novidades e demandas que pretendemos atender em futuro próximo”.

Já Fernanda Giacon, diretora de marketing da ZF América do Sul, mostrou que o nível de tecnologia está elevado e que, portanto, é preciso se familiarizar com as tendências: “quando soubemos que o tema seria conectividade, sabíamos que deveríamos abordar sobre atualização dos mecânicos. A lógica é que haja avanços cada vez mais velozes na tecnologia, fazendo com que o desafio da fabricante – ao levar esse tipo de conteúdo em um país tão grande quanto o nosso – seja enorme. Lançamos um programa no ano passado chamado ‘Amigo bom de peça’, tendo o objetivo de tornar esse conteúdo mais acessível para o mecânico estudar a hora que for conveniente”.

Fernando Martins Rodrigues, responsável pela rede de serviços e distribuição de peças da ZF, abordou o tema “Manutenção Preditiva – Serviço 4.0”, que teve como objetivo o conceito de manutenção através do uso da Telemática com veículos conectados: “hoje fala-se muito em tecnologia para automação da manutenção, gerando agilidade nos diagnósticos e plano de manutenção. Todavia, sem os mecânicos – e atualmente eletrônicos também – este ecossistema não funciona! Ou seja, temos que estar cada vez mais presentes nas oficinas”, destacou.

SUSTENTABILIDADE

A última palestra antes da pausa para o café de negócios abordou o tema “Atualização e Gestão – Oficina Sustentável”, com os palestrantes Sérgio Ricardo Fabiano, do Instituto de Qualidade Automotiva, e André Luis do Santos, da Mazola Ambiental.

“Falamos sobre os principais pontos para uma oficina conseguir o selo de sustentabilidade, mostrando que o empresário pode implantar em seu estabelecimento alguns processos e, mesmo assim, ter retorno financeiro”, afirmou o gerente de Serviços Automotivos do IQA. Fabiano apontou ainda que a sustentabilidade começa na entrada da oficina e só termina na última fase, que é quando se deve fazer adequadamente os descartes de produtos.

Por sua vez, André Luis procurou esclarecer sobre as legislações ambientais: “o pequeno gerador de resíduos vai ser cada vez mais cobrado para descartar os dejetos de forma correta. Esse procedimento pode ser feito de forma simples, pois não é um bicho de sete cabeças, bastando mudar alguns hábitos para se adequar às leis”. Depois desta rodada de palestras, o 2º Congresso Brasileiro do Mecânico proporcionou uma pausa para o Café de Negócios.

FLUSHING

Depois de uma hora dedicada à troca de informações e experiências, os mecânicos voltaram para o Grande Auditório, onde foi abordado o assunto “Flushing de Motor: Funciona?” com diversos especialistas no assunto. Fernando Landulfo, professor da FMU e mestre em engenharia mecânica, esclareceu quais são os dois processos de flushing e como eles são feitos: “tanto do sistema de alimentação, que tende a combater a carbonização dentro das câmaras de combustão, quanto aqueles do sistema de lubrificação, que tem como objetivo dissolver a borra de óleo. Ambos processos surtem efeito e isso já foi comprovado”. Contudo, Landulfo ressalta que ainda não foram feitos estudos suficientes para determinar os efeitos colaterais do flushing: “há desconhecimento sobre os produtos químicos que envolvem os produtos – que são bastante agressivos – e faltam estudos acadêmicos que comprovem os danos colaterais dentro do motor, principalmente quando eles afetam polímeros e borrachas”.

O consultor técnico da Radiex, Cleon Matos, disse: “tivemos a chance de mostrar nossos produtos e como é o flushing do motor no sistema de lubrificação. Estar presente em um evento com mecânicos de todo o Brasil foi uma ótima oportunidade para a Radiex, pois retransmitimos informações importantes e esclarecemos dúvidas do dia a dia”. Apesar de ter participado apenas do 2º Congresso, Matos conta que a estrutura foi inovadora: “foram abertos vários assuntos pertinentes ao meio automobilístico e de forma dinâmica”.

Delton Stabelini, que é especialista técnico da ICONIC Lubrificantes, marca representada pela Texaco, comentou que o objetivo foi aproximar ainda mais a marca Texaco Lubrificantes e seus produtos de um público importante nas estratégias da marca, além de divulgar o blog que possui bastante conteúdo para o segmento: “reforçamos que a utilização de um óleo lubrificante correto, bem como o intervalo de troca adequado ao seu regime operacional, impediria a formação da borra e por consequência a necessidade de Flushing”.

CEO da Koube Indústria de Produtos Químicos, Raimundo Santana Queiroz agradeceu à organização do evento por promover o debate que levou conhecimento aos mecânicos. Ele expôs em sua apresentação como os produtos da empresa atuam no problema da borra dentro do motor e estimulou os mecânicos a analisarem o problemas antes de tentarem corrigi-lo.

O assistente técnico da Total Lubrificantes do Brasil, Rafael Carvalho, falou como é a influência dos níveis de performance dos óleos lubrificantes no Flushing de motor e sobre as especificações de óleo de motores API/ILSAC/ACEA. “A chance de estar no Congresso é muito positiva, porque o mercado de mecânicos possui uma forte influência na indicação de óleos lubrificantes, considerados pela Total como grandes formadores de opinião. Considerando esta ideia, estar próximo deste grupo de clientes é conhecer mais profundamente o mercado, para oferecer melhores produtos e manter nosso compromisso com a inovação. A cada edição o evento garante um ótimo acompanhamento do mercado, trazendo as novas tendências do mundo automotivo, consolidando sua presença entre mecânicos e profissionais da área. Na minha leitura, o segundo evento superou as expectativas por ter conseguido traduzir a necessidade do mercado, trazendo as empresas mais renomadas do mundo automotivo, com isso, trazendo ao público o que há de melhor em produtos e soluções”, ratificou Carvalho.

PROFISSÃO EM PERIGO

O último painel do dia, “Mecânico, Profissão em Perigo?”, abordou os principais desafios para a mecânica de automóveis e o que os mecânicos devem fazer para sobreviver em meio à tanta concorrência.

José Paulo Albanez, do Sebrae-SP, argumentou que além de a profissão estar em perigo, os profissionais precisam enfrentar a constante atualização: “os hábitos dos consumidores estão mudando e eles buscam formas alternativas de mobilidade. Usam motos elétricas, bicicletas e carros compartilhados, o que representa um grande desafio. A única solução é a capacitação”. O mecânico José Natal da Silva, proprietário da Megacar Centro Técnico Automotivo, delegou a responsabilidade para o próprio mecânico: “a profissão em perigo está em cada um. O profissional só coloca a sua carreira em risco quando deixa de se atualizar. Quando o mecânico está antenado e buscando as melhores soluções, ele sempre estará seguro na profissão”. Natal deixou um recado: “nós viemos para aprender e cada palestrante que passou aqui plantou uma semente, que certamente gerará melhores frutos nos próximos anos”.

O proprietário da Engin – engenharia automotiva, Paulo Bueno, se sentiu privilegiado por participar do 2º C Congresso do Mecânico como formador de opinião na última apresentação do dia: “nós extraímos a ideia de que quem se atualizar vai sobreviver. Hoje as redes sociais estão mudando o hábito das pessoas e os aplicativos estão invadindo
as oficinas e nós precisamos aprender a lidar com eles. O tema da última palestra do Congresso mudou, assim como as nossas preocupações. Em 2017 nós tivemos uma abordagem técnica sobre cambagem. Esse ano foi sobre o futuro da profissão, provando que a condição de sobrevivência é a instrução”.

Edson Roberto de Ávila, conhecido como Mingau, é dono da Mingau Automobilística e defendeu que as mudanças são tão rápidas que o setor passa por uma mutação. Segundo ele, somente a imprensa especializada pode ajudar no processo de construção dos novos mecânicos: “a mídia especializada, como a Revista O Mecânico, dá a possibilidade de nos reunirmos com as fábricas e somos privilegiados por essa proximidade. O Congresso é fantástico para profissionalizar nosso setor”.

O dono da oficina High Tech, Roberto Montibeller, acredita que quem não se atualizar estará com os dias contados: “carros híbridos e elétricos estão mudando o perfil da frota brasileira. Ainda existe mercado para os mecânicos por pelo menos 20 anos, mas vai mudar”.

Outro mecânico que participou da palestra sobre a profissão dos mecânicos foi Bruno Rodrigo Costa, da Juca Bala Racing. Além de corroborar com a visão dos demais debatedores, Costa fez um paralelo entre a evolução atual com a de injeção, ocorrida há alguns anos: “a transformação de hoje é parecida com aquela do carburador para a injeção eletrônica. Ou seja, basta se especializar para sobreviver: não é perigo, é oportunidade”, finalizou.

Lembrando que os painéis tiveram a mediação de Edison Ragassi (editor das revistas O Mecânico e CARRO) no Auditório A, e dos repórteres das duas revistas, Fernando Lalli (no Auditório B), Rafael Déa (Auditório C) e Gustavo de Sá (Auditório D).

Apoiadores

2º Congresso Brasileiro do Mecânico foi uma oportunidade para os apoiadores exporem seus produtos e serviços e se aproximarem dos profissionais do setor automotivo. Nos estandes, cada empresa mostrou seu portfolio e fortaleceu as relações com os mecânicos.

Texto e fotos Raycia Lima

Apoiadores

2º Congresso Brasileiro do Mecânico foi uma oportunidade para os apoiadores exporem seus produtos e serviços e se aproximarem dos profissionais do setor automotivo. Nos estandes, cada empresa mostrou seu portfolio e fortaleceu as relações com os mecânicos.

BORGWARNER

A empresa levou suas marcas Wahler e Delco Remy. A maior novidade foi a válvula termostática para o motor Dragon 1.5 da Ford, que substituiu os propulsores Sigma. “O Congresso ajuda a alavancar as vendas já que temos contato direto com o mecânico” comentou o consultor técnico da unidade Wahler, Heribaldo Gomes de Sousa.

BOSCH

Os lançamentos da Bosch no evento foram o scanner KTS 350 e a máquina Robinair 92500 para trocar óleo de câmbio automático. O responsável pela Área de Equipamentos de Testes no Brasil, Rodrigo Jacob, comentou que, “o evento está sendo muito interessante e cresceu muito em comparação a edição do ano passado”.

CONTITECH

A empresa levou seu portfólio de produtos e esclareceu as dúvidas do público. “A participação da Continental foi uma oportunidade especial para que a empresa mostrar seu compromisso com o desenvolvimento de componentes automotivos e soluções inovadoras e acessíveis para a reposição.”

DANA

A fabricante das marcas Albarus e Spicer participou pela primeira vez do Congresso Brasileiro do Mecânico.
O Diretor de Comunicação e Marketing, Luís Pedro Ferreira, ressaltou a surpresa positiva. “Um evento solido com um conceito inovador e uma preocupação com formas diferentes de entregar a informação” elogiou.

DAYCO

O kit de distribuição foi o foco da marca, que também levou ao seu estande mangueiras e tensionadores, além da
tecnologia de correias teflonadas. O gerente Comercial, Luiz Zappa salientou a importância da presença da empresa “Este é um momento que podemos estar mais próximos do mecânico para entender suas necessidades”.

DELPHI

A Coordenadora de Marketing, Camila Rocha, explicou que “O evento é importante para tirar as dúvidas do público e é aqui onde temos o maior contato com o mecânico”. No estande da empresa os visitantes conferiram a linha de elas de ignição que completou um ano desde seu lançamento e o portfólio da tríade com bobina, cabo de ignição e vela.

DPK

A empresa do grupo DPaschoal foi com o intuito de fechar parcerias. Com a ação “Rede de Credenciados”, a Gerente de Marketing, Marcia Bonfim, explicou que o programa disponibiliza aos mecânicos parceiros ajuda na gestão da oficina, tecnologia para modernização e profissionalização para os envolvidos.

ELRING

A fornecedora de peças levou sua linha de juntas para veículos leves nacionais e importados. Os produtos químicos Dirko também marcaram presença no estande da empresa. O gerente de Vendas, Perci Albergaria, comentou Aqui há um público técnico e bastante interessado em tecnologia, sendo que tecnologia e inovação são os motes da Elring”.

GATES

A empresa marcou presença no evento com sua linha de correias, kits formados por correias e tensionadores e a nova linha de mangueiras. O gerente de Marketing da América do Sul, Fabio Murta, destacou que: “A presença de um público altamente focado e interessado em conversar com as fábricas está sendo o diferencial para nós”.

HENGST

A fabricante levou seu portfólio de filtros para a linha leve que atende modelos da BMW e o VW Jetta, porém o foco foi a linha de filtros de cabine Blue.care. O técnico de Campo da Hengst, Matheus Michelon, explicou que: “Essa linha Blue.care além de reter o detrito e o odor, ela também retém bactérias, o que por exemplo ajuda pessoas com doenças respiratórias”.

HIPPER FREIOS

A empresa teve em seu estande a presença do piloto Cacá Bueno e a nova tecnologia Hipper Grinding de retifica cruzada que dispensa o tempo de pré-assentamento das pastilhas. O Supervisor de marketing, Jefferson Pereira destacou: “O congresso é uma grande oportunidade para a empresa de estreitar o relacionamento com a rede de distribuição e aplicação.”

KYB

Próxima de completar cem anos de existência, a KYB ingressou no mercado de reposição brasileiro, recentemente, em 2014. No estande, a marca buscou fortalecer o programa de relacionamento Tomodachi. Segundo o Coordenador Técnico, Alexandre Parise, o intuito no evento foi o contato direto com o mecânico: “Viemos trazer um pouco da tecnologia da KYB para os mecânicos”.

IGUAÇU

A empresa levou sua linha de sensores de temperatura e de combinado, uma solução para o sistema de arrefecimento de veículos mais novos. O Coordenador de Marketing, João Cunha, explicou que: “Apostamos muitas fichas já que é um evento voltado para o mecânico e esse é exatamente o público que a indústria busca”.

IZETTLE

A empresa sueca especializada em tecnologia financeira levou para o Congresso um aplicativo que permite gerenciar negócios do ponto de vista de venda, estoque e relatórios. O Responsável pela área comercial, Mario Guernelli, explicou que: “Nossa solução busca dar um fôlego financeiro para empreendedores desse segmento”.

NAKATA

A fabricante esteve presente pela primeira vez no evento e focou em levar aos mecânicos suas iniciativas de capacitação como por exemplo o Curso do Mecânico. A coordenadora de Comunicação, Daniela Mitsueda, ressaltou: “Fomos positivamente surpreendidos com a qualidade do público, não só de São Paulo mas como de vários estados”.

SCHAEFFLER

A empresa levou suas três marcas LUK,FAG e Ruville. Produtos como FAG rolamento e cubos de rodas, INA Thermal Management e LUK cilindros hidráulicos de embreagens automatizadas estavam no estande. Segundo a Chefe de Marketing e Comunicação da Schaeffler América do Sul, Renata Campos “O evento do ano passado foi muito positivo e esse ano, desde o começo do dia já sentimos um bom movimento.”

SKF

A empresa focou em divulgar o novo conceito de rede de oficinas SKF Car Center e SKF Truck Center. Outro destaque foi a Ferramenta de reparo da coifa da junta homocinética, que segundo o Gerente de Trade Marketing, Valter Lira, agiliza a mão de obra do mecânico. Sobre o evento, Lira destacou a qualidade dos mecânicos que compareceram: “Esse é justamente o público que queríamos atingir”.

SUN

Divulgou sua linha de diagnóstico completa com scanners automotivos, além de toda a parte de químicos. O analista de Marketing, Eduardo Zanetti, comentou que: “Esperamos que o Congresso continue ocorrendo pelos próximos anos pois aqui mostramos nossos lançamentos de forma mais direta com o mecânico” explicou.

TAKAO

O gerente comercial Rodrigo Martins comentou que a empresa destacou a linha nacional de peças para motores três cilindros, válvulas, pistão, junta, bronzina, correia e tensor, além da plataforma de curso online gratuito cademia do Motor. “Estamos aqui no Congresso para dar suporte aos mecânicos e atendê-los da melhor forma”.

TECFIL

A fabricante focou em todo seu portfolio,principalmente nos filtros ecológicos e na linha pesada e agrícola. Segundo o Assistente de Marketing, Ricardo Araújo, a expectativa atendeu o que esperavam. “A cada dia que passa o evento vem crescendo mais e para nós o Congresso sempre gera muitos negócios” destacou.

TEXACO

A empresa estava no Congresso representada por sua distribuidora em São Paulo, a VDA. O supervisor externo da VDA, Matheus Eduardo, comentou que no estande mostraram a linha de lubrificação do motor e a linha de graxas. Aditivos para radiador também marcaram presença. “Estamos tendo aqui um estreitamento de relacionamentos de quem utiliza e indica o produto”, ressaltou.

TOTAL

A gama de produtos premium como a linha de lubrificantes Fuel Economy foram os destaques da empresa. “Com muito orgulho estamos representando a Total Lubrificantes aqui no evento e estamos muito satisfeitos com os resultados”, destacou o técnico da Total Lubrificantes, Rafael Rodrigues Carvalho.

TWW BRIDGESTONE FIRESTONE

A distribuidora oficial da Bridgestone e Firestone compareceu no evento para fortalecer a sua marca e apresentar a linha de pneus para SUV. O gerente Comercial José Motta destacou a importância do contato direto com o mecânico: “Fazer da TWW a distribuidora oficial Bridgestone e aproximar o consumidor do produto é nosso objetivo hoje”.

URBA

Com sua linha de bombas d’agua que incluem a UB639 com aplicação no VW up! e a linha de bomba de combustível elétrica, a Urba marcou presença. “O evento vem de encontro com aquilo que a Urba sempre buscou, que é estar próximo do mecânico”, comentou o Engenheiro de Assistência Técnica, Orlando Fernandes.

VDO

A fornecedora de peças eletrônicas e mecatrônicas para o mercado automotivo destacou a importância do Congresso: “Ficamos muito felizes com o resultado do evento, onde foi possível trocar experiências com profissionais qualificados, oferecendo as melhores inovações para os mecânicos”, divulgou a empresa.

VIEMAR

Lançamentos como os Axiais para Fiat Argo e Cronos, a linha de combos e a ação de garantia de 70 mil km ou dois anos também marcaram presença em seu estande. O Promotor Técnico, Gustavo Almeida, destacou que: “Estamos trabalhando bastante os clientes da ponta e recebemos bastante visitas aqui no evento”.

WIX

A marca, integrante da Mann+Hummel, levou ao público a linha Mann Filters, além de elevar a garantia da empresa. O consultor de vendas, Alexandre Marquez destacou o movimento no Congresso: “O pessoal está muito interessado em nosso estande”.

ZF

A empresa levou para o Congresso seu portfólio com 32 famílias de produtos. Além disso, o programa “Amigo bom de peça” também foi um dos focos da multinacional no evento. A responsável de marketing do Aftermaket na América Latina, Fernanda Giacon, explicou: “Criamos essa plataforma para que o mecânico pudesse se atualizar. Além disso, ao fim do curso ele recebe seu certificado em casa”.

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